Artistas e políticos lamentaram a morte do escritor Luis Fernando Verissimo. O escritor morreu na madrugada deste sábado, aos 88 anos, em Porto Alegre, em decorrência de complicações de uma pneumonia, segundo o hospital Moinhos de Vento, onde estava internado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu que Veríssimo era "um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo".
"Dono de múltiplos talentos, cultivou inúmeros leitores em todo o Brasil com suas crônicas, contos, quadrinhos e romances. Criou personagens inesquecíveis, a exemplo do Analista de Bagé, As Cobras e Ed Mort", segue a nota do presidente. "Sua descrição bem-humorada da sociedade ganhou espaço nas livrarias e na TV, com a 'Comédia da Vida Privada'. E, como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo; e defender a democracia. Eu e Janja deixamos o nosso carinho e solidariedade à viúva Lúcia Veríssimo —e a todos os seus familiares."
A Academia Brasileira da Letras também lamentou a morte do escritor, afirmando que "Verissimo nos ensinou a imaginar uma vida mais leve". O comunicado afirma ainda que "obras como 'O Analista de Bagé', 'Comédias da Vida Privada' e 'As Mentiras que os Homens Contam' o tornaram um dos autores mais queridos e bem-sucedidos do país".
A cartunista Laerte chamou Veríssimo de "amigo e mestre". Já Angeli também escreveu em suas redes. "Todo amor para Lúcia, Fernanda, Mariana, Pedro e família. Imensurável é ‘o pai’."
O dramaturgo Walcyr Carrasco também se manifestou. "Perdemos um dos grandes da nossa literatura. Luís Fernando Veríssimo foi o cronista da vida simples, das emoções humanas mais verdadeiras, do cotidiano que só ele sabia transformar em obra. Um gigante que fez da simplicidade a sua genialidade. Descanse em paz!"
A escritora Martha Medeiros postou que "o sábado inicia com o reverso do humor. Luís Fernando Veríssimo, que tantas alegrias nos deu através de personagens como Ed Mort, o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté, Dora Avante e tantos outros, infelizmente nos deixa". Ela segue dizendo: "por mais que a gente pense que está preparado, a morte é sempre um baque, uma violência. Obrigada, mestre, por todas as linhas, reflexões, epifanias, risadas, por toda a sua absoluta e inquestionável genialidade".
Em nota, o Ministério da Cultura escreveu que Verissimo "marcou a literatura e o jornalismo nacional com sua escrita inteligente, irônica e bem-humorada".
"A escrita acessível, refinada e divertida fez de Verissimo um dos autores mais lidos do país, conquistando leitores de diferentes gerações e ampliando a presença da literatura brasileira em diálogo com o público. O MinC se solidariza com familiares, amigos, colegas e milhões de leitores que hoje lamentam a partida de um dos maiores cronistas da história da literatura nacional", termina a nota.
O governador gaúcho Eduardo Leite (PSD) publicou a mensagem: "que o legado de Luis Fernando Verissimo siga nos inspirando, lembrando que cada pensamento pode refletir esperança e luz. Sentiremos muito a sua falta!".
Camilo Santana (PT), ministro da Educação, escreveu que Verissimo foi um "grande nome da literatura e do jornalismo do nosso país, ele deixa a marca de uma escrita cheia de humor e ironia, como ferramenta para descrever a nossa realidade e defender a democracia brasileira".
A ex-deputada Manuela d'Ávila postou que "agosto termina levando nosso gênio da escrita, da crônica e da charge, Luís Fernando Veríssimo".
A política gaúcha contou sobre a primeira vez que encontrou com o escritor, ainda na adolescência. "Ele parecia a pessoa mais tímida do mundo. Respondia pequenas frases entrecortadas com sorrisos. Hoje, quando o Brasil se despede de um dos seus maiores escritores, abraço Lúcia, de seus filhos e netos. Que o tempo conforte a saudade. Meus mais profundos sentimentos."
Em reclusão havia anos, Verissimo vinha lidando com as consequências de um acidente vascular cerebral que sofreu em 2021, quando deixou de escrever suas crônicas. Ele deixa a mulher, três filhos e dois netos.
Foram mais de 50 anos de textos escritos para jornais e revistas, quase 40 anos de livros publicados —nos dois casos quase sempre entre os mais lidos e queridos do país— sem jamais abandonar sua posição nítida no campo da esquerda reformista.
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