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Descrição de chapéu Congresso Nacional

Eduardo Bolsonaro pede a Hugo Motta para exercer mandato dos EUA para evitar cassação

Licença do deputado se encerrou em julho, e faltas na Câmara podem levar à perda do mandato a partir de 2026

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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, afirmou que enviou ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), um ofício em que pede para exercer seu mandato à distância na tentativa de evitar sua cassação por faltas. Ele solicita ainda que suas prerrogativas parlamentares sejam asseguradas.

Segundo Eduardo, sua permanência no exterior é forçada e se deve a perseguições políticas. "Vivemos, infelizmente, sob um regime de exceção, em que deputados federais exercem seus mandatos sob o terror e a chantagem instaurados por um ministro do Supremo Tribunal Federal que age fora dos limites constitucionais e já é alvo de repúdio internacional", afirma no documento, em referência a Alexandre de Moraes.

Um homem em um terno azul está falando em um microfone em um ambiente de plenário. Ele gesticula com as mãos, demonstrando entusiasmo ou ênfase em suas palavras. O fundo é composto por painéis de vidro, sugerindo um ambiente formal e institucional.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), durante sessão solene em 2024

O deputado argumenta que, a partir da pandemia de Covid-19, a Câmara criou um precedente para a participação remota, mas afirma que sua situação é muito mais grave do que a da pandemia.

"As condições atuais são muito mais graves do que as vividas naquele período: o risco de um parlamentar brasileiro ser alvo de perseguição política hoje é incomparavelmente maior do que o risco de adoecer gravemente durante a pandemia. Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda", diz.

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o Eduardo Bolsonaro sob suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista, em curso no STF. No ofício, o deputado diz que o indiciamento é indevido e se deu "em razão da atividade parlamentar legítima que exerço no exterior".

Eduardo tirou licença de 120 dias do mandato e viajou, em março, para os Estados Unidos, de onde articula punições a autoridades brasileiras com o objetivo de anistiar o pai, que começará a ser julgado pelo Supremo na terça-feira (2).

A licença terminou em 20 de julho e, desde então, Eduardo tem faltado às sessões plenárias. A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano, salvo licença ou missão oficial.

Porém, como mostrou a Folha, Eduardo não perderá o mandato em 2025 por excesso de faltas mesmo que deixe de comparecer sem justificativa a todas as sessões até o fim do ano. A punição só é possível a partir de março de 2026, quando a Câmara analisa as faltas do ano anterior.

No ofício, Eduardo diz que viajou aos EUA, inicialmente, em caráter privado e com apenas uma mala. "Anda no curso dessa viagem, surgiram noticias de que minha atuação internacional estava incomodando a ponto de se cogitar a cassação de meu passaporte e a imposição de outras medidas restritivas. Diante disso, [...] decidi permanecer em território norte-americano em licença não remunerada."

No documento, Eduardo afirma ainda que fez da diplomacia parlamentar um dos focos de sua atuação como deputado, tornando-se "reconhecidamente o parlamentar brasileiro com maior respeitabilidade no exterior".

Por fim, ele pede a Motta que a Câmara não se torne "cúmplice de um regime ditatorial já sancionado internacionalmente".

O presidente da Câmara já afirmou que Eduardo Bolsonaro terá o mesmo tratamento que qualquer outro deputado na análise sobre sua cassação.

No último dia 15, Motta enviou quatro denúncias contra Eduardo, que estavam paradas na Mesa Diretora, para o Conselho de Ética, seguindo o trâmite regular da Casa. Motta também vinha criticando Eduardo Bolsonaro em entrevistas à imprensa.

"Não posso concordar com a atitude de um parlamentar que está fora do país, trabalhando muitas vezes para que medidas tragam danos à economia do país [de origem]. Isso não pode ser admitido", afirmou, referindo-se ao tarifaço, em entrevista à Veja.

"Eduardo Bolsonaro poderia até estar defendendo politicamente algo que ele acredita, defendendo a inocência do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas nunca atentando contra o país. Quando isso acontece, eu penso que nem os seus eleitores nem os seus apoiadores concordam", completou.

Nos Estados Unidos, Eduardo tem influenciado o governo de Donald Trump a suspender o visto de autoridades, como ministros do STF, além de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros e aplicar a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

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