Acompanhar levemente os noticiários já é suficiente para saber que a educação no Brasil enfrenta vários problemas. Sabemos, por exemplo, que estamos entre os países com piores desempenhos em leitura e matemática, que o currículo do ensino médio está há anos sendo reformulado de forma indefinida, que um número significativo de jovens não estuda nem trabalha. Os caminhos para resolver esses e quaisquer outros problemas educacionais se iniciam da mesma forma: conhecendo bem o contexto e os pormenores relacionados a eles.
Nosso país vem caminhando bem na produção e análise das informações sobre educação. Temos décadas de dados coletados e indicadores elaborados pelo Inep e IBGE, que apontam como conseguimos avançar na universalização do acesso à educação, mas que ainda patinamos na permanência dos estudantes na escola e na sua aprendizagem. Em especial, os dados indicam um grande desafio a ser enfrentado: a garantia da equidade educacional.
Um conjunto abrangente de dados é imprescindível para elaborar, executar, monitorar e avaliar os resultados de políticas necessárias para promover equidade educacional. Esses dados devem ser produzidos e divulgados de maneira oportuna para informar as decisões tomadas pelos gestores, principalmente no que diz respeito a comunidades historicamente marginalizadas. Diversos indicadores mostram, por exemplo, que a qualidade da educação recebida por estudantes negros é sistematicamente inferior àquela recebida por estudantes brancos. Sabendo disso, é possível formular políticas focalizadas para reduzir desigualdades.
Nessa perspectiva, nos últimos dias 12 e 13 de dezembro, em Brasília, pesquisadores, especialistas e gestores públicos participaram do Seminário Dados para Quê? - Formulação, avaliação e monitoramento da equidade educacional. O evento foi promovido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC, pelo Inep e pela UNESCO.
Ao longo do encontro, foram abordados temas relacionados à produção, qualidade e aprimoramento de dados referentes às modalidades das políticas da Secadi, tais como educação de jovens e adultos, educação para as relações étnico-raciais, educação escolar indígena e educação especial na perspectiva inclusiva, entre outros. Foram levantadas lacunas nas informações existentes, que dificultam a oferta de uma educação antirracista, inclusiva e de qualidade de forma equitativa para todas as pessoas.
O aperfeiçoamento dos dados é crucial para ofertar políticas inclusivas. Sem isso, além dos desafios já conhecidos dos grandes números da educação, continuaremos aprofundando as intensas desigualdades.
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