CISC




  CENTRO INTERDISCIPLINAR DE SEMIÓTICA DA CULTURA E DA MÍDIA




Dissertação de Mestrado



A Atuação do Analista de Negócios e da Informação

                              GÜNTER WILHELM UHLMANN
                                                 1999
2



         Günter Wilhelm Uhlmann




A ATUAÇÃO DO ANALISTA DE NEGÓCIOS E DA
             INFORMAÇÃO




                Dissertação apresentada no Centro de Pós-
                Graduação Pesquisa e Extensão da Universidade
                Guarulhos, como parte dos requisitos para a
                obtenção do título de mestre em Ciências Sociais
                Aplicadas, área de concentração Administração de
                Empresas, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª
                Noêmia Lazzareschi




          Universidade Guarulhos
             Guarulhos - SP
                 1999
3




Dedico este trabalho à minha família
Mirtes Maria
Günter Michael
Erwin Alexander

e aos meus pais
Elisabeth Agathe
Günter Hermann
4




Banca Examinadora

                    Prof.ª Dr.ª. Noemia Lazzareschi - UnG / PUC-SP

                    Prof. Dr. Belmiro do Nascimento João - PUC-SP


                    Prof. Dr. João Eduardo Prudêncio Tinoco - UnG / USP
5



      Sumário

Resumo                                                            i
Abstract                                                          ii

1.0             O problema                                         01
2.0             As transformações do macroambiente                06
2.1             Processos de trabalho e organização da produção   10
2.2             Decorrências estruturais                          32
2.3             Hábitos de consumo e suas conseqüências           47
2.4             O desafio do marketing                            56
3.0             O Estado-Nação e as organizações                  62
4.0             A Globalização                                    81
4.1             Globalização - um breve histórico                 85
4.2             Globalização - repercussões sobre as empresas     89
4.3             Adaptação Organizacional - uma súmula             91
4.4             Globalização – considerações inconclusivas        98
5.0             As Informações na nova realidade                  106
5.1             A Informática no ambiente contemporâneo           114
5.2             A evolução do uso da Tecnologia da Informação     120
5.3             O Analista de Negócios e da Informação            124
                O Analista de Negócios e da Informação e os
6.0                                                               135
                Princípios de Gestão
6.1             O planejamento da Informática                     138
                Informática : Organização e seus modelos de
6.2                                                               143
                Gestão
7.0             Conclusões                                        155
8.0             Bibliografia                                      159
6


Agradecimentos



      À Prof.a Dr.a Noêmia Lazzareschi que orientou a elaboração desta
pesquisa com muito carinho e paciência.
      À Universidade Guarulhos - UnG pelo apoio financeiro necessário à
realização deste trabalho.
      À Prof.a. Ieda Maria Silva P. Barbosa e ao Prof. Henrique Mori pelo
esmero, estímulo e profícuo apoio na revisão editorial e ortográfica deste
trabalho.
      E, sobretudo, àquele que, por sua mão e desígnio, a tudo isto possível
tornou : O Grande Arquiteto do Universo!
7




Resumo



       Este trabalho tem como objetivo analisar o ambiente sócio-econômico
deste século, procurando demonstrar as repercussões das transformações
econômicas, políticas, sociais e culturais do capitalismo sobre a organização
das empresas e a necessidade de sua adaptação às novas realidades como
fator de sobrevivência. Trata-se de evidenciar a necessidade de uma interação
entre os sistemas de informações e a gestão do negócio propriamente dita,
apontando para a relevância do papel de um gestor, aqui denominado de
Analista de Negócios e da Informação. Pretende-se demonstrar, que este
gestor, além de sólidos conhecimentos da atividade fim da organização, não
poder prescindir de conhecimentos da tecnologia de processamento de dados
e da análise de sistemas como condição necessária, embora não suficiente,
para que a gestão das organizações se revista da eficácia requerida.

       Este trabalho procura mostrar, portanto, a importância da eficaz gestão
das informações como agente viabilizador das organizações num ambiente de
alta competitividade, evidenciando neste contexto a atuação deste novo
profissional, ou seja, o Analista de Negócios e da Informação.


Abstract

       Changes in the market are constantly imposing ever new requirements on the
organizations. A high degree of flexibility in fulfilling customers requirements, quick
turnaround and short production runs are the basic principles of market success. This
term - paper has the goal to examination of the social and economical background in
this year hundred. Against this background, Business Process Optimization has become
increasingly vital to enable a company to adapt its organization to the new challenges
and to ensure control as a support for business management in these short-lived markets.
       It analysis the organization and the aspects of company environment, how
decisions are taken, what aspects are necessary to take the decisions, the pre-requisites
for a management information system is an increasingly crucial factor in formulating a
future-oriented, successful business strategy.


       Without the intention of answering in a conclusive way, but yet witting to
cooperate with the theme of the good information management as a tool for a dynamic
business management, the way forward in a high competitive environment.
8



1.O Problema




      O Analista de Negócios e da Informação tem a origem da sua atuação
no Analista de Sistemas que, como se sabe tinha por incumbência satisfazer as
exigências tecnológicas referentes aos aplicativos (softwares) por ele
concebidos. A preocupação com o 'negócio' ficava para os gestores do
negócio, que por sua vez, geralmente não possuíam o conhecimento da
Tecnologia da Informação ( TI ).

      A partir deste objetivo, procurar-se-á, portanto, demonstrar a evolução
das organizações em sua contínua adaptação, na procura de um novo ponto
de equilíbrio com o macroambiente sócio-econômico , igualmente em contínua
mutação.

      Para fins deste trabalho, esta análise ficará restrita ao século XX,
procurando evidenciar os aspectos organizacionais mais relevantes, relativos
ao ambiente de alta competitividade, que caracteriza o capitalismo deste final
de século, transformado pelo processo de globalização da economia e que
passa a requerer uma nova abordagem. A partir desta hipótese tratar-se-á de
demonstrar o novo valor das informações para as organizações, bem como a
necessidade de um gestor das mesmas, não no sentido tradicional, mas sim,
adequado aos novos paradigmas, donde emerge a figura do Analista de
Negócios e da Informação,      o gestor de negócios que os viabiliza com o uso
da Tecnologia da Informação.


Objeto


Problema

      O descompasso entre o estágio de desenvolvimento do macroambiente
e o dos modelos organizacionais aplicados às organizações.
9


Análise situacional crítica




      Publicações específicas sobre a vivência profissional e os livros e
palestras de autores chamados pela mídia de gurus           da administração
evidenciam uma profunda mudança no macroambiente econômico e social.

      Evidencia-se, também, que a ação de agentes transformadores da
ordem tecnológica, social e econômica, resultando na contínua apresentação
de novos modelos organizacionais e de gestão, com a finalidade de obter-se
um equilíbrio entre os níveis de desenvolvimento das organizações e o do
ambiente ao qual pertencem.

      Frases tais como: - “ Os modelos organizacionais tradicionais estão
exauridos!    Novos modelos e conceitos urgem!          A sobrevivência das
organizações depende da sua capacidade de adaptação ... !” são expressões
das transformações ambientais e suas inevitáveis repercussões sobre as
organizações deste final de século, transformado pelo processo de
globalização da economia e que requer uma nova abordagem .

      Este final de século (momento de transição), permite a observação da
convivência entre:

      - modelos de cunho taylorista (vocação administrativa organizacional de
nítida inspiração burocrática);

       - modelos de gestão participativa;

      - conceitos de empresa ampliados via Tecnologia da Informação e

      - conceito de gestão de processos.

      Torna-se perceptível que há uma efetiva, real e frenética preocupação
das organizações pela sobrevivência, cada vez mais difícil e árdua, a qual não
pode prescindir de:

-   novos conceitos;
10


-   novos modelos organizacionais e

-   Tecnologia da Informação.

         A economia cada vez mais globalizada, os modelos de redução de
custos, de downsizing e de aumento da produtividade, demonstraram ser
finitos, ao contrário do que se acreditava de início (“Plano de melhorias
contínuas”, “Planos de redução contínua dos estoques”, idem para refugos
etc.).

         A Tecnologia da Informação,    tratada como um recurso, tal qual os
recursos humanos e materiais, apresenta-se como uma nova alavanca capaz
de mover novamente as organizações rumo à almejada eficácia organizacional.
Trata-se, portanto, de analisar a atuação do profissional da administração, com
amplos conhecimentos da Tecnologia da Informação, e de uma visão
abrangente da organização, muito além do seu horizonte visual imediato e
clássico. Assim, torna-se necessário efetuar a analise não somente dos
aspectos técnicos, a aplicação da Tecnologia da Informação, como também a
responsabilidade social deste agente chamado por autores, norte-americanos
de CIO - Chief Information Officer, e por brasileiros de Analista de Negócios e
da Informação. Profissional, ainda em fase de consolidação, pois a divisão do
trabalho do classicismo administrativo não o concebia. Na abordagem clássica,
observa-se a presença de pelo menos dois grupos de profissionais, um voltado
para o negócio e outro para a Tecnologia da Informação. No classicismo estava
representado, em face da divisão do trabalho, pelo analista de negócios, o
gestor, administrador cuja atuação voltava-se, como o próprio nome já o diz,
"para o negócio", à atividade fim, e pelo analista de sistemas, gerente ou diretor
de informática, profissional voltado para a gestão da Tecnologia da Informação
sem preocupação imediata com a atividade fim da organização. Está havendo
a fusão destes dois profissionais em face das novas realidades, decorrentes da
alta competitividade   que exige das organizações respostas cada vez mais
rápidas e precisas.

         É inegável que as empresas têm sido concebidas para gerar dinheiro,
porém, ao lado desta função econômica que garante sua sobrevivência em
11


primeira instância, encontra-se a função social, de gerar emprego aos seus
empregados os quais ao consumirem também serão 'clientes'. Sob a óptica
sistêmica, apresenta-se a contínua busca de equilíbrio do macroambiente:
sistema - sociedade/subsistema.

      Em suma, pretende-se analisar a evolução do modelo organizacional
desta última década, evidenciando o papel:

      - da Tecnologia da Informação;

      - dos profissionais que aplicam a Tecnologia da Informação e

      - dos agentes modificadores das estruturas organizacionais.
12


Metodologia da Pesquisa

      Este trabalho não resulta de pesquisa empírica dada a especificidade de
seu tema, o surgimento de um novo personagem na administração de
empresas como uma necessidade vislumbrada no cenário histórico brasileiro.
Em face do apresentado, foi adotada como metodologia a análise de obras, tais
como publicações nacionais e internacionais, documentos e informativos de
empresas e entrevistas e depoimentos publicados, que ressaltam os pontos de
maior interesse para o atendimento dos objetivos propostos.
13



2.0 As transformações do macroambiente

Introdução


           Este capítulo apresenta as principais ocorrências de cunho econômico -
social verificadas no macroambiente, isto é, o sistema de mercado, o sistema
composto de pessoas, empresas e organizações governamentais que
repercutiram sobre as empresas obrigando-as, por conseguinte, a rever os
seus modelos de gestão. Ao procurar evidenciar a crescente necessidade das
informações na gestão empresarial, ao longo do tempo apresenta-se uma
sucinta análise das formas de gestão, quer seja das organizações quer seja da
Tecnologia da Informação propriamente dita. Trata-se, portanto, de um sumário
histórico dos tópicos julgados mais relevantes ocorridos neste século rumo ao
estágio contemporâneo.

           As transformações são profundas e traumáticas, deixando marcas,
gerando um período ambíguo, híbrido, que pode ser concebido como “o
intervalo entre a decadência do antigo e a formação e estabelecimento do novo
constitui um período de transição, que sempre deve ser necessariamente
marcado pela incerteza, pela confusão, pelo erro e pelo fanatismo selvagem e
implacável “1.

           A partir desta concepção, pretende-se caracterizar a realidade
contemporânea do macroambiente e das organizações empresariais em
hierarquia sistêmica apresentando as alterações e os agentes acelerativos das
contínuas adaptações necessárias para o equilíbrio ( homeostase dinâmica )
entre o sistema empresa e o macroambiente retratado na teoria dos sistemas
bertalanffiana.

           A título de ilustração deste período de transição, verificado neste final de
século, segue uma amostra de artigos publicados pela revista EXAME:

           A incerteza e confusão aparecem na edição de 14/10/1992:


1
    Calhoun apud Harvey (1996:115)
14


      “PERIGO DE MORTE NOS ESCRITÓRIOS”

      “A situação das empresas brasileiras diante da recessão está como a de
uma pessoa com 40 graus de febre e, como se fosse pouco, com a perna
quebrada(.... ) Não é a primeira vez que o país enfrenta uma recessão. Dez
anos atrás (....) - pelo menos sob o ângulo das empresas - era melhor que a de
agora. Tínhamos uma economia protegida, (....) Existe, de fato, uma diferença
entre ter um mercado interno em queda mas garantido e ter um mercado
interno que, além de estar em queda, é aberto à concorrência estrangeira”.

      A Incerteza e o fanatismo, ainda que de forma contida, consubstanciam-
se na edição de 5/7/1995:


      “A DESTRUIÇÃO CRIATIVA CHEGOU ÀS FABRICAS”:


“... Confrontadas com um súbito aumento da demanda, desafiadas por um
cenário de competição muito mais agressivo e expostas às novas tecnologias
de produção, as empresas estão sendo forçadas a reinventar soluções que
assegurem sua própria sobrevivência (…). À sombra do Plano Real, engendra--
-se nas fábricas e escritórios um vigoroso processo de renovação tecnológica.
Velhos métodos de gestão e produção vão sendo rapidamente abandonados
em benefício de outros, mais modernos. Os empreendedores mais rápidos
prevalecem …”


      A incerteza, o fanatismo e uma sinalização de erro aparecem em 2/8/95:




      “A REENGENHARIA CONTESTADA”


“A reengenharia tem sido encarada como uma espécie de Alcorão no mundo
dos negócios, um livro santo que inspira devoção e reverência (...) Hoje(…) a
reengenharia está sendo contestada (...) As dúvidas quanto a sua eficácia
regeneradora se instalam até mesmo entre seus mais fiéis seguidores...”
15


        Em outro artigo a incerteza e o, agora já mais explicito, fanatismo
transparecem em 22/9/95:


        “O PULO DOS TIGRES”


        “Uma fera está assustando (...) está invadindo o mundo com produtos
que vão dos chips para microcomputadores a camisetas de algodão, de
bicicletas a carros de luxo...”


        De outra forma incerteza sobre medidas adotadas e a suspeita de erro
estão presentes na edição de 18/12/96:


        “O PARADOXO DA PRODUTIVIDADE”


“....Eis o paradoxo da produtividade, um fenômeno que intriga economistas e
lança terríveis suspeitas sobre a qualidade dos investimentos (...) em média 2%
do seu faturamento em Tecnologia da Informação....”


        Já chegando em momentos cada vez mais presentes a confusão e o
medo de errar encontram eco na edição de 1/1/97:


        “AS PRATELEIRAS DA TRANSIÇÃO”


“...iluminar a crise das grandes corporações (...) detecta um paradoxo: a
mesma força incontrolável que impulsiona as empresas — o crescimento —
muitas vezes as conduz a dificuldades(...) Nos anos 60, supunha-se que operar
simultaneamente em variados setores reduziria a vulnerabilidade da empresa
(...) veio o modismo da diversificação (...) Temas estratégicos mais relevantes:
da competição global às alianças com concorrentes; do impacto da Tecnologia
da Informação sobre as hierarquias Gerenciais ao surgimento de fábricas
flexíveis, ... ”


         Continuam a brotar exemplos de confusão na publicação de 29/1/97:
16


            “HORA DE CRESCER”


“A fase de cortar fundo já passou. O novo paradigma dos negócios é a
retomada do faturamento (...) as empresas viveram por uma década sob o
império da reengenharia (...) marcado por cortes de custos.... “


           O artigo que se segue, publicado em 9/4/97, mostra que a paranóia é
tida, para muitos, como uma máxima em termos de modelo de gestão. Esse
artigo, refere-se às abordagens administrativas do CEO da INTEL Andy Grove.
A incerteza e um contundente fanatismo evidenciam-se nesta reportagem:


           “AS VIRTUDES DA PARANÓIA


“Só os paranóicos sobrevivem (...) sintetiza à perfeição o turbilhão que engolfou
o capitalismo brasileiro nestes anos 90 (...) Ser paranóico, no mundo dos
negócios, é enxergar um concorrente em cada esquina (...) buscar de maneira
obsessiva ganhos em preço e em qualidade (...) tentar com denodo quase
doentio ser pioneiro (...) os fantasmas (reais) que o (paranóico executivo) vê
(...) falam chinês; japonês; inglês; alemão; espanhol e muitas outras línguas”.


           À luz destes exemplos, parece ficar claro que estamos em uma época
de transição marcado por profundas mudanças. O antigo se questiona em face
da generalizada percepção de sua exaustão e de sua não adequação
esperada. Por outro lado, é notório que novos modelos não estão claros e
plenamente concebidos . A compreensão e aceitação, cônscia ou por
mimetismo, das novas realidades e das modelagens requeridas (em termos
organizacionais, de gestão, ou de modelos macroeconômicos, das posturas
comportamentais), ainda não foram alcançadas.

           Estas mudanças, no transcorrer do   século XX, foram evidenciadas
também por Harvey2 que também as refere, arrolando sinais e marcas que
podem ser encontradas entre outros : nos processos de trabalho; nos hábitos


2
    Harvey (1996:117)
17


de consumo; nas configurações geográficas e geopolíticas e nos poderes do
Estado.


2.1 Processos de trabalho e organização da produção.

         No início do século, os processos de trabalho estavam baseados nos
princípios descritos pelo classicismo - busca da racionalidade e da eficiência3.
O classicismo constituiu-se primordialmente pela Teoria Científica concebida
por Frederick Winslow Taylor nos Estados Unidos da América do Norte - Shop
Management de 1903 e The Principles of Scientific Management de 1911 - e
pela Teoria Clássica de Henri Fayol na França - Administration Genérale et
Industrielle de 19164.
         Os dois autores/engenheiros, atuando em continentes separados,
apresentam uma série de convergências          em suas obras, das quais se
destacam a alta ênfase dada à racionalidade e à eficiência dos processos de
trabalho. “A semelhança de pensamento é tal que é possível sintetizar as
idéias centrais sem que haja referência, a todo o instante, a um ou
outro”5(fig.1). Enfim, conforme procura demonstrar a figura 1, ambos autores
procuram a eficiência da organização, divergindo apenas na forma pela qual
ela é alcançada. Enquanto a abordagem taylorista procura-a via enfoque na
tarefa, no trabalho propriamente dito, o fayolismo procura obtê-la via ênfase na
estrutura organizacional.
         A organização do trabalho no início do século XX estava calcada no
princípio da divisão do trabalho, a partir da qual, os modelos de gestão daquele
período procuravam obter a eficiência organizacional almejada. “A divisão do
trabalho, tornou-se intensa e crescentemente especializada, à medida que os
fabricantes procuravam aumentar a eficiência, reduzindo a liberdade de ação
dos trabalhadores em favor do controle exercido por suas máquinas e
supervisores”6.

         Processos e organização do trabalho, das organizações, não podem
prescindir do conceito de racionalidade implícito na própria conceituação de

3
  cf. Stoner (1985)
4
  idem (1985)
5
  Motta & Pereira (1988 : 171)
6
  Morgan (1996:.25)
18


Organização. Pode esta organização ser definida como sendo um “sistema
social em que a divisão do trabalho é sistematicamente e coerentemente
realizada, tendo em vista os fins visados; é o sistema social em que há procura
deliberada de economizar os meios para se atingir os objetivos” 7.

         Os processos de trabalho enfocavam a racionalidade e a eficiência das
pessoas. Taylor definiu este processo tendo como fundamento o conceito de
“homem de primeira classe”, entendido como: pessoa particularmente apta, ou
seja, o melhor da sua categoria para aquele determinado tipo de trabalho8.

         A administração científica de Taylor acabou por se constituir, nas
palavras de Braverman, em um “estudo organizado do trabalho, a análise do
trabalho em seus elementos mais simples e o aperfeiçoamento sistemático do
desempenho do trabalhador em cada um desses elementos”9. Compartilham
do mesmo pensamento Fernando Pires Motta e Bresser Pereira ao afirmarem
“com base no trabalho desse homem foram medidos os tempos e movimentos.
O resultado foram padrões extremamente elevados, que terminaram por causar
fortes reações por parte dos operários dos quais se exigiu, mais tarde, a
mesma produção”. 10




7
  Motta & Pereira (1988:.23)
8
  cf Uhlmann (1997)
9
  Rifkin ( 1995:53)
10
   Motta & Pereira (1988:178)
19




                 Taylor                                        Fayol




            Administração
                                                           Teoria Clássica
              Cientifica




              Ênfase nas                                      Ênfase na
               Tarefas                                        Estrutura




                                                         Aumentar a eficiência da
        Aumentar a eficiência da                        empresa através da forma
          empresa através do                             e disposição dos órgãos
        aumento de eficiência ao                             componentes da
           nível operacional                             organização e das suas
                                                        inter-relações estruturais




                           Confronto das teorias de Taylor e Fayol




Fig. 1) Quadro Comparativo das Teorias de Taylor e Fayol . Fonte
Uhlmann (1997, p.36)
20


         O início deste século também experimentou um período de transição
muito intenso, chamado por Toffler11 de 'Segunda Onda' que “tendo
revolucionado a vida da Europa, da América do Norte e de algumas outras
partes do Globo, em uns poucos séculos, continua a se espalhar, pois, muitos
países,      até     agora   basicamente   agrícolas,   apressam-se   em   construir
siderúrgicas, fábricas de automóveis, fábricas de têxteis, estradas de ferro e
fábricas de processamento de comidas. O ímpeto da industrialização ainda
continua a se fazer sentir”. 12

         Rifkin13 denominou o período entre 1860 e as primeiras décadas do
século presente de 'Segunda Revolução Industrial'. Descreveu-o como o
                                                                                  14
período em que “o petróleo passou a competir com o carvão e a eletricidade”
como fonte de energia que movia as máquinas. A busca pela eficiência fez
com que os processos de produção fossem incorporando, cada vez mais, estas
máquinas. Como conseqüência, a atividade humana e a animal foram,
gradualmente, substituídas por atividades mecânicas ( máquinas).

         Segundo Peter F. Drucker15 no final da década de 20, antes da Grande
Depressão, os agricultores nos EUA             constituíam perto de um terço da
população daquele país. A renda da atividade agrícola situava-se perto de um
quarto da renda do Produto Nacional Bruto. Acrescenta que, hoje, ( década de
80) os agricultores representam menos de 5% da população e por uma parcela
do PNB ainda menor.

         A redução do volume de trabalhadores pode ser vista na indústria
automobilística, cujo modelo de produção caracterizou-se com os mesmos
efeitos que na agricultura. Drucker revela que a            mão-de-obra humana ,
inicialmente abundante, utilizada na produção em massa, foi drasticamente
reduzida, quando a linha de montagem foi introduzida (1909): redução de
aproximadamente 80% - em dois ou três anos - do número de horas/homem
exigidas para produzir um automóvel.


11
   Toffler (1980)
12
   idem ( 1980:27)
13
   Rifkin (1995)
14
   idem ( 1995:64)
15
   Drucker (1993)
21


         Na indústria extrativa – a mineração – estavam alocados nos Estados
Unidos da América, 588.000 operários para extraírem 520 toneladas de carvão
em 1925. Já em 1982, para a extração de 774 toneladas (um acréscimo em
termos de produção de quase 50%), o contingente de trabalhadores diminuiu
para 208.000 operários. Decorridos pouco mais de 50 anos, aproximadamente
35% das pessoas ainda teriam o seu posto de trabalho. Para a primeira década
do século XXI a previsão é que somente 113.000 operários atendam toda a
demanda do mercado16 .

         Nos segmentos da indústria química, os fatos são semelhantes. Os
operários do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Petróleo, Atômicas
e Químicas, percebendo, no início dos anos 60, um contínuo enfraquecimento
de poder em razão da diminuição de seus pares - sem que houvesse uma
diminuição da demanda - entenderam que deveriam promover uma greve. A
estratégia concebida pelos grevistas foi a redução do ritmo de produção. Desta
maneira pretenderam coibir o avanço das demissões nas fábricas. O intento
dos grevistas redundou em um estrondoso fracasso, pois as fábricas já
estavam automatizadas e, portanto, não dependiam da mão-de-obra que até
há poucas décadas era imprescindível.17

         A organização do trabalho, até aqui descrita, tem o seu enfoque nas
áreas produtivas (produção em massa). O Fordismo, valendo-se dos princípios
de Taylor apresentou a visão de mercado consumidor: “O que havia de
especial em Ford e que, em última análise distingue o Fordismo do Taylorismo
era a sua visão, seu reconhecimento explícito de que produção em massa
significava consumo de massa”18 .

         A constante busca da racionalidade e eficiência dos processos de
produção estava diretamente ligado à visão do consumo em massa, pois para
mantê-lo era necessário oferecer produtos acessíveis à sociedade. Não se
pretende, neste momento, analisar o comportamento da sociedade de
consumo, mas sim enfocar que a “eficiência passou a significar o máximo de


16
   Rifkin ( 1995:148)
17
   idem (1995:148)
18
   Harvey (1996:121)
22


rendimento que podia ser produzido no menor tempo possível, dispendendo a
menor quantidade de energia, trabalho e capital no processo”19 .

         Esta visão de se obter o menor dispêndio fez com que os princípios,
inicialmente aplicados somente à área produtiva, fossem levados para os
escritórios. A Organização e Métodos ( O&M) e o Estudo do Trabalho, não
deixam de ser projetos que “separam tarefas integradas em componentes
                                                                                                               20
especializados que podem ser então alocados a diferentes empregados”                                                 .A
aplicação dos princípios do classicismo taylorista levou ao surgimento dos
“escritórios - fábrica nas quais as pessoas desempenham responsabilidades
fragmentadas e altamente especializadas, de acordo com um sistema
complexo de planejamento de trabalho e avaliação de desempenho”21.

         A produção em massa (Fordismo), fez-se presente por longas décadas
como modelo de organização do trabalho. Vale ressaltar que o Fordismo,
aliado aos poderes do Estado, chegou “à maturidade como regime de
acumulação plenamente acabado e distintivo. Como tal veio a formar a base de
um longo período de expansão pós guerra que se manteve mais ou menos
intacto até 1973 … o Fordismo se aliou firmemente ao keynesianismo, e o
capitalismo se dedicou a um surto de expansões internacionalistas de alcance
mundial que atraiu para a sua rede inúmeras nações descolonizadas” 22.

         Calcado nos princípios da Administração Científica Taylorista23, a
administração cruzou “barreiras ideológicas, sendo utilizada na ex-União
Soviética e em países capitalistas.                      Este fato significa que o Taylorismo é,
sobretudo, um instrumento para assegurar o controle geral sobre a situação de
trabalho como meio de chegar à geração do lucro” 24.

         No afã de comandar e fazer com que esta mão-de-obra cumprisse o que
os métodos e padrões de trabalho preconizavam, fez-se necessária uma rígida



19
   Harvey (1996:52)
20
   Morgan ( 1996:33)
21
   idem (1996:33)
22
   Harvey (1996:125)
23
    A busca da racionalidade e da eficiência do trabalho pela divisão cada vez maior do trabalho em atividades, ou
   seja, tarefas menores visando a especialização e eliminação de desperdícios.
24
   Morgan (1996:35)
23


supervisão funcional consubstanciada em uma estrutura hierárquica, destinada
a assegurar as funções de: planejamento, comando e controle.

         O modelo organizacional clássico enfocando a racionalidade requerida
pela eficiência, separava o planejamento e a organização, atividades nobres,
da execução. Esta distinção é “ freqüentemente vista como o mais pernicioso e
típico elemento do enfoque de Taylor, pois efetivamente, divide o trabalhador,
defendendo a separação entre mãos e cérebro” 25.

         "A segmentação em grupos dominantes (dono, capital, tecnocrata) e
dominados ( executantes), a hierarquização, bem como a divisão do trabalho
concebidas por Adam Smith ( A Riqueza das Nações - 1776 ) e desenvolvidas
na prática pelas teorias Administrativas Clássicas, fizeram com que o fosso que
separava dominantes e dominados se alargasse e aprofundasse. A alienação e
conseqüente revolta das classes dominadas"26 foi amplamente descrita pelas
teorias administrativas da vertente das ciências    sociais, tais como a das
relações humanas e suas subsequentes.

         A Burocracia segundo Weber, enquanto força social, valida esta
                                                               27
concepção, pois constitui um “tipo de poder ou de dominação”        , pelo qual se
obtém, com racionalidade, os objetivos das organizações . Assim sendo, a
organização é um “sistema social que se administra segundo o critério da
eficiência, no qual as decisões são tomadas sempre tendo em vista o aumento
de produtividade” 28.
         A massa de execução (mão-de-obra), alijada do processo decisório e de
criação, era requerida meramente como força de trabalho. O trabalho para a
maioria deste contingente de pessoas“ é simplesmente monótono e
alienante”29. A racionalidade das organizações expressa pelo classicismo foi
atribuída também ao homem. Esta atribuição da perfeita racionalidade ao




25
   Morgan ( 1996:34)
26
   Uhlmann (1997:124)
27
   Motta & Pereira ( 1988 :20)
28
   idem ( 1988 : 23)
29
   Morgan (1996:34)
24


homem eqüivale a aceitar “o modelo de 'homo economicus', fruto do
pensamento racionalista” 30.

         Esta visão, embora simplista e por muitos refutada31, passou a ser
considerada como determinante no trato com a massa de trabalhadores.
Acreditava-se, portanto, que o homem tomava as suas decisões por razões
econômicas, privilegiando aquelas que lhe “trouxessem maiores lucros
                32
pessoais”            . A promessa da remuneração era, nesta visão, o fator
desencadeador de sua motivação e disposição para o trabalho, fato que o
levaria a aceitar as condições de trabalho, mesmo que fossem percebidas
como alienantes.

         O conceito de            homo economicus, entendia a mão-de-obra , como
músculos e estrutura óssea, a qual, adequadamente supervisionada e
direcionada, era motivada e levada à eficiência via recompensa financeira.
Portanto, a mente, a inteligência, as emoções etc., submergiam diante da
eficiência no cumprimento das metas de produção que lhe eram imputadas
pela “hierarquia”, pela elite pensante (fig. 2).




30
   Motta & Pereira (1988:174)
31
   As teorias administrativas baseadas nas vertentes sociais - Relações Humanas se contrapuseram sobremaneira a
   esta visão simplificada do homem, pois levaram em consideração os fatores humanos de ordem individual e social
32
   Motta & Pereira ( 1988:174)
25




                                   Postulado fundamental : 'homo economicus'



        Estudo de tempo e movimento



           Determinação da única                   Seleção do homem
                                                                                        Lei da fadiga
               maneira certa                       de primeira classe



             Incentivo monetario                  Padrão de Produção                  Supervisão cerrada




                                               Aumento da Produtividade



                                                    Maiores salarios
                                                    e maiores lucros

                                      Modelo simplificado do pensamento Taylorista.




Fig. 2) O Postulado do homo economicus na Teoria Científica da
Administração. Fonte : Prestes Motta e Bresser Pereira (1988, p.185)

            O conceito de 'homo economicus' foi traduzido e materializado em ações
por Henry Ford, ao instituir o dia de oito horas com remuneração de US$
5,00.33




33
     Morgan ( 1996 : 34)
26


         A disciplina prendia o trabalhador a uma linha de produção (alta
produtividade e produtos padronizados). Porém, permitia que o trabalhador
possuísse tempo e renda suficientes para que suas horas de lazer fossem
destinadas ao consumo de massa, condição necessária à manutenção da
produção em massa fordista.

         A produção em massa, assim cunhada, visava atender à máxima do
capitalismo, consubstanciada por Elijahu Goldratt em “A Síndrome do
Palheiro”34, ao afirmar que: as empresas são concebidas para gerarem
dinheiro, hoje e amanhã, assegurando desta maneira a sua sobrevivência e a
satisfação da razão de sua constituição.

         O Fordismo, enquanto conceito dotado de racionalidade e gerador de
maior produtividade, estava em sintonia com o princípio capitalista de geração
de lucros. A socialização da renda , coerente com o princípio do 'homo
economicus' e          com a visão fordista do consumo em massa, ocorria com
“ofertas” de tempo e dinheiro, o que possibilitou transformar   o trabalhador
também em consumidor - se não, perguntava Henry Ford: “Quem vai comprar
meus carros?”35. Segundo essa abordagem, a rentabilidade do sistema
industrial seria sustentada pela produção em massa apoiado no consumo em
massa.

         A rentabilidade do sistema como um todo – organizações e
trabalhadores - com o passar do tempo, no entanto, foi se solapando.

         A grande depressão dos anos 30 mostrou que o corporativismo fordista
não podia ser visto como a única força         capaz de assegurar a máxima
capitalista da lucratividade contínua. Ainda no começo da grande depressão, a
Ford “aumentou os salários (…) na expectativa de que isso aumentasse a
demanda efetiva e recuperasse o mercado (…),as leis coercitivas da
competição se mostraram demasiado fortes, mesmo para o poderoso Ford,
forçando-o a demitir trabalhadores e cortando salários” 36.



34
   Goldratt (1991)
35
   Rifkin (1995:24)
36
   Harvey (1996:112)
27


         Para salvar o modelo de produção acumulada (Fordismo) foi necessária
uma nova abordagem de gestão macroeconômica. O Estado Soberano,
lastreado nos conceitos elaborados pelo economista britânico John Maynard
Keynes37 , procurou oferecer sobrevida ao Fordismo.

         Para manter a redução dos custos, o Fordismo teve que: extinguir
postos de trabalho; segmentar o trabalho em tarefas cada vez menores e
remunerar cada vez menos seus trabalhadores. Como conseqüência desse
procedimento, os trabalhadores deixaram o universo dos consumidores,
reduzindo o consumo em massa. Sendo assim, instalou-se uma dinâmica
negativa, resultante da redução do poder de compra dos consumidores. “Foi
necessário o New Deal de Roosevelt para salvar o capitalismo – fazendo,
através da intervenção do Estado, o que Ford tentara fazer sozinho”38.

         A realidade do sistema encontrava-se preso a um terrível dilema : "sem
saída para a depressão que se agravava, muitas empresas continuaram a
reduzir custos por meio da substituição de trabalhadores por máquinas,
esperando impulsionar a produtividade - somente colocavam lenha na
fogueira”39. A redução de custos obtida pela diminuição da mão-de-obra,
acarretava também uma diminuição da demanda, quebrando a corrente do
consumo e produção em massa.

         As conseqüências sociais e econômicos das abordagens do classicismo
de Taylor e Ford, são apresentadas esquematicamente a seguir (fig.3, 4 e 5).




37
   Rifkin (1995:25)
38
   Harvey (1996:122)
39
   Rifkin (1995:25)
28




               OS DESDOBRAMENTOS DO TAYLORISMO E FORDISMO



                1.Realidade do ambiente: Demanda maior que oferta


          ÓPTICA ECONÔMICA                           ÓPTICA SOCIAL




- Real aumento da                              - Bens mais acessíveis à
  produtividade.                                sociedade.



- Real redução dos custos de
  Produção.



 Cultura dos grandes lotes de                   Cultura da especialização.
 fabricação.



 Economia de escala para                        A divisão do trabalho para
 aumentar a produtividade.                      baixar custos de produção.




                               BAIXA PRODUTIVIDADE
                                       E
                                ALTOS CUSTOS




Fig. 3) Quadro demonstrativo da realidade de mercado percebida pelo
Fordismo, no início do século XX, caracterizada por uma demanda pouco
atendida. Fonte Uhlmann (1997, p.147)
29




           2.Realidade do ambiente: Demanda menor ou igual à oferta.



                                 BAIXA PRODUTIVIDADE

                                         E
                                   ALTOS CUSTOS



      Economia de escala.                      A Divisão do trabalho rouba
  Sistemas de controles cada                        o conhecimento do
        vez mais caros.                                  trabalhador.
                                                  Prejudica a qualidade.




   Cultura dos grandes lotes                       Cria uma sub-classe.
  aumenta custos financeiros                   Distorce os valores sociais.
       e administrativos.                         Dá ensejo ao sindicato
                                                            reivindicatório




  Aumento do ciclo produtivo                      Mais níveis hierárquicos
   Inflexibilidade industrial.                  Intensifica a departamen-
                                                             talização.
                                                      Inflexibilidade



 Mais produtividade técnica                     Capitalismo selvagem
 Menos produt. financeira.


      ÓPTICA ECONÔMICA                                  ÓPTICA SOCIAL



Fig. 4) Quadro demonstrativo do aumento da produtividade alcançada
pelo modelo clássico que inverte o posicionamento do mercado de
comprador a vendedor. Fonte Uhlmann (1997, p.148).
30




                        A Saída da empresa moderna



          3.Realidade ambiente: Demanda menor ou igual à oferta.



       ÓPTICA ECONÔMICA                         ÓPTICA SOCIAL


Recuperação da flexibilidade sem         A empresa e      Redução dos
perda da produtividade técnica.          sua missão       níveis
                                         Social.          hierárquicos:
                                                          flexibilidade
                                                          administr.



Pequenos lotes                           Revalorização    Resgate do
de fabricação                            da educação.     trabalhador
                                                          generalista e
Preparação rápida de máquinas                             de alto nível.

Necessidade de redução de
custos financeiros e
administrativos.




                            BAIXA PRODUTIVIDADE E
                                ALTOS CUSTOS




Fig 5) Um modelo de atuação empresarial em ambientes competitivos,
inspirado nas teorias da vertente das Relações Humanas. Fonte Uhlmann
(1997, p.149).




      A contínua busca por redução de custos não se limitou à época da
Grande Depressão. Encontra-se presente até à atual realidade deste final de
século. A busca é cada vez mais acentuada , em face dos mercados altamente
31


competitivos da atualidade.    A substituição do homem pela máquina e a
redução de custos é um processo que se instalou de maneira duradoura.

         A respeito desta contínua busca do aprimoramento econômico das
organizações verifica-se que “durante a etapa industrial vínhamos tendo um
processo de substituição dos músculos do homem pelas máquinas – e estas
com notável capacidade de produção garantiram o aumento populacional e a
melhoria na qualidade de vida -, o que verificamos atualmente é que as
funções outrora executadas pelo homem no que concerne à utilização de seu
intelecto, vêm sendo gradativamente substituídas pelo computador. Associado
aos robôs nas linhas de montagem, através de sistemas de controle numérico
e CAD/CAM (Computer Aided Design/Computer Aided Manufacturing), o
computador está possibilitando uma produção de bens desmassificados para
acompanhar de perto as flutuações de mercado” 40.

         Essa afirmação, focalizando o final deste século, demonstra que a
redução de custos veio para ficar : “o novo paradigma tecnológico propõe uma
sociedade informatizada e automatizada, baseada nos avanços tecnológicos
da microeletrônica e computação e nas indústrias de alta tecnologia ( robótica,
semicondutores, lasers, biotecnologia, fibras óticas etc.). Os reflexos causados
por este movimento são sentidos pelas empresas, ocasionando, em certos
casos, colapsos econômicos, perturbações políticas e desemprego”41.

         O Fordismo encontrou, uma vez superadas a Grande Depressão e a
Segunda Guerra Mundial, sua fase de “maturidade como regime de
acumulação plenamente acabado e distintivo. Como tal, ele veio a formar a
base de um longo período de expansão pós-guerra que se manteve mais ou
menos intacto até 1973” 42.

         Como conseqüência da expansão da base produtiva, o         mercado de
trabalho sofreu uma radical reestruturação e novos conceitos foram instalados:
o trabalho meramente braçal (simples, rotineiro, repetitivo e mecanizável) foi, e



40
   Furlan (1991:1-2)
41
   idem (1991:2)
42
   Harvey (1996:125)
32


continua         sendo,   substituído   por   equipamentos   (máquinas,   robôs   e
equipamentos de processamento de dados digitais cada vez mais poderosos).

           O mercado de trabalho passou por uma reestruturação radical. “Diante
da forte volatilidade do mercado, do aumento da competição e do estreitamento
das margens de lucro, os patrões tiraram proveito do enfraquecimento do poder
sindical e da grande quantidade de mão-de-obra excedente (desempregados
ou subempregados) para impor regimes e contratos de trabalho mais flexíveis.
É difícil esboçar um quadro geral claro, visto que o propósito dessa flexibilidade
é satisfazer as necessidades com freqüência muito específicas de cada
empresa. Mesmo para os empregados regulares, sistemas como, nove dias
corridos ou jornadas de trabalho que têm em média quarenta horas semanais
ao longo do ano, mas obrigam o empregado a trabalhar bem mais em períodos
de pico de demanda, compensando com menos horas em períodos de redução
da demanda, vêm se tornando muito mais comuns. Mais importante do que
isso é a aparente redução do emprego regular em favor do crescente uso do
trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado” 43.

            O resultado, para este final do século XX é uma estrutura de mercado
de trabalho do tipo detalhado na figura 6:




43
     Harvey (1996:143)
33




Fig. 6) A Estrutura do mercado de trabalho em uma condição de
produção por acumulação flexível. Fonte Harvey ( 1996, p. 143) apud
Flexible Patterns of Work (1986) do Institute of Personnel Management.


O Grupo Central


           No centro da figura está locado o grupo cerne, o empregado clássico -
popularmente conhecido como grupo com a carteira assinada que, em face da
reestruturação dos modelos de organização de trabalho, diminui cada vez
mais. Estes grupos são caracterizados por empregados que trabalham "em
tempo integral, condição permanente e posição essencial para o futuro de
longo prazo da organização"44.



44
     Harvey (1996:144)
34


         A busca pela rentabilidade das organizações fez, e continua fazendo,
com que este grupo encontrasse franca recessão, porém, não extinção. A
diminuição deste grupo pode ser explicada pelo fato de que os custos
necessários para mantê-lo colidem            frontalmente com os anseios da
rentabilidade organizacional, ou seja: os custos dos encargos sociais e as
despesas adicionais, caso haja a necessidade de dispensa,            devido a
ociosidade pela retração da demanda ou substituição tecnológica.

         Harvey45 ressalta que, apesar desta desvantagem econômica, continua
residindo no grupo central a inteligência central, o conhecimento que se torna
essencial para o futuro a longo prazo da organização. Apesar deste entrave,
encontram-se ainda neste grupo a sobrevida e a continuidade dos negócios da
organização. Instala-se o que Peter Drucker46 chamou de sociedade pós-
-capitalista, a sociedade na qual o poder emana do saber, do conhecimento.

         Contingentes cada vez maiores de trabalhadores desempregados, das
mais diversas formações e atuações, foram moldados para novas formas de
trabalho e ocupação, para permitir         sua subsistência, o seu sustento e
dignidade social. Aos remanescentes deste grupo central, trabalhadores do
                                  47
conhecimento segundo Drucker           , resta a adaptação às novas condições.
“Gozando de maior segurança no emprego, boas perspectivas de promoção e
de reciclagem,. e de uma pensão, um seguro e outras vantagens indiretas
relativamente generosas, esse grupo deve atender à expectativa de ser
adaptável e flexível e, se necessário, geograficamente móvel”48 .

         Os renomados professores Gary Hamel e C.K. Prahalad49 com trabalhos
publicados e premiados na Harvard Business Review, defendem uma posição
semelhante. Estes professores informam que “disfarçada com nomes como,
novo enfoque, eliminação de níveis, reorganização e rightsizing (sentimo-nos
tentados a perguntar por que o tamanho correto – right size - é sempre menor),




45
   Harvey (1996)
46
   Drucker (1997)
47
   idem (1997)
48
   Harvey (1996:144)
49
   Hamel & Prahalad (1995)
35


o resultado da reestruturação é sempre o mesmo : redução do número de
funcionários” 50.

         Sem fazerem, obviamente, nenhuma apologia às estruturas ineficazes,
com estratosféricos números de funcionários (que em nada contribuíam para
que o clamor impositivo do capital pelo retorno da lucratividade fosse atendido),
Hamel & Prahalad levantam um questionamento que pode constituir um divisor
de águas: “Como saberemos quando concluímos a reestruturação? Onde está
a linha divisória entre cortar as gorduras e cortar os músculos”51.

         Tendo em mente o conceito de Drucker de sociedade pós-capitalista
fundamentada na economia do conhecimento rumo à sociedade de
conhecimento, acrescentam a este Hamel & Prahalad: “Não basta que uma
empresa diminua seu tamanho e aumente sua eficiência e rapidez; por mais
importantes que sejam essas tarefas, ela também precisa ser capaz de se
reavaliar, regenerar suas estratégias centrais e reinventar seu setor. Em suma
uma empresa também precisa ser capaz de ser diferente”52.

         A análise evolutiva da organização e dos processos de trabalho ao longo
do século XX faz com que se torne visível cada vez mais a necessidade de
uma inteligência (elite pensante) dotada do conhecimento necessário (ainda
que seja somente um núcleo central), que mantenha ou objetive de forma
dinâmica a liderança da organização, em termos de sua pujança econômica.
As organizações precisam da liderança intelectual (uma reserva de
conhecimentos) para garantirem sua preservação a longo prazo. Pois, a
empresa deve ser continuamente reinventada         em face das mudanças que
ocorrem no macroambiente.

         Começa a ser visível a necessidade de uma força central que seja capaz
de manter, preservar e redirecionar as organizações. Pois, no ambiente
competitivo deste final de século, globalizado e integrado pela Tecnologia da
Informação, começa a sugerir uma figura que, compondo este núcleo central,
responsabiliza-se pela contínua adaptação da organização aos novos

50
   Hamel & Prahalad (1995:7)
51
   idem (1995:11)
52
   ibidem (1995:17)
36


condicionamentos. Esta figura, dotada do conhecimento necessário, constitui e
integra este grupo central procurando assegurar a sobrevivência, a longo
prazo, da organização, adequando-a às novas realidades em termos
estruturais e dos seus processos de trabalho com o uso da Tecnologia da
Informação, com o reconhecimento do valor destas informações para obter
uma igual adequação dos processos às exigências do macroambiente, ou seja
do mercado. Começa a surgir neste cenário, a figura do Analista de Negócios e
da Informação, não importando a 'priori' o nível hierárquico ao qual pertence.

      A figura 7, demonstra as forças condicionantes (mercado e ambiente)
que agem sobre as organizações exigindo, sua contínua adaptação à nova
realidade para sobreviver.


              CONJUNTURA                                      CONCORRENTES
          Mudanças podem                                   * Expansão dos
          afetar :                                         atuais concorrentes
          * poder de influencia
          * Mercados :                                     * Entrada de novos
          tamanho,                                         concorrentes
          composição etc.              EMPRESA



            FORNECEDORES                 Ação e                  CLIENTES
          * Querem maior               reação em           * Querem menor
          relação preço /               face das           relação preço /
          qualidade                     pressões           qualidade
          * Querem menor                                   * Querem maior
          competição                                       competição
          possivel                                         possivel



             TECNOLOGIAS                                    PRODUTOS SUBST.
          * Podem tornar a                                 * Impõe limitações
          empresa obsoleta                                 de preços
          rapidamente
                                                           * Podem
                                                           tornar-se
                                                           permanentes




Fig. 7) Quadro demonstrativo dos fatores que agem sobre as empresas.
Fonte Uhlmann apud Torres(1998, p.111)
37


O Primeiro Grupo Periférico


         O primeiro grupo periférico consiste em "empregados em tempo integral
com habilidades facilmente disponíveis no mercado de trabalho, como pessoal
do setor financeiro, secretárias, pessoal das áreas de trabalho rotineiro e de
trabalho manual menos especializado"53. Trata-se, portanto, de um grupo de
apoio, não necessariamente dotado do conhecimento do grupo central ( fig. 6).

         As oportunidades de carreira deste grupo são mais reduzidas do que a
do grupo central, pois sua relativa baixa especialidade não acarreta grandes
perdas para as organizações, caracterizando a alta rotatividade promovida pela
facilidade de contratação e dispensa de pessoal.



O Segundo Grupo Periférico




         O segundo grupo periférico possui uma flexibilidade numérica maior que
o primeiro grupo. Alojam-se neste grupo “os empregados em tempo parcial,
empregados             casuais,   pessoal   com   contrato   por   tempo   determinado,
temporários, subcontratação e treinandos com subsídio público, tendo ainda
menos segurança de emprego do que o primeiro grupo periférico”54.

         A observação da realidade contemporânea permite a observação da
coexistência de pessoas empregadas (carteira assinada), e das pessoas
ocupadas (sem carteira assinada), que auferem sua renda da ocupação. As
novas realidades do mercado indicam um novo direcionamento : este segundo
grupo tende a apresentar um crescimento bastante significativo.55

         Observa Harvey que “esses arranjos de emprego flexíveis não criam por
si mesmos uma insatisfação trabalhista forte, visto que, a flexibilidade pode ser,
às vezes, mutuamente benéfica. Mas os efeitos agregados, quando se
consideram a cobertura de seguro, os direitos de pensão, os níveis salariais e a

53
   Harvey (1996:144)
54
   idem (1996:144)
55
   ibidem (1996:144)
38


segurança no emprego, de modo algum parecem positivos do ponto de vista da
população trabalhadora como um todo56. A constatação de um forte aumento
da subcontratação ocorre não somente nas empresas americanas, segundo
pesquisa do National Economic Development Council [Conselho Nacional de
Desenvolvimento Econômico] apresentada por Harvey, ocorre tambem em
empresas britânicas. Afirma Harvey a este respeito que “Isso segue um padrão
há muito estabelecido no Japão, onde, mesmo no Fordismo, a subcontratação
de pequenas empresas agia como protetor das grandes corporações do custo
das flutuações do mercado”57. A conclusão a que se chega é que a “atual
tendência dos mercados de trabalho é reduzir o número de trabalhadores
centrais e empregar cada vez mais uma força de trabalho que entra facilmente
e é demitida sem custos, quando as coisas ficam ruins”58.




56
   Harvey (1996 : 144)
57
   idem (1996:144)
58
   ibidem (1996:144)
39


2.2 Decorrências estruturais


           Além das mudanças da estruturação e modelagem das organizações e
dos processos de trabalho, tornou-se patente a modificação adaptativa das
estruturas representativas dos trabalhadores. Sindicatos, outrora poderosos,
lutam contra a contínua diminuição de seus quadros sociais e, portanto, da sua
própria representatividade e conseqüente poder. Este tópico explora os efeitos
da somatória destas mudanças estruturais sobre os modelos de gestão,
procurando evidenciar uma dependência crescente por parte das organizações,
de informações e adequações dos processos de trabalho. Evidenciando esta
dependência tem-se por objetivo demonstrar a necessidade de uma gestão dos
sistemas de informação combinada com os modelos organizacionais que
resulta no aparecimento do Analista de Negócios e da Informação.

           Até a metade dos anos 70, os altos salários estavam concentrados no
trabalho operário não qualificado59. Esta situação mudou drasticamente nos
anos 90: os salários mais altos estão no trabalho com conhecimento, ou seja,
no       trabalho        mais   intelectualizado   -   dependente   da   acumulação   de
conhecimentos e da                qualificação (longa e dispendiosa formação escolar
formal).

           A evolução salarial do operariado durante este século pode ser
encontrada nas afirmações de Drucker60 :

           - No início do século, operários americanos trabalhando 60 horas
semanais alcançavam uma remuneração de US$ 250,00/ano, sem benefícios
de qualquer espécie, o que correspondia a 1/3 do valor de um automóvel Ford
modelo T.

           - Na atualidade, um trabalhador americano, trabalhando uma jornada de
40 horas semanais aufere, entre pagamentos diretos e indiretos (benefícios da
ordem de aproximadamente 50%), uma remuneração anual da ordem de US$
50.000,00. Esta remuneração, obtida de uma indústria sindicalizada de

59
     Drucker (1996:83)
60
     idem (1996)
40


produção em massa, é o suficiente para a aquisição de sete a oito automóveis
pequenos.

         Considerando como referencial para esta análise o preço dos
automóveis, este trabalhador teve um aumento de 20 vezes mais61! Estes
níveis salariais foram solapados, após os anos 70, pelo ambiente competitivo,
pela concorrência e superoferta. Diante desses fatores, não                                   foi possível a
manutenção dos níveis salariais, levando Drucker a constatar em 1987 um
"inusitado declínio do volume de operários durante os últimos 15 anos. Em
relação à população economicamente ativa, os operários em manufatura já
foram reduzidos de mais de um terço para menos de um quinto da força de
trabalho americana” 62.

         Para Drucker , este declínio do empregado convencional (grupo central),
não é decorrência de uma recessão, pois a produção encontra-se em franca
expansão. Esta queda pode ser explicada como um processo estrutural
irreversível. A redução e emigração dos trabalhadores para outras atividades
podem ser ilustradas pelas figuras 8 e 9, obtidas a partir de um trabalho
publicado por Harvey (1996) e de sua atualização com dados estatísticos mais
recentes da OCDE. ( Tab. 1 e 2).




61
   Ford Modelo T = $ 750,00 / Excel =~$ 7000,00 ( Fator ~10) ( Remuneração anual início do século = $250,00
   atualizando pelo preço do automóvel ( fator 10 ) = $ 2500,00. Remuneração atual efetiva = $50.000,00 logo um
   aumento da ordem de aprox. 20 vezes ( Dados auferidos de Drucker ( 1996, p.83)
62
   Drucker (1996:84)
41


           ESTRUTURA DO EMPREGO EM PAÍSES CAPITALISTAS AVANÇADOS ESCOLHIDOS NO
             PERÍODO 1960 - 1996, ILUSTRANDO, O AUMENTO DA ECONOMIA DE SERVIÇOS

                               Porcentagem da População empregada em :

    País             Agricultura           Indústria             Serviços
               1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996
Austrália       10,3   7,4    6,5 5,1 39,9 35,5   30,6 22,5 49,8 57,1   62,8 72,4
Canadá          13,3   6,5    5,5 4,1 33,2 30,6   28,3 22,8 53,5 62,8   66,2 73,1
França          22,4  11,4    8,6 4,6 37,8 39,7   35,2 25,9 39,8 48,9   56,2 69,5
Al.Ocidental    14,0   7,5    5,9 3,3 48,8 47,5   44,1 37,5 37,3 45,0   49,9 59,1
Itália          32,8  18,3   13,4 7,0 36,9 39,2   37,5 32,1 30,2 42,5   49,2 60,9
Japão           30,2  13,4   10,0 5,5 28,5 37,2   35,3 33,3 41,3 49,3   54,7 61,2
Espanha         42,3  24,3   18,2 8,7 32,0 36,7   35,2 29,7 25,7 39,0   46,6 61,6
Suécia          13,1   7,1    5,6 2,9 42,0 36,8   31,3 26,1 45,0 56,0   63,1 71,0
Reino Unido      4,1   2,9    2,8 2,0 48,8 42,6   36,3 27,4 47,0 54,5   60,9 70,6
EUA              8,3   4,2    3,5 2,8 33,6 33,2   30,1 23,8 58,1 62,6   66,4 73,3

OCDE            21,7   12,1    10,0    8,5   35,3   36,4   33,7   27,8   43,0     51,5   56,3    63,7



Tab. 1) Quadro demonstrativo da estrutura do emprego em países
capitalistas escolhidos. Fonte Harvey (1996, p. 149) e Relatório
OECD/OCDE nr. 33 ( 1998)

                Agrupando pela media das Porcentagens da População empregada em :

                  Agricultura           Indústria             Serviços
            1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996
EUROPA       21,5  11,9    9,1 4,8 41,1 40,4   36,6 29,8 37,5 47,7   54,3 65,5
AMÉRICA Nor  10,8   5,4    4,5 3,5 33,4 31,9   29,2 23,3 55,8 62,7   66,3 73,2
ÁSIA         30,2  13,4   10,0 5,5 28,5 37,2   35,3 33,3 41,3 49,3   54,7 61,2
AUSTRÁLIA    10,3   7,4    6,5 5,1 39,9 35,5   30,6 22,5 49,8 57,1   62,8 72,4
MÉDIA TOTAL 18,2    9,5    7,5 4,7 35,7 36,3   32,9 27,2 46,1 54,2   59,5 68,1



Tab. 2) Quadro demonstrativo da estrutura do emprego resumido por
continentes a partir da tabela 1 e graficamente demonstrada na figura 8.


        Abaixo, a representação gráfica das porcentagens acumuladas, por
média aritmética simples e por localização geográfica, procura dar melhor
visualização     destes       dados,   percebendo-se       esta    nítida       migração    dos
trabalhadores, ao longo deste final de século XX , da produção (indústria e
agricultura) para a prestação de serviços (fig. 8 e 9).
42




                                    EUROPA
 70,0

 60,0

 50,0                                                             AGRICULTURA


 40,0
%                                                                 INDÚSTRIA
 30,0
                                                                  SERVIÇOS
 20,0

 10,0

  0,0
            1960           1973           1981        1996
                                  ANO




Fig. 8) Gráfico demonstrativo da evolução da estrutura do emprego na
Europa. Fonte : desenvolvido a partir de Harvey (1996, p. 149) e Relatório
OECD/OCDE nr. 33 ( 1998).




        O grupo central de emprego formal e clássico, passou a sofrer uma
redução acentuada, sem prejuízo dos volumes produzidos. Os fatores que
levaram a esta condição foram:

   -    a introdução de inovações tecnológicas e

   -    a mudanças      do perfil dos empregados ( formação de grupos
        periféricos).
43




                                 AMÉRICA DO NORTE
    80,0

    70,0

    60,0

    50,0                                                                     AGRICULTURA
%                                                                            INDÚSTRIA
    40,0
                                                                             SERVIÇOS
    30,0

    20,0

    10,0

     0,0
                 1960    1973                      1981           1996
                                     ANO




                                          ÁSIA

    70,0

    60,0

    50,0
                                                                              AGRICULTURA
    40,0
%                                                                             INDÚSTRIA
    30,0                                                                      SERVIÇOS

    20,0

    10,0

      0,0
                 1960    1973                      1981          1996
                                     ANO




                                     AUSTRÁLIA

     80,0
     70,0
     60,0
     50,0                                                                    AGRICULTURA
%                                                                            INDÚSTRIA
     40,0
                                                                             SERVIÇOS
     30,0
     20,0
     10,0
       0,0
                  1960    1973                     1981          1996
                                     ANO




                                    MÉDIA TOTAL

       80,0
       70,0
       60,0
                                                                         AGRICULTURA
       50,0
 %                                                                       INDÚSTRIA
       40,0
                                                                         SERVIÇOS
       30,0
       20,0
       10,0
           0,0
                  1960   1973                    1981     1996
                                    ANO




Fig. 9) Gráfico da evolução da estrutura do emprego nos demais
continentes. Fonte : desenvolvido a partir de Harvey (1996, p. 149) e
Relatório OECD/OCDE nr. 33 ( 1998).
44


           Exemplos ilustrativos desta evolução podem ser auferidos do trabalho de
Rifkin 63, tais como os abaixo reproduzidos:

           Na indústria siderúrgica, pode-se encontrar o exemplo da United States
Steel, referenciada como a maior empresa siderúrgica dos EUA. Para o mesmo
volume de produção necessitava, em 1980, de um contingente de 120.000
funcionários; em 1990 eram necessários somente 20.000 prevendo reduções
adicionais. Uma assombrosa redução da ordem de mais de 80% dos
empregados formais.

           Nos anos 60, IAM ( International Association of Machinists) colocou em
seu sindicato (Washington D.C) uma placa comemorando o número de
1.000.000 associados; nos anos 90, este número tinha caído para 600 mil.

           A poderosa General Eletric, já sob o comando de Jack Welch,
experimentou uma evolução de seu faturamento (mundial) que pulou de US$
27,2 bilhões em 1981 para US$ 60,2 bilhões em 1991. No mesmo período o
número de empregados tradicionais ( contingente mundial), teve uma evolução
negativa, regredindo de 404.000 em 1981 para 284.000 em 1991 conforme
relatam Sherman & Tichy (1993)64.

           Na indústria de utilidades domésticas, sem redução de volume da
demanda ou substituição por artigos importados, segundo Rifkin, a redução do
contingente de funcionários foi diminuído de 196.300 pessoas em 1973 para
117.100 em 1991. Para 2005 projeta-se uma quantidade de somente 93.500
funcionários.

           Esta transformação da estrutura do mercado de trabalho teve como
paralelo mudanças de igual importância na organização industrial.

           A organização industrial, concebida para uma produção em escala no
modelo fordista, viu-se premida pela concorrência e pelos efeitos das
mudanças de hábitos de consumo.



63
     Rifkin (1995:145-150)
64
     Sherman & Tichy (1993:12-19)
45


           A economia de escala do modelo de produção fordista, gerando uma
superoferta de produtos, chamada por Harvey (1996) de superacumulação,
teve de enfrentar uma enxurrada de concorrentes advindos dos mais
longínquos rincões. Estes concorrentes ofereciam produtos a preço baixo
aproveitando-se, como um predador, das fraquezas de suas vítimas. “As
economias de escala, buscadas na produção fordista de massa, foram
substituídas por uma crescente capacidade de manufatura de uma variedade
de bens e preços baixos em pequenos lotes ”65. Estas fraquezas que residiam
parcialmente na superoferta de produtos, por outro lado, residiam também, no
modelo de gestão da produção em massa. “A forma organizacional e a técnica
gerencial, apropriada à produção em massa padronizada em grandes volumes,
nem sempre, eram convertidas com facilidade para o sistema de produção
flexível – com ênfase na solução de problemas, nas respostas rápidas e, com
freqüência, altamente especializadas, e na adaptabilidade de habilidades para
propósitos especiais "66.

             Para enfrentar os desafios e as mudanças as organizações industriais
tiveram de se adaptar às novas regras do mercado. Assim sendo, as relações
de trabalho tradicionais do grupo central, viram-se de frente com relações de
trabalho pouco ortodoxas. O relacionamento tradicional, oneroso e apropriado
para uma produção em massa e um consumo em massa contínuo, não mais
encontrava continuidade. Estava sendo inviabilizado por relações inovadoras, e
as relações tradicionais entraram em desuso nas economias ocidentais.

           Desta feita, passou a ser considerada “a subcontratação organizada a
qual abre oportunidades para a formação de pequenos negócios e, em alguns
casos, permite que sistemas mais antigos de trabalho doméstico, artesanal,
familiar (patriarcal) e paternalista ("padrinhos", "patronos" e até estruturas
semelhantes à da máfia) revivam e floresçam, mas agora como peças centrais,
e não apêndices do sistema produtivo” 67.

           Assim, observou-se o “retorno de formas e produção que envolvem
exploração em cidades como Nova Iorque, Los Angeles e Londres (que) se

65
     Harvey (1996 :148)
66
     idem (1996:146)
46


tornou objeto de comentários na metade dos anos 70 e proliferou, em vez de
diminuir, na década de 80. O rápido crescimento de           economias "negras",
“informais” ou "subterrâneas" também tem sido documentado em todo o mundo
capitalista avançado” 68.

        Assim sendo, a “ascensão de novas formas de organização industrial, o
retorno de formas mais antigas (com freqüência dominadas por novos grupos
de imigrantes em grandes cidades, como filipinos, sul-coreanos, vietnamitas e
naturais de Taiwan em Los Angeles, ou indianos e nativos de Bangladesh no
leste de Londres) representam coisas bem diferentes, em diferentes lugares.
Às vezes, indicam o surgimento de novas estratégias de sobrevivência para os
desempregados ou pessoas totalmente discriminadas (como os haitianos em
Miami ou Nova Iorque), enquanto em outros casos existem apenas grupos
imigrantes tentando entrar num sistema capitalista, formas organizadas de
sonegação de impostos ou o atrativo de altos lucros no comércio ilegal em sua
base”69 .

        A conclusão a que se chega é categórica: “em todos esses casos, o
                                                                                 70
efeito é uma transformação do modo de controle do trabalho e de emprego”              ,
ou seja, a estruturação e organização do trabalho não mais poderiam
permanecer com a configuração clássica, até então adotada. O modelo
evolutivo descrito acentua necessidades de respostas mais rápidas, as
organizações clássicas, enfocando uma continuidade, uma produção em
massa caracterizada pelas grandes quantidades de um mesmo produto,
estavam exauridas. Uma nova organização capaz de suportar uma produção
de vários produtos em quantidades variáveis, em conformidade com a
demanda, se fez presente. Produção esta, que, para que pudesse se efetivar
requeria de informações e suporte contínuo em questionamentos do tipo - o
que fazer (produzir), para quem ( cliente), com quais materiais ( logística), etc.-,
questões determinantes para o sucesso do modelo. Uma organização ágil,
flexível ( alta capacidade adaptativa às contínuas mudanças) passou a ser
determinante, fato que deve ser levado em consideração na análise e

67
   Harvey (1996:146)
68
   idem (1996:145)
69
   ibidem (1996:145)
70
   ibidem (1996:145)
47


decorrente concepção do modelo de gestão destas organizações. A
necessidade de um gestor que englobe, assuma não somente as informações,
mas também o próprio modelo organizacional: o Analista de Negócios e da
Informação.

      Continuando a explorar as mudanças encetadas no ambiente sócio-
econômico, pode-se observar ainda, que as formas de organização
tradicionais, tais como os sindicatos, também foram afetadas pelas profundas
mudanças nas relações de trabalho. Os sindicatos que tiveram um papel
fundamental na organização e fortalecimento do grupo de trabalhadores viram-
-se de frente com uma situação desestabilizadora.

      Esse fato pode ser explicado tendo em vista que os sindicatos
dependem de um grupo central numericamente representativo. A formação de
grupos periféricos (prestadores de serviços ou temporários) ou a substituição
dos trabalhadores por máquinas, ou seja, o desemprego tecnológico, fizeram
com que a quantidade de trabalhadores sindicalizados diminuísse. Assim, os
sindicatos perderam:

      - a massa crítica e

      - a força ( condicionada pelo volume dos trabalhadores das fábricas).

      As demonstrações da força dos sindicatos, no clamor por mudanças,
retratadas em Tempos Modernos, de Charles Chaplin, estavam se esvaindo.

      Os sindicatos passaram a enfrentar tempos turbulentos. Os grupos não
centrais constituíam um terreno ardiloso e de difícil acesso. Era-lhes
“peculiarmente difícil ter acesso aos sistemas de trabalho familiares e
domésticos. Os sistemas paternalistas são territórios perigosos para a
organização dos trabalhadores, porque é mais provável que corrompam o
poder sindical (se ele estiver presente) do que tenham seus empregados
liberados por este do domínio e da política paternalista de bem estar do
padrinho. Com efeito, uma das grandes vantagens do uso dessas formas
antigas de processo de trabalho e de produção pequeno - capitalista é o
solapamento da organização da classe trabalhadora e a transformação da
48


base objetiva da luta e classes. Nelas, a consciência de classe já não deriva da
clara relação de classe entre capital e trabalho, passando para um terreno
muito mais confuso dos conflitos interfamiliares e das lutas pelo poder num
sistema de parentescos ou semelhantes a um clã que contenha relações
sociais hierarquicamente ordenadas. A luta contra a exploração capitalista na
fábrica é bem diferente da luta contra um pai ou tio que organiza o trabalho
familiar num esquema de exploração altamente disciplinado e competitivo que
atende às encomendas do capital multinacional”71 .

         As dificuldades das famílias para obter o seu ganho, aliadas a novos
valores sociais e a procura por mão-de-obra mais barata fizeram, com que a
mulher ingressasse no mercado de trabalho: “As novas estruturas do mercado
de trabalho facilitam muito a exploração da força de trabalho das mulheres em
ocupações de tempo parcial, substituindo assim trabalhadores homens centrais
melhor remunerados e menos facilmente demitíveis, pelo trabalho feminino
mal pago, como o retorno dos sistemas de trabalho doméstico e familiar e da
subcontratação permite o ressurgimento de práticas e trabalhos de cunho
patriarcal feitos em casa” 72.

         O ingresso da mulher no mercado de trabalho, observado nas
economias desenvolvidas, deu-se, igualmente, nos países periféricos que
buscavam alternativas para o modelo de produção em massa (fordista).

         O capital multinacional levou para o exterior o sistema fordista de
produção em massa ( Fordismo periférico ), com a intenção de explorar a força
de trabalho feminino, pois esta era: vulnerável, de baixa remuneração           e
negligente com relação à segurança.
         Esta exportação do modelo de produção em massa foi observada
também por Peter Drucker73, ao descrever o programa “Maquiladora”
implantado pelo México nos anos 60.

         O México, ao ter adotado uma política nacionalista restritiva ao ingresso
de capitais estrangeiros, gerou um país          “economicamente isolado, com

71
   Harvey (1996:146)
72
   idem (1996:146)
73
   Drucker (1996: 51-54)
49


indústrias auto-sustentadas e controladas pelo governo, quando não de sua
propriedade - que deveriam produzir somente para um mercado doméstico,
fortemente protegido”74. As conseqüências relatadas por Drucker (1996)
formam um México ainda mais pobre, ou seja, um país cujas famílias
apresentam grandes dificuldades de sustento; além de um país dependente,
dos      Estados          Unidos,   em:   alimentos,   dinheiro,   atividades   bancárias,
maquinarias e tecnologia.

         Os países depauperados constituem um solo fértil para a implantação do
Fordismo periférico, pois, em sua essência, propõe relações de trabalho que
barateiam os custos da produção.

         O Programa Maquiladora permitiu que em uma faixa contígua (fronteira
com os Estados Unidos) fossem implantadas indústrias que embora
estivessem situadas em terras mexicanas, o seu capital e, portanto, a sua
gestão não eram obrigatoriamente mexicanos.

         O tratamento aduaneiro dispensado às indústrias atreladas ao Programa
Maquiladora foi concebido de maneira específica e restritiva. O modelo fiscal
fazia com que as indústrias mexicanas convencionais pagassem a importação
de produtos e matérias primas industriais, ”impostos aduaneiros exorbitantes e
enfrentam         intermináveis      aborrecimentos    burocráticos”75.   As    chamadas
'maquilas', no entanto, importam estes mesmos produtos sem                      embaraços
alfandegários (burocráticos e cobrança de tarifas aduaneiras). Estas ‘maquilas’
ao exportarem mercadorias para os Estados Unidos, tiveram a sua taxação
aduaneira aplicada somente sobre o valor agregado no México.

         Como conseqüência deste programa, no início dos anos 90,                    meio
milhão de pessoas estavam empregadas (estima-se que o volume de
dependentes diretos oscilavam entre 2,5 a 3 milhões de pessoas). As maquilas
passaram a responder por 4/5 das exportações de manufaturados do México
conforme informa Drucker76. É inegável o benefício desse processo para as



74
   Drucker ( 1996 : 52)
75
   idem (1996:52)
76
   ibidem (1996)
50


pessoas de um pais “pobre”, pois estas passam a encontrar um meio para o
sustento de suas famílias, um meio para o seu desenvolvimento pessoal.

           O deslocamento da produção para outros centros de produção atinge
inicialmente a mão-de-obra não qualificada, que gradativamente passa por uma
especialização, pois surgem as necessidades de técnicos, engenheiros e
administradores locais. Isso, para as organizações, não deixa de ser um
barateamento de custos,            uma vez que os salários são inferiores aos dos
congêneres               das fábricas de origem. Para as pessoas destes países
emergentes, a expansão territorial do Fordismo representa uma oportunidade
de desenvolvimento (maiores ganhos).

           Harvey, referindo-se à mão-de-obra não qualificada e aos baixos
salários, acrescenta que programas deste tipo permitem que “administradores
e a propriedade de capital norte-americano permaneçam ao norte da fronteira
mexicana, enquanto se instalam as fábricas, que empregam principalmente
mulheres jovens, ao sul da fronteira. É um exemplo particularmente dramático
de uma prática que se tornou generalizada em muitos dos países menos
desenvolvidos e recém - industrializados (as Filipinas, a Coréia do Sul, o Brasil
etc.).”77

           Os efeitos benéficos para as pessoas e para a economia dos países
emergentes puderam ser verificados também nos países de origem. A exemplo
disso, temos que as 'maquilas' “beneficiaram muito os Estados Unidos. Sem
elas, muitas pequenas e médias empresas americanas teriam sucumbido,
vitimas da concorrência dos baixos salários no exterior.”78

           Por outro lado, a migração do capital, as mudanças tecnológicas e a
superoferta de produtos levaram a uma situação desagregadora. “Novas
técnicas e novas formas organizacionais de produção puseram em risco os
negócios de organização tradicional, espalhando uma onda de bancarrotas,




77
     Harvey (1996:146)
78
     idem (1996:146)
51


fechamento de fábrica, desindustrialização e reestruturações que ameaçaram
até as corporações mais poderosas”.79

           Em resumo, pode-se concluir que o modelo tradicional de emprego,
característico de uma produção em massa, está comprometido em face das
novas         realidades.   As   relações   de   trabalho,   seja   nos   centros   mais
desenvolvidos seja nos centros do “Fordismo periférico”                   sofreram este
impacto, e em muitos casos, o “empregado” passou para a condição de
“ocupado” ou prestador de serviço, sem o tradicional vínculo empregatício.

           Por outro lado, a implantação do Fordismo periférico levou à
descentralização das empresas. As organizações passaram a se fazerem
presentes com plantas ( fábricas) em várias partes do mundo. A gestão de
organizações esparsas, sua consolidação em termos contábeis, financeiros e
das próprias políticas de produção e suprimentos requeria, cada vez mais, um
sistema de informações, capaz de suportar as suas operações. Mais uma vez,
se evidencia uma dependência crescente das informações e de uma correlata
e adequada gestão destas informações corroborando para a consolidação da
figura do Analista de Negócios e da Informação.

             No intuito de ilustrar as formas de relações de trabalho e convivência
                                                                                     80
entre diferentes modelos, mostra-se uma tabela apresentada por Harvey                     a
partir de um trabalho elaborado por Deyo (1987) (tab. 3):




79
     Drucker (1996:52)
80
     Harvey ( 1996:147)
52


    Tipo de            Forma               Base de            Política de
   Produção                              Exploração            Produção
   Autônoma          Consultores,      troca de bens e      individualista e
                   artesãos e setor        serviços           regida pelo
                       informal                                mercado,
                                                           antimonopólio ou
                                                           regulamentação
                                                                estatal
  Cooperativa         coletivos e     acordos internos,       negociação
                     cooperativas        intercâmbio
                                            externo
   Patriarcal      pequenas firmas        parentesco           paroquial
                       familiares       baseado em
                    (exploradoras)      idade e sexo
  Paternalismo      grandes firmas       comunidade        aparência e status
  comunitário         domésticas        baseada em
                    (trabalho duro)      normas, em
                                       costumes e na
                                             força
  Paternalismo        sistemas         racionalidade,      possibilidade de
   burocrático    corporativos e de       lealdade e            ascensão
                   gerência estatal      antigüidade           funcional e
                                          calculadas          competição
                                                               dentro das
                                                             organizações
   Patrimonial         impérios       relações de poder       barganhas,
                  hierarquicamente    e troca de favores   ganhos mútuos e
                   organizados na          (privilégio      lutas dinásticas
                    produção, no          tradicional)
                  comércio ou nas
                       finanças
   Proletária         empresa       compra e venda     competição do
                     capitalista e    de força de      mercado, ação
                     sistema de        trabalho e         coletiva,
                        fábricas    controle sobre o  negociação e luta
                                      processo de        de classes
                                     trabalho e os
                                        meios de
                                       produção
Tab. 3) Formas de Relações de Trabalho. Fonte Harvey apud Deyo (1996,
p.147)


      As relações de trabalho sofreram, ao longo do século XX, uma mudança
radical. Não se pretende, neste momento, entrar no mérito social destas
53


alterações, mas sim enfocá-las no que concerne às organizações cujo objetivo
desde o inicio do século é : “maximizar os ganhos a médio prazo por ação”81.

            Este mesmo objetivo, na realidade atual, ganha uma abordagem mais
ampla. Embora o objetivo principal continue sendo o lucro ( “obter lucro a fim
de continuar operando ou fabricando produtos, cada vez mais e melhor”82), o
lucro passou a ser visto como um meio para outros fins e não um fim em si
mesmo.

            As inovações tecnológicas e          econômicas, conforme procurou-se
demonstrar, influenciaram profundamente os processos de trabalho que
continuam a requerer as sofisticações não exigidas nos modelos iniciais. Os
processos efetuados por grupos - centrais e periféricos - e processos
transferidos            dos   centros   desenvolvidos   para   regiões   emergentes,
geograficamente distantes, requerem um intercâmbio de informações nunca
antes presenciado.

            Este intercâmbio de informações é tratado por Drucker ao estimar "que
os novos trabalhadores, que trabalham com dados em vez de coisas, já
perfazem pelo menos um terço, e , mais provavelmente, mais de dois quintos
de todos os empregados” 83.

            As organizações, no limiar do século XXI, apresentam, um quadro no
qual predomina a citada concentração e dependência de informações, levando-
se a concluir pela necessidade de uma figura que as adapte, direcione, e
molde. A necessidade do surgimento da figura do Analista de Negócios e da
Informação parece estar se consolidando celeremente.




81
     Handy (1996:37)
82
     idem (1996 : 38)
54


2.3 Hábitos de consumo e suas conseqüências


         Procurou-se com os tópicos anteriores efetuar uma análise das
organizações e de seus processos, rumo à necessidade de um complexo
sistema de informações.            Com o fim precípuo de melhor sedimentar esta
necessidade, entendeu-se que esta estaria incompleta caso não fosse
abordada também a questão dos hábitos de consumo.

         Considerando as empresas sob a óptica do Fordismo, a acumulação
flexível evoluiu e “foi acompanhada na ponta do consumo, portanto, por uma
atenção muito maior às modas fugazes e pela mobilização de todos os
artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural que isto
implica”84. A análise evolutiva das organizações e dos modelos de gestão não
pode passar, portanto, ao largo de uma análise dos padrões de consumo. Não
importando, para os efeitos desta análise, se a organização se dedica à
produção de mercadorias, de bens industriais, ou efetua a prestação de
serviços, pois sua relevância reside no fato de que todas as organizações são
dependentes e condicionadas pela demanda do consumo.

         No início do século, em sua forma original, o termo consumo era
concebido como: destruir, saquear, subjugar e exaurir.

         O ato de consumir, "até o presente século, tinha apenas conotações
                85
negativas”           . A partir dos anos 20, começou a ocorrer, em passos sucessivos,
a “metamorfose do consumo, de vício a virtude, transformando-se em um dos
fenômenos mais importantes( ... ) do século XX"86.

         Os princípios da “ética protestante do trabalho, que até então havia
dominado a fronteira do ethos americano, estavam profundamente enraizados.
Parcimônia e poupança eram a base do modo de vida americano, parte da
antiga tradição ianque que havia servido de marco a gerações inteiras de
americanos, assim como uma âncora para os imigrantes recém-chegados,


83
   Drucker ( 1995 : 17)
84
   Harvey ( 1996:148)
85
   Rifkin (1995: 19)
86
   idem ( 1995 : 19)
55


determinados a construir uma vida melhor para as gerações de seus filhos.
Para a maioria dos americanos, a virtude do auto-sacrifício, continuava a
prevalecer sobre a tentação da gratificação imediata no mercado de
consumo”87 .

            A crescente industrialização, aliada aos aspectos das inovações
tecnológicas, não poderia assegurar a sua expansão ou mesmo conviver, em
um mercado no qual o consumo fosse considerado hediondo.

            O crescimento da sociedade urbana nos EUA (imigração externa e
migração interna), em face da industrialização, criou um grupo social que,
tendo abandonado as suas atividades anteriores, auferia o seu sustento dos
salários percebidos na indústria. Uma produção menor ou sem expansão,
aliada à crescente introdução de tecnologia - máquinas e equipamentos -
colocaria este contingente em uma situação difícil (não satisfação das suas
necessidades) por obstruir o ganho, via salário.

            Fez-se necessário o surgimento de uma nova concepção de consumo e
que eliminasse seus aspectos negativos e pejorativos (consumir é pecado).
Neste sentido, fez-se necessária a substituição da “ênfase na produção (…)
para a economia do consumo (…) na qual os economistas voltavam a sua
atenção intelectual para o consumidor. O 'marketing' que, até então, havia
desempenhado um papel secundário nos negócios, assumiu nova importância.
Da noite para o dia, a cultura do produtor transformava-se na cultura do
consumidor” 88.

            A percepção da importância do consumidor final pelas organizações,
como sendo o alvo, sem o qual não haveria produção, começou, já no início da
industrialização em massa, a se cristalizar. “Os negócios aprenderam, como
jamais haviam aprendido antes, a importância do consumidor final. A não ser
que pudesse ser persuadido a comprar prodigamente, a sucessão de carros de
seis cilindros, cigarros, batons e refrigeradores elétricos estaria encalhada nos




87
     Rifkin ( 1995 : 20)
88
     idem (1995 : 20)
56


seus pontos de venda”89. Desta maneira, estava dada a largada para
transformar o trabalhador americano em um consumidor.

            Os economistas Hazel & Kyrk (1923), foram ‘felizes’ em entender as
vantagens desta nova abordagem consumista. “Os luxos dos prósperos
precisavam ser transformados em necessidades das classes mais pobres. A
superprodução e o desemprego tecnológico podiam ser amenizados, e até
mesmo eliminados, bastando para isso que a classe trabalhadora fosse
conscientizada para o consumo dinâmico do supérfluo”90.

            Instituíram-se campanhas mercadológicas que criaram a insatisfação
organizada do consumidor. O apelo era gerar satisfação via modelos mais
avantajados, mais potentes ou simplesmente mais novos. Uma prática que
pode ser observada até hoje, por exemplo, na indústria automobilística.

            Sucederam-se   as   campanhas   para   substituição   dos   produtos
alimentícios caseiros por industriais. Na indústria têxtil, as campanhas
passaram a valer-se do conceito da moda passageira, geradora de novas
‘necessidades’. Os produtos genéricos foram substituídos por produtos de
‘marca’ , outros tiveram o seu uso redirecionado. A Coca Cola, inicialmente
vendida como remédio para dor de cabeça, pôde ser vista como um exemplo
clássico deste redirecionamento. A dor de cabeça é esporádica, o que não
acontece com a sede, gerando, portanto, um consumo muito mais acentuado.

            O apelo mercadológico por status gera ou, ao menos, procura gerar,
uma coação social (para obter e manter o status) que induz o consumo ( a
moradia e suas instalações, o carro, a indumentária etc. são exemplos de
produtos que conferem maior ou menor status aos seus detentores. ). Um forte
sistema de crédito ao consumidor sustentava e consolidava o consumo nos
anos 20 deste século. “Mais de sete milhões de famílias de classe média baixa
migraram para os subúrbios [...] a residência suburbana tornou-se tanto uma
exibição quanto uma moradia [....] os anunciantes concentravam suas atenções




89
     Rifkin ( 1995 : 21)
90
     idem ( 1995 : 21)
57


nos novos “aristocratas” suburbanos, determinados a encher seus castelos
com uma coleção interminável de novos produtos e serviços”91.

         Em menos de uma década pôde-se constatar uma mudança radical na
postura do povo americano que, um pouco antes da Grande Depressão (1929),
quebrava a corrente de consumo. Atribui-se a quebra desta corrente ao
endividamento dos consumidores e à falta de repasse dos lucros gerados
(atividade produtiva) para a classe trabalhadora . “A maioria dos empregadores
preferia embolsar o lucro extra obtido com o aumento da produtividade, a
transferi-lo para os trabalhadores, na forma de aumentos salariais”92.

         O entendimento de Henry Ford foi uma exceção, pois recomendava aos
empregadores que remunerassem melhor seus trabalhadores, caso contrário o
mercado consumidor estaria comprometido. Derivava esta postura de Ford da
convicção de que, somente o consumo em massa poderia sustentar o sistema
como um todo. No entanto, Ford foi incapaz de deter a queda do consumo e a
conseqüente depressão, porque tomou esta medida sozinho.

         A organização industrial fordista de concepção taylorista preconizava
uma contínua redução dos custos de produção para proteger as margens de
lucro pretendidas. Esta contenção dos custos afetava negativamente os
ganhos auferidos pela classe trabalhadora. A divisão do trabalho, a alta
especialização (tarefas menores e de menor remuneração), a fácil substituição
do operário por outro e a sua substituição por maquinas, faziam as suas
primeiras vítimas.

         Os trabalhadores foram as primeiras vítimas do processo e viram seus
ganhos sendo solapados e o seu poder de compra diminuído. Inicialmente
sustentado por artifícios creditícios (fato criticado, porém sem sucesso), “Os
produtos foram financiados mais rapidamente do que podem ser produzidos”93.
A quebra da corrente creditícia, da aquisição financiada, provocou um círculo
vicioso que contribuiu para a Grande Depressão iniciada em 1929.



91
   Rifkin (1995:23)
92
   idem ( 1995:24)
93
   ibidem (1995:25)
58


            “Muitos políticos e líderes empresariais da época, estavam tão
obstinados pela idéia de que a oferta cria a demanda, que foram incapazes de
ver a dinâmica negativa que estava levando a economia para a maior
depressão [...] as corporações americanas investiram milhões de dólares em
propaganda e campanhas publicitárias, na esperança de convencer a força de
trabalho ainda empregada a participar de uma orgia de consumo”94.

         O aprofundamento da depressão e seus efeitos devastadores sobre o
consumo e a sociedade acabaram por desembocar em programas de
restauração do consumo e do emprego. O trabalho, ainda que em jornadas
reduzidas, foi o mote do enfoque governamental de Franklin Delano Roosevelt
com o seu New Deal: “[…] nosso principal objetivo é criar empregos tão
rapidamente quanto pudermos [...] a meta de todo esse esforço é restaurarmos
nosso rico mercado interno por meio do aumento de sua imensa capacidade de
consumo [...] a demanda reprimida das pessoas é muito grande e se pudermos
libertá-la numa frente ampla, não precisaremos temer uma recuperação
defasada”95.

         Estava dada a largada para a recuperação da economia via consumo
(criação de empregos que, por sua vez, gerariam um aumento do consumo). A
classe trabalhadora, ou seja, a massa populacional geradora do consumo em
massa (base de sustentação da produção em massa fordista),                   seria
restaurada e revitalizada.

           O programa para o progresso do trabalho WPA ( Works Progress
Administration) foi um dos programas de revitalização econômica que tiveram
como objetivo “estimular de imediato o poder aquisitivo do consumidor” 96.

         Os princípios Keynesianos97, adotados por Roosevelt, foram expressos
com nitidez por Harry Hopkins presidente do WPA, quando afirmou que: a
prioridade do governo era “aumentar a receita nacional para que os menos
favorecidos - um terço da população americana - pudessem tornar-se
consumidores e dessa forma participar da economia. A tarefa do governo era

94
   Rifkin ( 1995: 24)
95
   idem ( 1995:31)
96
   ibidem (1995 : 31)
59


dar empregos, renda e maior poder de compra, para reativar a máquina
econômica”98.

           Esta abordagem Keynesiana fez com que os gastos do governo
(governo como consumidor) saltassem dos de 12% do PIB em 1929 para
33,2% do Produto Interno Bruto em 1975.99

         A recuperação plena da economia americana ocorreu com o grande
consumo gerado pela II Guerra Mundial. Os gastos governamentais passaram
dos US$ 16,9 bilhões dispendidos antes da guerra, para mais de US$ 51,9
bilhões após um ano de guerra, chegando a atingir US$ 81,1 bilhões em 1943.
Os gastos no pós- guerra (Guerra Fria) continuavam em ascensão mantendo
ativo o consumo, a produção em massa e, por conseguinte, o bem-estar social
preconizado pelo modelo Keynesiano. O consumo, gerado e mantido pela
política fiscal governamental, atingiu na década de 80 um volume da ordem de
US$ 2,3 trilhões destinados à segurança militar.100

         Os valores apresentados demonstram que “A Guerra Fria e a Guerra do
Vietnã aceleraram o fluxo de dólares do governo para a indústria da defesa,
assegurando expansão da economia e emprego para muitos”101 . A alocação
de recursos governamentais na atividade de defesa, na área militar, não foi
exclusiva dos EUA. De uma maneira bastante genérica pode ser observado
em todo o planeta, “hoje até países pequenos e pobres - Peru, Líbia, Iraque -
possuem um poderio bélico maior e mais destrutivo do que a maioria das
grandes potências no início da II Guerra Mundial”102.

         Esta abordagem da manutenção do consumo e, consequentemente, da
produção em massa (gastos governamentais, sobretudo para o setor militar),
foi mantida e permaneceu reinando nas economias desenvolvidas até os anos
70. O modelo manteve-se enquanto os recursos governamentais para a sua
manutenção foram suficientes.


97
   A gestão econômica pelo governo através de uma política fiscal voltada ao estado do bem estar social
98
   Rifkin ( 1995 : 32-34)
99
   idem ( 1995 : 34)
100
    ibidem ( 1995: 33-34)
101
    ibidem (1995:34)
102
    Drucker (1993:36)
60


          Os governos, pródigos em gastar, necessitavam de recursos para que
pudessem manter esta política (ativar o consumo via gastos governamentais).
“Em 1960 o déficit federal dos EUA superou US$ 59 bilhões e a dívida interna
chegou a US$ 914,3 bilhões. Em 1991, o déficit superava US$ 300 bilhões e a
dívida chegava a assombrosos US$ 4 trilhões” 103.

          Estes novos problemas fizeram com que “em algum momento entre
1965 e 1973 nós cruzamos um marco divisório e ingressamos no ‘próximo
século’, deixando para trás convicções, compromissos e alinhamentos que
haviam moldado a política por cem ou duzentos anos”104. O consumo em
massa gerado (direta ou indiretamente) pelos gastos governamentais (poderio
bélico), tornou-se contraproducente.

          Relata Drucker que fizera parte de uma comissão consultiva do
Departamento de Defesa sobre aquisição de materiais e contratação de
pessoal (início do governo Kennedy). As conclusões apresentadas por esta
comissão não poderiam ser taxadas de antimilitares, pois a sua composição
era eclética (três empresários, três altos oficiais militares e três professores
universitários) o suficiente a ponto de coibir este argumento. Decorridos nove
anos, a comissão chegou a uma conclusão : “as armas haviam se tornado
contraproducentes, até mesmo em termos militares” 105.

          Uma análise dos gastos governamentais em armamentos veio a
demonstrar que o efeito benéfico inicial - impulsionador do consumo - viciou o
consumo e o modelo de produção. Os pesados gastos em material bélico dos
EUA foi uma das maiores causas - “talvez a mais importante - do país ter
perdido o seu vigor competitivo e da economia americana ter perdido a sua
                         106
posição de liderança”          para países como o Japão, que não gastaram o erário
público no consumo de artigos bélicos.

          Drucker argumenta que países como o Japão, ao não enfocarem o
consumo bélico, fizeram com que a economia se voltasse ao mercado, à
pesquisa de novos produtos e de tecnologias de produção. Voltadas, portanto

103
    Rifkin (1995 : 40)
104
    Drucker (1993:4)
105
    idem ( 1993:37)
61


ao consumo não militar, voltadas ao mercado de consumo civil. “Nos Estados
Unidos um terço dos engenheiros trabalham para a defesa militar do país. Se
um tecnólogo japonês está ocupado projetando a lateral de um carro de
passeio, seu colega americano de mesma competência estará quase
certamente projetando um novo tanque ou idealizando instrumentos para a
Guerra nas Estrelas”107.

         Este direcionamento da indústria ocidental para o campo bélico em
detrimento do atendimento ao mercado consumidor civil encontra-se também
relatado em “A Máquina que mudou o Mundo”108. Ao referir-se à indústria
automobilística - chamada por Drucker de “indústria das indústrias”, seus
autores informam que “após a Segunda Grande Guerra, Eiji Toyoda e Taiichi
Ohno, da Toyota japonesa, foram pioneiros no conceito da produção enxuta. O
salto japonês para a atual proeminência econômica, logo se seguiu, na medida
em que outras companhias e indústrias japonesas copiaram este notável
sistema”109. O avanço da indústria automobilística japonesa em detrimento da
norte americana pode ser verificada no quadro abaixo (fig. 10).




106
    Drucker ( 1993:40)
107
    idem (1993:40)
108
    Womack et. al. (1992)
109
    idem ( 1992 : 1)
62


    Participação das Com panhias de Propriedade Norte Am  ericana no Mercado
                  Norte Americano de Autom óveis ( 1955 a 1989 )
                          Auferido de Womack, J,P em A Maquina que Mudou o Mundo pg. 33



                100


                75
  Porcentagem




                50


                25


                 0
                 1955   1958   1961   1964   1967   1970   1973   1976   1979   1982   1985   1988   1989
                                                           ANO



Fig. 10) Segmentação do Mercado Automobilístico dos USA. Womack
et.al. (1992, p. 33)
63


2.4 O desafio do marketing


         A demanda em crise, demonstrada no tópico anterior, gerou uma
desestabilização do equilíbrio da produção em massa. Um novo desafio para
as organizações - sejam estas governamentais, produtoras de bens ou
prestadoras de serviços - estava lançado. Aqui pretende-se demonstrar que
este     novo      desafio       requererá,   cada   vez   mais,   apuradas   soluções
organizacionais baseadas em informações e modelos de gestão pertinentes.
As informações são vitais para a orientação da organização e, com esta
constatação, pretende-se realçar novamente a atuação do Analista de
Negócios e da Informação.

         O declínio do poder produtivo ocidental relacionado a                produtos
destinados ao uso civil, bem como as dificuldades verificadas para encontrar o
consumidor final foram analisadas por Davidow & Mallone.

          “A fabricação em massa havia mudado o escopo da produção para o
volume (...) a qual levou à criação de imensos canais de distribuição para a
entrega dos frutos da produção ao maior número possível de clientes”110. Em
outras palavras, o conceito da produção em massa (“economia de escala”) foi
levado e aplicado na distribuição de produtos. O relacionamento direto com o
cliente - consumidor - não podia ser concretizado em razão dos volumes
transacionados. Para que as vendas se concretizassem, “os grandes
fabricantes tiveram de recorrer a ferramentas alternativas - lojistas locais,
catálogos e anúncios em jornais e revistas - para fazer as vendas” 111.

         O marketing tornou-se a ferramenta para “convencer o cliente a aceitar
a produção em massa, tornou-se, cada vez mais importante, nas décadas
finais do século passado e no início deste, quando uma explosão de novas
tecnologias (…) exigia que a base de clientes não só comprasse produtos
fabricados em massa para substituir os existentes, mas também aceitasse
produtos inteiramente novos, sem precedentes históricos” 112.


110
    Davidow & Malone ( 1993 : 212)
111
    idem ( 1993 : 212)
112
    ibidem ( 1993:212)
64


           A proliferação de anúncios, seja nos meios tradicionais (lojistas locais,
catálogos e anúncios em jornais e revistas), seja nos meios que as inovações
tecnológicas vieram a acrescentar, (o Rádio, a Televisão, o Fax e a Internet),
acabaram por consolidar o que Davidow & Mallone (1993) chamaram de:
“Marketing de massas”.

           Este marketing de massas já era observado por ocasião da grande
depressão nos EUA. Os programas mercadológicos visando ao estímulo do
consumo, foram um exemplo típico. No pós-guerra, com a grande depressão
vencida pela abordagem Keynesiana, estes programas foram mantidos. No
auge da produção em massa “a cacofonia de anunciantes concorrentes havia
ficado tão alta que era difícil para qualquer fabricante fazer-se ouvir acima do
ruído”113 .

           Novas e mais refinadas alternativas para atingir os consumidores foram
se instalando. A mala direta, espaços nas artes, nas publicações, enfim
múltiplas formas passaram a atingir um consumidor cada vez mais sufocado.
“O marketing de massa derramou-se em todos os cantos da vida moderna (…)
contudo, tudo isso não passa de permutações de uma única estratégia : moldar
os seres humanos para que ajam como clientes prontos para os bens
produzidos em massa”114.

           A produção em massa gerou uma superoferta de produtos, sem cumprir
a sua promessa da redução de custos em função da escala. A própria
economia de escala acabou por constituir uma cilada para o modelo da
produção em massa. A multiplicação de modelos e acabamentos exigidos pelo
marketing para atender a segmentos específicos de consumidores, minava as
possibilidades de se produzir em larga escala. A, cada vez mais presente,
produção flexível em Just in Time trazia inegáveis vantagens em termos de
custo.

           O Fordismo de massa procurou se antepor ao avanço das economias
orientais efetuando uma superoferta de mensagens aos consumidores. O
conjunto dos desdobramentos negativos da abordagem de massa fizeram com

113
      Davidow & Malone ( 1993: 212)
65


que “numa grande parcela dos negócios americanos, o consumidor impulsivo
do pós-guerra, que era puxado de um lado para o outro por tendências e
modismos, irá desaparecer - e a única população considerável de
consumidores a ser capturada para novos negócios será a dos insatisfeitos
com seus fornecedores correntes”115.

        Estava instalado o clima de “guerra”. A luta pela sobrevivência das
organizações passou a exigir cada vez maiores, céleres e perspicazes
adaptações nas formas de se atingir o consumidor - produção e gestão.

        O mercado de produtos embalados é citado como um exemplo aplicável
a inúmeros outros segmentos. Davidow & Mallone destacam a infidelidade do
consumidor tradicional que migra das marcas tradicionais para as marcas
próprias dos distribuidores em razão dos preços serem mais atrativos. Este
segmento mercadológico tido como “até recentemente um dos mais lucrativos
entre os produtos de consumo” passou a enfrentar uma “tendência comum a
todas as nações industrializadas” .

        “Os fabricantes de bens embalados estão sob o ataque de todos os
lados. Os métodos tradicionais de promoções de marcas, como a propaganda
pesada, estão cada vez menos eficazes, quando os custos sobem, as
audiências da televisão declinam, a lealdade à marca se enfraquece e melhora
a qualidade das marcas próprias ... Também a escala não mais provê
vantagens significativas em custos para os grandes fabricantes; têm surgido
fornecedores menores, especializados e com menores custos indiretos. Assim,
as margens de lucro foram e estão sendo cada vez corroídas à medida em que
as empresas cortam preços para reduzir as quedas de volumes”116.

        O marketing de massa que, até então, moldava os consumidores,
passou a enfrentar uma nova situação “o desafio da nova era dos negócios (…)
                                                    117
adaptar o produto ao consumidor e não vice-versa”         . Instalava-se o término
dos tempos da solução via marketing institucional (panacéia para todos os
males). Herbert Maneloveg, especialista em mídia, afirma: “decidimos que a

114
    Davidow & Malone ( 1993:212)
115
    idem ( 1993:213)
116
    ibidem (1993 : 214)
66


resposta à maioria dos problemas é a consciência da marca, sem diferenciação
significativa do produto (…) e acho que estamos todos sofrendo por isso”118.

         Com estas constatações, não se pode     conceber um relacionamento
com o mercado calcado somente no poder de persuasão da comunicação e
distribuição em massa. O consumidor passou a desejar o “seu” produto,
adaptado às suas aspirações, necessidades e, porque não, possibilidades em
termos de disponibilidade de recursos.

         A capacidade adaptativa tornou-se mandatória nas organizações que
têm que atender os desejos e os anseios do consumidor que cada vez fica
mais exigente e cônscio. É esta a condição a ser preenchida pelas
organizações que desejarem permanecer na constelação empresarial do
século XXI. O executivo Dan Gipple da O&M Direct inglesa expressa          sua
preocupação com o futuro das organizações que, ainda, não conseguiram se
desvencilhar dos ditames da cultura de massa, afirmando “fico surpreso com a
quantidade de empresas que ainda estão preparadas para vender os seus
produtos, quer se tratem de sistemas de som ou de bebidas, sem considerar as
informações como orientação vital a ser seguida no futuro. O futuro dependerá
da construção de relacionamentos”119.

         Estes relacionamentos não estão baseados somente numa relação
fugaz de compra por impulso, mas sim em um relacionamento mais sólido
calcado em princípios de valor, “de respeito da credibilidade, da qualidade, do
atendimento, da integridade e das satisfação, com a empresa e o produto” 120.

         Entender o cliente, as sua expectativas e dos seus padrões de
comportamento tornou-se fundamental. Segundo Crosby, os clientes são
“pessoas que não querem ser conduzídas : querem ser livres para fazer o que
querem; querem prosperar ou ser privadas de algo como conseqüência do que
fazem ou deixam de fazer, não querem uma espécie de grupo misterioso




117
    Davidow & Malone ( 1993 : 213)
118
    idem ( 1993 : 215)
119
    ibidem ( 1993 : 216)
120
    ibidem ( 1993:218)
67


planejando cada detalhe de suas vidas, querem que o governo e a aristocracia
dominante as deixem em paz”121.

        Acompanhar a evolução da satisfação deste cliente requer novos
modelos de marketing e novas estruturas organizacionais preocupadas e
voltadas à satisfação - inicial e continuada - deste cliente. A coleta, análise e
ações de informações requerem um aproveitamento melhor das capacidades
instaladas no sentido de promover ações rápidas. Os resultados daí auferidos,
muitas vezes, poderão ser sentidos a longo prazo, pois, “são necessários anos
para adquirir credibilidade, montar uma grande infra-estrutura de serviços e
estabelecer relações profundas e duradouras com os clientes”122.

        A premência destas ações em um ambiente de concorrência acirrada
pode ser ilustrada com as palavras de Davidow & Malone. “Os padrões de
serviço estão subindo. À medida em que os concorrentes prestam serviços
cada vez melhores, os clientes tornam-se mais exigentes, suas expectativas
crescem. Quando o atendimento de todas as empresas é inferior, fazer bem
algumas coisas pode lhe valer uma reputação de salvador de clientes. Mas
quando um concorrente se destaca de grupo como líder em serviços, você
precisa fazer umas porção de coisas da maneira certa. De um momento para o
outro, atingir a liderança em serviços custa mais e leva mais tempo. Pode até
ser impossível, se o concorrente contar com uma dianteira muito grande.
Quanto mais você esperar, mais difícil será produzir serviços que se
destaquem”123.

        A       crescente necessidade de informações na gestão de uma
organização também fica patente ao analisar-se o consumo. O espanto de Dan
Gipple da O&M Direct testemunha este fato. A sua surpresa, ao identificar que
muitas organizações atuam sem considerar as informações como orientação
vital, é prova cabal.

        As estruturas organizacionais capazes de atender às exigências do
mercado consumidor, capazes de criar e manter um relacionamento,

121
    Crosby ( 1993 : 6)
122
    idem ( 1993 : 218)
123
    Davidow & Malone (1993 : 221)
68


caracterizado por um respeito da credibilidade, da qualidade do produto, do
atendimento e da satisfação com a empresa e o produto, só podem ser
entendidas como factíveis se tiverem o suporte de um poderoso sistema de
informações.

           Sabidamente, “organização é qualquer empreendimento estruturado e
constituído para um determinado fim, ou seja, é um conjunto de elementos, que
formam um todo logicamente agrupado, interdependentes entre si, para a
consecução de um objetivo”124. Portanto, as empresas são sistemas “não
gerados         pela      natureza,   nem   dotados   naturalmente   de   sistemas   de
comunicação, de feedback, concluindo-se que devem ser dotados de sistemas
de controle que darão os avisos os quais irão orientar este sistema (…) para
que se mantenha no rumo dos objetivos para os quais foi concebido”125 .

           Havendo uma necessidade de criação de sistemas ( de informação e
organizacionais), haverá, por conseqüência, a necessidade de alguém os
conceber, manter e continuamente adequar. Mais uma vez, encontra-se
evidenciada a necessidade de um profissional que se responsabilize por estes
sistemas, ou seja, do Analista de Negócios e da Informação. Neste trabalho
entende-se que os negócios devam estar voltados para a atividade fim da
organização, e a informação , os sistemas de informação, devem viabilizar esta
atividade fim.




124
      Uhlmann (1997: 9)
125
      idem ( 1997 : 12)
69



3.0 O Estado - Nação e as organizações


           Pretende-se compreender aqui, o poder e participação do Estado na
gestão econômica, e seus desdobramentos sobre as organizações daí
decorrentes. A abordagem das conseqüências do consumo e das medidas
para reativá-lo foi realizada. Agora, trata-se de esboçar o papel da organização
'governo' em alguns aspectos julgados particularmente relevantes para as
organizações e seus modelos de gestão. Procurará evidenciar, como todos os
demais tópicos o fizeram, uma transformação do macroambiente - rumo à sua
expansão para um macroambiente globalizado que exigia e continua exigindo,
cada vez mais, uma ágil adequação organizacional. Esta adequação, mais uma
vez, não poderia prescindir das informações e de sistemas (organizacionais e
de informação) e, de um profissional ( O Analista de Negócios e da Informação)
que os concebesse e continuamente adequasse à nova realidade.

           No início do século, o pensamento econômico capitalista estava
fundamentado no Liberalismo Econômico (Laissez faire, laissez passer),
caracterizado pela ausência de participação do Estado na gestão econômica,
pois, entendia-se que tudo se regularia pela atuação de uma “mão invisível” : o
mercado, segundo Adam Smith.

           Neste sentido, o mercado foi definido como uma ”milagrosa instituição
social (...) livre de toda e qualquer restrição, o livre jogo das forças da oferta e
da procura (...) canalizando as motivações egoístas e interesseiras dos homens
para atividades mutuamente complementares que promoveriam de forma
harmoniosa o bem estar de toda a sociedade. O funcionamento desses
mecanismos implicava a supressão das regras, orientações e restrições de
cunho paternalista, e nisso residia o seu maior encanto”126 .

           O liberalismo se contrapunha aos princípios de seu oponente maior, Karl
Marx. A crítica marxista considera a exploração da massa trabalhadora, em
nome de lucros cada vez maiores, como selvagem. Por outro lado, o princípio
capitalista da procura do lucro, é um dos fatores clássicos que levou as

126
      Hunt & Sherman (1991: 67)
70


organizações à busca da eficiência. Materializou-se esta busca da eficiência,
nas teorias administrativas, científica e clássica de F. Taylor e de H. Fayol,
respectivamente.

      Julgou-se mister apresentar algumas considerações sobre o liberalismo,
a fim de se compreender o impacto da nova doutrina sobre o macroambiente e
suas repercussões sobre as organizações até o início do século XX. Para
tanto, valendo-se de uma adaptação efetuada a partir dos trabalhos de Hunt &
Sherman (1991), pode-se assim afirmar:

      A pressão da demanda, em rápida expansão, e as perspectivas de
lucros elevados produziram, no final do século XVIII e no princípio do século
XIX, uma "verdadeira explosão da atividade inventiva". Nesse período de
profundas inovações - que se convencionou chamar de Revolução Industrial - a
Inglaterra (e, posteriormente, a Europa Ocidental e a América do Norte)
transformou-se numa sociedade urbana, dominada por grandes cidades
manufatureiras. Nestas cidades, multidões de trabalhadores eram submetidos
a uma disciplina de produção fabril desumanizadora.

      Nesse período, a ideologia liberal clássica conquistou, definitivamente, o
pensamento econômico e social. A nova ideologia caracterizava os homens
como indivíduos essencialmente egoístas, frios, calculistas, indolentes e
independentes da sociedade a que pertenciam. Segundo a análise de Adam
Smith127 (cf. Rifkin 1995), o mercado era a "mão invisível" que canalizava as
motivações egoístas dos homens para atividades de maior utilidade social.
Esse conceito de mercado fundamentou a doutrina do laissez-faire. Segundo
essa filosofia, competia aos governos assumirem exclusivamente as funções
que respaldassem e incentivassem as atividades lucrativas.

      Nos Estados Unidos foi concebida, por Mark Hanna, no final do século
passado, uma corrente de pensamento político fundada na crença de uma
política econômica caracterizada pelo desejo de prosperidade. Esta corrente
propunha para a realização deste fim, a aglutinação de todos os blocos de
interesses em torno da idéia de prosperidade dos EUA. Para tanto, fazia-se
71


necessária a promoção de uma integração entre o corpo político representante
destes grandes “blocos de interesses”128.

         A citada integração deveria se consolidar por meio do consenso, e
assim, evitar o conflito direto. Esta postura é diferente e discordante do
liberalismo, pois não concebe a "mão invisível" do mercado com poderes
suficientes para se auto-regular, sem no entanto resvalar para o pensamento
socialista de Karl Marx. Esta nova concepção política não saiu, no entanto, do
papel. O princípio do consenso ( união em torno de um interesse comum ),
implícito na concepção de Mark Hanna, no entanto, foi aplicado, somente anos
mais tarde, pelas mãos de Franklin Delano Roosevelt, no New Deal em 1932.

         Os primeiros anos do século XX foram marcados pela fartura nos EUA.
Um grande boom desenvolvimentista pós-Primeira Guerra estava instalado. Os
Estados Unidos eram tidos como a terra prometida (“Fazer a América”). A
prosperidade, o emprego, enfim uma condição de vida melhor atraíram aos
EUA um contingente de quase 20 milhões129. Esta leva de imigrantes era
constituída primordialmente por europeus, que fugiam de uma Europa
devastada economicamente. O liberalismo exacerbado, instalado também na
Europa, gerou desgastantes lutas de classes. A classe operária, apoiada na
vertente socialista de Marx, opunha-se à desmesurada ganância capitalista. E
as organizações estavam consolidadas por meio de “um dos traços
característicos do capitalismo no final do século XIX: formação de gigantescas
corporações”130 impulsionadas pelo boom econômico americano.

         Paralelamente à concentração industrial, e em proporções igualmente
surpreendentes, segundo Hobsbawm131 ocorreu a concentração de rendas em
mãos de uma pequena percentagem da população. No entanto, o boom
econômico americano prosseguia e sinais de instabilidade se materializavam,
sob a forma de protestos dos trabalhadores, via sindicatos fortalecidos. Os
movimentos por salários maiores e jornadas de trabalho menores eram,


127
    Rifkin (1995)
128
    Drucker ( 1993 : 16)
129
    Hobsbawm ( 1995 : 93)
130
    Hunt & Shermann (1991 : 121)
131
    Hobsbawm (1995)
72


obviamente, mal vistos pelas empresas e pelo governo ao qual cabia, com
base no liberalismo, a função de proteger o capital. Segundo Hobsbawm132
ainda, a pressão sobre os custos da produção eram provenientes: das
reivindicações da classe operária e do crescimento especulativo, fatos que
promoveram o aumento dos preços de venda. Dentro deste contexto, o
mercado se mantinha em franca ebulição graças à concessão de crédito.

        A expectativa e a euforia ficaram patentes na mensagem do presidente
Calvin Coolidge ao congresso, em dezembro de 1928 - quase um ano antes do
grande crash de 1929:

        “Nenhum Congresso dos Estados Unidos já reunido, ao examinar o
estado da União, encontrou uma perspectiva mais agradável do que a de hoje (
... ) A grande riqueza criada, por nossa empresa e indústria, e poupada por
nossa economia, teve a mais ampla distribuição entre nosso povo, e corre
como um rio a servir à caridade e aos negócios do mundo. As demandas da
existência passaram              do padrão da necessidade, para a região do luxo. A
produção que aumenta é consumida por uma crescente demanda interna e um
comércio exterior em expansão. O país pôde encarar o presente com
satisfação e prever o futuro com otimismo”133.

        A crescente produção dos EUA, a já maior economia do mundo, bem
como de grande parte da Europa, tornavam estas economias praticamente
auto-suficientes. Para se proteger, os Estados Unidos passaram a fechar a
economia. A visão do presidente Coolidge de um “comercio exterior em
expansão” na verdade caiu por terra. Durante a grande depressão foi reduzido
em 60%. A produção e o consumo crescentes viram-se refreados.

        O repasse dos custos de produção, especulação e lucros, aos preços de
venda inviabilizou-se com o crash. O colossal endividamento da população por
transações imobiliárias com valores majorados, encontrava-se em mora. O
atraso dos financiamentos vencidos134, gerava em 1933, uma execução jurídica
de 1000 propriedades por dia. O endividamento da população era constituído

132
    Hobsbawm (1995 : 104)
133
    idem ( 1995 : 98)
134
    Miles apud Hobsbawm (1995)
73


também por financiamentos de bens de consumo. Na época, 60% dos
automóveis, rádios, móveis etc. vendidos nos EUA foram adquiridos a
crédito135 e “os novos produtos e estilo de vida exigiam níveis de renda
elevados e em expansão, e um alto grau de confiança no futuro, para
difundirem-se             rapidamente.    Mas    era   isso   exatamente   que   estava
                          136
desmoronando”                   .

            O sistema financeiro dos EUA era composto por milhares de pequenos
bancos locais que ruíram diante desta ordem de inadimplência. Em
conseqüência deste fato, temos que: a demanda doméstica desmoronou, a
produção de automóveis caiu para a metade, a indústria da demanda derivada
(automotiva) retraiu e o desempenho global da produção ficou comprometido.

            A economia dos EUA, após uma era que Hobsbawm (1995) chamou de
os anos loucos do boom, estava despedaçada pela grande depressão, (1929 –
1933). A situação estava insustentável requerendo ações imediatas. Foi neste
ambiente que o presidente                Roosevelt voltou a cogitar o principio de Mark
Hanna , ou seja, a reunião de todos os grupos de interesses em prol da
recuperação econômica, acrescentando um outro : atribuir ao governo o papel
de agente central regulador dos interesses dos grupos divergentes.

            Desta maneira, todos os grupos - fazendeiros, trabalhadores ou
empresários - passariam a atuar regidos pelo poder central – o Estado - a fim
de se obter equilíbrio. Em outras palavras, isso significaria que nenhum grupo
colocaria seus interesses específicos acima do objetivo comum - a recuperação
da economia. Com estas medidas, estava se consolidando a implantação de
um novo plano - o “New Deal” ( Novo acordo, agreement, ou Novo Contrato
Social).

            O novo e central papel do estado foi desenhado por Roosevelt a partir
dos principios de uma teoria econômica concebida pelo economista britânico
John Maynard Keynes, publicada em sua obra "The General Theory of
Employment, Interest and Money". Esta nova concepção econômica divergia do
liberalismo ao defender uma ação governamental mais atuante, não limitada à

135
      Rifkin (1995:.23)
74


garantia da propriedade privada e da ordem social. Este novo modelo divergia,
também das propostas socialistas - até então únicas opositoras do liberalismo -
uma vez que não contestava a base do capitalista, ou seja, a propriedade
privada.

           A Teoria Geral de Keynes foi um sucesso espetacular, considerado por
Wonnacott & Wonnacott como um dos livros de maior influência já escritos, ao
menos, até os anos 70137, quando outros fatores, tais como a moeda ( teorias
monetaristas) começaram a ser levados em consideração como agentes de
controle da demanda agregada e da inflação. Há de se acrescentar que as
teorias monetaristas não refutam in totum os princípios keynesianos. A
participação e o controle do Estado continuam presentes, mas limitados à
gestão da disponibilidade de moeda, mantendo, no entanto, ambas as teorias
(monetaristas e keynesiana) objetivos comparáveis.

           A teoria econômica keynesiana, na descrição de Wonnacott &
Wonnacott (1982), contrapunha-se à teoria do liberalismo de Adam Smith - do
laissez-faire. A ausência da intervenção do Estado nos mercados, fez com que
Keynes considerasse o governo inadequado na gestão do desemprego, pois,
para ele , cabe ao Estado o controle da demanda agregada, via política fiscal,
ou seja, os gastos e arrecadação do governo são as únicas maneiras de
promover a absorção da força de trabalho.

           Para a teoria keynesiana, o poder de fazer com que as pessoas voltem a
ter um local de trabalho está nas mãos do Estado, pois este deve tomar
medidas que redundem em: incremento da demanda agregada (durante uma
depressão) e restrição da demanda agregada (em períodos de boom
inflacionário). Estas medidas são representadas pela variação na política fiscal
do governo: gastos governamentais e arrecadação de impostos.

           Em suma, é papel do governo – segundo a teoria keynesiana - controlar
a demanda agregada e assegurar o desenvolvimento e a prosperidade, sem



136
      Hobsbawm (1995:105)
137
      Wonnacott & Wonnacott (1982)
75


inflação. É nítido que a forte ingerência do Estado na economia confere-lhe um
poder jamais imaginado no liberalismo.

      À luz desta teoria, a atuação de Roosevelt deveria convergir para a
gestão do nível de emprego, via intensificação da demanda agregada que
permitiria escoar a produção acumulada. Neste sentido, o aumento da
demanda promoveria o aumento da produção e do nível de emprego,
procurando, desta maneira, solucionar a mazela que estava corroendo a
sociedade de então.

      O modelo econômico keynesiano supra descrito, pode ser ilustrado pela
figura fig. 11 elaborada por Wonnacott & Wonnacott (1982):

                                                                                          Injeçõe




                                                                                             I


             Vazamento
                                                                    Investimento



                                      Gastos em

                                                                                        Gastos
                          T
                                                                                        Governo
                      s                                                                 bens e




                   Famílias
                                                                              Empresa




                                Pagamento de salários e de outras




Fig. 11) O Modelo Econômico de John Maynard Keynes. Fonte Wonnacott
& Wonnacott ( 1982, p. 192)
76


            Drucker (1993), analisando o New Deal, afirmou que “em termos sociais
e políticos, o governo de Roosevelt talvez tenha sido o mais bem sucedido que
os Estados Unidos já tiveram, apesar do fato de todas suas políticas
econômicas terem malogrado. O empresário tradicional considerava Roosevelt
um “radical” que pretendia colocar os trabalhadores no comando da nação.
Roosevelt, porém, fez questão de assegurar que os sindicatos não se
transformariam numa força política separada como ocorrera na Europa, e que
não chegaria a controlar os legisladores ou o governo. E embora boa parte da
sua retórica tenha sido dirigida contra o mundo empresarial, as suas ações,
desde o princípio, visaram promover um poder aquisitivo que gerasse uma
demanda de consumo e, com ela, lucros para as empresas. Da mesma forma,
Roosevelt ofereceu um tremendo apoio aos fazendeiros. Mas, se a política
agrícola de seus predecessores fora protecionista, a sua política agrícola, num
prolongamento consciente e intencional das concepções de Mark Hanna,
visava tornar a agricultura americana cada vez mais produtiva. E,
acrescentando “reforma” à “recuperação”, isto é, acrescentando a promessa de
justiça social à prosperidade de Mark Hanna, Roosevelt criou esperança.138”

            A esperança, assim gerada, deu origem a uma coesão nacional que
tornou o governo de Roosevelt um dos mais bem sucedidos dos EUA. Os
resultados obtidos, principalmente após a 2.a Guerra Mundial, transformaram
os Estados Unidos em exemplo ou em inimigo natural, o qual de uma forma ou
de outra, influenciou o comportamento político de muitos outros estados do
mundo.

            Uma síntese elaborada a partir dos trabalhos de Hunt e Shermann139,
procura abordar os efeitos do Keynesianismo na recuperação econômica dos
EUA, enfocando principalmente o papel da 2ª Guerra Mundial e do pós-guerra,
como elementos geradores de gastos governamentais justificados pelo alto
consumo de material, direta ou indiretamente, utilizado em confrontos bélicos -
reais ou previstos.




138
      Drucker (1993 : 17)
139
      Hunt & Sherman (1991 : 170-195)
77


            A severidade da Grande Depressão na década de 30 levou muitos
economistas a romperem com a visão neoclássica ortodoxa, segundo a qual o
desemprego constituía um "ajuste” meramente conjuntural e efêmero ante uma
situação de desequilíbrio temporário.

            As novas idéias propostas por Keynes conquistaram ampla aceitação
entre os economistas de maior renome. A 2ª Guerra Mundial veio comprovar a
tese que a intervenção governamental, em escala maciça, poderia assegurar o
pleno emprego. Na realidade, Hitler já havia colocado em prática essa política
na Alemanha durante a década de 30.

            A maioria dos economistas atribui o bom desempenho do capitalismo
norte-americano às vultosas despesas governamentais. Os críticos sustentam,
contudo, que o preço social dessa prosperidade prolongada foi a criação de um
complexo industrial-militar que, atualmente, segundo uma visão de Drucker ao
analisar a crise americana dos anos 80 “são uma importante causa – talvez a
mais importante – do país ter perdido o seu vigor competitivo e da economia
americana ter perdido sua posição de liderança”140. Se essa visão for correta, é
possível concluir que as teorias de Keynes proporcionaram à ideologia
neoclássica elementos para que ela enfrentasse o mais importante problema
econômico da década de 30, mas, ao mesmo tempo, ocultavam e/ou
agravaram outros problemas.

            A prosperidade alcançada, via ingerência do poder do Estado, por meio
das compras de material bélico bem como de insumos para a manutenção do
contingente militar envolvido (14 milhões de pessoas), asseguram uma
demanda contínua e conseqüente necessidade de produção, tornando as
idéias de Keynes largamente aceitas.

            A mudança brutal do estado de depressão dos anos trinta, não foi
superada na primeira fase do New Deal, pois a taxa de desemprego em 1939
era de 19%, fato que contraria o estado de pleno emprego. No entanto, em um
segundo momento, o Estado pôde ser caracterizado pela escassez e pela falta
de mão-de-obra, resultantes dos pesados gastos governamentais.

140
      Drucker (1993:40)
78


       Os volumes desta espantosa recuperação, com um crescimento da
ordem de 50% em termos de produtividade, encontram-se na tabela 4 abaixo
apresentada.
               PRODUÇÃO DA ECONOMIA NORTE AMERICANA
                             1939 a 1944

                   PRODUTO                VOLUME MEDIA MENSAL
         Aviões                             296.000      4.933
         Navios Carg.                         5.400         90
         Vasos Guerra                         6.500        108
         Barcaças de desembarque             64.500      1.075
         Tanques                             86.000      1.433
         Caminhões                        2.500.000     41.667
Tab. 4) Tabela demonstrativa da Produção dos EUA por ocasião da 2ª
Guerra Mundial, a partir de dados colhidos em Hunt e Sherman (1991).

       Há de se expressar, no entanto, o fato de que o fim da guerra em 1945
não gerou a volta à depressão. O período desenvolvimentista foi mantido até o
“marco divisório dos anos 70” de acordo com Drucker141 . O modelo keynesiano
segundo o qual o governo continuava a aquecer a economia, foi desviado para
a Guerra Fria, pois, mesmo não existindo batalhas, gerava gastos com pessoal
e aquisição de materiais e armamentos.

       Em 1960, uma afirmativa de Heilbronner dava conta de que “… a grande
prosperidade coincidiu com a eclosão da II Guerra Mundial, e que desde então
o seu prolongamento esteve muito mais ligado a uma demanda econômica de
caráter militar do que puramente civil”142.

       Neste ponto, convém enfatizar o encontro do Fordismo com o
Keynesianismo, o encontro da produção em massa para uma demanda da
mesma ordem, com o estado regulador da demanda agregada. A rápida
resposta dada à demanda adicional, gerada pela entrada do governo na
economia, foi respondida pela indústria (tab. 4). Ressalte-se que sob este
aspecto deve ser reconhecida a eficiência dos modelos clássicos de gestão,
em particular do Fordismo, no que concerne a rápidas e precisas respostas – o
consumo em massa - atendido por uma produção em massa.
79


            Os resultados observados na economia norte americana fizeram com
que, após 1945, a teoria econômica de Keynes se convertesse em ortodoxia
para políticos e economistas. O fim da guerra desmobilizou o contingente de
“empregados” na indústria da guerra, fazendo com que uma colossal
quantidade de pessoas (11 milhões) viesse a disputar um local de trabalho na
economia norte-americana. Os gastos governamentais, aliados à política
econômica expansionista - venda de produtos bélicos aos “aliados” - suportou
a absorção deste contingente, dando continuidade, por longos anos, à
prosperidade americana.

            Os contornos desta prosperidade econômica do pós-guerra foram
descritos por Daniel R. Fusfeld da seguinte maneira:

            “O Estado bélico que construímos, no decurso das duas últimas
gerações, tem uma ampla clientela. No alto da pirâmide está o chamado
complexo            industrial-militar,   que   compreende,     em   primeiro   lugar,   o
Departamento de Defesa do Governo Federal e satélites como a CIA e a
NASA. Os almirantes e generais, os cientistas espaciais e os homens dos
serviços de inteligência, bem como todos os burocratas governamentais
empenham-se ativamente em fortalecer a sua influência. Com essa finalidade,
cultivam           boas     relações      com   congressistas    e   senadores,     fixam
estabelecimentos militares em distritos politicamente estratégicos e distribuem
generosos favores aos legisladores.

            Antigos militares são enredados numa ampla malha de influência,
através de associações vinculadas ao Exército e à Marinha ou através dos
organismos de veteranos. Os militares são escorados pela vertente industrial
desse complexo, isto é, pelas grandes corporações das quais dependem para
o fornecimento de equipamento bélico moderno.

            Algumas dessas corporações destinam o grosso de sua produção aos
militares. É o caso, por exemplo, da North American Aviation, a Lockheed
Aircraft, a General Dynamics, e McDonnell-Douglas e a Thiokol Chemical.
Outras são fornecedoras importantes de material bélico, mas vendem a maior

141
      Drucker ( 1993: 7)
80


parte do que produzem nos mercados civis. Estão incluídas nessa categoria a
Westem Electric, a Sperry Rand, a General Electric e a IBM. Há ainda as
corporações, como a Dupont e a General Motors, que apenas ocasionalmente
firmam contratos de fornecimento com os militares”143.

        Fiel aos princípios de Keynes e da ingerência estatal na solução dos
problemas econômicos, foi aprovada a Lei do Emprego (1946) que
transformou em obrigação governamental a manutenção do nível de emprego,
conferindo ao governo plenos poderes para: despender dinheiro, contrair
empréstimos ou cobrar impostos.

        O modelo Keynesiano reinou por longos anos, até que as mudanças do
macroambiente exigiram novas formas e abordagens da política econômica e
também novas estruturas e concepções das organizações. Esta nova realidade
foi iniciada com a crise do petróleo, em “1973 e marcou o fim da era em que o
                                144
governo era progressista”             . Os grupos de interesse de Hanna e Roosevelt
deixaram “de existir enquanto entidades distintas e dotadas de identidade
própria. Nem fazendeiros, nem trabalhadores, possuem um vigor numérico ou
uma importância política que os tornem estamentos econômicos em qualquer
país desenvolvido”145 .

        O “mundo empresarial enquanto estamento econômico também deixou
de existir. Os interesses empresariais que Mark Hanna mobilizou para o poder
político não eram os de uma General Motors ou de um Citibank, e sim, os dos
sapateiros, dos taberneiros, dos marceneiros do interior do país. Ainda há
                                                                             146
muitos deles, mas já não se vêem como parte do mundo empresarial”                  . O
enfraquecimento dos grupos de interesse contribuiu para que a gestão
econômica se desatrelasse do poder centralizador do estado keynesiano.

        Hoje, o Estado contínua com a sua importância , “mas, cada vez mais, o
poder de tomar decisões vai-se transferindo para uma Segunda Unidade, a



142
    Hunt & Sherman (1991:174)
143
    idem (1991 : 174)
144
    Drucker ( 1993 : 6)
145
    idem (1993:19)
146
    ibidem (1993:19)
81


região ( Comunidade Econômica Européia147; América do Norte148 )”149. Além
deste fato, “existe hoje a economia genuína e praticamente autônoma dos
fluxos de capital, crédito e investimento. Essa economia é fundamentada na
informação e desconhece fronteiras nacionais. Finalmente existe a empresa
transnacional – que aliás, não é necessariamente grande – para a qual todo o
mundo não comunista desenvolvido constitui um único mercado, um único sítio
de produção ou venda de bens e serviços”150. Passando a considerar o mundo
como um único mercado, no qual Harvey (1996) enfatiza a importância da
Tecnologia da Informação na gestão desta nova economia fundamentada na
informação.

         As informações deixam de ser consideradas meramente como tais,
passando a ser percebidas como uma mercadoria de um valor nunca antes
imaginado. “O acesso à informação, bem como o seu controle, aliados a uma
forte capacidade de análise instantânea de dados, tornaram-se essenciais à
coordenação centralizada de interesses corporativos descentralizados. A
capacidade de resposta instantânea a variações de taxas de câmbio,
mudanças das modas e dos gostos e iniciativas dos competidores tem hoje um
caráter mais crucial para a sobrevivência corporativa do que teve sobre o
Fordismo” 151.

         As informações, entendidas como uma mercadoria de alto valor, geram
uma “... situação em que vastos lucros podem ser realizados com base no
acesso privilegiado às informações, em particular nos mercados monetários e
financeiros....e às informações de qualquer espécie, tais como, conhecimentos
científicos e técnicos, políticas do governo e mudanças políticas, passa a ser
um aspecto essencial das decisões bem sucedidas e lucrativas” 152.

         A      nova realidade, desatrelada de um governo central, exigiu que
surgisse uma “completa reorganização do sistema financeiro global e a
emergência de poderes imensamente ampliados de coordenação financeira


147
     atual União Européia
148
     atual Nafta
149
    Drucker (1993:96)
150
    idem (1993:96)
151
    Harvey (1996 :151)
152
    idem (1996:151)
82


(...) em um movimento dual; de um lado, para a formação de conglomerados e
corretores financeiros de extraordinário poder global; e, do outro, uma rápida
proliferação e descentralização de atividades e fluxos financeiros por meio da
criação de instrumentos e mercados financeiros totalmente inéditos. Nos
Estados Unidos, isso significou a desregulamentação de um sistema financeiro
rigorosamente controlado desde as reformas dos anos 30”153 .

           A Tecnologia da Informação possibilitou, em termos de conexão técnica,
a simultaneidade da disponibilidade de dados dando desta forma um subsídio
de importância ímpar        na formação de um “mercado de ações global, de
mercados futuros de mercadorias ( e até dívidas) globais, de acordos de
compensação recíproca, de taxas de juros e moedas, ao lado da acelerada
mobilidade geográfica de fundos, significou, pela primeira vez, a criação de um
único mercado mundial de dinheiro e de crédito”154 .

           A figura 12 auferida de Harvey (1996) pretende visualizar e ilustrar os
padrões de transações num período de vinte e quatro horas em mercados
financeiros globais, ou seja as organizações interligadas processando
informações diuturnamente.




153
      Harvey (1996:152)
154
      idem (1996:152)
83




Fig. 12) Padrões de transações em período de 24 Horas em um Mercado
financeiro Global. Fonte Harvey ( 1996, p. 153)
84


           O deslocamento da titularidade dos capitais demonstra a configuração
de uma menor participação do Estado como agente provedor central da
economia. O desproporcional crescimento da dívida dos países menos
desenvolvidos a partir de fontes privadas, tal como apresentado por Harvey
(1996), vem confirmar a afirmativa de Drucker (1993) concernente à autonomia
dos capitais ( fig. 13).



                                      Crescimento da divida de países menos desenvolvidos 1970-
                                                                 1987

                                    1000


                                    750
                   Bilhões de US$




                                                                                                             Fontes Oficiais
                                    500
                                                                                                             Fontes Privadas

                                    250


                                      0
                                       1970

                                              1972

                                                     1974

                                                            1976

                                                                   1978

                                                                          1980

                                                                                 1982

                                                                                        1984

                                                                                               1986

                                                                                                      1987




Fig. 13) O Crescimento da dívida de países menos desenvolvidos ( 1970 -
1987) Fonte Harvey ( 1996, p. 155)



           Um complexo sistema financeiro de alcance mundial - globalizado -
passa a gerir capitais “sem pátria”, “sem Estado”, por Drucker (1993) chamado
capital transnacional, não mais controlado pelo governo, mas sim pelos
detentores do capital. Estes capitais começaram, a partir dos anos 70, a
avolumar-se passando de 50 bilhões de dólares ( 1973 ) para 2 trilhões de
dólares ( 1987 )155. Constituiu-se um mercado que se materializa na forma: de
Bolsas de Valores, de instituições financeiras, de mercado de futuros,



155
      Harvey (1996:154)
85


“introduzindo           o   tempo   futuro   no   tempo   presente   de     maneiras
estarrecedoras”156.

         Um artigo do Financial Times ( 8 de maio de 1987 ) é citado por Harvey
(1996), para demonstrar que em uma época na qual a Tecnologia da
Informação estava ainda em seus passos iniciais, “a atividade bancária estava
se tornando com rapidez, indiferente às restrições de tempo, de espaço e de
moeda”157 . Desta maneira , a partir dos anos 70, pode-se observar que os
novos sistemas financeiros “mudaram o equilíbrio de forças em ação no
capitalismo global, dando muito mais autonomia ao sistema bancário e
financeiro, em comparação com o financiamento corporativo, estatal e
pessoal”158.

         Uma das conseqüências diretas da perda do poder do estado
Keynesiano foi a liberdade, cada vez maior, para a indústria              seguir seus
próprios caminhos rumo à satisfação das expectativas do capital. A indústria,
até então tutelada e presa às “restrições locais no tocante a fontes de matérias
primas e a mercados, pode se tornar muito mais independente” 159.

         A partir desta constatação, pode-se concluir que estava dada a largada
para a globalização, como hoje a presenciamos. Organizações, sem nenhum
vínculo com o Estado Nação, transnacionais ou não, negociam com outras em
qualquer parte do mundo, sempre tendo em vista os seus objetivos: a
satisfação dos interesses do capital.

         Estas constatações evidenciam uma necessidade, cada vez maior, dos
países atraírem recursos cuja titularidade não é governamental, mas sim,
transnacional em poder de acionistas e gerenciados por profissionais que, até
mesmo por dever de ofício, têm de geri-los de tal sorte que as expectativas
dos acionistas sejam atendidas. A dependência dos países do comércio
exterior e da atração de recursos a título de investimento levam à constatação
de que as implicações cambiais daí decorrentes são cada vez maiores. A
atuação do Estado, antes voltado ao bem-estar social, via política fiscal

156
    Harvey (1996:151)
157
    idem (1996:154)
158
    ibidem (1996:155)
86


Keynesiana,           voltou-se para a gestão dos fluxos monetários de ingresso e
saída ( importação e exportação) por meio de uma política cambial que oferece
condições locais atrativas ao interesse do capital transnacional (tab. 5 e fig.
14).


                Tabela demonstrando a dependência do comércio exterior
                        de alguns países capitalistas avançados
Fonte : David Harvey em Condição Pós Moderna pg. 157 (OCDE) e Relatório OCDE/97( Nr.61)

               Exportações e importações como porcentagem do PNB

           País                      1960     1970       1980       1986      1996
              exportação              4,37     5,35      10,00       7,00      11,63
           EUA
              importação              4,36     5,00      10,50      10,20      13,26
              exportação             20,90    23,10      27,70      26,20      30,02
  Reino Unido
              importação             22,30    22,20      25,30      27,00      30,80
              exportação             10,80    10,80      13,70      11,70       9,94
     Japão
              importação             10,30     9,50      14,60       7,60       9,40
              exportação             17,90    21,20      26,30      30,00      24,13
 Alemanha Oc.
              importação             16,40    19,10      27,00      24,90      22,92
              exportação             12,10    15,40      21,70      20,40      26,73
      Itália
              importação             12,40    15,00      24,40      18,70      21,33
              exportação             13,21    15,17      19,88      19,06     20,49
     Total
              importação             13,15    14,16      20,36      17,68     19,54


Tab. 5) Quadro demonstrativo da dependência do comércio exterior de
alguns países capitalistas avançados. Fonte Harvey ( 1996, p. 157) e
Relatório OECD/OCDE Internet Info. 33: 04/1998




159
      Harvey (1996:156)
87




                        Comércio Exterior (% do PIB) M édia T otal dos
                                  Países Considerados

                  25,00

                  20,00
       % do PIB




                  15,00                                                   Total Export.
                  10,00                                                   Total Import.

                   5,00

                    -
                             1960   1970    1980    1986     1996



Fig. 14) Gráfico demonstrativo da dependência do comércio exterior de
alguns países capitalistas avançados. Elaborado a partir de dados
obtidos em : Harvey ( 1996, p. 157) e Relatório OECD/OCDE Internet Info.
33: 04/1998


                  Esta dependência e concorrência levou “os Estados a se tornarem mais
“empreendedores” e preocupados em manter um clima favorável aos negócios.
A força do trabalho organizado e de outros movimentos sociais teve de ser
contida”160 . Neste sentido, o Estado passou a "regular as atividades do capital
corporativo no interesse da nação, promovendo o “bom clima de negócios” -
condição para atrair o capital financeiro transnacional e global e conter, por
meios distintos dos controles de câmbio a fuga de capital para pastagens mais
verdes e mais lucrativas”161. Neste contexto, foi dada a largada para uma Era
de Competitividade Globalizada, na qual, a Tecnologia da Informação passa a
desempenhar um papel estratégico e decisivo.




160
      Harvey (1996:158)
161
      idem (1996:151)
88


4.0 A Globalização




         Quanto às características mais relevantes da globalização e de seus
reflexos      sobre       as      organizações   neste   modelo   econômico   altamente
competitivo, apresenta-se aqui as seguintes considerações:

         A globalização é definida por Hobsbawm como sendo um processo que
“desde a Revolução Industrial, tem sido de acelerado processo técnico, de
contínuo mas irregular crescimento econômico, e de crescente “globalização”,
ou seja, de uma divisão mundial, cada vez mais, elaborada e complexa de
trabalho; uma rede, cada vez maior, de fluxos e intercâmbios que ligam todas
as partes da economia mundial ao sistema global”162.( Fig. 15)

         Trata-se de um processo de grandes mudanças e transformações
econômicas, políticas e sociais que nas últimas décadas tem assolado os
componentes do sistema "macroambiente". Para Kanter (1996) a “globalização
é certamente uma das mais poderosas e difusas influências sobre nações,
empresas, ambientes de trabalho, comunidades e vidas, no final do século
XX”163. Pode-se intuir, a partir destas colocações, que o processo de
globalização não é algo que se instalou somente a partir das últimas décadas
deste século. Pode-se entender que, a partir do momento em que o homem
começou a comercializar seus excedentes (escambo), foi dado início a um tipo
de interação social e política entre sociedades distintas, motivada pela
economia. (fig. 15).

         A penetração em novos mercados gera o que Tapscott & Caston (1995)
chamam de “paradoxo” com o qual as empresas se confrontam. “Elas dispõem
de oportunidades sem precedentes para poder desfrutar de novos mercados.
Enquanto isso, os mercados tradicionais estão mudando acentuadamente,
encolhendo ou, então, tornando-se intensamente competitivos"164, ou seja, as
empresas estão “envolvidas numa batalha feroz pela redução de barreiras

162
    Hobsbawm (1995 : 92)
163
    Kanter (1996 : XV)
164
    Tapscott & Caston (1995: 5)
89


comerciais e invadindo novas regiões, ainda não penetradas, em busca de
mercados para expandir a produção de bens e serviços”165 .

           A respeito desse processo, Harvey (1996) afirma que “um longo período
de expansão com base num conjunto de práticas de controle de trabalho,
tecnologias, hábitos de consumo e configurações de poder político-econômico
chamado, face a sua fundamentação de fordista-keynesiano, se fez presente
após a 2 ª Guerra Mundial entrando em colapso a partir de 1973, quando
instalou-se um período caracterizado por rápidas mudanças e de incertezas”166.



           Instala-se um período no qual os modelos de produção, distribuição,
organização do trabalho e de gestão não transmitem a segurança e a certeza
que inspiravam. As mudanças e interações são tão rápidas que chegam a
causar confusão e incerteza, por não permitirem que sejam distinguidas as
mudanças transitórias e efêmeras das transformações fundamentais. Este
processo pode ser caracterizado pela mudança do Fordismo (produção em
massa) para a “acumulação flexível” (Harvey 1996): da reengenharia dos
modelos organizacionais, do lean mangement;               lean production e do
downsizing - as fábricas “enxutas”.

           O efeito destes modelos organizacionais foi sentido, também, pela força
de trabalho : ao provocar a eliminação de postos de trabalho, a transferência
de       fábricas para locais de produção com salários menores e modelos de
contratação temporária ou por prestação de serviços.

           Para Drucker (1993), a economia transnacional, a nova concepção e
constituição da economia mundial, caracteriza-se por apresentar desafios e
oportunidades, como:

•      passagem da economia internacional para a transnacional, a partir da
       década de 1970, que por sua vez, passou a controlar largamente as
       economias internas das nações.



165
      Rifkin (1995: 36)
166
      Harvey (1996:119)
90


•      a economia transnacional caracteriza-se por um intenso fluxo de capital e
       não somente derivado do comércio de bens e serviços. A partir desta
       constatação, observa-se uma contínua reação dos governos, via política
       monetária e fiscal, na tentativa de reencontrar o equilíbrio de suas
       economias.
•      as vantagens competitivas das empresas são auferidas dos seus modelos
       de gestão.
•      o objetivo de maximização dos lucros passa na economia transnacional
       para a maximização dos mercados, ou seja uma expansão contínua.
•      a teoria econômica ainda entende que “o estado nacional soberano constitui
       a única unidade”167. Na economia transnacional esta unidade se desdobra
       em quatro unidades que Drucker (1996) comparou à matemática, as quais
       seriam chamadas de “variáveis parcialmente dependentes”. Estas unidades
       são:
            Estado Nação, sobretudo em se tratando de estados altamente
            desenvolvidos.
            a região, ou bloco econômico, que passa a assumir poderes antes
            alocados unicamente ao estado soberano. ( Ex. União Européia,
            Mercosul etc.)
            economia genuína e praticamente autônoma dos fluxos de capital,
            crédito e investimentos. Economia sem nenhum controle por um estado
            soberano que se rege pelas regras capitalistas, desconhece fronteiras e
            se fundamenta na informação.
            empresa transnacional, que considera o mundo como um único
            mercado, sítio de produção ou alvo da venda de bens e serviços;
            ponderando apenas as vantagens e desvantagens que determinado
            Estado Nação lhe possa oferecer.
            política econômica fortemente influenciada pelas reciprocidade entre
            regiões.
            surgimento de uma política ecológica transnacional, de proteção
            ambiental.



167
      Drucker ( 1993:96)
91
92




Fig. 15) A tecnologia 'diminuindo' o mundo, fator determinante para o
processo da Globalização. Fonte Harvey ( 1996, p.220)
93


4.1 Globalização - um breve histórico168.




            Tem-se notícia há muito tempo de associações e grupos de interesses
específicos representados pelas corporações de ofício e ligas mercantis. Pode-
se conceber como sendo estes o embrião dos atuais sindicatos de
trabalhadores e blocos econômicos respectivamente.

            Na Europa contemporânea, merece destaque, a evolução para
formação da atual União Européia, cujo organograma sucinto está apresentado
a seguir:

            1951 - Comunidade Econômica Européia do carvão e do aço
            1957 - Mercado Comum Europeu
            1973 - Queda das Barreiras Aduaneiras


            Como se pode notar, a integração européia ocorreu 22 anos após a
criação da Comunidade Econômica do carvão e do aço, que já trazia no seu
bojo sinais de um propósito maior.

            Organismos semelhantes                    surgiram em todo mundo, objetivando a
unicidade de interesses.

            Esta dinâmica foi tão rápida que, hoje, o mundo encontra-se
representado por blocos econômicos representativos dos seus interesses, ou
seja os blocos regionais, Drucker se refere a eles quando aborda as questões
referentes à economia transnacional ( tab. 6).




168
      Adaptado a partir da contribuição de Silva, Miguel Inácio in Uhlmann (1997 : 115 -119)
94



                 OS PRINCIPAIS BLOCOS
                 Fonte : World Development Indicators - Banco Mundial
                  Folha de São Paulo 2/11/97 - Dados relativos a 1995

                            UNIÃO EUROPÉIA
       PAÍSES               PIB    POPULAÇÃO                    RENDA PER CAPITA
                         ( US$ bi ) (MILHÕES)                         US$

Alemanha                    2.415,7                   82,0               27.510,00
Áustria                       233,4                    8,0               26.890,00
Bélgica                       269,0                   10,0               24.710,00
Dinamarca                     172,2                    5,0               29.890,00
Espanha                       558,6                   39,0               13.580,00
Finlândia                     125,4                    5,0               20.580,00
França                      1.536,0                   58,0               24.990,00
Grécia                         90,5                   10,0                8.210,00
Holanda                       395,9                   15,0               24.000,00
Irlanda                        60,7                    4,0               14.710,00
Itália                      1.086,0                   57,0               19.020,00
Luxemburgo                                                               41.210,00
Portugal                      102,3           10,0                        9.740,00
Reino Unido                 1.105,8           59,0                       18.700,00
Suécia                        228,6            9,0                       23.750,00
Total                       8.380,1          371,0                       327.490,0
                                  Média aritmética                       21.832,67
                                 Média Ponderada                         17.613,23

                                  NAFTA
       PAÍSES               PIB     POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA
                         ( US$ bi ) (MILHÕES)       US$
Canadá                        568,9        30,0         19.380,00
Estados Unidos              6.952,0       263,0         26.980,00
México                        250,0        92,0          3.320,00

                 Total      7.770,9          385,0       49.680,0
                                  Média aritmética      16.560,00
                                 Média Ponderada        20.733,97
                                MERCOSUL
       PAÍSES               PIB     POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA
                         ( US$ bi ) (MILHÕES)       US$
Argentina                     281,0           35,0       8.030,00
Brasil                        688,0          159,0       3.640,00
Paraguai                        7,7            5,0       1.690,00
Uruguai                        17,8            3,0       5.170,00

                 Total         994,5          202,0                       18.530,0
                                   Média aritmética                       4.632,50
                                  Média Ponderada                         4.375,10
95




                                 APEC
        PAÍSES            PIB     POPULAÇÃO       RENDA PER CAPITA
                       ( US$ bi ) (MILHÕES)             US$

 Austrália                  348,7           18,0           18.720,00
 Brunei                       4,6           0,27           16.714,00
 Canadá                     568,9           30,0           19.380,00
 Chile                       67,2           14,0            4.160,00
 China                      697,6       1.200,0               620,00
 Cingapura                   83,6            3,0           26.730,00
 Coréia do Sul              455,4           45,0            9.700,00
 Estados Unidos           6.952,0          263,0           26.980,00
 Filipinas                   74,1           69,0            1.050,00
 Hong Kong                  143,6            6,0           22.990,00
 Indonésia                  198,0          193,0              980,00
 Japão                    5.108,0          125,0           39.640,00
 Malásia                     85,3           20,0            3.890,00
 México                     250,0           92,0            3.320,00
 Nova Zelândia               57,0            4,0           14.340,00
 Papua - Nova Guiné           4,9            4,0            1.160,00
 Taiwan                     224,3           21,0            9.636,00
 Tailândia                  167,0           58,0            2.740,00
                  Total 15.490,2       2.165,27            222.750,0
                                Média aritmética           12.375,00
                               Média Ponderada              6.962,32
                                TOTAL
          BLOCO           PIB     POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA
                       ( US$ bi ) (MILHÕES)      Media Pond. US$

 UNIÃO EUROPÉIA          8.380,1          371,0              17.613,2
 NAFTA                   7.770,9          385,0             20.733,97
 MERCOSUL                  994,5          202,0              4.375,10
 APEC                   15.490,2        2.165,3              6.962,32

                  Total 32.635,7      3.123,27               49.684,6
                               Média aritmética             12.421,16
                              Média Ponderada                9.757,78

Tab. 6) Tabela de características Macroeconômicas dos principais blocos
econômicos e de seus respectivos países. Elaborado a partir de dados
obtidos da Folha de São Paulo. Caderno Especial. 02/11/1997: 8, fonte
indicada : “ World Development Indicators” – Banco Mundial.
96


      Pelos dados contidos na tabela acima, percebe-se a pujança, cada vez
mais acentuada, dos blocos econômicos em face dos volumes produzidos e
comercializados (tab. 6).

      Nesse cenário pode-se destacar também a evolução do MERCOSUL
como catalisador do processo globalizante e de indubitável de relevância para
a sua região.

                            Cronograma do MERCOSUL
      1960 - Criada a ALALC
      1980 - ALADI
      1986 - BR/ARG. “Programa de Integração e Coop. Comercial
      1990 - Ata de Buenos Aires
      1991 - Tratado de Assunção: BR. ARG. URUG. PARAG. - MERCOSUL
      1992 - Cronograma de Las Lenãs
      2201 - Entrada em vigor da “TEC”


Tab. 7) O Cronograma do Mercosul. Fonte Uhlmann ( 1997, pg.117)


      Esta nova realidade requer que pessoas e organizações ampliem sua
visão e busquem, nas parcerias transparentes, a capacitação para a expansão
de seus mercados. Isto possibilita que competidores tornem-se aliados,
somando esforços na perseguição de um objetivo comum.

      As notícias de fusões, parcerias, incorporações de grandes corporações,
dando origem a outra, ainda maior, que sinergicamente possam suprir a
emergente demanda mundial, serão cada vez mais comuns

      Ao mesmo tempo em que ocorre este fortalecimento das organizações,
há uma retração dos governos que, gradativamente, redirecionam suas tarefas
e agem como articuladores e facilitadores da globalização.

      Todo esse frenesi é respaldado por um capital financeiro - recursos
transnacionais, estimados em 13 trilhões de dólares (Camargo 1995) - que
diuturnamente giram o globo      à procura das melhores oportunidades para
concretizar a sua missão de cunho capitalista: gerar lucros.
97


4.2 Globalização - repercussões sobre as empresas



         Peter Drucker (1964), em trabalho relativamente antigo, expressava a
necessidade das organizações, na figura de seu gestor, terem um
compromisso com a eficácia. A preocupação com o futuro da organização,
tema subjacente à questão, é factual, pois se a eficácia está instalada, deve ser
mantida, caso contrário, deve ser alcançada. Em ambos os casos, a
preocupação com os rumos, portanto, o             futuro,   está presente. Drucker
sintetiza a questão da seguinte maneira:

         •   “a presente empresa precisa ser tornada eficaz;
         •   seu potencial precisa ser identificado e realizado e
         •   ela precisa ser transformada numa empresa diferente, para um futuro
             diferente”169.
         Esta necessidade de adaptar-se ao novo ambiente também encontra
eco em Kanter (1996), ao afirmar que neste macroambiente agora globalizado
as “empresas estão, cada vez, mais focalizadas, movimentam-se cada vez
mais rápido, são, cada vez, mais flexíveis e têm uma postura cada vez mais
amigável em relação a parceiros externos, à medida que se libertam das
algemas das burocracias rígidas”170. A este respeito, o principal executivo
(CEO) da General Eletric, Jack Welch, afirma que: “a antiga organização foi
construída com base no controle, mas o mundo mudou. O mundo está
evoluindo em um ritmo tal que o controle transformou-se em limitação. O
controle retarda. É preciso obter um equilíbrio entre liberdade e um certo
controle, mas é preciso mais liberdade do que jamais imaginamos”171.

         Estas mudanças da realidade que afetam as organizações podem ser
ilustradas por uma matéria denominada “O Pulo dos Tigres”172 a seguir
sintetizada. "Os tigres asiáticos que estão invadindo o mundo com seus
produtos. Poucos enxergaram tantas oportunidades com a queda das fronteiras
quanto os asiáticos. A China não pára de atrair investimentos, sugar empregos

169
    Drucker ( 1998 : 3-4 )
170
    Kanter ( 1996 : XVI)
171
    Tichy & Sherman (1993:.21)
172
    Vassallo (1995)
98


e espalhar seus produtos baratos pelo mundo, que costumam se transformar
em uma terrível dor de cabeça para quem os fabrica em outras paragens. Tudo
é barato, assombrosamente barato. Aproveitam qualquer brecha aberta para
vender seus produtos onde quer que haja dólares suficientes para comprá-los.
“O mercado deles é simplesmente o mundo inteiro”, diz o consultor Paulo
Apsan. Os asiáticos são rivais duríssimos, mas é possível enfrentá-los e vencê-
los. E, muitas vezes, é possível — e inteligente — tirar proveito da força que
eles vêm ganhando no mundo dos negócios. Afirma José Schettino, sócio da
Andersen Consulting que “Eles deixaram de ser inimigos para se tornar um
estímulo à busca cada vez maior de competitividade.” A falta de
competitividade gera um clamor por alíquotas, cotas, salvaguardas do
protecionismo tradicional. O governo brasileiro tem cedido no caso de setores
mais combalidos. São, contudo, medidas provisórias. “Estamos oferecendo
tempo para que as empresas se ajustem ao comércio internacional e ofereçam
ao mercado produtos competitivos”, diz a ministra Dorothéa Werneck. A
produção terá de ser    repensada, as matérias-primas terão de entrar pela
manhã e sair como produtos acabados ao final do expediente. Afirma Tilken da
Estrela que “Ou repensávamos nossa organização ou colocávamos um
morteiro na entrada dos portos” e Antonio Berenguer da Ferreira Guimarães
complementa que “Sobrevivemos e voltamos ao lucro porque conseguimos
mudar o rumo dos negócios a tempo”.

      Não se procurou demonstrar e analisar, por meio desta reportagem, a
situação econômica atual, até mesmo porque o conceito de “atual”, em tempos
de mudanças rápidas, tem uma “validade” extremamente curta. O “atual” de
hoje, em poucos meses, poderá adquirir novas feições, novos aspectos que o
tornam “ultrapassado” - “história”. Portanto, esta matéria, deve ser entendida
como um relato que procura enfocar uma situação efetiva, real e
contemporânea na existência empresarial, que demonstra, mais uma vez, a
questão da singular necessidade de um sistema de informações e de
adaptação empresarial às permanentes mudanças. Adaptação e gestão
entendidas neste trabalho como atreladas e levadas a efeito por um gestor
único cognominado de Analista de Negócios e da Informação.
99


4.3 Adaptação Organizacional – Uma súmula


            O Analista de Negócios e da Informação encontra neste ambiente em
contínua e rápida mutação o seu "habitat". Munido do conhecimento da TI
(Tecnologia da Informação), aliada a sólidos conhecimentos das metodologias
de gestão, reúne uma base de conhecimento tal que lhe permite, ao unir estas
duas vertentes de conhecimentos, implantar sistemas de informação e
estruturas organizacionais para fornecer a agilidade requerida aos processos
de trabalho da organização.

            O     ambiente   globalizado,   de   competitividade   global,   impõe   às
organizações um novo desafio : uma contínua busca para alcançar a “Classe
Universal” (Schonberg 1988) ou “Classe Mundial” (Kanter 1996). Uma
organização classe mundial pode ser entendida como aquela capaz de
“satisfazer os padrões mais altos existentes para poder participar da
competição e, ao mesmo tempo, o crescimento de uma classe social definida
por sua habilidade de comandar recursos e operar além das fronteiras e em
territórios muito amplos”173. Cumpre ressaltar o papel fundamental e decisivo
desempenhado pela Tecnologia da Informação ao permitir “a comunicação
praticamente instantânea com o mundo” 174.

            Em suma, as empresas estão em um novo ambiente, marcado e
caracterizado com os aspectos abaixa salientados:

•      globalização
•      dowsizing – a diminuição das estruturas organizacionais, o deslocamento
       das decisões para os níveis de execução, da descentralização e abandono
       dos modelos burocráticos rígidos.
            - fim do Comand & Control ( comanda e controla - imposição
                 hierárquica);
            - eliminação dos “feudos” organizacionais e tendência acentuada para a
                 eliminação do conceito do “Organization Man”, isto é, do profissional
                 de carreira em uma única organização;

173
      Kanter ( 1996 : 10)
174
      idem ( 1996 : 10)
100


            - ênfase nas comunicações fluentes – a organização em rede, por
                 processos;
•      Tecnologia da Informação – uso crescente e difundido em todos os
       segmentos, em todos os setores. Na indústria, na agricultura, no comércio,
       nas estruturas militares … até mesmo “ se você adquirir um automóvel
       novo, este ano, encontrará mais capacidade de computação instalada sob o
       capô do veículo do que o astronauta Neil Armstrong teve em seu
       equipamento de pouso na Lua” 175;
•      Nova estrutura organizacional; exigindo:
       -    produtividade crescente em ambiente competitivo;
       -    Tecnologia da Informação utilizada como recurso impulsionador da
            produtividade ( uso estratégico e não somente como redutor de custos,
            mas sim como ferramenta de gestão do negócio);
       -    enfoque na eficácia em vez de eficiência do classicismo;
       -    enfoque na qualidade ( produtos, serviços, vida);
       -    maior valorização do conhecimento em detrimento da valorização pura e
            simples de um cargo. O cargo, por si só, não confere todo poder ao seu
            titular, mas sim, os seus conhecimentos – a ênfase nas pessoas em
            uma sociedade do conhecimento;
       -    Outsourcing – terceirização, a aquisição de produtos e serviços de
            terceiros, com vista à economia de escala, portanto, redução de custos;
•      responsabilidade social e ambiental, das pessoas e das organizações;
•      partnering – parcerias, entre organizações, onde não há obrigatoriamente
       uma transferencia do controle do capital entre os parceiros e
•      empresa ampliada – a empresa, via Tecnologia da Informação (TI) se
       expande para fora de seus limites físicos. EDI ( troca eletrônica de dados), o
       Home Banking ( automação bancária via EDI), Kanban eletrônico ( JIT –
       logística Just in Time), serviços a clientes ( assinatura de periódicos,
       consultas a bancos de dados, reservas de passagens etc.), e tantos outros
       são exemplos de ampliação de empresas, via TI.
            Esta nova empresa terá que se valer, conforme procurou-se demonstrar,
da Tecnologia da Informação, para permitir o funcionamento dos processos.


175
      Tapscott & Caston ( 1995 : 7)
101


Foram consolidados por Tapscott & Caston 10 temas, abordando a tecnologia
e aspectos organizacionais. A seguir, uma adaptação deste trabalho 176:




                  Tema Tecnologia                                   Tema Organizacional
            TEMA               CONSIDERAÇÕES                   TEMA           CONSIDERAÇÕES
Sistemas Abertos               Há          portabilidade Abertura             A empresa passa a
                               entre plataformas de                           ser vista como uma
                               Hardware, seja em                              rede de operações
                               termos de SW seja                              que interagem entre
                               em          termos      de                     si. As paredes, os
                               informações.         (Fim                      muros feudais não
                               dos             sistemas                       mais se aplicam. O
                               chamados                                       modelo de gestão
                               proprietários)                                 participativo, da res
                                                                              ponsabilidade distri
                                                                              buída, do compro
                                                                              misso partilhado se
                                                                              instala.
Interconexão                   Recursos de TI são Integração                  A   Tecnologia      da
                               compartilhados,         as                     Informação permite
                               ilhas de informação                            a   integração     dos
                               de      outrora      estão                     componentes.        Re
                               interligadas            em                     dundâncias e dupli
                               rede.                                          cidade de funções
                                                                              são eliminadas.
Computação                     Descentralização do Empowerment                Base       da    gestão
Distribuída                    processamento dos                              participativa. A valo-
                               antigos         computa                        rização das pessoas
                               dores        centrais    (                     enquanto        agentes
                               HOST), Mainframes                              dotados de conheci
                               para redes,portanto,                           mentos, passa a se
                               mais próximas do                               concretizar. As pes
                               usuário,             mais                      soas passam a ser
                               próximo       de     quem                      utilizadas por inteiro

176
      Tapscott & Caston (1995 : 269-275)
102


                decide de maneira                          e não somente a
                também distribuída                         antiga mão-de-obra”
                e          não          mais               -       o            trabalho
                centralizada.                              meramente braçal.
Tempo Real      A     tecnologia           é Imediatismo   A       empresa           em
                aplicada          de      tal              tempo        real,        em
                forma a que o banco                        tempos competitivos
                de      dados           seja               necessita                 dar
                atualizado                                 prontas          e     claras
                constantemente,            e               respostas. Para os
                poder             oferecer                 clientes Just in Time
                informações         atuali-                é      obrigatório         .A
                zadas       a     qualquer                 competição            é   em
                momento.                                   tempo real.
Processamento   Os aplicativos são Cooperação              O conceito da teoria
Cooperativo     processados              em                de sistemas de que
                dispositivos            tipo               as partes de um
                cliente/servidor com                       todo             sistêmico
                o fim precípuo de se                       estarem em sinergia
                utilizar         toda      a               ,    ou      seja,        em
                capacidade               de                cooperação, aplica-
                processamento                              se      também             às
                existente                na                organizações.              O
                organização.                               conceito de cliente e
                                                           fornecedor interno é
                                                           aplicado         na       sua
                                                           integra.         Não       no
                                                           sentido de um servir
                                                           ao outro pelo fato de
                                                           ser cliente, mas sim,
                                                           pelo      fato       de   um
                                                           necessitar                da
                                                           colaboração               do
                                                           outro       para          que
                                                           ambos                possam
                                                           sobreviver.
103


Protocolo de Rede As                    regras Compromisso        A     nova       empresa
ponto a ponto       estabelecidas        para                     caracteriza-se       pelo
                    as redes permitem                             compromisso           que
                    uma     comunicação                           substitui o controle.
                    ponto a ponto e não                           A     motivação      vem
                    somente       via    uma                      dos     compromissos
                    estrutura hierárquica                         grupais                  e
                    de comunicação.                               intergrupais e não
                                                                  somente das estru
                                                                  turas autoritárias de
                                                                  comando e controle.
Modularidade     de Permite a criação de Independência            A         organização
Arquitetura         um     ambiente        de Organizacional      passa     tal    qual    a
                    computação                                    Tecnologia              da
                    dinâmico e flexível,                          Informação a atuar
                    face a possibilidade                          em        rede.         Os
                    de     se       agregar                       processos             das
                    partes modulares (                            organizações          são
                    HW       ou          SW),                     concebidos               e
                    conforme               as                     realizados por times
                    necessidades.                                 de negócios.
Especialização   de Utilização             de Especialização   de Na     era      do   pós-
plataforma          componentes            de conhecimentos     / capitalismo,            da
                    HW           específicos construção        de sociedade               do
                    para    determinado competências              conhecimento
                    fim.   Ex.     Scanner,                       privilegiam-se          os
                    Tela    sensível        a                     trabalhadores           do
                    toque, impressoras                            conhecimento. Para
                    a laser etc.                                  que       haja       este,
                                                                  necessário se torna
                                                                  a especialização, o
                                                                  aprofundamento do
                                                                  conhecimento.           As
                                                                  pessoas passam a
                                                                  serem           recompen
                                                                  sadas com base na
104


                                                               sua competência e
                                                               realização.
Sistemas Amistosos As           interfaces Acessibilidade      A era da carreira
ao usuário        gráficas,       ícones,                      dentro da mesma
                  simplicidade          dos                    empresa,               do
                  aplicativos, uso de                          organization         man,
                  recursos multimídia                          do emprego vitalício
                  ( texto, voz – som e                         alcançou       o      seu
                  imagem)                                      término.               As
                                                               carreiras              se
                                                               constróem cada vez
                                                               mais em múltiplas
                                                               organizações. Cada
                                                               uma desta propicia
                                                               um                   novo
                                                               aprendizado,          um
                                                               novo conhecimento.
                                                               Com esta visão as
                                                               decisões passam de
                                                               centralizadas para a
                                                               descentralização
                                                               para       a       gestão
                                                               participativa.
Rede Global       A rede corporativa Independência          de O conceito de local
                  se transforma em Tempo e espaço              e      horário         de
                  espinha dorsal da                            trabalho começa a
                  organização.                                 se flexibilizar. Todos
                  Baseada        em      pa                    passam         a       ter
                  drões       permite     a                    acesso                 às
                  integração da orga                           informações          que
                  nização em todos os                          necessitam             de
                  níveis. As limitações                        maneira            direta,
                  geográ       ficas,    as                    independente           de
                  distâncias            são                    local e horário. O
                  vencidas              pela                   local, podendo até
                  Tecnologia             da                    mesmo          ser      a
105


                 Informação.                        residência                 do
                                                    funcionário           e     o
                                                    horário será aquele
                                                    que        for            mais
                                                    adequado         para       a
                                                    realização                 do
                                                    negócio,         ou        da
                                                    atividade                 que
                                                    contribua        para       a
                                                    realização                dos
                                                    negócios                   da
                                                    organização.


Tab. 8) A Tecnologia e a Organização. Adaptado a partir de Tapscott &
Caston (1996, p. 269-275)
106


4.4 Globalização : considerações inconclusivas.


         "Ao cabo de tantos conceitos acerca de Globalização: qualidade;
reengenharia, percepção de valores e percepção de mercado, pode-se
concluir que estes e outros conceitos se fundem, pois, a realidade recebe
impulsos acelerativos de todos os rincões do planeta.

         Cultura, valores, usos e costumes decorrentes de outras plagas imiscuir-
-se-ão     em usos e costumes locais e vice-versa. A sobrevivência das
organizações em ilhas econômicas - fechadas e estanques - distancia-se desta
realidade.

         Valores e concorrências mundiais exigiram, e continuam a exigir,
criatividade e capacidade de adaptação. Palavras de ordem tais como
produtividade, eficácia, qualidade, enfoque no cliente tornaram-se obrigatórias.

         Qualidade, o grande lema da década de 80, deixou de ser um requisito
para a permanência no futuro, transformando-se numa questão sine qua non,
um Default.

         Retomando à tríade da eficácia empresarial, no que concerne a
satisfação de seus pilares, encontramos:

         • o cliente desejoso por qualidade do produto/serviço;

         • o acionista ansioso pela qualidade da eficácia empresarial (retorno do
           investimento - do lucro) e

         • Funcionário com expectativa de uma melhor “qualidade de vida”
           (qualidade que pretende concretizar por meio da organização da qual
           participa, na visão de Garland ( 1992), "bem sucedido é aquele que
           tem uma vida equilibrada e que desenvolveu um processo para
           satisfazer suas diversas necessidades. Nenhum funcionário será
           capaz de ter todas elas plenamente satisfeitas , mas uma organização
           eficaz deve suprir muitas delas e evitar colocar obstáculos no caminho
107


             dos funcionários para que, após o trabalho, ele possa suprir as
             restantes"177.

         A Reengenharia, saudada como a panacéia para todos os males,
experimentou, como todos os segmentos do saber, um amadurecimento. Em
seu nome foram feitas alterações profundas na estruturação de Empresas, com
dúbia e questionável qualidade na aplicação da metodologia. Reengenharia
passou a ser sinônimo de dizimar empregos.

         A partir desta constatação, pode-se entender que aplicando a
Reengenharia de Hammer (1994) nos processos inerentes ao negócio (objeto
da sua atuação) e considerando os aspectos de envolvimento do pessoal,
transpõe-se um dos grandes obstáculos à sua utilização eficaz.

         Considerando-se a empresa como um todo - um sistema - e sabendo
que um sistema natural, um ser vivo, por exemplo, para perpetuar a sua
espécie deve procriar, em analogia, podemos afirmar que os sistemas não
naturais tais como as empresas necessitam de novos produtos e tecnologias
para se manterem no firmamento da constelação empresarial.

         Assim sendo, pode-se julgar que a função pesquisa e desenvolvimento
(processo “reprodutor” por analogia), merece destacada notoriedade e não
somente ser encarado como uma “despesa, um gasto”.

         Diga-se de passagem, a Reengenharia oferece soluções extremamente
positivas, desde que bem aplicadas, tais como, o Simultaneous Engineering, ou
seja, a participação de todos os envolvidos no processo de criação,
desenvolvimento e lançamento dos produtos."178

         O    artigo     “Tecnologia,   Conhecimento   e   Sabedoria   na   Gestão
Empresarial179” procura demonstrar, que apesar de tantas novas abordagens,
ainda prevalece uma máxima na vida e na gestão das empresas : O BOM
SENSO !!!


177
    Garland ( 1992 : 30)
178
    Uhlmann (1997 :118-119)
179
    idem (1997)
108


      Tecnologia, Conhecimento e Sabedoria na Gestão Empresarial

      “Poucos são os que provavelmente não tenham ouvido falar que o
Conhecimento é diverso da Sabedoria. Em Análise de Sistemas há anos
afirmamos e sabemos que o Know How, a tecnologia, o como fazer, ou seja o
conhecimento está sedimentado e sob controle. Por outra lado, já há anos
afirmamos também, que imperiosa se torna a prática do Know-Why, o Para o
quê, entendido como sendo a sabedoria por ser a aplicação de conhecimentos.

      Em gestão Empresarial foi cunhada a Reengenharia, que em análise
última, não deixa de ser um questionamento (Know-Why) das Empresas, de
seus produtos e processos, no afã de resgatar sua rentabilidade.

      A Tecnologia da Informação, a cada dia nos oferece novas e mais
poderosas ferramentas, Hard e Software, os quais tiveram e têm um avanço
exponencial. As ferramentas de comunicação de dados nos permitem
conexões nunca antes imaginadas,         complexas rotinas assembladas de
morosa e árdua elaboração foram condensadas em macroinstruções. Os
bancos de dados, com os seus poderosos DBMS permitem explorações pelo
próprio usuário, oferecendo espelhamento de informações, Recovery e
segurança como Default.

      À luz destas verdades que suplantaram tantos entraves, e dificuldades,
permitam-me, a título de ilustração, divagar um pouco na nostalgia da história.
Por favor, não me chamem de Dinossauro Informaticus, pois não se passaram
tantos séculos assim.

      Trabalhávamos, naquela época, com um equipamento considerado
como de última geração, cuja breve descrição assim sumarizo.

      Programado em Assembler, o qual, após codificação, tinha de ser
convertida em meio físico, uma placa de circuito impresso com diodos
soldados, conforme Lay out calculado, era acondicionado em uma caixa com
pinos. Cada programa era, portanto, uma destas caixas - o Analista daquela
época tinha no ferro de solda e do estanho, uma das suas principais
ferramentas!
109


       A comunicação de dados era por fita de papel perfurado (pularei os
problemas de comunicação, pois, são inarráveis). Nosso sonho era
trabalharmos com uma máquina de grande porte, semelhante a de um colega
(... que inveja!) com 64 Kb de memória e incríveis 5 Mb em Disco de uma
grande empresa multinacional.

       Recordando este passado, não tão remoto assim, indagamo-nos em
face das inovações antes sequer sonhadas e, agora reais, de tantos obstáculos
suplantados.

       - Será que ainda há problemas?

       - Será que ainda existem organizações que enfrentam dificuldades?

       Não há necessidade de muito esforço e metodologia científica para
verificarmos e constatarmos que:

•   as organizações continuam com dificuldades, quiçá até maiores....;

•   as inovações tecnológicas por si só não resolveram todos os problemas
    mas sim, fizeram com que outros emergissem e

•   os modelos organizacionais demonstram sua exaustão.

       Enfim, a expressão, éramos felizes e não sabíamos, por muitos proferida
não deixa de ter sua razão de ser.

       Analisando estas constatações, chegamos à conclusão, de que houve
na verdade uma profunda mudança da realidade.

       O mundo graças, às inovações tecnológicas, se tornou menor, os
mercados interagem e o Global Sourcing se tornou um fato - empresas do
outro lado do mundo se tornaram concorrentes ..... vorazes!

       Os modelos organizacionais ocidentais meticulosamente, elaborados
sob a égide da previsibilidade do modelo burocrático de Weber, da
departamentalização Neoclássica e da divisão do trabalho de Taylor
experimentam a sua falência.
110


      Mr. Jack Welch, principal Executivo da General Eletric, com muita
precisão proferiu: ‘Nós criamos, através dos anos um método de Administração
correto para o seu tempo, um grande filão para as escolas de Administração.

      Divisões, Unidades Estratégias de Negócios, Grupos, Setores, tudo para
que decisões bem calculadas fossem tomadas.

      Funcionou nos anos 70, foi um entrave ao crescimento nos anos 80 e
poderá se transformar num bilhete para o cemitério na década de 90’.

      A partir desta afirmativa, evidente se torna aos nossos olhos que há uma
imperiosa necessidade de adaptação, de mudanças. Claro se torna o
desespero das organizações e de seus responsáveis na busca de um novo
modelo, capaz de restaurar e assegurar a        sobrevivência destas         mesmas
organizações.

      A procura por novos conhecimentos tais como, a Reengenharia
Organizacional e da Informação, Downsizing, Rightsizing, Modelagem de
dados, Top-Down, Redes LAN e WAN, Gestão Holística, JIT, Kanban, Kaizen,
Teoria das Restrições, ISO 9000, TQC, e tantos outros mais, tornou-se uma
necessidade obsessiva.

      Acreditamos nós, que o simples conhecimento, destes e de outros tantos
mais, não basta; necessária se torna a sabedoria que nos dará a justa medida
do uso da aplicação, dosagem e cronologia                 das    ferramentas,   dos
conhecimentos adquiridos.

      A sabedoria permitirá dosá-las de modo a não as transformar em uma
bandeira efêmera, num modismo cujos resultados negativos são efetivamente
presumíveis. Permitirá também aplicá-las numa ordem racional, numa
seqüência   lógica   não    permitindo   a   instalação    das    caóticas    febres
organizacionais nas quais pretende-se mudar tudo e ao mesmo tempo.
Esforços e recursos concorrendo entre si, anulam-se reciprocamente lançando
as organizações em situações que fogem do controle e obviamente se
distanciam dos resultados esperados.
111


            Vimos      a    reengenharia,      mercadologicamente         explorada   sendo
transformada por muitos no Facão de Ouro que corta mais, e melhor, sem se
preocupar com o todo, com os desdobramentos negativos, com as demais
pessoas da organização.

            Vimos a Qualidade Total sendo implantada por decreto, uma singela
faixa na entrada da empresa alusiva à qualidade era o único passo efetivo para
aquela. Evidentemente nada funcionou, os especialistas em desculpas de
plantão, porém, já tem pronta a resposta : A nossa Empresa é Diferente!

            Vimos redes de PC’s sendo implantadas. Agora estamos informatizados,
exclamavam os seus mentores! Um SW aplicativo, um sistema de Informações
era visto como um mero detalhe suplementar.

            Defendemos, pois, que o velho bom senso, o salutar raciocínio e a lógica
sejam         atributos     sine   qua   non   do   verdadeiro   sábio;       daquele   que
simbolicamente, a terra revolve, quebrando o marasmo, a resistência; que
novas idéias semeia,               cultivando-as, frágeis no começo, com a sabedoria
aduba-as robustecendo-as, permitindo, assim, que à seara esperada se
chegue.

            Meditemos, saibamos usar com bom senso, prudência enfim com
sabedoria, os conhecimentos arduamente adquiridos,                 não os lançando em
programas isolados, desatrelados da realidade ou mesmo aplicados de forma a
concorrerem entre si”180.

            Ao cabo destas considerações, pode-se conceber de maneira sintética,
um quadro das tendências para este final e início de século as quais irão
influenciar sobremaneira o pensamento e a gestão organizacional.




180
      Uhlmann (1997 : 119-121)
112


Tendências


      Analisando-se o contexto situacional das experiências executivas por
meio da bibliografia especializada vislumbram-se as seguintes tendências :

• expor-se ao ambiente global;
• melhorar continuamente as operações;
• profundo repensar dos processos ;
• distanciamento dos modelos clássicos tayloristas;
• achatamento dos níveis hierárquicos;
• crescente emprego de tecnologia com menor emprego da mão-de-obra no
  sentido tradicional;
• crescente uso da Tecnologia da Informação;
• ênfase em pesquisa e uso de novas tecnologias;
• integrar-se com fornecedores e clientes ( parcerias );
• terceirizações e
• renovação dos ativos para manter a dianteira tecnológica.


      Estabelecer e manter diferenciais competitivos, ou seja, procurar e
identificar fatores capazes de manter a fidelidade dos clientes atuais, fazendo
com que ex-clientes e novos clientes vejam como alternativa vantajosa os
produtos e serviços oferecidos pela empresa, tais como :

• SERVIÇO AO CLIENTE ( pontualidade e fidelidade nas entregas)
      Confiança na data acordada;
      rapidez no atendimento ( produto/serviço colocado ou executado no
      cliente ).
• FLEXIBILIDADE
      Mix de produtos/serviços abrangentes conforme as necessidades dos
      clientes;
      tamanho dos lotes variáveis conforme a necessidade do cliente.


• QUALIDADE
      Atender necessidades do cliente ou consumidor;
113


            regularidade e conformidade com o especificado;
            produção sem defeitos e
            garantia cada vez mais longa pós venda.

• PRODUTO / SERVIÇO
            Exceder os oferecidos pela concorrência.

• PREÇO
            Para ser competitivo deve ser o menor do segmento (custo x benefício ).

            Em suma, as empresas da era da globalização necessitam apresentar
características como as apontadas por Kanter (1996)181:

•      obedecer aos padrões BIW ( best in world);
•      ser pioneiras nas melhores idéias e tecnologias;
•      investir nas habilidades da força de trabalho e oferecer segurança e
       empregabilidade;
•      agir como parceiras para fornecedores e clientes e
•      conectar-se a redes que proporcionam amplo alcance e recursos adicionais.




181
      Kanter (1996 :409-411)
114


5.0 As informações na nova realidade



            A história oferece múltiplos exemplos de inovações tecnológicas que
revolucionaram gerando impactos sócio – econômicos. Tais inovações geraram
mudanças nos perfis da gestão organizacional que, por sua vez, interferiu: no
trabalho, nas metodologias de produção, nos processos de produção, nos
padrões de consumo e nos hábitos, usos e costumes da sociedade.

            A máquina a vapor, a substituição da força animal, a qual, por seu turno,
já havia substituído a força do próprio homem, levou, em ultima análise, a
desencadear todo um processo industrial, uma revolução industrial, por tantos
descrita.

            O modelo energético inicialmente calcado na mecânica gerada pelo
vapor “durante duzentos e cinqüenta anos, (...)o modelo da tecnologia foi o
mecânico, e os combustíveis fósseis foram rapidamente se tornando a principal
fonte de energia"182.

            Esta Era da Mecânica, ensina Drucker (1993), encontrou os seus limites
com o advento da fissão, e posterior fusão nuclear, ao término da primeira
metade do século XX.

            A Era da Mecânica caminhou da energia a vapor até os motores a
explosão, movidos a partir de recursos energéticos fósseis, o petróleo e seus
respectivos derivados - escassos, com preços oscilantes a partir da percepção,
com maior ou menor grau, desta escassez, ou mesmo o urânio - matéria prima
para os reatores da tecnologia nuclear, “combustível exaurível, e que apresenta
riscos de segurança extremamente caros para vencer”183, todos, porém,
inegavelmente finitos.

            Drucker (1993) afirma que: “Em algum momento entre, 1965 e 1973, nós
cruzamos um marco divisório e ingressamos no ‘próximo século’, deixando



182
      Drucker (1993 :219)
183
      Toffler (1980 :142)
115


para trás convicções, compromissos e alinhamentos que haviam moldado a
política por cem ou duzentos anos”184.

          Este marco divisório, propriamente dito, pode ser encontrado em Toffler
para quem a economia, ainda estando na sua “Segunda Onda”, ou seja, na
fase iniciada com a revolução industrial, tinha o seu modelo energético calcado
em uma base que              “estabeleceu como premissa a não renovabilidade; era
extraída de depósitos altamente concentrados, exauríveis; sustentava-se em
tecnologias caras e pesadamente centralizadas; repousando em fontes e
métodos relativamente pouco numerosos” 185.

          Toffler considera a utilização do petróleo como uma das principais fontes
energéticas da "Segunda Onda" (Drucker a considera como sendo a "Terceira
Onda "). Pondera, no entanto, que “todos concordam que esta dependência do
combustível fóssil não pode continuar indefinidamente, por mais que novos
poços de petróleo sejam descobertos”186.

          A percepção generalizada da escassez promovida pelo uso intenso do
recurso energético (petróleo) concentrado em regiões produtoras - aglutinadas
na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), emergiu na
crise do chamado “Choque do Petróleo em 1973”187.

          Esta crise triplicou o preço do barril de petróleo cru chegando a atingir
patamares de              negociações na ordem dos US$ 40,00188. As economias,
altamente dependentes deste recurso energético básico do modelo industrial,
                                      189
da “Segunda Onda” de Toffler                , foram, portanto, duramente atingidas em
seus balanços de pagamentos.

          A reação destas economias se tornou imperiosa, pois não poderiam
sustentar infinitamente uma dependência deste produto naquele patamar.
Saltos tecnológicos se fizeram presentes. Novos motores e fontes de energia

184
    Drucker (1993 :4)
185
    Toffler (1980 :140)
186
    idem ( 1980: 140)
187
    Drucker (1993 : 7)
188
    Toffler (1980)
116


foram pesquisadas: das mais exóticas às mais plausíveis; da energia solar,
eólica, e bioderivada passando, anos mais tarde, pela utilização do álcool -
fonte biologicamente renovável e não poluidora do meio ambiente.

         A esta evolução no uso de recursos energéticos e desenvolvimento
tecnológico acrescentou-se em 1946 um fato novo : “ o primeiro computador, o
ENIAC, tornou-se operacional..... dando início a uma nova era, uma era em que
a informação será reconhecida como o princípio organizador do trabalho”190 .

         Uma nova realidade se fez presente, com uma tecnologia de proporções
nunca antes imaginadas. Neste sentido, Drucker afirma que: “nascia uma nova
civilização” baseada nas informações, o acesso a estas, antes limitado e
controlado pelo detentor do poder, começava a se democratizar.

         Este poder representado pela informação acabou por contribuir na
geração de uma “hipertrofia do Estado Nacional típica do século XX, o regime
totalitário. ...uma criatura da mídia moderna - jornais, cinema, radio e televisão -
só pode existir se tiver controle total da informação” 191.

         Ocorre que com os progressos tecnológicos ulteriores, as facilidades de
acesso a múltiplas fontes de informações, fragilizaram o controle estatal da
mídia, tornando a informação, “na realidade, a informação é hoje transnacional;
como o dinheiro, a informação não tem pátria”192.

         As novas realidades concernentes às informações não pararam de
provocar contínuas e novas alterações sociais.

         A partir dos conceitos da teoria dos sistemas de Ludwig von Bertalanffy
pode-se concluir que as alterações provocadas em um sistema irão se refletir
por todo o sistema, gerando novas adaptações até que se reencontre um novo
equilíbrio, a homeostase dinâmica. E assim, as alterações comportamentais e
organizacionais se tornam cada vez mais freqüentes e céleres em face da
atuação das inovações e adaptações - reciprocidade e mútua ação acelerativa.


189
    Segundo Drucker (1993, p.220) seria a terceira onda – caracterizada não somente pelo incremento da força motriz
    mas também pela produção de produtos novos nunca d’antes, fabricados, ou ao menos somente em pequena escala
    como a Radio/TV/Prod. Químicos etc.
190
    Drucker (1993 : 219)
117


            Desta maneira, devido à pronta disponibilidade da informação e
conseqüente facilidade de divulgação - o transporte para onde a pessoa, os
funcionários estivessem - provocaram           uma nova concepção de trabalho.
Facilmente pode-se imaginar que o transporte da informação é muito mais fácil
e menos oneroso que o transporte das pessoas. Instalou-se por conseguinte
uma nova modalidade no paradigma das pessoas “irem” ao trabalho. Instalou-
se desta maneira a modalidade da informação (necessárias à consecução do
trabalho) ir à pessoa e não somente esta ao trabalho.

            No que concerne a este deslocamento das pessoas, afirma Drucker
(1993) que “cada vez mais as pessoas trabalharão em suas casas ou, o que
provavelmente será mais freqüente, em pequenos ‘escritórios satélites’ fora dos
centros abarrotados das cidades, (…) - o fax, o telefone, o vídeo, a televisão
bidirecional, o telex e as teleconferências estão tomando o lugar das ferrovias,
dos automóveis e dos aviões”193.

            A este relato de Drucker (1993), escrito em fins da década de 80, deve-
se acrescentar os efeitos mais recentes do processamento e da distribuição da
informação via Tecnologias de Informação, das quais se destacam a Internet e
as redes corporativas, interligando corporações, em termos de alcance
mundial. Em outras palavras, estas tecnologias promoveram a aproximação
entre as organizações. A distância entre uma matriz e sua              filial já não
representa obstáculo à comunicação - à interação. Neste sentido, a
organização do trabalho pode receber uma nova formatação, tendo por base a
disponibilização das informações na forma descrita.

            A este respeito, foi publicado na revista EXAME uma reportagem sobre a
Internet que reúne tudo o que o senso comum do mundo empresarial afirma e
reafirma a respeito dos fatos até aqui apresentados: “Todo executivo bem
informado conhece o potencial da Internet como estimuladora de negócios. A
rede mundial de computadores vai permitir que a empresa se ligue diretamente
a fornecedores, clientes e consumidores no mundo inteiro. Por meio dela será
possível receber e fornecer informação. Também se poderá vender, comprar,

191
      Drucker (1993 : 221)
192
      idem (1993 : 221)
118


divulgar e atender. Tudo isso de forma direta e instantânea, usando infra-
estrutura universal e barata”194.

         Fazendo uma analogia entre o papel do chefe e o do estado nação,
enquanto agente detentor e controlador das informações, a partir do momento
em que estas estiverem presentes e disponíveis aos mais variados segmentos
da organização ou da sociedade, deixam de ser um instrumento a serviço da
sua perpetuação ou manutenção de seu poder. Passarão a se transformar em
um instrumento de trabalho, como base para decisões, ou seja a já citada
democratização das informações. “O conhecimento é poder, razão pela qual
quem o tinha no passado costumava tentar mantê-lo em segredo. No pós-
capitalismo o poder provem da transmissão das informações para torná-las
produtivas e não ocultá-las”195.

         A este respeito, o citado autor evoca uma outra profunda modificação: a
mudança da sociedade capitalista estruturada a partir da alocação de recursos
de capital em seu processo produtivo para uma sociedade na qual o
conhecimento, as informações passam a ser consideradas como um recurso,
afirmando: “agora o conhecimento está tomando o lugar do capital como força
motriz nas organizações do mundo inteiro, é muito fácil confundir dados com
conhecimento e Tecnologia da Informação com informação”196.

         Engana-se, no entanto, aquele que intuir, a partir desta colocação que
as TI (Tecnologia da Informação) possam, por si só, obter a eficácia
empresarial. Estas tecnologias exigem, isto sim, uma eficaz e competente
gestão das informações, pois, se das informações não resultarem ações
concretas, de nada valeram os esforços para se obter um sistema de
informação eficaz - a organização como um todo não terá alcançado a sua tão
almejada eficácia.

         Novas estruturas organizacionais emergem a partir destas constatações.
Os tradicionais modelos burocráticos, das típicas estruturas do tipo comanda e
controla, com múltiplas camadas de comando e controle darão lugar a

193
    Drucker (1993 : 222)
194
    Martins (1996)
195
    Drucker (1995 : XXII)
119


organizações que “não terão mais que a metade dos níveis administrativos de
sua equivalente hoje, e não mais de um terço do número de seus
administradores” 197.

         O valor da informação nesta nova realidade foi reconhecido, também,
por Harvey (1996) ao afirmar que “as informações precisas e atualizadas são
agora uma mercadoria muito valorizada”198. Mercadoria tão valorizada que
Drucker chega a chamar as novas organizações de “OFI – Organizações
Fundamentada em Informações”199, organizações que têm o seu enfoque e
característica na descentralização do poder pessoal.

         Diferente dessa abordagem, anteriormente as pessoas mantinham o
poder centralizado graças à detenção de informações ( o ditado do 'pulo do
gato'). E o mantinham nesta situação, até por que lhes dava uma sensação de
segurança, de preservação do cargo. Desta maneira, os interesses
corporativos muitas vezes ficavam relegados a segundo plano em favor dos
interesses pessoais.

         Para que este paradigma fosse revisto, tornou-se necessária a mudança
da abordagem até então praticada. As novas concepções exigiam que fosse
garantida a disponibilidade das informações a todos os envolvidos em um
determinado processo decisório. Um novo modelo de gestão se cristaliza no
qual “o acesso à informação, bem como o seu controle, aliados a uma forte
capacidade de análise instantânea de dados, tornaram-se essenciais à
coordenação centralizada de interesses corporativos descentralizados”200.

         A partir desta percepção do valor das informações, vistas agora como
                                       201
um recurso , como “bens de capital”          , ou seja, como patrimônio intangível,
teriam que ser tratadas como um recurso patrimonial. Nesse sentido as
informações passaram a adquirir um valor nunca antes concebido. O seu valor
até então era freqüentemente percebido pelos seus detentores somente como
mero suporte do qual se valiam para sustentarem-se no poder. Na nova

196
    Drucker(1995 : XXII)
197
    idem (1993 :177)
198
    Harvey (1996 : 151)
199
    Drucker (1993 : 177)
200
    Harvey (1996 : 151)
120


concepção, as informações passam a constituir um valor, não pessoal, mas sim
estratégico e corporativo, pois, se bem usadas, podem se transformar em
fontes de lucros.

         O acesso a informações privilegiadas, em especial no mercado
financeiro, ou até mesmo na venda de segredos industriais e frutos de
pesquisas, foi por Harvey (1996) chamado de a “ponta ilegal do iceberg”
incluindo as informações sobre políticas governamentais, obtidas de maneira
licita e ética ou não, que passaram a integrar, de maneira indissolúvel, a gestão
dos negócios. O vulto da extensão desta visão estratégica das informações foi
reconhecido por Harvey (1996) ao afirmar que:         “o acesso privilegiado a
informações de qualquer espécie passa a ser um aspecto essencial das
decisões bem sucedidas e lucrativas”202.

         Enfim, uma nova realidade, uma profunda mudança do macroambiente
se fez presente, chamada de : Terceira Onda ( Alvin Toffler 1980), Sociedade
do Conhecimento (Peter Drucker 1997) - cruzamento do marco divisório rumo
ao pós-Capitalismo e pós-Fordismo; Produção de Acumulação Flexível ou
condição pós-Moderna (David Harvey 1996).

         É fato inconteste que tantas e tão próximas em termos temporais, as
profundas mudanças fizeram com que um novo ambiente se constituísse. Uma
nova realidade para os administradores, para os modelos de gestão e também
para os modelos de gestão de pessoas. A administração passa a conviver com
uma nova visão deste componente - os recursos humanos tem dimensões
cada vez maiores.

         Da abordagem de controle (comando puro e simples das pessoas),
passa-se para a abordagem de liderança na qual “a informação está
substituindo a autoridade”203. "Realidade esta que por seu turno requer, uma
nova visão e abordagem das organizações e dos modelos de sua gestão. Esta




201
    Tapscott & Caston (1995 : 7)
202
    Harvey (1996 : 151)
203
    Drucker (1996 : XV)
121


nova visão, no entanto, não pode deixar de levar em consideração justamente
o que contribuiu para o sua consolidação : as informações” 204.




204
      Uhlmann (1998 :157)
122


5.1 A Informática no ambiente contemporâneo


      O Analista de Negócios e da Informação tem como uma de suas
atribuições, a gestão da informática, a gestão das informações automatizadas
com o emprego da Tecnologia da Informação disponível.

      A Tecnologia da Informação passa a ocupar um lugar de destaque na
atualidade que presenciou a queda dos modelos de produção baseados na
produção em massa (Fordismo – a produção acumulada). Modelo este típico
do período Keynesiano ( Teoria Econômica de John Maynard Keynes ), que foi
substituído pelo modelo de produção flexível, voltado para a produção daquilo
que o mercado deseja, em face da sua característica de alta competitividade.

      O uso da Tecnologia da Informação na gestão dos negócios levou aos
sistemas de informações características econômicas e estratégicas. A
utilização da TI, por Tapscott & Caston (1995) chamada “primeira era da
informatização”, levava em conta apenas os aspectos tecnológicos (know how).
A sua gradual aplicação aos negócios fez surgir um segundo questionamento:
o da eficácia, do custo e dos benefícios almejados. A medida final do sucesso
de qualquer projeto de informatização, resume-se basicamente na resposta à
pergunta, 'o que afinal ganhamos com a implantação do …' ?

      Fica, portanto, implícita a questão da “utilidade”, ou seja, houve uma
alocação de recursos ( = gastos de energia, tempo, dinheiro) com a qual
pretende-se alcançar determinado objetivo. Deve ser ressaltada também a
efetividade da necessidade deste 'objetivo', ou seja, o quanto este objetivo, se
alcançado, contribui com os resultados globais da organização. Em resumo,
trata-se de uma questão de custo e benefício.

      O aspecto - resultados globais - deve ser salientado, pois traz em seu
significado o quanto melhorou o sistema organizacional visto como um todo, ou
seja, deve haver “um aprimoramento real de economias para os negócios do
usuário”205. Resultados globais, portanto, não são resultados departamentais
(“… o meu setor ficou 100% mais ágil !”)que devem ser analisados sob a visão
123


de “o quanto” esta agilidade trouxe em faturamento, em novos clientes,
produtos, imagem para o mercado; ou “o quanto” deixou-se de gastar, qual foi
a redução da despesa operacional efetiva, o quanto esta pode refletir sobre o
preço dos produtos ou serviços!

            A questão - entendendo os objetivos do projeto de sistema de
informatização como sendo válidos - resume-se em “calcular a proporção entre
o benefício do projeto e o seu custo. Se os benefícios não excederem os
custos de forma significativa, será melhor que os usuários coloquem o dinheiro
                              206
em outro projeto”                   . Ficam excluídos desta categoria os projetos derivados de
exigências legais, o também chamado condicionamento externo ou legal, em
face das determinações governamentais, ou imposições dos clientes. Trata-se
de imposições, que não sendo atendidas, impossibilitarão o fornecimento, ou a
continuidade das operações em virtude das cominações legais.

                                                 DESAFIOS
              Desafios de Negócios                             Desafios de Sistemas
Concorrência cada vez mais intensa                     Contribuir efetivamente com o negócio
Lançamento de novos produtos em Mais resultados com menos custos
períodos de tempo cada vez mais
curtos
Redução de Custos                                      Mais rápido e mais barato
                                                       Incorporar    avanços       tecnológicos
                                                       preservando investimentos


Tab. 9) Os desafios contemporâneos aos Negócios e aos Sistemas de
Informação. Fonte Furlan (1994, p.9)

            A competitividade globalizada acentuando-se continuamente leva ao
insucesso as organizações que não puderem enfrentar adequadamente os
desafios. Torna-se imperioso, portanto, que sistemas de PD( Processamento
de Dados), o emprego da Tecnologia da Informação, cada vez mais sofisticada
( high-tech – alta tecnologia) e interativa, sejam colocados de tal sorte a

205
      Page-Jones (1990 : 3)
206
      idem ( 1990 : .5)
124


trazerem os benefícios almejados para os resultados globais da organização! A
satisfação destas necessidades requer um minucioso planejamento, acuidade
– prazos mantidos, rapidez na implantação, portanto, retorno do investimento!

            Ao desplante de todas estas ponderações sobre a interação da TI com a
gestão, há indicadores que apontam para uma situação de desenvolvimento de
sistemas em termos mundiais, radicalmente contrária. Muitos executivos de TI,
limitando-se “exclusivamente ao ambiente técnico por vários anos e,
conseqüentemente, não possuem o arcabouço de conhecimento necessário
para tratar os diversos elementos de negócio”207.

            Pode-se representar esta situação, também, como o trata a figura 16, a
qual faz menção a um hiato, um “Gap” entre a evolução dos negócios e a
absorção, o entendimento e efetiva utilização do potencial tecnológico. A figura
em questão, auferida de uma empresa fornecedora de um software de gestão
integrada, procura demonstrar a existência de uma função contida neste SW,
chamada de Enterprise Modeler (Modelador de Negócios). Propõe esta
ferramenta a auxiliar na modelagem, ou seja na adequação dos fluxos dos
processos organizacionais, do negócio, no afã de diminuir a citada assimilação
da tecnologia .




207
      Furlan (1994 : 10)
125




Fig. 16) Gráfico demonstrativo do Hiato que se formou entre a evolução
dos Negócios e a absorção da Tecnologia da Informação. Fonte Prof.
Carlo Andrey Gonçalves ( BaaN Company) ( 1998)




            A Tecnologia da Informação passa a ocupar um lugar de destaque na
condução das organizações. Afirma Furlan (1994) a este respeito que “as
empresas passam a viver deles ( computadores), moldando suas estruturas e
estratégias para melhor aproveitarem as novas tecnologias da informação”208.
A necessidade de gestão desta Tecnologia da Informação combinada e
intimamente ligada com a gestão do negócio é percebida e relatada por Saviani
(1996). Referindo-se ao profissional da gerência, afirma tratar-se da “figura do
integrador de sistemas da organização, que possibilita alcançar a implantação
de um sistema de informações globais, cujo acesso permitirá a cada executivo
administrar sua área como um todo, de forma rápida e precisa”209.

            A absorção da Tecnologia da Informação e de suas aplicações chega a
um patamar tal que “as organizações que não conseguem compreender a nova



208
      Furlan (1994 : 14)
209
      Saviani (1996 : 47)
126


era e navegam por um curso que evita a transição tornam-se vulneráveis e
serão ultrapassadas”210.

            Um exemplo desta abordagem do uso das tecnologias da informação,
ampliado para o enfoque do negócio, pode ser auferido da figura 17
apresentada, relativas a projetos de ERP (Enterprise Resource Planning) da
BaaN Corporation. Trata-se de sistemas integrados de gestão empresarial,
altamente sofisticados que, além do SW integrado, contêm toda uma gama de
conhecimentos provenientes de estudos de benchmark (análise comparativa
entre empresas líderes) e das tendências e novas concepções elaboradas por
institutos de pesquisa. Incorporam, portanto, a prática das melhores empresas (
benchmark ) e a pesquisa, as tendências em termos de gestão empresarial -
detectadas ou prognosticadas pelos citados institutos de pesquisa (fig. 17 e
18).




      Fig. 17) Conceitos relativos a um Software Integrado de Gestão
Empresarial ( ERP). Fonte Prof. Carlo Andrey Gonçalves ( BaaN Company)
( 1998)




210
      Tapscott & Caston (1995 : 18)
127




Fig. 18) Conceitos relativos a um Software Integrado de Gestão
Empresarial ( ERP). Fonte Prof. Carlo Andrey Gonçalves ( BaaN Company)
( 1998)
128


5.2 A evolução do uso da Tecnologia da Informação



            Neste final de século a Tecnologia da Informação encontra-se, segundo
uma classificação elaborada por Tapscott & Caston (1995), na sua “Segunda
Era”. Refazendo-se o processo de desenvolvimento da TI pode-se, de acordo
com a classificação de Tapscott & Caston observar as seguintes eras:

A Primeira Era

            A também chamada informatização, iniciada nos anos 50, baseada em
computadores centrais ( Mainframes), inicialmente acessíveis somente a
poucas organizações, tinha por escopo, auxiliar a gestão e principalmente
substituir o trabalho manual, representado pelo pessoal de escritório. Em
outras palavras, visava a redução do custo. Voltava-se basicamente à gestão
de três recursos fundamentais : ativos físicos, recursos humanos e ativos
financeiros.

            Os sistemas, nesta Primeira Era, eram empregados de maneira isolada
e separada, ou seja, sem integração. Cada área de responsabilidade tinha o
“seu” sistema, a “sua” base de dados, sem, portanto, levar em consideração o
fato de todos pertencerem a uma mesma organização, a um mesmo sistema.
Foram desta forma constituídas as “ilhas não integradas de Tecnologia da
Informação”211.

            O acesso a estes sistemas era delimitado a uma minoria isolada de
elementos altamente especializada, detentores do poder pela posse e acesso
às informações. Pode-se entrever, a partir desta colocação, uma reedição dos
grupos de decisão descritos no postulado da teoria científica de Taylor. Sob
este aspecto, os sistemas de informação da época acabaram por constituir um
suporte à dominação burocrática, ou seja,                  um suporte aos detentores do
poder.         Nesta      concepção   teórica,   caberia    ao   administrador,   “planejar
cuidadosamente seus passos, organizar e coordenar racionalmente as



211
      Tapscott & Caston (1995 :47)
129


atividades de seus subordinados”212, ou seja enfocavam o “the one best way”
de Taylor. Caminho este, que em face da racionalidade expressa nesta busca
da “única maneira certa de executar o trabalho”, levaria aos objetivos
almejados.        Em suma, a Tecnologia da Informação passou a ser utilizada,
também, como um instrumental de dominação e de cisão entre os dominantes
e os grupos operacionais que deveriam executar as tarefas conforme as
regras, normas e controles elaborados.

         O surgimento dos computadores pessoais ( PC ) marcou o início de uma
nova era. “O microcomputador permitiu que todos os funcionários, desde
secretárias e representantes de vendas até profissionais e executivos seniores,
pudessem trabalhar diretamente com a Tecnologia da Informação e tirar
proveito dos muitos benefícios que ela podia proporcionar “213. A rápida
evolução tecnológica deste Hardware (HW - equipamentos) aliado a Software
(SW - programas / aplicativos) cada vez mais poderosos e amigáveis deu “à
Tecnologia da Informação reputação e presença inteiramente nova dentro da
empresa” 214.

A Segunda Era

         O ambiente dominado pelos Mainframes centrais e por PCs isolados,
(stand-alone) passou para uma nova fase. Os PCs isolados, formando
inúmeras ilhas de informação, com grande redundância de dados e múltiplas
“verdades”        capacitaram,         despertaram     e    difundiram   conhecimentos   (a
desmistificação da tecnologia). Despertaram também uma consciência da
necessidade de comunicação e das vantagens daí auferíveis.

         Ligados em rede, constituíram a “tecnologia da rede local ( Local Area
Network – LAN ). As exigências e sofisticação cada vez maiores dos usuários
individuais (…e da Tecnologia da Informação), foram chegando ao mesmo
tempo”215.        A     nova        tecnologia   permitiu   que   processos    e   modelos
organizacionais fossem questionados e reestruturados.


212
    Motta & Pereira (1988 : 170)
213
    Tapscott & Caston (1995 : 47)
214
    idem ( 1995 : 47)
215
    ibidem (1995 : 49)
130


         Hammer, o aclamado pai da reengenharia, que ao desplante da
excessiva e desgastante exploração mercadológica, da sua aplicação nem
sempre bem compreendida e regrada, afirma que “a Tecnologia da Informação
moderna e atualizada integra qualquer esforço de reengenharia, sendo um
capacitador essencial, por permitir às empresas a reengenharia de seus
processos”216 .

         A nova abordagem da tecnologia, a ampliação da sua utilização,
deixando de ser um mero instrumental redutor de despesas ou de dominação
burocrática transparece com nitidez nesta outra colocação de Hammer, “o
verdadeiro poder da tecnologia não está em fazer antigos processos
funcionarem melhor, mas permitir que as organizações rompam com as antigas
regras e criem novas formas de trabalho”217 .

         O reconhecimento da necessidade desta nova abordagem ampliada,
pode ser ilustrada em um relatório218 empresarial do DMR Group Inc. de 1987
no qual se coloca que “a experiência tem demonstrado que os maiores ganhos
proporcionados pelos sistemas que envolvem usuários são obtidos por meio da
introdução de mudanças na maneira de trabalhar das pessoas, e não
simplesmente pela implementação da tecnologia em si. Impactos estratégicos
são obtidos através de mudanças mais amplas no sistema de trabalho, que
constitui o modo pelo qual nós trabalhamos em conjunto para criar produtos ou
serviços e o modo pelo qual interagimos com nossos fornecedores e
consumidores. Um tema deste estudo é que os sistemas integrados oferecem
maneiras inteiramente novas de trabalhar e fazer negócios. O replanejamento
destes sistemas de trabalho é um novo desafio” 219.

         O novo ambiente, nesta Segunda Era, caracteriza-se, ainda, por uma
evolução contínua da Tecnologia da Informação e de suas aplicações. A
empresa, agora integrada, valendo-se da Tecnologia da Informação para




216
    Hammer & Champy (1994 : 67)
217
    idem ( 1994 : 72)
218
    Stage IV Report : The integration of Data, Text, Voice and Image”, DMR Group Inc. , Toronto, 1987
219
    Tapscott & Caston ( 1995 : 49)
131


“fornecer um quadro interativo e consolidado da operação inteira de uma
empresa para dar suporte à decisão por parte dos administradores seniores”220.

         Na primeira era os sistemas tradicionais (MIS – Management Information
Systems – Sistemas de Informação Gerencial SIG), eram elaborados para
fornecerem informações. Os envolvidos em processos de decisão buscavam as
informações em extensas listagens produzidas pelos MIS, a partir das bases de
dados das diversas “ilhas de informação”, constituídos pelos Sistemas
Transacionais ( TS ) - os quais recebem e       registram todas as transações
ocorridas (os, também chamados, sistemas estruturados).

         Na Segunda Era, o diferencial dos sistemas de informação passou a ser
o aspecto interativo e consolidado destes sistemas. Antepunha-se aos MIS e
aos DSS ( Decision Support Systems / Sistemas de auxilio à decisão) da
Primeira Era, os chamados EIS ( Executive Information System / Sistemas de
informação executiva ). Estes sistemas de informação procuram auxiliar na
tomada de decisão, aglutinando as informações esparsas dos MIS. Os EIS
“são planejados para coletar informações junto a diversas fontes da empresa e
produzem informações de fácil compreensão, on-line e informações gráficas,
com o propósito de dar suporte à tomada de decisões melhores por parte dos
executivos usuários. As informações acessadas através de um sistema EIS
podem cobrir todas as operações e divisões de uma empresa e podem até
mesmo alcançar dados produzidos externamente”221.

         "Enfim, nesta Segunda Era está sendo utilizado a Tecnologia da
Informação como um recurso estratégico, como um recurso necessário e
integrado à gestão do negócio"222,na qual “o novo paradigma tecnológico
propõe uma sociedade informatizada e automatizada, baseada nos avanços
tecnológicos da microeletrônica e computação e nas indústrias de alta
tecnologia ( robótica, semicondutores, lasers, biotecnologia, fibras óticas
etc.)”223.


220
    Tapscott & Caston (1995 : 95).
221
    idem (1995 : 95)
222
    Uhlmann (1998 : 102)
223
    Furlan (1991 : 2)
132


5.3 O Analista de Negócios e da Informação


            Procurou-se, ao longo deste trabalho, demonstrar a interação cada vez
mais acentuada das organizações com o meio ambiente. O enfoque,
inicialmente concebido no classicismo, seguia uma abordagem “interna”, ou
seja, a empresa era vista como quase que um sistema fechado. As
organizações, neste estágio ainda inicial, careciam de uma estrutura ( Enfoque
de Fayol e validação Racional Burocrática de Weber), bem como de processos
produtivos adequados ( Taylor / Ford).

            As mudanças do meio ambiente, ao longo deste século, fizeram com
que esta abordagem se ampliasse. Os desdobramentos verificados a partir das
mudanças da realidade do macroambiente passaram a exigir, cada vez mais, a
interação do sistema empresa com o sistema maior do qual fazem parte. O
papel das informações nesta nova realidade passou para uma dimensão até
então não sentida. A gestão destas informações, como não poderia deixar de
ser, também passou por uma evolução. Para a sua gestão, em uma
abordagem ainda clássica, contava-se com os profissionais de cunho técnico,
os chamados analistas de sistemas. A evolução, apresentada nos tópicos
anteriores, fez com que estes profissionais aglutinassem também os aspectos
voltados ao negócio, à sua gestão. A partir desta junção de funções passou-se
para um novo profissional, denominado de Analista de Negócios e da
Informação ou de CIO ( Chief Information Officer) pelos autores norte
americanos, os quais conferem-lhe com esta denominação até mesmo o status
devido em termos de hierarquia.

            Lenilson Naveira224 a partir de relato disponibilizado na INTERNET,
reafirma estas colocações ao sintetizar a atuação do CIO nesta nova realidade
do ambiente dos negócios:

            "As organizações com características típicas da Era Industrial - grandes,
rígidas,         burocratizadas,           padronizadas,           inflexíveis,       com      muitos        níveis


224
      Naveira, L (1998) Eng, Analista de Sistemas, Consultor de empresas e autor dos livros "A Quarta Onda : Os
      Rumos da Sociedade de Informação" e "Gerência da Vida : Reflexões Filosóficas"
133


hierárquicos, com acirrada competição interna - estão perdendo rapidamente a
competitividade, a participação no mercado, e saindo rapidamente do mundo
dos negócios. Por outro lado, começam a surgir com todo vigor novas
empresas e novos negócios. Empresas estas, mais flexíveis, dinâmicas,
automatizadas, enxutas, com poucos níveis hierárquicos, cultura cooperativa,
nova filosofia gerencial, novos paradigmas, produtos personalizados, novas
formas de organizar, motivar, controlar, delegar e competir (…) estabelecendo
(…) O NOVO PAPEL DOS GERENTES E EXECUTIVOS DO FUTURO e o
novo modelo de organização para o Século XXI"225.

            Evidencia-se, por conseguinte, uma nova visão do ‘Gerente’, que passa
de uma atuação como ‘controlador’ (típica do classicismo administrativo), para
uma atuação mais abrangente e estratégica. Entendendo estratégia como uma
contínua adaptação, sua e da organização à qual pertence, a uma realidade
externa em constante, e cada vez mais célere mutação. Em face da citada
velocidade, evidencia-se a necessidade de ferramentas que suportem esta
gestão, ora ampliada, na tomada de decisões, fornecendo-lhe tempestivamente
as informações requeridas. A Tecnologia da Informação passa a ser orientada
à obtenção de vantagens competitivas para os negócios, ou seja, como a
Tecnologia da Informação tem trazido retorno às organizações.

             A atuação deste 'novo' profissional pode ser entendida, por conseguinte,
como sendo de um estrategista, de um articulador ou agente adaptador da
organização, das pessoas e dos sistemas de informação envolvidos.

            José Roberto Saviani, em seu site na Internet, acrescenta que baseando
em sua vivência profissional, superior a 20 anos na área da Informática,
procurou, através de seu livro "Analista de Negócios e da Informação"226, dar
um alerta aos "profissionais para uma nova realidade de mercado". Realidade
para a qual, no seu entender, não estavam preparados, pois a "sensibilidade
junto ao negócio empresarial que nunca foi a característica marcante destes
profissionais, que sempre se interessaram única e exclusivamente pelo
hardware e o software existente, passou a ser nesta década de 90 fator

225
      Naveira, Lenilson (1998 )
226
      Saviani ( 1996)
134


prioritário". Para Saviani (1998) "o Analista de Negócios e da Informação 'troca
a roupagem tradicional voltada apenas à tecnologia e adiciona complementos
importantíssimos voltados aos alvos empresariais, a alavancagem dos
negócios".

       Cumpre ressaltar, ao conceituar-se um novo tipo de profissional que, ao
menos no Brasil, nem o profissional da TI 'tradicional' tem uma regulamentação
e Código de Ética Profissional.    O Jornal de PET da UEM ( Universidade
Estadual de Maringá) de outubro de 1996, informa a este respeito, em artigo
assinado por Alessandro & Simone, que reuniram-se em Brasília "entidades
como a SBC (Sociedade Brasileira de Computação), o ENEC (Executiva
Nacional de Estudantes de Computação), a ABINFO (Associação dos
Bacharéis de Informática) e a FENADADOS (Federação Nacional dos
Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de
Informática e Similares) a fim de discutirem e formularem um projeto de
regulamentação da profissão, sob encomenda do Deputado Roberto Santos,
substitutivo do Projeto de Lei No. 815 de 1996 do Deputado Silvio Abreu" - Este
projeto, até a data do encerramento desta pesquisa ainda não constava como
aprovado.

       O Projeto de Lei da Regulamentação da Profissão, em trâmite, "prevê o
nome da profissão de ‘Informata’ (podendo ser substituído por ‘Bacharel em
Ciência da Computação' ou 'Analista de Informação') e garante o livre exercício
das atividades da profissão, para qualquer cidadão, sem gerar reserva de
mercado. As atividades e atribuições dos profissionais de que trata esta lei
consistem em:

   •   planejamento, coordenação e execução de projetos de sistemas de
       informação que envolvam o processamento de dados ou a utilização de
       recursos de informática;
   •   elaboração de orçamentos e definições operacionais e funcionais de
       projetos e sistemas para processamento de dados, informática e
       automação;
   •   definição, estruturação, teste e simulação de programas e sistemas de
       informação;
135


       •    projetos de hardware; - projetos de software, elaboração e codificação
            de programas;
       •    estudos de viabilidade técnica e financeira para implantação de projetos
            e sistemas de informação, assim como máquinas e aparelhos de
            informática e automação;
       •    fiscalização, controle e operação de sistemas de processamento de
            dados que demandem acompanhamento especializado; - suporte
            técnico e consultoria especializada em informática e automação;
       •    estudos, análises, avaliações, vistorias, pareceres, perícias e auditorias
            de projetos e sistemas de informação;
       •    ensino, pesquisa, experimentação e divulgação tecnológica e
       •    qualquer outra atividade que, por sua natureza, se insira no âmbito da
            profissão"227.



           Analisando os tópicos alinhavados pelo Projeto de Lei No. 815 de 1996,
fica nítido o enfoque ‘tradicional’ dado à Informática, uma vez que ainda não lhe
foi conferida nenhuma conotação que remeta à Gestão Estratégica de
Negócios. Há de se salientar, ainda, as dificuldades que se evidenciam para a
elaboração de uma regulamentação profissional, com enfoque tradicional.
Afinal, a função se faz presente na gestão empresarial há décadas.
Extrapolando para uma atuação muito mais abrangente, ou seja, a sua
utilização        estratégica,      fomentadora   de   negócios,   pode-se   antever   os
obstáculos, ponderações e implicações - limitando estes aspectos, para fins
desta abordagem, somente às questões técnico-administrativas - a serem
consideradas na sua regulamentação, na constituição de seu Código de Ética.



           A nova abordagem deste profissional pode ser encontrada, também, no
artigo em PET da UEM "O Perfil do Profissional do Futuro"228, no qual afirma-
se que "as facilidades tecnológicas deixaram de ser uma opção e passaram a
ser uma questão de sobrevivência". A correlação com a nova visão da


227
      O Jornal de PET da UEM: 10/1996
228
      Rachel & Tatiane :10/1996
136


Tecnologia da Informação fica clara quando Rachel & Tatiane relatam que "os
executivos não podem se dar ao luxo de ignorar as tendências e exigências do
mercado, no qual se enquadra o conhecimento tecnológico". E, tal qual Saviani
(1998), concluem que " a informática não deve tratar exclusivamente de
processadores, software, protocolos de comunicação e outros assuntos
técnicos"229.

            A necessidade de um Analista de Negócios e da Informação não deve
ser entendida como uma questão resolvida e presente somente no Brasil. Uma
análise publicada em 4 de outubro de 1997 na Internet, sob o título
"Estruturação de Processos com Tecnologia da Informação230", afirma o abaixo
reproduzido em uma tradução interpretada :

            "Um dos graves problemas, embora nem sempre reconhecido, das
empresas alemãs é a Gestão das Informações. Este problema pode ser
resumido em dois pontos básicos:

            •   a Tecnologia da Informação ou Processamento de Dados, como
                ainda é chamado, atua como uma área relativamente autônoma,
                agindo com direitos fundamentados na complexidade tecnológica de
                sua atuação. A sua ação não está voltada a prestar serviços para
                toda a organização. O princípio da Tecnologia da Informação dirigida
                ao Negócio ( business-driven IT), não foi reconhecida ou seguida. A
                estratégia        da   Tecnologia   da   Informação   passa   a   ser   um
                departamento da organização que está voltado para oferecer a infra-
                -estrutura tecnológica para a efetuação dos negócios.

            •   falta de um CIO ( Chief Information Officer) ou a não compreensão da
                nova dimensão da sua atuação, seja por ainda acreditar que a
                Tecnologia da Informação ( TI ) seja erroneamente o antigo
                processamento de dados ou por ser eventualmente um pouco
                tecnofóbico. As informações são um dos, senão o principal, fatores
                chaves de sucesso das organizações. Torna-se, portanto, imperioso
                que se tenha uma estratégia única e harmônica para toda a

229
      Rachel & Tatiane :10/1996
137


                 organização. Situações contrastantes e conflitantes entre áreas da
                 organizações não podem ser suportadas por estas.

            A partir desta definição do problema emergem três campos de ação :

            •    a posição da TI nas organizações deve ser repensada. Trata-se de
                 questões estruturais fundamentais que devem ter em vista o
                 reconhecimento            do     valor      da      Informação         na      organização,
                 materializado na constituição de um CIO;

            •    a estruturação da organização da TI, propriamente dita, inclusive
                 decisões sobre terceirizações de partes desta. Ressalte-se a
                 validade dos princípios gerais norteadores: as decisões de comprar
                 ou produzir. Porém, nem sempre, as áreas estratégicas da TI devem
                 permanecer na organização. A execução (o "doing") pode ser
                 realizado externamente, no entanto, o 'o que e o como fazer' ( "what
                 and how to do") precisa permanecer na organização. A não
                 observância deste quesito leva a uma dependência do parceiro
                 externo de conseqüências pesadas e onerosas, culminando na não
                 existência da parceria, e

            •    os processos internos da área de TI, bem como da área de TI com os
                 seus clientes internos ( eventualmente também externos), devem ser
                 definidos. As relações de autoridade e responsabilidade necessitam
                 ser precisamente estabelecidas, para que mormente nos pontos de
                 interfaceamento seja minimizado o potencial de conflito"231.

            A partir destas constatações, fica evidenciada esta nova e ampliada
posição de CIO do antigo e tradicional Gerente de Sistemas ou Diretor de
Informática. Saviani (1998), em sua Home Page refere-se a este novo cargo,
ou função, como "O C.I.O. (e aí o nome do cargo pouco importa, mas sim, suas
missões adequadas à modernidade da informática como propulsora dos
negócios empresariais) deve possuir características que o identifiquem como


230
      Kuppinger, Martin (1998)
231
       Uhlmann, Günter W. (Trad.). Processos com TI. do original IT - Prozesse Strukturieren, Internet. Guarulhos:
      UnG/CET (reprod.), 1998.
138


um líder da Tecnologia da Informação utilizando-a como elemento de
competitividade".

            O C.I.O, profissional alocado no estrato hierárquico estratégico, assume
ainda a incumbência de elaborar o PDI ( Plano Diretor de Informática - O
Planejamento estratégico da Informática). Ao concebê-lo, estará, na verdade,
incumbindo-se de concretizar o Planejamento Estratégico Corporativo, o qual
foi por Saviani (1998) chamado de " 'sonhos empresariais' de cada
organização"232.

            O CIO, estando alocado no cume da pirâmide organizacional, deve
reportar-se, numa constelação idealizada por Michael Earl (15/7/1998), "ao
CEO (Chief Executive Officer) ou ao COO ( Chief Organization Officer), porque
a TI está no cerne do caminho pelo qual fazemos negócios"233. O CIO, ao
estar em um nível hierárquico elevado, aliado a um acompanhamento contínuo
dos avanços tecnológicos da TI e portador de amplos conhecimentos do
comportamento humano, além de conhecimentos de outras áreas do saber,
tem com esta constelação de conhecimentos a possibilidade de, na velocidade
requerida, promover as adaptações dos processos da sua organização.

            Frente a isso, Saviani (1998) afirma que "o C.I.O. utiliza a intuição com
sabedoria, cultura e pluralidade, age com criatividade, entende as pessoas, usa
com equilíbrio sua inteligência emocional e tem na ecleticidade sua visão
global". Em termos conclusivos, deve portanto este novo profissional dominar
áreas como marketing, finanças, negócios e mercado, aliando a estas uma
base de conhecimentos da TI que lhe dê a sustentação tecnológica,
conhecimentos estes que lhe permitirão assumir a função de CIO ou Analista
de Negócios e da Informação .

            A Revista Exame refere-se ao Analista de Negócios e da Informação
como "Tecno Poderoso"234 e o descreve, de maneira similar e direta, como
sendo "descendente direto do velho diretor de informática, o novo executivo
está para o anterior como o homo sapiens para o homo erectus. É maior, mais

232
      Saviani ( Internet 1998)
233
      Paul, Lauren G. The Realm of Possibilities. CIO Magazine. Internet, 15/07/1998.
234
      Martins (1997)
139


ágil e mais versátil. Logo, mais eficiente e competitivo. Faz melhor o que o
outro já fazia — cuidar dos computadores —, mas, por imposição do novo
ambiente concorrencial, é obrigado a fazer muito mais. Nos Estados Unidos ele
existe há 10 anos e é chamado de CIO, Chief Information Officer. Seu hábitat
natural é o comitê executivo das grandes empresas, onde opera em pé de
igualdade com diretores financeiros e operacionais. É um homem (ou mulher)
de negócios que entende profundamente a tecnologia. Deixou de ser o técnico
bitolado que respondia apenas por seu milímetro quadrado de especialidade.
Está envolvido até os cabelos com o negócio principal da empresa, qualquer
que ele seja"235. Salienta esta mesma reportagem ainda que "é uma das
poucas funções em que as vagas são mais numerosas do que os candidatos.
Existe abundância de profissionais de informática no velho estilo, sem vocação
ou experiência para influir nos negócios. Sobram também administradores ou
especialistas em marketing incapazes de soletrar a palavra software"236.

         Procurou-se, neste trabalho demonstrar, a necessidade de um
profissional, adequado à realidade presente, que assumisse a gestão dos
sistemas de informação integrados com a gestão do negócio, propriamente
dito. Uma atuação, portanto, deste profissional que pode ser sintetizada nas
palavras de José Roberto dos Santos CIO da Philips do Brasil, referindo-se à
sua equipe profissional: “Nossos analistas deixaram de pensar na informática
como save money e estão fortemente trabalhando na idéia de make money ;
isto só é possível com um pessoal com o perfil voltado para negócios. Com
tudo isso, realmente temos feito a transformação para uma informática
vencedora” 237

         A partir deste depoimento, pode-se depreender a necessidade dos
profissionais da área terem uma visão da empresa enquanto sistema aberto
inserido no macroambiente. E, entenderem as pessoas como elementos
participantes e comprometidos com os processos que, constituem a
organização à qual pertencem. Comprometidos e não mais agindo como



235
     Martins, Ivan. Os Tecno Poderosos .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos
    90, 1997
236
    idem (1997)
237
    Saviani (1996 : 11)
140


autômatos, regidos por frias normas burocráticas das antigas concepções
organizacionais.

         Portanto, “não é mais possível o desenvolvimento de sistemas, sem que
a atividade fim, o 'negócio' da organização, seja dominado profundamente por
todos os seus colaboradores e principalmente por aqueles profissionais
responsáveis pelos sistemas de informação”238 . Nesse sentido, Torres reafirma
igualmente esta importância de se considerar o “planejamento de uso das
tecnologias de informação orientadas para as questões estratégicas da
organização, além de sua operação normal. Para tanto é necessário um
trabalho de análise do seu posicionamento estratégico, sua estrutura interna,
sistemas e métodos de trabalho, bem como dos fluxos atuais de
informações”239.

         Thomas Malone (1997) coloca a este respeito que "o CIO do século 21
fará talvez mais arquitetura organizacional que arquitetura de sistemas de
informação. Irá ele ajudar a conceber a (…)nova modelagem organizacional
tendo em vista padrões hoje tidos como não convencionais"240. Afirma ainda
que "os melhores CIOs agirão como modeladores organizacionais pró-ativos,
não se limitarão a implantar os desejos dos CEOs (Chief Executive Officer) ou
de outros executivos, mas sim, irão contribuir sugerindo novas concepções
baseadas no uso das novas tecnologias da Informação"241. Drucker (1997)
arremata, "é tempo de aprender que o pêndulo entre foco na tecnologia ou na
informação pende para a informação"242.

         O sistema de informações, sendo subsistema do sistema empresa,
observada a requerida sinergia entre os componentes de um sistema, deve
contribuir com os objetivos finais do sistema. O avanço da Tecnologia da
Informação fez com que esta seja considerada, hoje, “cada vez mais, um dos
principais elementos estratégicos de qualquer organização” 243. Acredita-se que
com estas tantas constatações e depoimentos ficar evidenciado o fato de a


238
    Saviani (1996 : 13)
239
    Torres (1994: XXXI)
240
    Pastore, Richard. Just Thinkin' About Tomorrow. CIO Magazine. Internet, 15/03/1997.
241
    Idem Internet,15/03/1997
242
    Drucker, P. & Davenport, T. A Meeting of the Minds. CIO Magazine. Internet, 15/09/1997.
243
    Torres (1994, XXXI)
141


sobrevivência das organizações, dentro do contexto contemporâneo, depender
da eficácia do sistema de informações e de seus processos organizacionais.

            Resumindo, os Sistemas de Informação são ferramentas estratégicas
de gestão, muito mais que meros “computadores que servem para mecanizar
rotinas administrativa”244, concebidos e gerenciados por um profissional que
enfoca tanto a TI como o Negócio. Este profissional terá por incumbência a
contínua atualização dos sistemas, fazendo com que os antigos “sistemas
baseados em papéis, processos burocráticos de aprovação, atividades
administrativas de mão-de-obra intensivas, ciclos de processamento em batch,
e processos decisórios de múltiplas camadas, estão sendo substituídos pela
captação de dados junto a fontes, processamento integrado de transações,
intercâmbio eletrônico de dados, sistemas em tempo real, suporte decisório
on-line,         sistemas            de   gerenciamento   de   documentos   e   sistemas
especialistas”245, enfim ferramenta de TI à disposição do Analista de Negócios
e da Informação ( fig. 19).




244
      Torres (1994 XXXI)
245
      Tapscott & Caston ( 1995: 7)
142


Quadro demonstrativo da amplitude da informática contemporânea.

  Identificação clara da filosofia administrativa e de capacitação da empresa

     Análise das estratégias de crescimento e fortalecimento da empresa


    Análise do                     Análise da                  Análise da
  posicionamento                  informação                 estrutura interna
   estratégico da                 na empresa                   da empresa
      empresa


                                Planejar o uso              Avaliando possíveis
                               das tecnologias               impactos sobre a
                              de informações na                   estrutura
                              empresa visando:                organizacional


 o aumento da                               a integração         a facilitação e
competitividade      a sobrevivência       operacional e         dinamismo do
  da empresa           da empresa          organizacional           trabalho
                                            da empresa

Fig. 19) A amplitude da informática contemporânea aplicada à gestão dos
negócios. Fonte Tabela extraída de Torres (1994, p.XXXII)
143


6.0   O Analista de Negócios e da Informação e os Princípios
      de Gestão


      Pretende-se com o presente capítulo esboçar uma constelação do
ambiente organizacional no qual o Analista de Negócios e da Informação irá
atuar. Partindo de definições básicas relativas à informática, procurar-se-á
delimitar um modelo de planejamento estratégico da TI, procurando enfocar
mais uma vez a amplitude desta enquanto elemento chave de sucesso da
organização. Relativo ainda ao planejamento estratégico, considera-se como
embutido neste conceito, o enfoque dado em todo este trabalho, ou seja, a
interação entre a Tecnologia da Informação e os processos organizacionais, o
também assim chamado modelo do negócio. Entende-se ainda a necessidade
para que se componha a amplitude da atuação do profissional, escopo deste
trabalho, de serem traçadas algumas considerações, ainda que básicas,
concernentes à gestão das pessoas.




Conceitos e definições básicas na gestão da Informática



      “A Informática pode ser entendida como sendo a ciência do
processamento de dados por intermédio de computadores eletrônicos ( HW -
Hardware), de maneira racional e estruturada por programas ( SW - Software),
elaborados a partir e com os conhecimentos das pessoas ( Peopleware) no
afã   de se obter informações de maneira automática . ( INFORmações +
autoMÁTICA ).
      Este processamento pode ser realizado por equipamentos de grande
porte ( Mainframes ou HOST ),        empregados, em face dos altos custos
envolvidos, por grandes organizações tais como:- instituições financeiras, -
conglomerados empresariais e órgãos governamentais; como, também, por
equipamentos de pequeno porte chamados de Microcomputadores (chamado
DOWSIZING, ou seja migrar para plataformas menores), que podem ser
interligados em REDE    controlada, 'gerenciada', por um Microcomputador
144


(geralmente de maior capacidade) chamado de Servidor da Rede, a custos
acessíveis a organizações menores. Convém lembrar, ainda, que estas redes
de microcomputadores podem ser interligadas, ou mesmo conectadas, a um
Mainframe ( HOST ).
         A necessidade de se manter um Sistemas de Informação é
incontestável, pois a empresa “ilhada, tal qual um sistema fechado já não se
concebe”246. Neste sentido, os Sistemas de Informação podem ser definidos
como : “(…) todo o processo de transformação de dados em informações. E
quando esse processo está voltado para a geração de informações que são
necessárias e utilizadas no processo decisório da empresa, diz-se que esse é
um sistema de informações gerenciais”247.
         A exatidão e a pronta disponibilidade 'just in time' das informações são
requisitos básicos para que as empresas alcancem os objetivos para os quais
foram constituídas. Em um mercado globalizado e concorrido, a rapidez e o
pronto atendimento dos clientes são, com toda a certeza, fatores críticos do
sucesso de uma empresa.
         Ampliando este conceito, pode-se entender o processo administrativo
como sendo um processo decisório, ou seja, a escolha entre vários caminhos e
várias alternativas, cada qual levando a um resultado que irá influenciar, ou até
mesmo determinar, o resultado global da organização.


         Os benefícios destes sistemas para as organizações são apresentadas
por Oliveira (1997)248, como sendo:
•     redução dos custos das operações;
•     melhoria no acesso às informações, propiciando relatórios mais precisos e
      rápidos, com menor esforço;
•     melhoria na produtividade;
•     melhoria nos serviços realizados e oferecidos;
•     melhoria na tomada de decisões, por meio do fornecimento de informações
      mais rápidas e precisas;
•     estímulo de maior interação entre os tomadores de decisão;


246
    Uhlmann (1997: 190)
247
    Oliveira (1997: 47)
248
    idem (1997 : 50)
145


•    fornecimento de melhores projeções dos efeitos das decisões;
•    melhoria na estrutura organizacional, para facilitar o fluxo de informações;
•    melhoria da estrutura de poder, proporcionando maior poder para aqueles
     que entendem e controlam o sistema;
•    redução do grau de centralização de decisões da empresa e
•    melhoria na adaptação da empresa para enfrentar os acontecimentos não
     previstos.
        Cumpre ressaltar, no entanto, a necessidade de adequação das
informações, pois sua tipificação, estrutura e seu conteúdo são específicos
para cada estrato organizacional (tab. 19). Para o nível estratégico de uma
empresa há um leque de exigências, completamente diverso                  do nível
operacional, em face da abrangência das decisões tomadas. Enquanto um
diretor busca o posicionamento estratégico da empresa perante os seus
concorrentes, um comprador, por exemplo, terá de se preocupar com o detalhe
do tipo, prazo de entrega, preço, prazo de pagamento etc.


    Característica          Operacional           Tático        Estratégico
Fontes                Predominam             as            Predominam as
                      Internas                             Externas
Âmbito                Bem         Definido   e             Muito Amplo
                      Delimitado
Nível Agregação       Detalhado                            Agregado
Horizonte             Histórico                            Futuro
Temporal
Atualização           Grande atualização                   Atualização desejável
Exatidão             / Grande                              Menor
Precisão
Freqüência de uso Muito freqüente                          Freqüência menor


Tab. 19) As necessidades de informações por estrato hierárquico.
Adaptado a partir de Stoner ( 1985, p.437)
146


6.1 O planejamento da Informática


“Nós nunca temos tempo para fazer algo certo na primeira vez, mas nós
sempre temos tempo para fazê-lo novamente” 249.


             Em face da amplitude e da abrangência dos Sistemas de Informação,
pode-se entender como fundamental a elaboração de um Planejamento,
sistematizado e eficaz, das atividades correlacionadas, coordenando o
Planejamento da informática com o Planejamento Estratégico da Organização,
seguindo os objetivos desta no afã de minimizar o risco de erro na tomada de
decisão.
            O Planejamento em questão, conforme a SPE (Sociedade Brasileira de
Planejamento Empresarial) tem por objetivo:
•      avaliar as perspectivas a curto, médio e longo prazo;
•      agir sobre o mercado;
•      desenvolver diferenciais competitivos;
•      antecipar-se a situações desfavoráveis;
•      criar participação no mercado e
•      desenvolver serviços e produtos adequados ao mercado.


            Furlan250    enumera   as   razões   e,   conseqüentes,   objetivos   do
Planejamento Estratégico de Sistemas de Informação, como sendo:
•      investigar as oportunidades de ganho de vantagens competitivas por meio
       do melhor uso de tecnologias;
•      estabelecer objetivos e fatores críticos de sucesso para a empresa;
•      facilitar a consecução dos objetivos empresariais por meio da análise de
       seus fatores críticos de sucesso;
•      determinar quais informações podem auxiliar a gerência a realizar melhor o
       seu trabalho;
•      priorizar a construção de Sistemas de Informação em função das
       necessidades da empresa;


249
      Furlan (1991: 5)
250
      idem (1991: 7)
147


•      criar um modelo funcional e de dados do negócio;
•      subdividir o modelo funcional de negócios para a utilização posterior na fase
       de Análise da Área de Negócio;
•      determinar qual(is) área (s) de um negócio deve(m) ser analisada(s)
       primeiro e
•      permitir à alta administração visualizar o negócio em termos dos objetivos,
       funções,       informações,   fatores   críticos   de   sucesso   e   estrutura
       organizacional.


               A partir dos tópicos citados, fica evidenciado o uso estratégico da
       Tecnologia da Informação, ou seja, o uso desta para a viabilização e para a
       sobrevivência da organização, usada como “um dos principais elementos de
       integração operacional e organizacional, além de facilitar e dinamizar o
       trabalho do nível funcional”251 . Observando-se este posicionamento, torna-
       se perceptível que ele não se limita à compra, ao leasing ou outra
       modalidade de aquisição, de algum tipo de equipamento, mas sim de um
       conjunto formado por :
• Hardware – os equipamentos com toda a infra estrutura relacionada e o
      projeto de segurança física;
• Software – os programas onde se incluem, o SW aplicativo, o SW base
      (“ambiente”) o SW de comunicação quando for o caso, o Banco de Dados, e
      o Projeto de segurança lógica e
• Peopleware -              as pessoas envolvidas, sejam da informática, sejam os
      usuários. Há, portanto, de ser considerado um projeto de treinamento destas
      pessoas na tecnologia, e na modelagem organizacional selecionada.
           O processo de planejamento, em questão, redunda no chamado Plano
Diretor de Informática ( PDI ).




251
      Torres (1994:.XXXI)
148




     Filosofia de                    Pesquisa das aplicações                     Levantamento de
    informações e                       potenciais para as                           dados da
   diretrizes gerais                tecnologias de informações                    situação atual




                                    Seleção e priorização de aplicações




  Projeto básico de sistemas e de                                Projeto e dimensionamento dos
   integração das tecnologias de                                          recursos técnicos
            informações




Projeto de segurança e                  Projeto físico do                        Demais aspectos
e auditoria de sistemas               CPD e instalações                          organizacionais
       e dados                             periféricas



      Avaliação                             Plano de                             Documentação e
economico-financeira                    implementação                               conclusão
      do projeto                          e avaliação
149


Fig. 20) O Processo do planejamento estratégico da Informática. Fonte
Torres (1994, p. XXXIII)

            O Planejamento Estratégico de Sistemas de Informação deve refletir as
funções e dados necessários para suportar o negócio, os objetivos, os fatores
críticos do sucesso e as necessidades de informação da alta administração da
empresa ( fig. 20). Assim sendo, temos o uso da Tecnologia da Informação
para criar novas oportunidades e vantagens competitivas. Nesse sentido, o
Planejamento Estratégico é condicionado a responder as perguntas :


• Onde estamos?
• Para onde iremos?
• Como iremos?


            Para o atendimento deste questionamento, a Administração Estratégica
apresenta ferramentas em forma de check-list, passo a passo, a partir dos
Fatores - Chaves de Sucesso. Estes fatores, chave de sucesso, (FCS) podem
ser entendidos como aqueles que são “fundamentais para o sucesso no ramo
objeto de análise”252. São, portanto, aqueles que se não atendidos, irão
comprometer os resultados da organização, em face de seus relacionamentos
com o macroambiente, pois, para a organização, as expectativas e exigências
ambientais constituem objeto de análise.


            Segundo Torres (1994)253, os FCS se caracterizam por serem :
                 •    Poucos;
                 •    de vital importância para a organização;
                 •    diferenciadores entre as organizações;
                 •    característicos de cada ramo de negócio;
                 •    estarem distribuídos entre os processos da organização e
                 •    baseados nas necessidades/exigências dos clientes




252
      Torres ( 1994 : 55)
253
      idem ( 1994 : 57)
150


            Esquematicamente, pode-se conceber a busca e entendimento dos
Fatores Chaves de Sucesso ( FCS ) a partir das suas influências conforme o
quadro ( fig. 21).
Chaves de Sucesso

                                      Necessidades Básicas dos Clientes

           ONDE                      Relações da Empresa com o Mercado

       PROCURAR                        Processos, Tecnologias e Custos

        FATORES-                          Análise dos Insumos Vitais

      CHAVES DE                  Capacidade da Produção ( Atender a Demanda)

        SUCESSO                        Estrutura e Capacidade Financeira

                                  Relações da Empresa com o Macroambiente

Fig. 21) Os Fatores Chaves de Sucesso. Fonte Torres ( 1994, p.58)




            Resumindo a questão dos Fatores Chaves de Sucesso, pode-se
conceber que embora o processo de sua detecção e análise “possa parecer
longo, e demasiado exaustivo, deve-se lembrar que uma aplicação estratégica
pode trazer resultados tão importantes que compensam, em muito, o esforço
dispendido”254.


            Sistemas de Informação e Planejamento Estratégico da Empresa.

            Processo de                                       Análise
           planejamento                                      especifica
             estratégico                                    do ramo e da
                                                              industria


                                FATORES - CHAVES
                                       DE
                                    SUCESSO


254
      Torres (1994 : 66)
151




                                Apoio das tecnologias de
                              informação para aumento da
                            competitividade da empresa nos
                             Fatores - Chaves de Sucesso

Fig. 22) A interligação entre o Planejamento Estratégico corporativos e o
dos Sistemas de Informação. Fonte Torres (1994, p. 66)




6.2 Informática : Organização e seus modelos de Gestão


            Como qualquer outra área das organizações, a Informática requer
também um modelo organizacional, em termos estruturais e de modelo de
gestão. E isto porque a organização pode ser definida como sendo “a
ordenação e agrupamento de atividades e recursos, visando o alcance dos
objetivos e resultados estabelecidos”255. Administração, por seu turno, já foi
conceituado como "a atividade que leva a que determinados objetivos sejam
alcançados, através, e com pessoas ou, nas palavras de M.P.Follet, a arte de
se conseguir que as pessoas façam as coisas 256 “.




255
      Oliveira (1997: 80)
256
      Uhlmann (1997 :19)
152


Modelos de Gestão257



          Numa concepção estratégica, a abordagem administrativa passa a
“possuir uma perspectiva de interação com o ambiente”258 . A opção
estratégica requer, como passo contínuo, uma disposição de se reajustar
(adaptar) às ações, de tal modo, que se tenha a satisfação das expectativas
do ambiente - entendendo este como sendo o coletivo dos 'clientes' internos ou
externos. Em outras palavras, torna-se “um processo contínuo de adaptação às
diferentes situações ou contingências que acontecem no ambiente interno e
              259
externo”            . Portanto, um modelo estratégico tem sua essência calcada na
gestão das pessoas, envolvendo e promovendo a participação e o
comprometimento de todos, na busca constante de modelos, métodos e
processos que melhor se ajustem a cada situação.

          A atividade de se procurar obter a pessoa mais adequada para a
execução de determinadas tarefas remonta aos tempos 'pré-históricos'. Há
autores, tais como Toledo, que identificaram, já nesta fase histórica, indícios de
seleção de indivíduos conforme suas aptidões. A finalidade desta seleção era
evidentemente para as atividades da época, tais como a caça, pesca, defesa
etc.

          Avançando na linha do tempo, pode-se continuar a identificar esta ação
coordenadora em toda a gestão dos Estados da Antigüidade e da Idade Media,
sobretudo nas organizações das estruturas militares (Quem não se lembra da
organização do Exército Romano ?) e das estruturas de cunho religioso - a
organização da Igreja Católica pode ser um exemplo ocidental de todos
conhecido.

          A organização da Sociedade Industrial, das organizações empresariais,
com o surgimento do pensamento Administrativo Clássico (Taylor, Fayol,



257
    idem (1998 : 129-137)
258
    Simcsik, vol I (1992 :100)
259
    idem, vol I (1992 :101)
153


Weber), recebeu uma estrutura fortemente inspirada nos modelos de
organização até então conhecidos - a Militar e a Igreja.

      A segmentação em grupos dominantes ( O dono, o detentor do capital,
os tecnocratas, ou os burocratas na concepção Weberiana de poder ) e em
grupos dominados. Os dominados eram representados pelos executantes, por
aqueles que realizavam as tarefas mais singelas, ou seja, executavam o que
lhes era imposto pelo grupo dominante.

      A hierarquização daí resultante, bem como a divisão do trabalho
concebida pelo liberalismo de Adam Smith, e pelas Teorias de Administração
Clássicas efetivamente aplicados, fizeram com que o fosso da separação entre
dominantes e dominados se alargasse e aprofundasse.

      A perda de conhecimentos e conseqüente revolta das classes
dominadas, entre outros desdobramentos negativos, fizeram com que mais um
papel da Administração dos Recursos Humanos se desenhasse: o papel de
amortecer o choque entre dominados e dominantes, em face de seus
interesses diametralmente opostos. Não se pretende, neste momento, explorar
os desdobramentos sociais daí decorrentes - tal como a vertente do
pensamento socialista. Pretende-se, isto sim, concentrar o foco da análise no
papel do RH, enquanto agente a serviço da democratização das organizações
que avocou, a si, o papel de “Libertário” do jugo opressor.

      Assim sendo, pode-se já enxergar o RH atuando no seu papel, que até
o presente momento ainda se encontra, ou seja, o de gerir o patrimônio
humano. As funções técnicas básicas como a seleção, o treinamento, a
administração de salários são uma evolução maior, no sentido de dotar as
organizações de um clima propício à produtividade dos recursos humanos, à
promoção de atividades que redundem na satisfação das necessidades das
pessoas, concernentes ao bem estar material e emocional, ou seja,
promovendo ações motivacionais, procurou-se obter a eficácia da organização.

      A partir deste objetivo, de obtenção da eficácia organizacional, pode-se
procurar sintetizar uma Estratégia Universal da Gestão dos Recursos
Humanos,    caracterizando    sua   atuação    com   enfoque   na   democracia
154


organizacional, para que se obtenha a Autonomia e o Autocontrole das
pessoas:

Autonomia – das pessoas, ou seja, respeitar e serem respeitadas, permitindo,
com e a partir deste respeito, aliado à sua capacitação, poderem exercer suas
atividades em um ambiente caracterizado pela independência responsável. (
atividade também conhecida como empowerment).

Autocontrole - ou seja, fazer com que cada pessoa possa aferir sua própria
conduta e rendimento, para que se possa manter a autonomia obtida. Cumpre
ressaltar, com relação a este aspecto, o destacado papel, de suma
importância, da               Informação, ou seja, dos   objetivos. Para que haja o
autocontrole, é necessário que cada um saiba para “onde ir” e ter as
informações necessárias no que concerne à execução, ou seja, o “como estou
indo”.

            Em face dos padrões estabelecidos pelo comportamentalismo (Teoria
Comportamental ou Behaviorista), permanece a estratégia universal da gestão
de RH fiel, ao já citado individualismo, à singularidade do ser humano.

            O modelo de gestão, assim concebido, pode ser sintetizado como o
adotado pelo movimento do Desenvolvimento Organizacional (DO), que, se
aplicado, analisa as organizações no afã de identificar condições restritivas ao
Desenvolvimento, à Motivação e à Sinergia das pessoas tais como:

            •    modelos rígidos, autocráticos, típicos dos modelos de gestão
                 clássicos. (A abordagem expressa por McGregor260 na por ele
                 chamada teoria X);

            •    modelos burocráticos, com enfoque em Planejamento e Controle,
                 modelos conhecidos pelos autores americanos como “Comand and
                 Control com raízes nas burocracias eclesiásticas e militares dos
                 tempos passados”261 e




260
      (cf. Uhlmann 1997)
261
      Tapscott & Caston (1995 : 13)
155


            •    sistemas de Informações/Comunicação deficientes, em face da
                 necessidade de se prover as pessoas de informações, não somente
                 para o processo decisório de sua responsabilidade, mas sim,
                 também, ao seu processo de autocontrole.

            A operacionalização desta ação do Desenvolvimento Organizacional, de
transformar uma Organização Clássica em uma organização adequada aos
padrões da nova era, da era da globalização, tendo um enfoque estratégico no
cliente e da concorrência acirrada, passa por atividades tais como:

            •    mentalizar os novos conceitos, abordagens e estratégias (pelas
                 pessoas de todos os níveis hierárquicos) por meio de cursos,
                 palestras, seminários etc.;

            •    democratizar o poder - A migração do poder burocrático, opressivo e
                 alienante para modelos de gestão participativos;

            •    criar condições favoráveis ao auto-desenvolvimento, à autonomia e
                 ao auto-controle das pessoas.

            •    estimular a criatividade;

            •    estabelecer ações que culminem na efetividade das comunicações e

            •    dar ênfase aos trabalhos em equipe,

Por sua vez, as ações desses tópicos remetem a:

            •    estimular os indivíduos para que tenham e assumam com
                 responsabilidade a já citada autonomia;

            •    alijar as pessoas da “aparentemente interminável batalha entre
                 “feudos” e políticas organizacionais” 262;

            •    eliminar   o   enfoque      das   pessoas    na   luta   alienadora,   pela
                 sobrevivência e permanência na organização, ou seja, na luta pela


262
      idem (1995 : 14)
156


                manutenção do emprego, o qual, até no mais participativo dos
                modelos, não lhes pertence - não lhes é 'eterno'; e

                're-enfocar' o engajamento, a abordagem das pessoas, muitas vezes
                com a visão turva em razão da submissão ao                “para ter” o
                indispensável para viver ( a submissão, o medo, o “… se não fizer
                aquilo, então …!”), em favor do desenvolvimento do “ser mais”. Este
                “ser mais”, em última análise, na Sociedade do Conhecimento de
                Drucker (1997), acaba por solidificar a posição da pessoa na
                organização.    Afirma Drucker (1997) a este respeito, que “as
                atividades centrais de criação de riqueza não serão nem a alocação
                de capital para usos produtivos, nem a 'mão-de-obra' – os dois pólos
                da teoria econômica dos séculos dezenove e vinte, quer ela seja
                clássica, marxista, keynesiana ou neoclássica. Hoje o valor é criado
                pela 'produtividade' e pela 'inovação', que são aplicações do
                                            263
                conhecimento ao trabalho”         . Com relação ao gerente, responsável
                pela obtenção de resultados - de ver a meta atingida - de atingir
                objetivos por meio de e com pessoas, na atualidade ”é responsável
                pela aplicação e pelo desempenho do conhecimento”264, visão
                semelhante à do behaviorista Abraham Maslow, no patamar de auto-
                realização em sua escala das necessidades humanas265.

            Em termos de conclusão, acerca da gestão dos recursos humanos,
pode-se, ao cabo dos aspectos apresentados, chegar a uma visão muito mais
abrangente do problema do que o inicialmente concebido. A gestão dos
Recursos Humanos, inicialmente limitada à simples condução e seleção das
pessoas, passou para uma dimensão que envolve tanto os aspectos evolutivos
do macroambiente, da realidade, como o da adequação das organizações a
esta nova realidade.

            Os fatores acelerativos das mudanças estruturais, quer sejam
tecnológicas, sociais ou econômicas, não passaram, como não poderiam, do
lado da gestão dos Recursos Humanos. As mudanças da sociedade, advindas

263
      Drucker (1997 : XVI)
264
      idem (1997 : 23)
157


de influências surgidas no próprio sistema social em face dos fatores
acelerativos citados, bem como de influências externas, advindas de outras, e
até mesmo, longínquas sociedades. Os valores e os fatores provenientes de
outras sociedades, ou seja, os seus modelos e valores influenciaram, e
continuam influenciando, cada vez mais, em face da própria globalização, a
gestão dos RH.

         O distanciamento entre os Modelos Organizacionais Ocidentais típicos e
tradicionais se torna realidade. As estruturas e condutas, fundadas na
administração burocrática, ou seja, “um tipo de poder ou de dominação”266,
como entendeu Max Weber, tiveram de ser reavaliados. Embora baseadas em
um poder legal ou racional, dotadas de racionalidade e lógica, tiveram de ser
repensadas. O citado poder legal de largo uso nos conceitos da organização de
concepção taylorista ortodoxa acaba por transformar-se em obstáculo à
realização de ações ágeis e enfocadas no cliente, pois ao enfocarem a figura
do chefe “titular” deste poder, relegam para um segundo plano o cliente.

         A pessoa, enquanto ser humano, com as suas características próprias e
os seus conhecimentos, vista somente como uma ferramenta, como um agente
de execução, como mera “mão-de-obra”, acaba por ser subutilizada. Esta
constatação se deve ao fato da Administração Clássica valer-se das pessoas
como simples agentes executores de tarefas, desprezando o seu intelecto, a
sua capacidade intelectual.

         Neste sentido, urgia uma revisão desta abordagem, pois a contribuição
das pessoas para a organização, em termos de produtividade, era tolhida e
limitada. A ampliação do horizonte da organização, o entendimento desta como
um sistema aberto que tem por finalidade “criar o seu cliente”267 enxergado
neste cliente seu alicerce para que haja o eficaz cumprimento da sua “primeira
responsabilidade - o desempenho econômico, pois uma empresa que não




265
    (cf. Uhlmann 1997)
266
    Motta & Pereira (1988 : 20)
267
    Drucker (1998 : 56)
158


apresenta um lucro no mínimo igual ao seu custo de capital é socialmente
irresponsável”268.

         Passando a entender esta pessoa por inteiro - de maneira holística - não
tardará a que se chegue à conclusão de que esta não 'vive' isolada dentro da
organização. Na verdade, interage com a organização, mesclando seus
próprios interesses e propósitos com interesses voltados ao ambiente
burocrático - entendendo “burocracia ou poder burocrático (…) como as
organizações burocráticas” 269.

         Com esta visão das pessoas e da empresa como um sistema, ou seja,
um conjunto estruturado de elementos interdependentes, para a consecução
de um propósito, inicia-se um processo de formação de um novo conceito. A
necessária sinergia, para se alcançar a homeostase dinâmica           do sistema
empresa, confirma que este, como todos os sistemas, faz parte de um sistema
maior (mercado, concorrentes, economia local, global etc.) com o qual interage
de modo contínuo. Fornece e recebe impulsos acelerativos de mudanças; e
este equilíbrio é almejado e alcançado, não por 'heróis solitários' ou 'salvadores
da Pátria', mas sim, com o concurso de todos os seus participantes da equipe.

         “Os membros da equipe são unidos por uma visão comum que permeia
todas as partes da empresa. Pessoas são providas de poder decisório
(empowerment) para agir, e o fazem com responsabilidade e criatividade.
liberadas do controle burocrático. As pessoas tomam iniciativas, e até
assumem riscos, para poderem aproximar-se dos clientes e trabalhar mais
produtivamente. Elas são motivadas umas pelas outras no sentido de alcançar
metas de equipe, em vez de satisfazer superiores. Na presença de interesses
comuns, que são imediatos e claros, a cooperação floresce”270 .



Modelo Organizacional




268
    idem (1998 : 70)
269
    Motta & Pereira (1988 : 20)
270
    Tapscott & Caston (1995 : 16)
159


            Afirma Drucker (1998) que “o planejamento da organização precisa partir
da 'organização ideal', isto é , de um quadro conceitual. É preciso haver um
trabalho cuidadoso para a escolha dos princípios estruturais. Esse trabalho
deve partir da finalidade da empresa, seus objetivos, estratégias, prioridade e
atividades básicas. Mas, não há qualquer princípio de planejamento
organizacional de aplicação universal. Não há um princípio desses que seja o
melhor de todos. Cada princípio tem suas exigências e também graves
limitações. Cada um tem sua esfera de ação limitada; nenhum abrange em um
só esquema os trabalhos operacionais, os que competem à alta administração
e os relacionados às inovações. Em toda a sua complexidade, portanto, a
realidade da empresa precisa ser perscrutada ao planejar-se sua estrutura. Ela
precisa ser entendida”271. O que importa, portanto, de uma maneira muito
simplista, é o fato de ela ser adequada, de ela 'resolver' , atender as
necessidades da organização em análise.

            No que concerne à estrutura organizacional da área de informática deve
esta, portanto, ser evidentemente adaptada, particularizada para              cada
empresa, em face do seu tamanho, recursos, tecnologia, ao seu mercado,
produto e organização. De uma maneira genérica, pode-se imaginar um
funcionograma da área conforme a figura abaixo, ponderando, neste, os
aspectos ( fig. 23):

•      abrangência de atuação

•      vinculação hierárquica

•      centralização ou descentralização da área

•      estrutura interna da área

•      suporte aos usuários

•      cargos e funções na área

•      capacitação técnica da área


271
      Drucker (1998 : 677)
160


•      capacitação dos usuários

•      normas para desenvolvimento de sistemas e




                                              Gerencia de Informática




        Administração       Desenvolvimento          Centro de              Centro             Outras
          de Dados            de Sistemas            Suporte a            Operacional        Tecnologias
                                                     Usuários
       # Administração      # Modelagem de       # Assessoria a         # Operação        # Automação
       dos Bancos de        Dados Global         Usuários               central           Industrial
       Dados
                            # Modelagem          # Suporte              # Administração   # Automação de
       # Administração      Global de            Técnico a              de Redes          Escritórios
       de Senhas e          Sistemas             Usuários
       Acessos                                                          # Software        # Multimídia
                            # Projeto e          # Treinamento a        Operacional
       # Administração      Implantação de       usuários                                 # Sistemas
       da Distribuição      Sistemas                                    # Serviços de     Especialistas
       Física das                                # Sistemas de          suporte:
       Bases de dados       # Manutenção de      Suporte a              Digitação         # etc.
                            Sistemas             Decisões               Conferencia
                                                                        etc.
                            # Documentação       # Sistema de
                            de sistemas          Informação
                                                 Executiva

                                                 # Ferramentas
                                                 de suporte a
                                                 usuários

                                                 # Microinformatica




•      responsabilidades pelo desenvolvimento e manutenção de SW


Fig. 23) Modelo Organizacional da Informática. Fonte Torres ( 1994, p.296)

            As principais funções da área de informática podem ser expressas,
lembrando sempre a adequação à empresa, objeto da análise, como sendo as
descritas abaixo, segundo Torres 272( 1994).

Gerenciamento das atividades da área :


272
      Torres (1994 : 287-288)
161


   •   desenvolvimento e gerenciamento de planos e programas de ação, das
       operações da área, bem como, o estabelecimento das diretrizes para
       sistemas e uso de tecnologias de informações.

       •   principais Cargos : Diretor ou Gerente de informática

Desenvolvimento de sistemas :

   •   concepção, projeto, desenvolvimento e implantação de sistemas de
       informações.

       •   principais cargos : Chefe ou Líder de Desenvolvimento ou de
           Projetos, Analista de Sistemas, Analista de Negócios e da
           Informação, Administrador de Informações.

Administração de Dados :

   •   concepção, projeto, implementação e manutenção de bases de dados
       integradas num ambiente complexo de sistemas de informações. Inclui o
       processo de modelagem de dados e tratamento de dicionários de dados,
       sendo típica em ambientes de Banco de dados.

       •   principais cargos : Administrador de Banco de dados, Administrador
           de dados, Analista de dados, Analista de Informações.

Suporte a usuários :

   •   apoio, auxilio, orientação e treinamento de usuários quanto ao uso de
       ferramentas e recursos computacionais. Em algumas organizações
       também é chamado de Centro de Informações, no caso um centro de
       suporte a usuários.

       •   principais cargos : Analista de Suporte, Chefe de Centro de
           Informações, Analista de Suporte a Decisões.

Automação industrial e de processos :
162


   •   concepção de uso, escolha de tecnologias, desenvolvimento de
       programas e aplicações orientadas para a automação de processos
       físicos e , especialmente, as operações industriais.

       •   principais cargos : Chefe ou Analista de Sistemas de Automação,
           Técnico em Robótica, Programador de Automação e Comando
           Numérico.

Automação de escritórios :

   •   planejamento de uso e implementação de recursos de automação de
       escritórios   em   nível    individual,   mas,   principalmente,   em     nível
       organizacional.

       •   principais cargos : Analista de Automação de Escritórios.

Operação de computadores :

   •   processamento dos sistemas de informações, incluindo, quando
       necessário, o trabalho de digitação ( em estruturas e concepções
       antigas).

       •   principais cargos : Chefe de Operação ou Produção, Operador,
           Scheduller, Digitador, operador de TP, Monitor de Sistema.

Suporte operacional :

   •   administração dos recursos de software operacional, incluindo sistema
       operacional, sistemas de teleprocessamento, software para redes de
       computadores,      utilitários   e   SW    de    apoio   às   operações     de
       processamento.

       •   Principais Cargos : Analista de Software, Analista de Sistema
           Operacional, Analista de Rede, Analista de Teleprocessamento.

Comitês de informática :
163


  •   podem ser formados comitês com o fim precípuo de se estabelecerem
      diretrizes, dirimir conflitos, ou casos nos quais a abrangência do projeto
      requer uma participação mais ampla de especialistas da organização. A
      titulo de exemplo podem ser citados: - os Comitês para Aplicações
      Específicas;   o Comitê para Projetos de Envergadura (especialmente
      grande ou estratégicos) e o Comitê para Projetos de Segurança e
      Auditoria, particularmente (quando este tópico requer uma atenção
      redobrada como por exemplo em instituições financeiras, de pesquisa
      etc.) e

  •   os comitês são formados, normalmente, por elementos da alta
      administração: o responsável pela área de informática, consultores e
      especialistas das áreas funcionais envolvidas. Convém ressaltar, no
      entanto, para que estes comitês não caiam em descredito, ou
      inoperacionalidade, é necessário se estabelecer um Gerente do Projeto,
      um 'pai da criança'. A sua ausência, freqüentemente, faz com que a
      atuação do comitê redunde em fracasso, em face da falta do líder que
      atribui e controla as ações individuais e do grupo. Sem esta figura, os
      participantes são facilmente levados a posições do tipo: esta atividade é
      de responsabilidade do 'outro' e vice versa.

Segurança de dados e do sistema :

  •   Estabelecer normas e procedimentos, alem das ações propriamente
      ditas que visam a proteção da organização no que concerne à proteção
      física e lógica de seus sistemas e dados. O plano contingencial faz parte
      desta incumbência. O uso estratégico dos sistemas de informação
      requer uma atenção cada vez mais apurada aos aspectos relativos à
      segurança.
164



7.0 Conclusões

            O objetivo deste trabalho foi tentar demonstrar a evolução do
macroambiente ao longo deste século, mostrando seus desdobramentos sobre
as organizações e destacando a importância crescente das informações nos
processos de gestão empresarial.

      Procurou-se enfocar as organizações como um sistema aberto, e como
tal, interagindo com o sistema maior, o qual, por conseguinte, também compõe.
A título de conclusão, pode-se afirmar que esta interação tornou-se cada vez
mais célere e primordial para a sobrevida das organizações em um meio
ambiente   de   alta   competitividade.   Ambiente   marcado,   portanto,   pela
característica da seleção natural darwiniana, ou seja, da sobrevivência dos
melhores - dos mais adaptados às novas realidades. Entendeu-se para fins
deste trabalho que a simples percepção e demonstração destas novas
realidades, em constante mutação, sejam suficientes para demonstrar o valor
das informações.

      O papel das informações, inicialmente um mero coadjuvante na gestão
dos negócios, galgou posição cada vez mais destacada, transformando-se em
um de seus principais atores. As informações transformaram-se em um insumo
administrativo, em um ativo de grande valor, tais como: equipamentos e
instalações, podendo em algumas organizações até mesmo suplantá-los.


            Pode-se entender, por conseguinte, que        o sucesso de uma
empresa esteja atrelado diretamente à sua capacidade adaptativa, a qual por
seu turno está em direta dependência das informações. A empresa entendida
como um sistema aberto, necessita, portanto, que os seus elementos
componentes possam atuar em um ambiente organizacional provido de
processos eficazes, caracterizados pela sinergia. Processos estes, que
alcançam a citada condição de eficácia mediante o emprego de um modelo
decisório suportado por informações eficazes, precisas e tempestivas.
Ressalta-se, no entanto, que os sistemas de informação são condição
necessária, porém, não obrigatoriamente suficiente para o sucesso do negócio.
165


Fatores outros tais como, a qualificação profissional, o modelo de gestão e o
mercadológico,   entre   outros   modelos,   também   atuam    e   influenciam
inegavelmente os resultados esperados da organização, ressaltando-se,
porém, que requerem uma analise concomitante, sistêmica, abrangente a
ponto de se envolver a organização como um todo sistêmico.


      Neste trabalho considerou-se que, para a obtenção do sucesso do
negócio, é necessário o concurso de profissionais, não simplesmente
executores operacionais de cunho meramente burocrático, mas sim, de um
profissional que se encaixa no rótulo do Trabalhador do Conhecimento, da
Informação - o “knowledge worker” de Drucker (1997) na sua Sociedade do
Conhecimento.


      Este profissional terá por escopo constituir, modelar e continuamente
adaptar os sistemas de informação e os processos das organizações, de
maneira que estas organizações possam responder satisfatoriamente às
exigências das novas realidades do mercado.


      O enfoque deste trabalho procurou enfatizar que a adaptação
organizacional com a abrangência nele descrita, requer um condutor, gerador,
motivador e concretizador de ações que levem à uma contínua adequação do
negócio às novas realidades. Realidades estas que, por seu turno, também se
encontram em evolução contínua. No que concerne a este condutor, ainda
procurou-se salientar que este terá a sua base de atuação lastrada em seus
conhecimentos e na autonomia que lhe é conferida por sua alocação
hierárquica no segmento estratégico.


      A autonomia deste condutor, ao qual chamou-se de Analista de
Negócios e da Informação ou mesmo de CIO ( Chief Information Officer) tem
seu ponto basilar, portanto, no conhecimento, que não pode residir somente na
especialização defendida pelas teorias administrativas clássicas, mas deve ser
ampliado pela união do conhecimento do analista de sistemas com o
166


conhecimento do negócio, da gestão, do administrador, do analista de O&M ou
de quantos títulos de cargos assemelhados se queira evocar.


      Em suma, procurou-se evidenciar as características de um novo
profissional, emergente neste final do século XX, cuja razão de ser pretendeu-
se justificar com o entendimento das novas realidades do macroambiente,
acreditando-se ainda na sua permanência no mercado, até que novas
realidades imponham outra adequação desta concepção.


             Subjacente a estas constatações, embora, talvez julgadas
simplistas ou até mesmo óbvias, apresentam-se novas indagações.


      Na esfera social, a indagação se consubstancia na pergunta : Qual será,
na futura sociedade do conhecimento, o papel das pessoas, do “Peopleware”?
Em uma fase, já hoje presente, Rifkin (1995) chega a aventar a existência de
uma categoria à qual atribui o contundente rótulo da “inutilidade econômica”.
Drucker (1997), igualmente, não passa ao largo desta constatação ao atribuir a
esta nova Sociedade de Conhecimento a responsabilidade de “dar dignidade
aos trabalhadores de serviço”.


      Na   esfera   da   comunicação,   estando    em   uma    sociedade   de
conhecimento, calcada na Informação, o questionamento se apresenta com
relação à própria Informação e de sua eficácia. A informação sozinha nada
resolve, precisa ser transformada em ação. Requer, portanto, uma tomada de
decisão para que haja a ação. Surgem daí questionamentos, tais como : Qual o
efeito da superexposição a informações ? Qual é, portanto, a capacidade de
digerir e administrar informações? Qual o papel das distorções da Informação,
sejam elas provocadas pelo meio, pelo emissor ou pelo receptor?


      Na esfera administrativa e organizacional apresentam-se indagações a
respeito do próprio papel do Analista de Negócios e da Informação. Sua
atuação carecerá de mudanças ou de ampliações e em qual prazo? Haverá a
necessidade de especializações por segmentos de mercado? Como, quando e
167


quais serão os desdobramentos futuros da globalização sobre as organizações
e consequentemente, sobre os profissionais que nestas atuam?


      Enfim,     questionamentos      que,    com    certeza,   merecem   um
aprofundamento em novas pesquisas. Para fins deste trabalho, no entanto, fica
a constatação da efetiva necessidade das informações na gestão empresarial
da qual decorre a crescente importância de um gestor, que aliando aspectos da
Tecnologia da Informação à Gestão do 'Negócio', conduz sua organização de
maneira tal a lhe conferir a eficácia empresarial.
168


8.0   BIBLIOGRAFIA


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172


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      Fernando H. Cardoso, 5a. Ed., Rio de Janeiro : Ed. Guanabara Koogan,
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      Crusius... et.al.; ed., São Paulo : Mc.Graw-Hill, 1982




                                                                 Digitally signed by Cisc
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Dissertacao gunter

  • 1. CISC CENTRO INTERDISCIPLINAR DE SEMIÓTICA DA CULTURA E DA MÍDIA Dissertação de Mestrado A Atuação do Analista de Negócios e da Informação GÜNTER WILHELM UHLMANN 1999
  • 2. 2 Günter Wilhelm Uhlmann A ATUAÇÃO DO ANALISTA DE NEGÓCIOS E DA INFORMAÇÃO Dissertação apresentada no Centro de Pós- Graduação Pesquisa e Extensão da Universidade Guarulhos, como parte dos requisitos para a obtenção do título de mestre em Ciências Sociais Aplicadas, área de concentração Administração de Empresas, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Noêmia Lazzareschi Universidade Guarulhos Guarulhos - SP 1999
  • 3. 3 Dedico este trabalho à minha família Mirtes Maria Günter Michael Erwin Alexander e aos meus pais Elisabeth Agathe Günter Hermann
  • 4. 4 Banca Examinadora Prof.ª Dr.ª. Noemia Lazzareschi - UnG / PUC-SP Prof. Dr. Belmiro do Nascimento João - PUC-SP Prof. Dr. João Eduardo Prudêncio Tinoco - UnG / USP
  • 5. 5 Sumário Resumo i Abstract ii 1.0 O problema 01 2.0 As transformações do macroambiente 06 2.1 Processos de trabalho e organização da produção 10 2.2 Decorrências estruturais 32 2.3 Hábitos de consumo e suas conseqüências 47 2.4 O desafio do marketing 56 3.0 O Estado-Nação e as organizações 62 4.0 A Globalização 81 4.1 Globalização - um breve histórico 85 4.2 Globalização - repercussões sobre as empresas 89 4.3 Adaptação Organizacional - uma súmula 91 4.4 Globalização – considerações inconclusivas 98 5.0 As Informações na nova realidade 106 5.1 A Informática no ambiente contemporâneo 114 5.2 A evolução do uso da Tecnologia da Informação 120 5.3 O Analista de Negócios e da Informação 124 O Analista de Negócios e da Informação e os 6.0 135 Princípios de Gestão 6.1 O planejamento da Informática 138 Informática : Organização e seus modelos de 6.2 143 Gestão 7.0 Conclusões 155 8.0 Bibliografia 159
  • 6. 6 Agradecimentos À Prof.a Dr.a Noêmia Lazzareschi que orientou a elaboração desta pesquisa com muito carinho e paciência. À Universidade Guarulhos - UnG pelo apoio financeiro necessário à realização deste trabalho. À Prof.a. Ieda Maria Silva P. Barbosa e ao Prof. Henrique Mori pelo esmero, estímulo e profícuo apoio na revisão editorial e ortográfica deste trabalho. E, sobretudo, àquele que, por sua mão e desígnio, a tudo isto possível tornou : O Grande Arquiteto do Universo!
  • 7. 7 Resumo Este trabalho tem como objetivo analisar o ambiente sócio-econômico deste século, procurando demonstrar as repercussões das transformações econômicas, políticas, sociais e culturais do capitalismo sobre a organização das empresas e a necessidade de sua adaptação às novas realidades como fator de sobrevivência. Trata-se de evidenciar a necessidade de uma interação entre os sistemas de informações e a gestão do negócio propriamente dita, apontando para a relevância do papel de um gestor, aqui denominado de Analista de Negócios e da Informação. Pretende-se demonstrar, que este gestor, além de sólidos conhecimentos da atividade fim da organização, não poder prescindir de conhecimentos da tecnologia de processamento de dados e da análise de sistemas como condição necessária, embora não suficiente, para que a gestão das organizações se revista da eficácia requerida. Este trabalho procura mostrar, portanto, a importância da eficaz gestão das informações como agente viabilizador das organizações num ambiente de alta competitividade, evidenciando neste contexto a atuação deste novo profissional, ou seja, o Analista de Negócios e da Informação. Abstract Changes in the market are constantly imposing ever new requirements on the organizations. A high degree of flexibility in fulfilling customers requirements, quick turnaround and short production runs are the basic principles of market success. This term - paper has the goal to examination of the social and economical background in this year hundred. Against this background, Business Process Optimization has become increasingly vital to enable a company to adapt its organization to the new challenges and to ensure control as a support for business management in these short-lived markets. It analysis the organization and the aspects of company environment, how decisions are taken, what aspects are necessary to take the decisions, the pre-requisites for a management information system is an increasingly crucial factor in formulating a future-oriented, successful business strategy. Without the intention of answering in a conclusive way, but yet witting to cooperate with the theme of the good information management as a tool for a dynamic business management, the way forward in a high competitive environment.
  • 8. 8 1.O Problema O Analista de Negócios e da Informação tem a origem da sua atuação no Analista de Sistemas que, como se sabe tinha por incumbência satisfazer as exigências tecnológicas referentes aos aplicativos (softwares) por ele concebidos. A preocupação com o 'negócio' ficava para os gestores do negócio, que por sua vez, geralmente não possuíam o conhecimento da Tecnologia da Informação ( TI ). A partir deste objetivo, procurar-se-á, portanto, demonstrar a evolução das organizações em sua contínua adaptação, na procura de um novo ponto de equilíbrio com o macroambiente sócio-econômico , igualmente em contínua mutação. Para fins deste trabalho, esta análise ficará restrita ao século XX, procurando evidenciar os aspectos organizacionais mais relevantes, relativos ao ambiente de alta competitividade, que caracteriza o capitalismo deste final de século, transformado pelo processo de globalização da economia e que passa a requerer uma nova abordagem. A partir desta hipótese tratar-se-á de demonstrar o novo valor das informações para as organizações, bem como a necessidade de um gestor das mesmas, não no sentido tradicional, mas sim, adequado aos novos paradigmas, donde emerge a figura do Analista de Negócios e da Informação, o gestor de negócios que os viabiliza com o uso da Tecnologia da Informação. Objeto Problema O descompasso entre o estágio de desenvolvimento do macroambiente e o dos modelos organizacionais aplicados às organizações.
  • 9. 9 Análise situacional crítica Publicações específicas sobre a vivência profissional e os livros e palestras de autores chamados pela mídia de gurus da administração evidenciam uma profunda mudança no macroambiente econômico e social. Evidencia-se, também, que a ação de agentes transformadores da ordem tecnológica, social e econômica, resultando na contínua apresentação de novos modelos organizacionais e de gestão, com a finalidade de obter-se um equilíbrio entre os níveis de desenvolvimento das organizações e o do ambiente ao qual pertencem. Frases tais como: - “ Os modelos organizacionais tradicionais estão exauridos! Novos modelos e conceitos urgem! A sobrevivência das organizações depende da sua capacidade de adaptação ... !” são expressões das transformações ambientais e suas inevitáveis repercussões sobre as organizações deste final de século, transformado pelo processo de globalização da economia e que requer uma nova abordagem . Este final de século (momento de transição), permite a observação da convivência entre: - modelos de cunho taylorista (vocação administrativa organizacional de nítida inspiração burocrática); - modelos de gestão participativa; - conceitos de empresa ampliados via Tecnologia da Informação e - conceito de gestão de processos. Torna-se perceptível que há uma efetiva, real e frenética preocupação das organizações pela sobrevivência, cada vez mais difícil e árdua, a qual não pode prescindir de: - novos conceitos;
  • 10. 10 - novos modelos organizacionais e - Tecnologia da Informação. A economia cada vez mais globalizada, os modelos de redução de custos, de downsizing e de aumento da produtividade, demonstraram ser finitos, ao contrário do que se acreditava de início (“Plano de melhorias contínuas”, “Planos de redução contínua dos estoques”, idem para refugos etc.). A Tecnologia da Informação, tratada como um recurso, tal qual os recursos humanos e materiais, apresenta-se como uma nova alavanca capaz de mover novamente as organizações rumo à almejada eficácia organizacional. Trata-se, portanto, de analisar a atuação do profissional da administração, com amplos conhecimentos da Tecnologia da Informação, e de uma visão abrangente da organização, muito além do seu horizonte visual imediato e clássico. Assim, torna-se necessário efetuar a analise não somente dos aspectos técnicos, a aplicação da Tecnologia da Informação, como também a responsabilidade social deste agente chamado por autores, norte-americanos de CIO - Chief Information Officer, e por brasileiros de Analista de Negócios e da Informação. Profissional, ainda em fase de consolidação, pois a divisão do trabalho do classicismo administrativo não o concebia. Na abordagem clássica, observa-se a presença de pelo menos dois grupos de profissionais, um voltado para o negócio e outro para a Tecnologia da Informação. No classicismo estava representado, em face da divisão do trabalho, pelo analista de negócios, o gestor, administrador cuja atuação voltava-se, como o próprio nome já o diz, "para o negócio", à atividade fim, e pelo analista de sistemas, gerente ou diretor de informática, profissional voltado para a gestão da Tecnologia da Informação sem preocupação imediata com a atividade fim da organização. Está havendo a fusão destes dois profissionais em face das novas realidades, decorrentes da alta competitividade que exige das organizações respostas cada vez mais rápidas e precisas. É inegável que as empresas têm sido concebidas para gerar dinheiro, porém, ao lado desta função econômica que garante sua sobrevivência em
  • 11. 11 primeira instância, encontra-se a função social, de gerar emprego aos seus empregados os quais ao consumirem também serão 'clientes'. Sob a óptica sistêmica, apresenta-se a contínua busca de equilíbrio do macroambiente: sistema - sociedade/subsistema. Em suma, pretende-se analisar a evolução do modelo organizacional desta última década, evidenciando o papel: - da Tecnologia da Informação; - dos profissionais que aplicam a Tecnologia da Informação e - dos agentes modificadores das estruturas organizacionais.
  • 12. 12 Metodologia da Pesquisa Este trabalho não resulta de pesquisa empírica dada a especificidade de seu tema, o surgimento de um novo personagem na administração de empresas como uma necessidade vislumbrada no cenário histórico brasileiro. Em face do apresentado, foi adotada como metodologia a análise de obras, tais como publicações nacionais e internacionais, documentos e informativos de empresas e entrevistas e depoimentos publicados, que ressaltam os pontos de maior interesse para o atendimento dos objetivos propostos.
  • 13. 13 2.0 As transformações do macroambiente Introdução Este capítulo apresenta as principais ocorrências de cunho econômico - social verificadas no macroambiente, isto é, o sistema de mercado, o sistema composto de pessoas, empresas e organizações governamentais que repercutiram sobre as empresas obrigando-as, por conseguinte, a rever os seus modelos de gestão. Ao procurar evidenciar a crescente necessidade das informações na gestão empresarial, ao longo do tempo apresenta-se uma sucinta análise das formas de gestão, quer seja das organizações quer seja da Tecnologia da Informação propriamente dita. Trata-se, portanto, de um sumário histórico dos tópicos julgados mais relevantes ocorridos neste século rumo ao estágio contemporâneo. As transformações são profundas e traumáticas, deixando marcas, gerando um período ambíguo, híbrido, que pode ser concebido como “o intervalo entre a decadência do antigo e a formação e estabelecimento do novo constitui um período de transição, que sempre deve ser necessariamente marcado pela incerteza, pela confusão, pelo erro e pelo fanatismo selvagem e implacável “1. A partir desta concepção, pretende-se caracterizar a realidade contemporânea do macroambiente e das organizações empresariais em hierarquia sistêmica apresentando as alterações e os agentes acelerativos das contínuas adaptações necessárias para o equilíbrio ( homeostase dinâmica ) entre o sistema empresa e o macroambiente retratado na teoria dos sistemas bertalanffiana. A título de ilustração deste período de transição, verificado neste final de século, segue uma amostra de artigos publicados pela revista EXAME: A incerteza e confusão aparecem na edição de 14/10/1992: 1 Calhoun apud Harvey (1996:115)
  • 14. 14 “PERIGO DE MORTE NOS ESCRITÓRIOS” “A situação das empresas brasileiras diante da recessão está como a de uma pessoa com 40 graus de febre e, como se fosse pouco, com a perna quebrada(.... ) Não é a primeira vez que o país enfrenta uma recessão. Dez anos atrás (....) - pelo menos sob o ângulo das empresas - era melhor que a de agora. Tínhamos uma economia protegida, (....) Existe, de fato, uma diferença entre ter um mercado interno em queda mas garantido e ter um mercado interno que, além de estar em queda, é aberto à concorrência estrangeira”. A Incerteza e o fanatismo, ainda que de forma contida, consubstanciam- se na edição de 5/7/1995: “A DESTRUIÇÃO CRIATIVA CHEGOU ÀS FABRICAS”: “... Confrontadas com um súbito aumento da demanda, desafiadas por um cenário de competição muito mais agressivo e expostas às novas tecnologias de produção, as empresas estão sendo forçadas a reinventar soluções que assegurem sua própria sobrevivência (…). À sombra do Plano Real, engendra-- -se nas fábricas e escritórios um vigoroso processo de renovação tecnológica. Velhos métodos de gestão e produção vão sendo rapidamente abandonados em benefício de outros, mais modernos. Os empreendedores mais rápidos prevalecem …” A incerteza, o fanatismo e uma sinalização de erro aparecem em 2/8/95: “A REENGENHARIA CONTESTADA” “A reengenharia tem sido encarada como uma espécie de Alcorão no mundo dos negócios, um livro santo que inspira devoção e reverência (...) Hoje(…) a reengenharia está sendo contestada (...) As dúvidas quanto a sua eficácia regeneradora se instalam até mesmo entre seus mais fiéis seguidores...”
  • 15. 15 Em outro artigo a incerteza e o, agora já mais explicito, fanatismo transparecem em 22/9/95: “O PULO DOS TIGRES” “Uma fera está assustando (...) está invadindo o mundo com produtos que vão dos chips para microcomputadores a camisetas de algodão, de bicicletas a carros de luxo...” De outra forma incerteza sobre medidas adotadas e a suspeita de erro estão presentes na edição de 18/12/96: “O PARADOXO DA PRODUTIVIDADE” “....Eis o paradoxo da produtividade, um fenômeno que intriga economistas e lança terríveis suspeitas sobre a qualidade dos investimentos (...) em média 2% do seu faturamento em Tecnologia da Informação....” Já chegando em momentos cada vez mais presentes a confusão e o medo de errar encontram eco na edição de 1/1/97: “AS PRATELEIRAS DA TRANSIÇÃO” “...iluminar a crise das grandes corporações (...) detecta um paradoxo: a mesma força incontrolável que impulsiona as empresas — o crescimento — muitas vezes as conduz a dificuldades(...) Nos anos 60, supunha-se que operar simultaneamente em variados setores reduziria a vulnerabilidade da empresa (...) veio o modismo da diversificação (...) Temas estratégicos mais relevantes: da competição global às alianças com concorrentes; do impacto da Tecnologia da Informação sobre as hierarquias Gerenciais ao surgimento de fábricas flexíveis, ... ” Continuam a brotar exemplos de confusão na publicação de 29/1/97:
  • 16. 16 “HORA DE CRESCER” “A fase de cortar fundo já passou. O novo paradigma dos negócios é a retomada do faturamento (...) as empresas viveram por uma década sob o império da reengenharia (...) marcado por cortes de custos.... “ O artigo que se segue, publicado em 9/4/97, mostra que a paranóia é tida, para muitos, como uma máxima em termos de modelo de gestão. Esse artigo, refere-se às abordagens administrativas do CEO da INTEL Andy Grove. A incerteza e um contundente fanatismo evidenciam-se nesta reportagem: “AS VIRTUDES DA PARANÓIA “Só os paranóicos sobrevivem (...) sintetiza à perfeição o turbilhão que engolfou o capitalismo brasileiro nestes anos 90 (...) Ser paranóico, no mundo dos negócios, é enxergar um concorrente em cada esquina (...) buscar de maneira obsessiva ganhos em preço e em qualidade (...) tentar com denodo quase doentio ser pioneiro (...) os fantasmas (reais) que o (paranóico executivo) vê (...) falam chinês; japonês; inglês; alemão; espanhol e muitas outras línguas”. À luz destes exemplos, parece ficar claro que estamos em uma época de transição marcado por profundas mudanças. O antigo se questiona em face da generalizada percepção de sua exaustão e de sua não adequação esperada. Por outro lado, é notório que novos modelos não estão claros e plenamente concebidos . A compreensão e aceitação, cônscia ou por mimetismo, das novas realidades e das modelagens requeridas (em termos organizacionais, de gestão, ou de modelos macroeconômicos, das posturas comportamentais), ainda não foram alcançadas. Estas mudanças, no transcorrer do século XX, foram evidenciadas também por Harvey2 que também as refere, arrolando sinais e marcas que podem ser encontradas entre outros : nos processos de trabalho; nos hábitos 2 Harvey (1996:117)
  • 17. 17 de consumo; nas configurações geográficas e geopolíticas e nos poderes do Estado. 2.1 Processos de trabalho e organização da produção. No início do século, os processos de trabalho estavam baseados nos princípios descritos pelo classicismo - busca da racionalidade e da eficiência3. O classicismo constituiu-se primordialmente pela Teoria Científica concebida por Frederick Winslow Taylor nos Estados Unidos da América do Norte - Shop Management de 1903 e The Principles of Scientific Management de 1911 - e pela Teoria Clássica de Henri Fayol na França - Administration Genérale et Industrielle de 19164. Os dois autores/engenheiros, atuando em continentes separados, apresentam uma série de convergências em suas obras, das quais se destacam a alta ênfase dada à racionalidade e à eficiência dos processos de trabalho. “A semelhança de pensamento é tal que é possível sintetizar as idéias centrais sem que haja referência, a todo o instante, a um ou outro”5(fig.1). Enfim, conforme procura demonstrar a figura 1, ambos autores procuram a eficiência da organização, divergindo apenas na forma pela qual ela é alcançada. Enquanto a abordagem taylorista procura-a via enfoque na tarefa, no trabalho propriamente dito, o fayolismo procura obtê-la via ênfase na estrutura organizacional. A organização do trabalho no início do século XX estava calcada no princípio da divisão do trabalho, a partir da qual, os modelos de gestão daquele período procuravam obter a eficiência organizacional almejada. “A divisão do trabalho, tornou-se intensa e crescentemente especializada, à medida que os fabricantes procuravam aumentar a eficiência, reduzindo a liberdade de ação dos trabalhadores em favor do controle exercido por suas máquinas e supervisores”6. Processos e organização do trabalho, das organizações, não podem prescindir do conceito de racionalidade implícito na própria conceituação de 3 cf. Stoner (1985) 4 idem (1985) 5 Motta & Pereira (1988 : 171) 6 Morgan (1996:.25)
  • 18. 18 Organização. Pode esta organização ser definida como sendo um “sistema social em que a divisão do trabalho é sistematicamente e coerentemente realizada, tendo em vista os fins visados; é o sistema social em que há procura deliberada de economizar os meios para se atingir os objetivos” 7. Os processos de trabalho enfocavam a racionalidade e a eficiência das pessoas. Taylor definiu este processo tendo como fundamento o conceito de “homem de primeira classe”, entendido como: pessoa particularmente apta, ou seja, o melhor da sua categoria para aquele determinado tipo de trabalho8. A administração científica de Taylor acabou por se constituir, nas palavras de Braverman, em um “estudo organizado do trabalho, a análise do trabalho em seus elementos mais simples e o aperfeiçoamento sistemático do desempenho do trabalhador em cada um desses elementos”9. Compartilham do mesmo pensamento Fernando Pires Motta e Bresser Pereira ao afirmarem “com base no trabalho desse homem foram medidos os tempos e movimentos. O resultado foram padrões extremamente elevados, que terminaram por causar fortes reações por parte dos operários dos quais se exigiu, mais tarde, a mesma produção”. 10 7 Motta & Pereira (1988:.23) 8 cf Uhlmann (1997) 9 Rifkin ( 1995:53) 10 Motta & Pereira (1988:178)
  • 19. 19 Taylor Fayol Administração Teoria Clássica Cientifica Ênfase nas Ênfase na Tarefas Estrutura Aumentar a eficiência da Aumentar a eficiência da empresa através da forma empresa através do e disposição dos órgãos aumento de eficiência ao componentes da nível operacional organização e das suas inter-relações estruturais Confronto das teorias de Taylor e Fayol Fig. 1) Quadro Comparativo das Teorias de Taylor e Fayol . Fonte Uhlmann (1997, p.36)
  • 20. 20 O início deste século também experimentou um período de transição muito intenso, chamado por Toffler11 de 'Segunda Onda' que “tendo revolucionado a vida da Europa, da América do Norte e de algumas outras partes do Globo, em uns poucos séculos, continua a se espalhar, pois, muitos países, até agora basicamente agrícolas, apressam-se em construir siderúrgicas, fábricas de automóveis, fábricas de têxteis, estradas de ferro e fábricas de processamento de comidas. O ímpeto da industrialização ainda continua a se fazer sentir”. 12 Rifkin13 denominou o período entre 1860 e as primeiras décadas do século presente de 'Segunda Revolução Industrial'. Descreveu-o como o 14 período em que “o petróleo passou a competir com o carvão e a eletricidade” como fonte de energia que movia as máquinas. A busca pela eficiência fez com que os processos de produção fossem incorporando, cada vez mais, estas máquinas. Como conseqüência, a atividade humana e a animal foram, gradualmente, substituídas por atividades mecânicas ( máquinas). Segundo Peter F. Drucker15 no final da década de 20, antes da Grande Depressão, os agricultores nos EUA constituíam perto de um terço da população daquele país. A renda da atividade agrícola situava-se perto de um quarto da renda do Produto Nacional Bruto. Acrescenta que, hoje, ( década de 80) os agricultores representam menos de 5% da população e por uma parcela do PNB ainda menor. A redução do volume de trabalhadores pode ser vista na indústria automobilística, cujo modelo de produção caracterizou-se com os mesmos efeitos que na agricultura. Drucker revela que a mão-de-obra humana , inicialmente abundante, utilizada na produção em massa, foi drasticamente reduzida, quando a linha de montagem foi introduzida (1909): redução de aproximadamente 80% - em dois ou três anos - do número de horas/homem exigidas para produzir um automóvel. 11 Toffler (1980) 12 idem ( 1980:27) 13 Rifkin (1995) 14 idem ( 1995:64) 15 Drucker (1993)
  • 21. 21 Na indústria extrativa – a mineração – estavam alocados nos Estados Unidos da América, 588.000 operários para extraírem 520 toneladas de carvão em 1925. Já em 1982, para a extração de 774 toneladas (um acréscimo em termos de produção de quase 50%), o contingente de trabalhadores diminuiu para 208.000 operários. Decorridos pouco mais de 50 anos, aproximadamente 35% das pessoas ainda teriam o seu posto de trabalho. Para a primeira década do século XXI a previsão é que somente 113.000 operários atendam toda a demanda do mercado16 . Nos segmentos da indústria química, os fatos são semelhantes. Os operários do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Petróleo, Atômicas e Químicas, percebendo, no início dos anos 60, um contínuo enfraquecimento de poder em razão da diminuição de seus pares - sem que houvesse uma diminuição da demanda - entenderam que deveriam promover uma greve. A estratégia concebida pelos grevistas foi a redução do ritmo de produção. Desta maneira pretenderam coibir o avanço das demissões nas fábricas. O intento dos grevistas redundou em um estrondoso fracasso, pois as fábricas já estavam automatizadas e, portanto, não dependiam da mão-de-obra que até há poucas décadas era imprescindível.17 A organização do trabalho, até aqui descrita, tem o seu enfoque nas áreas produtivas (produção em massa). O Fordismo, valendo-se dos princípios de Taylor apresentou a visão de mercado consumidor: “O que havia de especial em Ford e que, em última análise distingue o Fordismo do Taylorismo era a sua visão, seu reconhecimento explícito de que produção em massa significava consumo de massa”18 . A constante busca da racionalidade e eficiência dos processos de produção estava diretamente ligado à visão do consumo em massa, pois para mantê-lo era necessário oferecer produtos acessíveis à sociedade. Não se pretende, neste momento, analisar o comportamento da sociedade de consumo, mas sim enfocar que a “eficiência passou a significar o máximo de 16 Rifkin ( 1995:148) 17 idem (1995:148) 18 Harvey (1996:121)
  • 22. 22 rendimento que podia ser produzido no menor tempo possível, dispendendo a menor quantidade de energia, trabalho e capital no processo”19 . Esta visão de se obter o menor dispêndio fez com que os princípios, inicialmente aplicados somente à área produtiva, fossem levados para os escritórios. A Organização e Métodos ( O&M) e o Estudo do Trabalho, não deixam de ser projetos que “separam tarefas integradas em componentes 20 especializados que podem ser então alocados a diferentes empregados” .A aplicação dos princípios do classicismo taylorista levou ao surgimento dos “escritórios - fábrica nas quais as pessoas desempenham responsabilidades fragmentadas e altamente especializadas, de acordo com um sistema complexo de planejamento de trabalho e avaliação de desempenho”21. A produção em massa (Fordismo), fez-se presente por longas décadas como modelo de organização do trabalho. Vale ressaltar que o Fordismo, aliado aos poderes do Estado, chegou “à maturidade como regime de acumulação plenamente acabado e distintivo. Como tal veio a formar a base de um longo período de expansão pós guerra que se manteve mais ou menos intacto até 1973 … o Fordismo se aliou firmemente ao keynesianismo, e o capitalismo se dedicou a um surto de expansões internacionalistas de alcance mundial que atraiu para a sua rede inúmeras nações descolonizadas” 22. Calcado nos princípios da Administração Científica Taylorista23, a administração cruzou “barreiras ideológicas, sendo utilizada na ex-União Soviética e em países capitalistas. Este fato significa que o Taylorismo é, sobretudo, um instrumento para assegurar o controle geral sobre a situação de trabalho como meio de chegar à geração do lucro” 24. No afã de comandar e fazer com que esta mão-de-obra cumprisse o que os métodos e padrões de trabalho preconizavam, fez-se necessária uma rígida 19 Harvey (1996:52) 20 Morgan ( 1996:33) 21 idem (1996:33) 22 Harvey (1996:125) 23 A busca da racionalidade e da eficiência do trabalho pela divisão cada vez maior do trabalho em atividades, ou seja, tarefas menores visando a especialização e eliminação de desperdícios. 24 Morgan (1996:35)
  • 23. 23 supervisão funcional consubstanciada em uma estrutura hierárquica, destinada a assegurar as funções de: planejamento, comando e controle. O modelo organizacional clássico enfocando a racionalidade requerida pela eficiência, separava o planejamento e a organização, atividades nobres, da execução. Esta distinção é “ freqüentemente vista como o mais pernicioso e típico elemento do enfoque de Taylor, pois efetivamente, divide o trabalhador, defendendo a separação entre mãos e cérebro” 25. "A segmentação em grupos dominantes (dono, capital, tecnocrata) e dominados ( executantes), a hierarquização, bem como a divisão do trabalho concebidas por Adam Smith ( A Riqueza das Nações - 1776 ) e desenvolvidas na prática pelas teorias Administrativas Clássicas, fizeram com que o fosso que separava dominantes e dominados se alargasse e aprofundasse. A alienação e conseqüente revolta das classes dominadas"26 foi amplamente descrita pelas teorias administrativas da vertente das ciências sociais, tais como a das relações humanas e suas subsequentes. A Burocracia segundo Weber, enquanto força social, valida esta 27 concepção, pois constitui um “tipo de poder ou de dominação” , pelo qual se obtém, com racionalidade, os objetivos das organizações . Assim sendo, a organização é um “sistema social que se administra segundo o critério da eficiência, no qual as decisões são tomadas sempre tendo em vista o aumento de produtividade” 28. A massa de execução (mão-de-obra), alijada do processo decisório e de criação, era requerida meramente como força de trabalho. O trabalho para a maioria deste contingente de pessoas“ é simplesmente monótono e alienante”29. A racionalidade das organizações expressa pelo classicismo foi atribuída também ao homem. Esta atribuição da perfeita racionalidade ao 25 Morgan ( 1996:34) 26 Uhlmann (1997:124) 27 Motta & Pereira ( 1988 :20) 28 idem ( 1988 : 23) 29 Morgan (1996:34)
  • 24. 24 homem eqüivale a aceitar “o modelo de 'homo economicus', fruto do pensamento racionalista” 30. Esta visão, embora simplista e por muitos refutada31, passou a ser considerada como determinante no trato com a massa de trabalhadores. Acreditava-se, portanto, que o homem tomava as suas decisões por razões econômicas, privilegiando aquelas que lhe “trouxessem maiores lucros 32 pessoais” . A promessa da remuneração era, nesta visão, o fator desencadeador de sua motivação e disposição para o trabalho, fato que o levaria a aceitar as condições de trabalho, mesmo que fossem percebidas como alienantes. O conceito de homo economicus, entendia a mão-de-obra , como músculos e estrutura óssea, a qual, adequadamente supervisionada e direcionada, era motivada e levada à eficiência via recompensa financeira. Portanto, a mente, a inteligência, as emoções etc., submergiam diante da eficiência no cumprimento das metas de produção que lhe eram imputadas pela “hierarquia”, pela elite pensante (fig. 2). 30 Motta & Pereira (1988:174) 31 As teorias administrativas baseadas nas vertentes sociais - Relações Humanas se contrapuseram sobremaneira a esta visão simplificada do homem, pois levaram em consideração os fatores humanos de ordem individual e social 32 Motta & Pereira ( 1988:174)
  • 25. 25 Postulado fundamental : 'homo economicus' Estudo de tempo e movimento Determinação da única Seleção do homem Lei da fadiga maneira certa de primeira classe Incentivo monetario Padrão de Produção Supervisão cerrada Aumento da Produtividade Maiores salarios e maiores lucros Modelo simplificado do pensamento Taylorista. Fig. 2) O Postulado do homo economicus na Teoria Científica da Administração. Fonte : Prestes Motta e Bresser Pereira (1988, p.185) O conceito de 'homo economicus' foi traduzido e materializado em ações por Henry Ford, ao instituir o dia de oito horas com remuneração de US$ 5,00.33 33 Morgan ( 1996 : 34)
  • 26. 26 A disciplina prendia o trabalhador a uma linha de produção (alta produtividade e produtos padronizados). Porém, permitia que o trabalhador possuísse tempo e renda suficientes para que suas horas de lazer fossem destinadas ao consumo de massa, condição necessária à manutenção da produção em massa fordista. A produção em massa, assim cunhada, visava atender à máxima do capitalismo, consubstanciada por Elijahu Goldratt em “A Síndrome do Palheiro”34, ao afirmar que: as empresas são concebidas para gerarem dinheiro, hoje e amanhã, assegurando desta maneira a sua sobrevivência e a satisfação da razão de sua constituição. O Fordismo, enquanto conceito dotado de racionalidade e gerador de maior produtividade, estava em sintonia com o princípio capitalista de geração de lucros. A socialização da renda , coerente com o princípio do 'homo economicus' e com a visão fordista do consumo em massa, ocorria com “ofertas” de tempo e dinheiro, o que possibilitou transformar o trabalhador também em consumidor - se não, perguntava Henry Ford: “Quem vai comprar meus carros?”35. Segundo essa abordagem, a rentabilidade do sistema industrial seria sustentada pela produção em massa apoiado no consumo em massa. A rentabilidade do sistema como um todo – organizações e trabalhadores - com o passar do tempo, no entanto, foi se solapando. A grande depressão dos anos 30 mostrou que o corporativismo fordista não podia ser visto como a única força capaz de assegurar a máxima capitalista da lucratividade contínua. Ainda no começo da grande depressão, a Ford “aumentou os salários (…) na expectativa de que isso aumentasse a demanda efetiva e recuperasse o mercado (…),as leis coercitivas da competição se mostraram demasiado fortes, mesmo para o poderoso Ford, forçando-o a demitir trabalhadores e cortando salários” 36. 34 Goldratt (1991) 35 Rifkin (1995:24) 36 Harvey (1996:112)
  • 27. 27 Para salvar o modelo de produção acumulada (Fordismo) foi necessária uma nova abordagem de gestão macroeconômica. O Estado Soberano, lastreado nos conceitos elaborados pelo economista britânico John Maynard Keynes37 , procurou oferecer sobrevida ao Fordismo. Para manter a redução dos custos, o Fordismo teve que: extinguir postos de trabalho; segmentar o trabalho em tarefas cada vez menores e remunerar cada vez menos seus trabalhadores. Como conseqüência desse procedimento, os trabalhadores deixaram o universo dos consumidores, reduzindo o consumo em massa. Sendo assim, instalou-se uma dinâmica negativa, resultante da redução do poder de compra dos consumidores. “Foi necessário o New Deal de Roosevelt para salvar o capitalismo – fazendo, através da intervenção do Estado, o que Ford tentara fazer sozinho”38. A realidade do sistema encontrava-se preso a um terrível dilema : "sem saída para a depressão que se agravava, muitas empresas continuaram a reduzir custos por meio da substituição de trabalhadores por máquinas, esperando impulsionar a produtividade - somente colocavam lenha na fogueira”39. A redução de custos obtida pela diminuição da mão-de-obra, acarretava também uma diminuição da demanda, quebrando a corrente do consumo e produção em massa. As conseqüências sociais e econômicos das abordagens do classicismo de Taylor e Ford, são apresentadas esquematicamente a seguir (fig.3, 4 e 5). 37 Rifkin (1995:25) 38 Harvey (1996:122) 39 Rifkin (1995:25)
  • 28. 28 OS DESDOBRAMENTOS DO TAYLORISMO E FORDISMO 1.Realidade do ambiente: Demanda maior que oferta ÓPTICA ECONÔMICA ÓPTICA SOCIAL - Real aumento da - Bens mais acessíveis à produtividade. sociedade. - Real redução dos custos de Produção. Cultura dos grandes lotes de Cultura da especialização. fabricação. Economia de escala para A divisão do trabalho para aumentar a produtividade. baixar custos de produção. BAIXA PRODUTIVIDADE E ALTOS CUSTOS Fig. 3) Quadro demonstrativo da realidade de mercado percebida pelo Fordismo, no início do século XX, caracterizada por uma demanda pouco atendida. Fonte Uhlmann (1997, p.147)
  • 29. 29 2.Realidade do ambiente: Demanda menor ou igual à oferta. BAIXA PRODUTIVIDADE E ALTOS CUSTOS Economia de escala. A Divisão do trabalho rouba Sistemas de controles cada o conhecimento do vez mais caros. trabalhador. Prejudica a qualidade. Cultura dos grandes lotes Cria uma sub-classe. aumenta custos financeiros Distorce os valores sociais. e administrativos. Dá ensejo ao sindicato reivindicatório Aumento do ciclo produtivo Mais níveis hierárquicos Inflexibilidade industrial. Intensifica a departamen- talização. Inflexibilidade Mais produtividade técnica Capitalismo selvagem Menos produt. financeira. ÓPTICA ECONÔMICA ÓPTICA SOCIAL Fig. 4) Quadro demonstrativo do aumento da produtividade alcançada pelo modelo clássico que inverte o posicionamento do mercado de comprador a vendedor. Fonte Uhlmann (1997, p.148).
  • 30. 30 A Saída da empresa moderna 3.Realidade ambiente: Demanda menor ou igual à oferta. ÓPTICA ECONÔMICA ÓPTICA SOCIAL Recuperação da flexibilidade sem A empresa e Redução dos perda da produtividade técnica. sua missão níveis Social. hierárquicos: flexibilidade administr. Pequenos lotes Revalorização Resgate do de fabricação da educação. trabalhador generalista e Preparação rápida de máquinas de alto nível. Necessidade de redução de custos financeiros e administrativos. BAIXA PRODUTIVIDADE E ALTOS CUSTOS Fig 5) Um modelo de atuação empresarial em ambientes competitivos, inspirado nas teorias da vertente das Relações Humanas. Fonte Uhlmann (1997, p.149). A contínua busca por redução de custos não se limitou à época da Grande Depressão. Encontra-se presente até à atual realidade deste final de século. A busca é cada vez mais acentuada , em face dos mercados altamente
  • 31. 31 competitivos da atualidade. A substituição do homem pela máquina e a redução de custos é um processo que se instalou de maneira duradoura. A respeito desta contínua busca do aprimoramento econômico das organizações verifica-se que “durante a etapa industrial vínhamos tendo um processo de substituição dos músculos do homem pelas máquinas – e estas com notável capacidade de produção garantiram o aumento populacional e a melhoria na qualidade de vida -, o que verificamos atualmente é que as funções outrora executadas pelo homem no que concerne à utilização de seu intelecto, vêm sendo gradativamente substituídas pelo computador. Associado aos robôs nas linhas de montagem, através de sistemas de controle numérico e CAD/CAM (Computer Aided Design/Computer Aided Manufacturing), o computador está possibilitando uma produção de bens desmassificados para acompanhar de perto as flutuações de mercado” 40. Essa afirmação, focalizando o final deste século, demonstra que a redução de custos veio para ficar : “o novo paradigma tecnológico propõe uma sociedade informatizada e automatizada, baseada nos avanços tecnológicos da microeletrônica e computação e nas indústrias de alta tecnologia ( robótica, semicondutores, lasers, biotecnologia, fibras óticas etc.). Os reflexos causados por este movimento são sentidos pelas empresas, ocasionando, em certos casos, colapsos econômicos, perturbações políticas e desemprego”41. O Fordismo encontrou, uma vez superadas a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, sua fase de “maturidade como regime de acumulação plenamente acabado e distintivo. Como tal, ele veio a formar a base de um longo período de expansão pós-guerra que se manteve mais ou menos intacto até 1973” 42. Como conseqüência da expansão da base produtiva, o mercado de trabalho sofreu uma radical reestruturação e novos conceitos foram instalados: o trabalho meramente braçal (simples, rotineiro, repetitivo e mecanizável) foi, e 40 Furlan (1991:1-2) 41 idem (1991:2) 42 Harvey (1996:125)
  • 32. 32 continua sendo, substituído por equipamentos (máquinas, robôs e equipamentos de processamento de dados digitais cada vez mais poderosos). O mercado de trabalho passou por uma reestruturação radical. “Diante da forte volatilidade do mercado, do aumento da competição e do estreitamento das margens de lucro, os patrões tiraram proveito do enfraquecimento do poder sindical e da grande quantidade de mão-de-obra excedente (desempregados ou subempregados) para impor regimes e contratos de trabalho mais flexíveis. É difícil esboçar um quadro geral claro, visto que o propósito dessa flexibilidade é satisfazer as necessidades com freqüência muito específicas de cada empresa. Mesmo para os empregados regulares, sistemas como, nove dias corridos ou jornadas de trabalho que têm em média quarenta horas semanais ao longo do ano, mas obrigam o empregado a trabalhar bem mais em períodos de pico de demanda, compensando com menos horas em períodos de redução da demanda, vêm se tornando muito mais comuns. Mais importante do que isso é a aparente redução do emprego regular em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado” 43. O resultado, para este final do século XX é uma estrutura de mercado de trabalho do tipo detalhado na figura 6: 43 Harvey (1996:143)
  • 33. 33 Fig. 6) A Estrutura do mercado de trabalho em uma condição de produção por acumulação flexível. Fonte Harvey ( 1996, p. 143) apud Flexible Patterns of Work (1986) do Institute of Personnel Management. O Grupo Central No centro da figura está locado o grupo cerne, o empregado clássico - popularmente conhecido como grupo com a carteira assinada que, em face da reestruturação dos modelos de organização de trabalho, diminui cada vez mais. Estes grupos são caracterizados por empregados que trabalham "em tempo integral, condição permanente e posição essencial para o futuro de longo prazo da organização"44. 44 Harvey (1996:144)
  • 34. 34 A busca pela rentabilidade das organizações fez, e continua fazendo, com que este grupo encontrasse franca recessão, porém, não extinção. A diminuição deste grupo pode ser explicada pelo fato de que os custos necessários para mantê-lo colidem frontalmente com os anseios da rentabilidade organizacional, ou seja: os custos dos encargos sociais e as despesas adicionais, caso haja a necessidade de dispensa, devido a ociosidade pela retração da demanda ou substituição tecnológica. Harvey45 ressalta que, apesar desta desvantagem econômica, continua residindo no grupo central a inteligência central, o conhecimento que se torna essencial para o futuro a longo prazo da organização. Apesar deste entrave, encontram-se ainda neste grupo a sobrevida e a continuidade dos negócios da organização. Instala-se o que Peter Drucker46 chamou de sociedade pós- -capitalista, a sociedade na qual o poder emana do saber, do conhecimento. Contingentes cada vez maiores de trabalhadores desempregados, das mais diversas formações e atuações, foram moldados para novas formas de trabalho e ocupação, para permitir sua subsistência, o seu sustento e dignidade social. Aos remanescentes deste grupo central, trabalhadores do 47 conhecimento segundo Drucker , resta a adaptação às novas condições. “Gozando de maior segurança no emprego, boas perspectivas de promoção e de reciclagem,. e de uma pensão, um seguro e outras vantagens indiretas relativamente generosas, esse grupo deve atender à expectativa de ser adaptável e flexível e, se necessário, geograficamente móvel”48 . Os renomados professores Gary Hamel e C.K. Prahalad49 com trabalhos publicados e premiados na Harvard Business Review, defendem uma posição semelhante. Estes professores informam que “disfarçada com nomes como, novo enfoque, eliminação de níveis, reorganização e rightsizing (sentimo-nos tentados a perguntar por que o tamanho correto – right size - é sempre menor), 45 Harvey (1996) 46 Drucker (1997) 47 idem (1997) 48 Harvey (1996:144) 49 Hamel & Prahalad (1995)
  • 35. 35 o resultado da reestruturação é sempre o mesmo : redução do número de funcionários” 50. Sem fazerem, obviamente, nenhuma apologia às estruturas ineficazes, com estratosféricos números de funcionários (que em nada contribuíam para que o clamor impositivo do capital pelo retorno da lucratividade fosse atendido), Hamel & Prahalad levantam um questionamento que pode constituir um divisor de águas: “Como saberemos quando concluímos a reestruturação? Onde está a linha divisória entre cortar as gorduras e cortar os músculos”51. Tendo em mente o conceito de Drucker de sociedade pós-capitalista fundamentada na economia do conhecimento rumo à sociedade de conhecimento, acrescentam a este Hamel & Prahalad: “Não basta que uma empresa diminua seu tamanho e aumente sua eficiência e rapidez; por mais importantes que sejam essas tarefas, ela também precisa ser capaz de se reavaliar, regenerar suas estratégias centrais e reinventar seu setor. Em suma uma empresa também precisa ser capaz de ser diferente”52. A análise evolutiva da organização e dos processos de trabalho ao longo do século XX faz com que se torne visível cada vez mais a necessidade de uma inteligência (elite pensante) dotada do conhecimento necessário (ainda que seja somente um núcleo central), que mantenha ou objetive de forma dinâmica a liderança da organização, em termos de sua pujança econômica. As organizações precisam da liderança intelectual (uma reserva de conhecimentos) para garantirem sua preservação a longo prazo. Pois, a empresa deve ser continuamente reinventada em face das mudanças que ocorrem no macroambiente. Começa a ser visível a necessidade de uma força central que seja capaz de manter, preservar e redirecionar as organizações. Pois, no ambiente competitivo deste final de século, globalizado e integrado pela Tecnologia da Informação, começa a sugerir uma figura que, compondo este núcleo central, responsabiliza-se pela contínua adaptação da organização aos novos 50 Hamel & Prahalad (1995:7) 51 idem (1995:11) 52 ibidem (1995:17)
  • 36. 36 condicionamentos. Esta figura, dotada do conhecimento necessário, constitui e integra este grupo central procurando assegurar a sobrevivência, a longo prazo, da organização, adequando-a às novas realidades em termos estruturais e dos seus processos de trabalho com o uso da Tecnologia da Informação, com o reconhecimento do valor destas informações para obter uma igual adequação dos processos às exigências do macroambiente, ou seja do mercado. Começa a surgir neste cenário, a figura do Analista de Negócios e da Informação, não importando a 'priori' o nível hierárquico ao qual pertence. A figura 7, demonstra as forças condicionantes (mercado e ambiente) que agem sobre as organizações exigindo, sua contínua adaptação à nova realidade para sobreviver. CONJUNTURA CONCORRENTES Mudanças podem * Expansão dos afetar : atuais concorrentes * poder de influencia * Mercados : * Entrada de novos tamanho, concorrentes composição etc. EMPRESA FORNECEDORES Ação e CLIENTES * Querem maior reação em * Querem menor relação preço / face das relação preço / qualidade pressões qualidade * Querem menor * Querem maior competição competição possivel possivel TECNOLOGIAS PRODUTOS SUBST. * Podem tornar a * Impõe limitações empresa obsoleta de preços rapidamente * Podem tornar-se permanentes Fig. 7) Quadro demonstrativo dos fatores que agem sobre as empresas. Fonte Uhlmann apud Torres(1998, p.111)
  • 37. 37 O Primeiro Grupo Periférico O primeiro grupo periférico consiste em "empregados em tempo integral com habilidades facilmente disponíveis no mercado de trabalho, como pessoal do setor financeiro, secretárias, pessoal das áreas de trabalho rotineiro e de trabalho manual menos especializado"53. Trata-se, portanto, de um grupo de apoio, não necessariamente dotado do conhecimento do grupo central ( fig. 6). As oportunidades de carreira deste grupo são mais reduzidas do que a do grupo central, pois sua relativa baixa especialidade não acarreta grandes perdas para as organizações, caracterizando a alta rotatividade promovida pela facilidade de contratação e dispensa de pessoal. O Segundo Grupo Periférico O segundo grupo periférico possui uma flexibilidade numérica maior que o primeiro grupo. Alojam-se neste grupo “os empregados em tempo parcial, empregados casuais, pessoal com contrato por tempo determinado, temporários, subcontratação e treinandos com subsídio público, tendo ainda menos segurança de emprego do que o primeiro grupo periférico”54. A observação da realidade contemporânea permite a observação da coexistência de pessoas empregadas (carteira assinada), e das pessoas ocupadas (sem carteira assinada), que auferem sua renda da ocupação. As novas realidades do mercado indicam um novo direcionamento : este segundo grupo tende a apresentar um crescimento bastante significativo.55 Observa Harvey que “esses arranjos de emprego flexíveis não criam por si mesmos uma insatisfação trabalhista forte, visto que, a flexibilidade pode ser, às vezes, mutuamente benéfica. Mas os efeitos agregados, quando se consideram a cobertura de seguro, os direitos de pensão, os níveis salariais e a 53 Harvey (1996:144) 54 idem (1996:144) 55 ibidem (1996:144)
  • 38. 38 segurança no emprego, de modo algum parecem positivos do ponto de vista da população trabalhadora como um todo56. A constatação de um forte aumento da subcontratação ocorre não somente nas empresas americanas, segundo pesquisa do National Economic Development Council [Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico] apresentada por Harvey, ocorre tambem em empresas britânicas. Afirma Harvey a este respeito que “Isso segue um padrão há muito estabelecido no Japão, onde, mesmo no Fordismo, a subcontratação de pequenas empresas agia como protetor das grandes corporações do custo das flutuações do mercado”57. A conclusão a que se chega é que a “atual tendência dos mercados de trabalho é reduzir o número de trabalhadores centrais e empregar cada vez mais uma força de trabalho que entra facilmente e é demitida sem custos, quando as coisas ficam ruins”58. 56 Harvey (1996 : 144) 57 idem (1996:144) 58 ibidem (1996:144)
  • 39. 39 2.2 Decorrências estruturais Além das mudanças da estruturação e modelagem das organizações e dos processos de trabalho, tornou-se patente a modificação adaptativa das estruturas representativas dos trabalhadores. Sindicatos, outrora poderosos, lutam contra a contínua diminuição de seus quadros sociais e, portanto, da sua própria representatividade e conseqüente poder. Este tópico explora os efeitos da somatória destas mudanças estruturais sobre os modelos de gestão, procurando evidenciar uma dependência crescente por parte das organizações, de informações e adequações dos processos de trabalho. Evidenciando esta dependência tem-se por objetivo demonstrar a necessidade de uma gestão dos sistemas de informação combinada com os modelos organizacionais que resulta no aparecimento do Analista de Negócios e da Informação. Até a metade dos anos 70, os altos salários estavam concentrados no trabalho operário não qualificado59. Esta situação mudou drasticamente nos anos 90: os salários mais altos estão no trabalho com conhecimento, ou seja, no trabalho mais intelectualizado - dependente da acumulação de conhecimentos e da qualificação (longa e dispendiosa formação escolar formal). A evolução salarial do operariado durante este século pode ser encontrada nas afirmações de Drucker60 : - No início do século, operários americanos trabalhando 60 horas semanais alcançavam uma remuneração de US$ 250,00/ano, sem benefícios de qualquer espécie, o que correspondia a 1/3 do valor de um automóvel Ford modelo T. - Na atualidade, um trabalhador americano, trabalhando uma jornada de 40 horas semanais aufere, entre pagamentos diretos e indiretos (benefícios da ordem de aproximadamente 50%), uma remuneração anual da ordem de US$ 50.000,00. Esta remuneração, obtida de uma indústria sindicalizada de 59 Drucker (1996:83) 60 idem (1996)
  • 40. 40 produção em massa, é o suficiente para a aquisição de sete a oito automóveis pequenos. Considerando como referencial para esta análise o preço dos automóveis, este trabalhador teve um aumento de 20 vezes mais61! Estes níveis salariais foram solapados, após os anos 70, pelo ambiente competitivo, pela concorrência e superoferta. Diante desses fatores, não foi possível a manutenção dos níveis salariais, levando Drucker a constatar em 1987 um "inusitado declínio do volume de operários durante os últimos 15 anos. Em relação à população economicamente ativa, os operários em manufatura já foram reduzidos de mais de um terço para menos de um quinto da força de trabalho americana” 62. Para Drucker , este declínio do empregado convencional (grupo central), não é decorrência de uma recessão, pois a produção encontra-se em franca expansão. Esta queda pode ser explicada como um processo estrutural irreversível. A redução e emigração dos trabalhadores para outras atividades podem ser ilustradas pelas figuras 8 e 9, obtidas a partir de um trabalho publicado por Harvey (1996) e de sua atualização com dados estatísticos mais recentes da OCDE. ( Tab. 1 e 2). 61 Ford Modelo T = $ 750,00 / Excel =~$ 7000,00 ( Fator ~10) ( Remuneração anual início do século = $250,00 atualizando pelo preço do automóvel ( fator 10 ) = $ 2500,00. Remuneração atual efetiva = $50.000,00 logo um aumento da ordem de aprox. 20 vezes ( Dados auferidos de Drucker ( 1996, p.83) 62 Drucker (1996:84)
  • 41. 41 ESTRUTURA DO EMPREGO EM PAÍSES CAPITALISTAS AVANÇADOS ESCOLHIDOS NO PERÍODO 1960 - 1996, ILUSTRANDO, O AUMENTO DA ECONOMIA DE SERVIÇOS Porcentagem da População empregada em : País Agricultura Indústria Serviços 1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996 Austrália 10,3 7,4 6,5 5,1 39,9 35,5 30,6 22,5 49,8 57,1 62,8 72,4 Canadá 13,3 6,5 5,5 4,1 33,2 30,6 28,3 22,8 53,5 62,8 66,2 73,1 França 22,4 11,4 8,6 4,6 37,8 39,7 35,2 25,9 39,8 48,9 56,2 69,5 Al.Ocidental 14,0 7,5 5,9 3,3 48,8 47,5 44,1 37,5 37,3 45,0 49,9 59,1 Itália 32,8 18,3 13,4 7,0 36,9 39,2 37,5 32,1 30,2 42,5 49,2 60,9 Japão 30,2 13,4 10,0 5,5 28,5 37,2 35,3 33,3 41,3 49,3 54,7 61,2 Espanha 42,3 24,3 18,2 8,7 32,0 36,7 35,2 29,7 25,7 39,0 46,6 61,6 Suécia 13,1 7,1 5,6 2,9 42,0 36,8 31,3 26,1 45,0 56,0 63,1 71,0 Reino Unido 4,1 2,9 2,8 2,0 48,8 42,6 36,3 27,4 47,0 54,5 60,9 70,6 EUA 8,3 4,2 3,5 2,8 33,6 33,2 30,1 23,8 58,1 62,6 66,4 73,3 OCDE 21,7 12,1 10,0 8,5 35,3 36,4 33,7 27,8 43,0 51,5 56,3 63,7 Tab. 1) Quadro demonstrativo da estrutura do emprego em países capitalistas escolhidos. Fonte Harvey (1996, p. 149) e Relatório OECD/OCDE nr. 33 ( 1998) Agrupando pela media das Porcentagens da População empregada em : Agricultura Indústria Serviços 1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996 1960 1973 1981 1996 EUROPA 21,5 11,9 9,1 4,8 41,1 40,4 36,6 29,8 37,5 47,7 54,3 65,5 AMÉRICA Nor 10,8 5,4 4,5 3,5 33,4 31,9 29,2 23,3 55,8 62,7 66,3 73,2 ÁSIA 30,2 13,4 10,0 5,5 28,5 37,2 35,3 33,3 41,3 49,3 54,7 61,2 AUSTRÁLIA 10,3 7,4 6,5 5,1 39,9 35,5 30,6 22,5 49,8 57,1 62,8 72,4 MÉDIA TOTAL 18,2 9,5 7,5 4,7 35,7 36,3 32,9 27,2 46,1 54,2 59,5 68,1 Tab. 2) Quadro demonstrativo da estrutura do emprego resumido por continentes a partir da tabela 1 e graficamente demonstrada na figura 8. Abaixo, a representação gráfica das porcentagens acumuladas, por média aritmética simples e por localização geográfica, procura dar melhor visualização destes dados, percebendo-se esta nítida migração dos trabalhadores, ao longo deste final de século XX , da produção (indústria e agricultura) para a prestação de serviços (fig. 8 e 9).
  • 42. 42 EUROPA 70,0 60,0 50,0 AGRICULTURA 40,0 % INDÚSTRIA 30,0 SERVIÇOS 20,0 10,0 0,0 1960 1973 1981 1996 ANO Fig. 8) Gráfico demonstrativo da evolução da estrutura do emprego na Europa. Fonte : desenvolvido a partir de Harvey (1996, p. 149) e Relatório OECD/OCDE nr. 33 ( 1998). O grupo central de emprego formal e clássico, passou a sofrer uma redução acentuada, sem prejuízo dos volumes produzidos. Os fatores que levaram a esta condição foram: - a introdução de inovações tecnológicas e - a mudanças do perfil dos empregados ( formação de grupos periféricos).
  • 43. 43 AMÉRICA DO NORTE 80,0 70,0 60,0 50,0 AGRICULTURA % INDÚSTRIA 40,0 SERVIÇOS 30,0 20,0 10,0 0,0 1960 1973 1981 1996 ANO ÁSIA 70,0 60,0 50,0 AGRICULTURA 40,0 % INDÚSTRIA 30,0 SERVIÇOS 20,0 10,0 0,0 1960 1973 1981 1996 ANO AUSTRÁLIA 80,0 70,0 60,0 50,0 AGRICULTURA % INDÚSTRIA 40,0 SERVIÇOS 30,0 20,0 10,0 0,0 1960 1973 1981 1996 ANO MÉDIA TOTAL 80,0 70,0 60,0 AGRICULTURA 50,0 % INDÚSTRIA 40,0 SERVIÇOS 30,0 20,0 10,0 0,0 1960 1973 1981 1996 ANO Fig. 9) Gráfico da evolução da estrutura do emprego nos demais continentes. Fonte : desenvolvido a partir de Harvey (1996, p. 149) e Relatório OECD/OCDE nr. 33 ( 1998).
  • 44. 44 Exemplos ilustrativos desta evolução podem ser auferidos do trabalho de Rifkin 63, tais como os abaixo reproduzidos: Na indústria siderúrgica, pode-se encontrar o exemplo da United States Steel, referenciada como a maior empresa siderúrgica dos EUA. Para o mesmo volume de produção necessitava, em 1980, de um contingente de 120.000 funcionários; em 1990 eram necessários somente 20.000 prevendo reduções adicionais. Uma assombrosa redução da ordem de mais de 80% dos empregados formais. Nos anos 60, IAM ( International Association of Machinists) colocou em seu sindicato (Washington D.C) uma placa comemorando o número de 1.000.000 associados; nos anos 90, este número tinha caído para 600 mil. A poderosa General Eletric, já sob o comando de Jack Welch, experimentou uma evolução de seu faturamento (mundial) que pulou de US$ 27,2 bilhões em 1981 para US$ 60,2 bilhões em 1991. No mesmo período o número de empregados tradicionais ( contingente mundial), teve uma evolução negativa, regredindo de 404.000 em 1981 para 284.000 em 1991 conforme relatam Sherman & Tichy (1993)64. Na indústria de utilidades domésticas, sem redução de volume da demanda ou substituição por artigos importados, segundo Rifkin, a redução do contingente de funcionários foi diminuído de 196.300 pessoas em 1973 para 117.100 em 1991. Para 2005 projeta-se uma quantidade de somente 93.500 funcionários. Esta transformação da estrutura do mercado de trabalho teve como paralelo mudanças de igual importância na organização industrial. A organização industrial, concebida para uma produção em escala no modelo fordista, viu-se premida pela concorrência e pelos efeitos das mudanças de hábitos de consumo. 63 Rifkin (1995:145-150) 64 Sherman & Tichy (1993:12-19)
  • 45. 45 A economia de escala do modelo de produção fordista, gerando uma superoferta de produtos, chamada por Harvey (1996) de superacumulação, teve de enfrentar uma enxurrada de concorrentes advindos dos mais longínquos rincões. Estes concorrentes ofereciam produtos a preço baixo aproveitando-se, como um predador, das fraquezas de suas vítimas. “As economias de escala, buscadas na produção fordista de massa, foram substituídas por uma crescente capacidade de manufatura de uma variedade de bens e preços baixos em pequenos lotes ”65. Estas fraquezas que residiam parcialmente na superoferta de produtos, por outro lado, residiam também, no modelo de gestão da produção em massa. “A forma organizacional e a técnica gerencial, apropriada à produção em massa padronizada em grandes volumes, nem sempre, eram convertidas com facilidade para o sistema de produção flexível – com ênfase na solução de problemas, nas respostas rápidas e, com freqüência, altamente especializadas, e na adaptabilidade de habilidades para propósitos especiais "66. Para enfrentar os desafios e as mudanças as organizações industriais tiveram de se adaptar às novas regras do mercado. Assim sendo, as relações de trabalho tradicionais do grupo central, viram-se de frente com relações de trabalho pouco ortodoxas. O relacionamento tradicional, oneroso e apropriado para uma produção em massa e um consumo em massa contínuo, não mais encontrava continuidade. Estava sendo inviabilizado por relações inovadoras, e as relações tradicionais entraram em desuso nas economias ocidentais. Desta feita, passou a ser considerada “a subcontratação organizada a qual abre oportunidades para a formação de pequenos negócios e, em alguns casos, permite que sistemas mais antigos de trabalho doméstico, artesanal, familiar (patriarcal) e paternalista ("padrinhos", "patronos" e até estruturas semelhantes à da máfia) revivam e floresçam, mas agora como peças centrais, e não apêndices do sistema produtivo” 67. Assim, observou-se o “retorno de formas e produção que envolvem exploração em cidades como Nova Iorque, Los Angeles e Londres (que) se 65 Harvey (1996 :148) 66 idem (1996:146)
  • 46. 46 tornou objeto de comentários na metade dos anos 70 e proliferou, em vez de diminuir, na década de 80. O rápido crescimento de economias "negras", “informais” ou "subterrâneas" também tem sido documentado em todo o mundo capitalista avançado” 68. Assim sendo, a “ascensão de novas formas de organização industrial, o retorno de formas mais antigas (com freqüência dominadas por novos grupos de imigrantes em grandes cidades, como filipinos, sul-coreanos, vietnamitas e naturais de Taiwan em Los Angeles, ou indianos e nativos de Bangladesh no leste de Londres) representam coisas bem diferentes, em diferentes lugares. Às vezes, indicam o surgimento de novas estratégias de sobrevivência para os desempregados ou pessoas totalmente discriminadas (como os haitianos em Miami ou Nova Iorque), enquanto em outros casos existem apenas grupos imigrantes tentando entrar num sistema capitalista, formas organizadas de sonegação de impostos ou o atrativo de altos lucros no comércio ilegal em sua base”69 . A conclusão a que se chega é categórica: “em todos esses casos, o 70 efeito é uma transformação do modo de controle do trabalho e de emprego” , ou seja, a estruturação e organização do trabalho não mais poderiam permanecer com a configuração clássica, até então adotada. O modelo evolutivo descrito acentua necessidades de respostas mais rápidas, as organizações clássicas, enfocando uma continuidade, uma produção em massa caracterizada pelas grandes quantidades de um mesmo produto, estavam exauridas. Uma nova organização capaz de suportar uma produção de vários produtos em quantidades variáveis, em conformidade com a demanda, se fez presente. Produção esta, que, para que pudesse se efetivar requeria de informações e suporte contínuo em questionamentos do tipo - o que fazer (produzir), para quem ( cliente), com quais materiais ( logística), etc.-, questões determinantes para o sucesso do modelo. Uma organização ágil, flexível ( alta capacidade adaptativa às contínuas mudanças) passou a ser determinante, fato que deve ser levado em consideração na análise e 67 Harvey (1996:146) 68 idem (1996:145) 69 ibidem (1996:145) 70 ibidem (1996:145)
  • 47. 47 decorrente concepção do modelo de gestão destas organizações. A necessidade de um gestor que englobe, assuma não somente as informações, mas também o próprio modelo organizacional: o Analista de Negócios e da Informação. Continuando a explorar as mudanças encetadas no ambiente sócio- econômico, pode-se observar ainda, que as formas de organização tradicionais, tais como os sindicatos, também foram afetadas pelas profundas mudanças nas relações de trabalho. Os sindicatos que tiveram um papel fundamental na organização e fortalecimento do grupo de trabalhadores viram- -se de frente com uma situação desestabilizadora. Esse fato pode ser explicado tendo em vista que os sindicatos dependem de um grupo central numericamente representativo. A formação de grupos periféricos (prestadores de serviços ou temporários) ou a substituição dos trabalhadores por máquinas, ou seja, o desemprego tecnológico, fizeram com que a quantidade de trabalhadores sindicalizados diminuísse. Assim, os sindicatos perderam: - a massa crítica e - a força ( condicionada pelo volume dos trabalhadores das fábricas). As demonstrações da força dos sindicatos, no clamor por mudanças, retratadas em Tempos Modernos, de Charles Chaplin, estavam se esvaindo. Os sindicatos passaram a enfrentar tempos turbulentos. Os grupos não centrais constituíam um terreno ardiloso e de difícil acesso. Era-lhes “peculiarmente difícil ter acesso aos sistemas de trabalho familiares e domésticos. Os sistemas paternalistas são territórios perigosos para a organização dos trabalhadores, porque é mais provável que corrompam o poder sindical (se ele estiver presente) do que tenham seus empregados liberados por este do domínio e da política paternalista de bem estar do padrinho. Com efeito, uma das grandes vantagens do uso dessas formas antigas de processo de trabalho e de produção pequeno - capitalista é o solapamento da organização da classe trabalhadora e a transformação da
  • 48. 48 base objetiva da luta e classes. Nelas, a consciência de classe já não deriva da clara relação de classe entre capital e trabalho, passando para um terreno muito mais confuso dos conflitos interfamiliares e das lutas pelo poder num sistema de parentescos ou semelhantes a um clã que contenha relações sociais hierarquicamente ordenadas. A luta contra a exploração capitalista na fábrica é bem diferente da luta contra um pai ou tio que organiza o trabalho familiar num esquema de exploração altamente disciplinado e competitivo que atende às encomendas do capital multinacional”71 . As dificuldades das famílias para obter o seu ganho, aliadas a novos valores sociais e a procura por mão-de-obra mais barata fizeram, com que a mulher ingressasse no mercado de trabalho: “As novas estruturas do mercado de trabalho facilitam muito a exploração da força de trabalho das mulheres em ocupações de tempo parcial, substituindo assim trabalhadores homens centrais melhor remunerados e menos facilmente demitíveis, pelo trabalho feminino mal pago, como o retorno dos sistemas de trabalho doméstico e familiar e da subcontratação permite o ressurgimento de práticas e trabalhos de cunho patriarcal feitos em casa” 72. O ingresso da mulher no mercado de trabalho, observado nas economias desenvolvidas, deu-se, igualmente, nos países periféricos que buscavam alternativas para o modelo de produção em massa (fordista). O capital multinacional levou para o exterior o sistema fordista de produção em massa ( Fordismo periférico ), com a intenção de explorar a força de trabalho feminino, pois esta era: vulnerável, de baixa remuneração e negligente com relação à segurança. Esta exportação do modelo de produção em massa foi observada também por Peter Drucker73, ao descrever o programa “Maquiladora” implantado pelo México nos anos 60. O México, ao ter adotado uma política nacionalista restritiva ao ingresso de capitais estrangeiros, gerou um país “economicamente isolado, com 71 Harvey (1996:146) 72 idem (1996:146) 73 Drucker (1996: 51-54)
  • 49. 49 indústrias auto-sustentadas e controladas pelo governo, quando não de sua propriedade - que deveriam produzir somente para um mercado doméstico, fortemente protegido”74. As conseqüências relatadas por Drucker (1996) formam um México ainda mais pobre, ou seja, um país cujas famílias apresentam grandes dificuldades de sustento; além de um país dependente, dos Estados Unidos, em: alimentos, dinheiro, atividades bancárias, maquinarias e tecnologia. Os países depauperados constituem um solo fértil para a implantação do Fordismo periférico, pois, em sua essência, propõe relações de trabalho que barateiam os custos da produção. O Programa Maquiladora permitiu que em uma faixa contígua (fronteira com os Estados Unidos) fossem implantadas indústrias que embora estivessem situadas em terras mexicanas, o seu capital e, portanto, a sua gestão não eram obrigatoriamente mexicanos. O tratamento aduaneiro dispensado às indústrias atreladas ao Programa Maquiladora foi concebido de maneira específica e restritiva. O modelo fiscal fazia com que as indústrias mexicanas convencionais pagassem a importação de produtos e matérias primas industriais, ”impostos aduaneiros exorbitantes e enfrentam intermináveis aborrecimentos burocráticos”75. As chamadas 'maquilas', no entanto, importam estes mesmos produtos sem embaraços alfandegários (burocráticos e cobrança de tarifas aduaneiras). Estas ‘maquilas’ ao exportarem mercadorias para os Estados Unidos, tiveram a sua taxação aduaneira aplicada somente sobre o valor agregado no México. Como conseqüência deste programa, no início dos anos 90, meio milhão de pessoas estavam empregadas (estima-se que o volume de dependentes diretos oscilavam entre 2,5 a 3 milhões de pessoas). As maquilas passaram a responder por 4/5 das exportações de manufaturados do México conforme informa Drucker76. É inegável o benefício desse processo para as 74 Drucker ( 1996 : 52) 75 idem (1996:52) 76 ibidem (1996)
  • 50. 50 pessoas de um pais “pobre”, pois estas passam a encontrar um meio para o sustento de suas famílias, um meio para o seu desenvolvimento pessoal. O deslocamento da produção para outros centros de produção atinge inicialmente a mão-de-obra não qualificada, que gradativamente passa por uma especialização, pois surgem as necessidades de técnicos, engenheiros e administradores locais. Isso, para as organizações, não deixa de ser um barateamento de custos, uma vez que os salários são inferiores aos dos congêneres das fábricas de origem. Para as pessoas destes países emergentes, a expansão territorial do Fordismo representa uma oportunidade de desenvolvimento (maiores ganhos). Harvey, referindo-se à mão-de-obra não qualificada e aos baixos salários, acrescenta que programas deste tipo permitem que “administradores e a propriedade de capital norte-americano permaneçam ao norte da fronteira mexicana, enquanto se instalam as fábricas, que empregam principalmente mulheres jovens, ao sul da fronteira. É um exemplo particularmente dramático de uma prática que se tornou generalizada em muitos dos países menos desenvolvidos e recém - industrializados (as Filipinas, a Coréia do Sul, o Brasil etc.).”77 Os efeitos benéficos para as pessoas e para a economia dos países emergentes puderam ser verificados também nos países de origem. A exemplo disso, temos que as 'maquilas' “beneficiaram muito os Estados Unidos. Sem elas, muitas pequenas e médias empresas americanas teriam sucumbido, vitimas da concorrência dos baixos salários no exterior.”78 Por outro lado, a migração do capital, as mudanças tecnológicas e a superoferta de produtos levaram a uma situação desagregadora. “Novas técnicas e novas formas organizacionais de produção puseram em risco os negócios de organização tradicional, espalhando uma onda de bancarrotas, 77 Harvey (1996:146) 78 idem (1996:146)
  • 51. 51 fechamento de fábrica, desindustrialização e reestruturações que ameaçaram até as corporações mais poderosas”.79 Em resumo, pode-se concluir que o modelo tradicional de emprego, característico de uma produção em massa, está comprometido em face das novas realidades. As relações de trabalho, seja nos centros mais desenvolvidos seja nos centros do “Fordismo periférico” sofreram este impacto, e em muitos casos, o “empregado” passou para a condição de “ocupado” ou prestador de serviço, sem o tradicional vínculo empregatício. Por outro lado, a implantação do Fordismo periférico levou à descentralização das empresas. As organizações passaram a se fazerem presentes com plantas ( fábricas) em várias partes do mundo. A gestão de organizações esparsas, sua consolidação em termos contábeis, financeiros e das próprias políticas de produção e suprimentos requeria, cada vez mais, um sistema de informações, capaz de suportar as suas operações. Mais uma vez, se evidencia uma dependência crescente das informações e de uma correlata e adequada gestão destas informações corroborando para a consolidação da figura do Analista de Negócios e da Informação. No intuito de ilustrar as formas de relações de trabalho e convivência 80 entre diferentes modelos, mostra-se uma tabela apresentada por Harvey a partir de um trabalho elaborado por Deyo (1987) (tab. 3): 79 Drucker (1996:52) 80 Harvey ( 1996:147)
  • 52. 52 Tipo de Forma Base de Política de Produção Exploração Produção Autônoma Consultores, troca de bens e individualista e artesãos e setor serviços regida pelo informal mercado, antimonopólio ou regulamentação estatal Cooperativa coletivos e acordos internos, negociação cooperativas intercâmbio externo Patriarcal pequenas firmas parentesco paroquial familiares baseado em (exploradoras) idade e sexo Paternalismo grandes firmas comunidade aparência e status comunitário domésticas baseada em (trabalho duro) normas, em costumes e na força Paternalismo sistemas racionalidade, possibilidade de burocrático corporativos e de lealdade e ascensão gerência estatal antigüidade funcional e calculadas competição dentro das organizações Patrimonial impérios relações de poder barganhas, hierarquicamente e troca de favores ganhos mútuos e organizados na (privilégio lutas dinásticas produção, no tradicional) comércio ou nas finanças Proletária empresa compra e venda competição do capitalista e de força de mercado, ação sistema de trabalho e coletiva, fábricas controle sobre o negociação e luta processo de de classes trabalho e os meios de produção Tab. 3) Formas de Relações de Trabalho. Fonte Harvey apud Deyo (1996, p.147) As relações de trabalho sofreram, ao longo do século XX, uma mudança radical. Não se pretende, neste momento, entrar no mérito social destas
  • 53. 53 alterações, mas sim enfocá-las no que concerne às organizações cujo objetivo desde o inicio do século é : “maximizar os ganhos a médio prazo por ação”81. Este mesmo objetivo, na realidade atual, ganha uma abordagem mais ampla. Embora o objetivo principal continue sendo o lucro ( “obter lucro a fim de continuar operando ou fabricando produtos, cada vez mais e melhor”82), o lucro passou a ser visto como um meio para outros fins e não um fim em si mesmo. As inovações tecnológicas e econômicas, conforme procurou-se demonstrar, influenciaram profundamente os processos de trabalho que continuam a requerer as sofisticações não exigidas nos modelos iniciais. Os processos efetuados por grupos - centrais e periféricos - e processos transferidos dos centros desenvolvidos para regiões emergentes, geograficamente distantes, requerem um intercâmbio de informações nunca antes presenciado. Este intercâmbio de informações é tratado por Drucker ao estimar "que os novos trabalhadores, que trabalham com dados em vez de coisas, já perfazem pelo menos um terço, e , mais provavelmente, mais de dois quintos de todos os empregados” 83. As organizações, no limiar do século XXI, apresentam, um quadro no qual predomina a citada concentração e dependência de informações, levando- se a concluir pela necessidade de uma figura que as adapte, direcione, e molde. A necessidade do surgimento da figura do Analista de Negócios e da Informação parece estar se consolidando celeremente. 81 Handy (1996:37) 82 idem (1996 : 38)
  • 54. 54 2.3 Hábitos de consumo e suas conseqüências Procurou-se com os tópicos anteriores efetuar uma análise das organizações e de seus processos, rumo à necessidade de um complexo sistema de informações. Com o fim precípuo de melhor sedimentar esta necessidade, entendeu-se que esta estaria incompleta caso não fosse abordada também a questão dos hábitos de consumo. Considerando as empresas sob a óptica do Fordismo, a acumulação flexível evoluiu e “foi acompanhada na ponta do consumo, portanto, por uma atenção muito maior às modas fugazes e pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural que isto implica”84. A análise evolutiva das organizações e dos modelos de gestão não pode passar, portanto, ao largo de uma análise dos padrões de consumo. Não importando, para os efeitos desta análise, se a organização se dedica à produção de mercadorias, de bens industriais, ou efetua a prestação de serviços, pois sua relevância reside no fato de que todas as organizações são dependentes e condicionadas pela demanda do consumo. No início do século, em sua forma original, o termo consumo era concebido como: destruir, saquear, subjugar e exaurir. O ato de consumir, "até o presente século, tinha apenas conotações 85 negativas” . A partir dos anos 20, começou a ocorrer, em passos sucessivos, a “metamorfose do consumo, de vício a virtude, transformando-se em um dos fenômenos mais importantes( ... ) do século XX"86. Os princípios da “ética protestante do trabalho, que até então havia dominado a fronteira do ethos americano, estavam profundamente enraizados. Parcimônia e poupança eram a base do modo de vida americano, parte da antiga tradição ianque que havia servido de marco a gerações inteiras de americanos, assim como uma âncora para os imigrantes recém-chegados, 83 Drucker ( 1995 : 17) 84 Harvey ( 1996:148) 85 Rifkin (1995: 19) 86 idem ( 1995 : 19)
  • 55. 55 determinados a construir uma vida melhor para as gerações de seus filhos. Para a maioria dos americanos, a virtude do auto-sacrifício, continuava a prevalecer sobre a tentação da gratificação imediata no mercado de consumo”87 . A crescente industrialização, aliada aos aspectos das inovações tecnológicas, não poderia assegurar a sua expansão ou mesmo conviver, em um mercado no qual o consumo fosse considerado hediondo. O crescimento da sociedade urbana nos EUA (imigração externa e migração interna), em face da industrialização, criou um grupo social que, tendo abandonado as suas atividades anteriores, auferia o seu sustento dos salários percebidos na indústria. Uma produção menor ou sem expansão, aliada à crescente introdução de tecnologia - máquinas e equipamentos - colocaria este contingente em uma situação difícil (não satisfação das suas necessidades) por obstruir o ganho, via salário. Fez-se necessário o surgimento de uma nova concepção de consumo e que eliminasse seus aspectos negativos e pejorativos (consumir é pecado). Neste sentido, fez-se necessária a substituição da “ênfase na produção (…) para a economia do consumo (…) na qual os economistas voltavam a sua atenção intelectual para o consumidor. O 'marketing' que, até então, havia desempenhado um papel secundário nos negócios, assumiu nova importância. Da noite para o dia, a cultura do produtor transformava-se na cultura do consumidor” 88. A percepção da importância do consumidor final pelas organizações, como sendo o alvo, sem o qual não haveria produção, começou, já no início da industrialização em massa, a se cristalizar. “Os negócios aprenderam, como jamais haviam aprendido antes, a importância do consumidor final. A não ser que pudesse ser persuadido a comprar prodigamente, a sucessão de carros de seis cilindros, cigarros, batons e refrigeradores elétricos estaria encalhada nos 87 Rifkin ( 1995 : 20) 88 idem (1995 : 20)
  • 56. 56 seus pontos de venda”89. Desta maneira, estava dada a largada para transformar o trabalhador americano em um consumidor. Os economistas Hazel & Kyrk (1923), foram ‘felizes’ em entender as vantagens desta nova abordagem consumista. “Os luxos dos prósperos precisavam ser transformados em necessidades das classes mais pobres. A superprodução e o desemprego tecnológico podiam ser amenizados, e até mesmo eliminados, bastando para isso que a classe trabalhadora fosse conscientizada para o consumo dinâmico do supérfluo”90. Instituíram-se campanhas mercadológicas que criaram a insatisfação organizada do consumidor. O apelo era gerar satisfação via modelos mais avantajados, mais potentes ou simplesmente mais novos. Uma prática que pode ser observada até hoje, por exemplo, na indústria automobilística. Sucederam-se as campanhas para substituição dos produtos alimentícios caseiros por industriais. Na indústria têxtil, as campanhas passaram a valer-se do conceito da moda passageira, geradora de novas ‘necessidades’. Os produtos genéricos foram substituídos por produtos de ‘marca’ , outros tiveram o seu uso redirecionado. A Coca Cola, inicialmente vendida como remédio para dor de cabeça, pôde ser vista como um exemplo clássico deste redirecionamento. A dor de cabeça é esporádica, o que não acontece com a sede, gerando, portanto, um consumo muito mais acentuado. O apelo mercadológico por status gera ou, ao menos, procura gerar, uma coação social (para obter e manter o status) que induz o consumo ( a moradia e suas instalações, o carro, a indumentária etc. são exemplos de produtos que conferem maior ou menor status aos seus detentores. ). Um forte sistema de crédito ao consumidor sustentava e consolidava o consumo nos anos 20 deste século. “Mais de sete milhões de famílias de classe média baixa migraram para os subúrbios [...] a residência suburbana tornou-se tanto uma exibição quanto uma moradia [....] os anunciantes concentravam suas atenções 89 Rifkin ( 1995 : 21) 90 idem ( 1995 : 21)
  • 57. 57 nos novos “aristocratas” suburbanos, determinados a encher seus castelos com uma coleção interminável de novos produtos e serviços”91. Em menos de uma década pôde-se constatar uma mudança radical na postura do povo americano que, um pouco antes da Grande Depressão (1929), quebrava a corrente de consumo. Atribui-se a quebra desta corrente ao endividamento dos consumidores e à falta de repasse dos lucros gerados (atividade produtiva) para a classe trabalhadora . “A maioria dos empregadores preferia embolsar o lucro extra obtido com o aumento da produtividade, a transferi-lo para os trabalhadores, na forma de aumentos salariais”92. O entendimento de Henry Ford foi uma exceção, pois recomendava aos empregadores que remunerassem melhor seus trabalhadores, caso contrário o mercado consumidor estaria comprometido. Derivava esta postura de Ford da convicção de que, somente o consumo em massa poderia sustentar o sistema como um todo. No entanto, Ford foi incapaz de deter a queda do consumo e a conseqüente depressão, porque tomou esta medida sozinho. A organização industrial fordista de concepção taylorista preconizava uma contínua redução dos custos de produção para proteger as margens de lucro pretendidas. Esta contenção dos custos afetava negativamente os ganhos auferidos pela classe trabalhadora. A divisão do trabalho, a alta especialização (tarefas menores e de menor remuneração), a fácil substituição do operário por outro e a sua substituição por maquinas, faziam as suas primeiras vítimas. Os trabalhadores foram as primeiras vítimas do processo e viram seus ganhos sendo solapados e o seu poder de compra diminuído. Inicialmente sustentado por artifícios creditícios (fato criticado, porém sem sucesso), “Os produtos foram financiados mais rapidamente do que podem ser produzidos”93. A quebra da corrente creditícia, da aquisição financiada, provocou um círculo vicioso que contribuiu para a Grande Depressão iniciada em 1929. 91 Rifkin (1995:23) 92 idem ( 1995:24) 93 ibidem (1995:25)
  • 58. 58 “Muitos políticos e líderes empresariais da época, estavam tão obstinados pela idéia de que a oferta cria a demanda, que foram incapazes de ver a dinâmica negativa que estava levando a economia para a maior depressão [...] as corporações americanas investiram milhões de dólares em propaganda e campanhas publicitárias, na esperança de convencer a força de trabalho ainda empregada a participar de uma orgia de consumo”94. O aprofundamento da depressão e seus efeitos devastadores sobre o consumo e a sociedade acabaram por desembocar em programas de restauração do consumo e do emprego. O trabalho, ainda que em jornadas reduzidas, foi o mote do enfoque governamental de Franklin Delano Roosevelt com o seu New Deal: “[…] nosso principal objetivo é criar empregos tão rapidamente quanto pudermos [...] a meta de todo esse esforço é restaurarmos nosso rico mercado interno por meio do aumento de sua imensa capacidade de consumo [...] a demanda reprimida das pessoas é muito grande e se pudermos libertá-la numa frente ampla, não precisaremos temer uma recuperação defasada”95. Estava dada a largada para a recuperação da economia via consumo (criação de empregos que, por sua vez, gerariam um aumento do consumo). A classe trabalhadora, ou seja, a massa populacional geradora do consumo em massa (base de sustentação da produção em massa fordista), seria restaurada e revitalizada. O programa para o progresso do trabalho WPA ( Works Progress Administration) foi um dos programas de revitalização econômica que tiveram como objetivo “estimular de imediato o poder aquisitivo do consumidor” 96. Os princípios Keynesianos97, adotados por Roosevelt, foram expressos com nitidez por Harry Hopkins presidente do WPA, quando afirmou que: a prioridade do governo era “aumentar a receita nacional para que os menos favorecidos - um terço da população americana - pudessem tornar-se consumidores e dessa forma participar da economia. A tarefa do governo era 94 Rifkin ( 1995: 24) 95 idem ( 1995:31) 96 ibidem (1995 : 31)
  • 59. 59 dar empregos, renda e maior poder de compra, para reativar a máquina econômica”98. Esta abordagem Keynesiana fez com que os gastos do governo (governo como consumidor) saltassem dos de 12% do PIB em 1929 para 33,2% do Produto Interno Bruto em 1975.99 A recuperação plena da economia americana ocorreu com o grande consumo gerado pela II Guerra Mundial. Os gastos governamentais passaram dos US$ 16,9 bilhões dispendidos antes da guerra, para mais de US$ 51,9 bilhões após um ano de guerra, chegando a atingir US$ 81,1 bilhões em 1943. Os gastos no pós- guerra (Guerra Fria) continuavam em ascensão mantendo ativo o consumo, a produção em massa e, por conseguinte, o bem-estar social preconizado pelo modelo Keynesiano. O consumo, gerado e mantido pela política fiscal governamental, atingiu na década de 80 um volume da ordem de US$ 2,3 trilhões destinados à segurança militar.100 Os valores apresentados demonstram que “A Guerra Fria e a Guerra do Vietnã aceleraram o fluxo de dólares do governo para a indústria da defesa, assegurando expansão da economia e emprego para muitos”101 . A alocação de recursos governamentais na atividade de defesa, na área militar, não foi exclusiva dos EUA. De uma maneira bastante genérica pode ser observado em todo o planeta, “hoje até países pequenos e pobres - Peru, Líbia, Iraque - possuem um poderio bélico maior e mais destrutivo do que a maioria das grandes potências no início da II Guerra Mundial”102. Esta abordagem da manutenção do consumo e, consequentemente, da produção em massa (gastos governamentais, sobretudo para o setor militar), foi mantida e permaneceu reinando nas economias desenvolvidas até os anos 70. O modelo manteve-se enquanto os recursos governamentais para a sua manutenção foram suficientes. 97 A gestão econômica pelo governo através de uma política fiscal voltada ao estado do bem estar social 98 Rifkin ( 1995 : 32-34) 99 idem ( 1995 : 34) 100 ibidem ( 1995: 33-34) 101 ibidem (1995:34) 102 Drucker (1993:36)
  • 60. 60 Os governos, pródigos em gastar, necessitavam de recursos para que pudessem manter esta política (ativar o consumo via gastos governamentais). “Em 1960 o déficit federal dos EUA superou US$ 59 bilhões e a dívida interna chegou a US$ 914,3 bilhões. Em 1991, o déficit superava US$ 300 bilhões e a dívida chegava a assombrosos US$ 4 trilhões” 103. Estes novos problemas fizeram com que “em algum momento entre 1965 e 1973 nós cruzamos um marco divisório e ingressamos no ‘próximo século’, deixando para trás convicções, compromissos e alinhamentos que haviam moldado a política por cem ou duzentos anos”104. O consumo em massa gerado (direta ou indiretamente) pelos gastos governamentais (poderio bélico), tornou-se contraproducente. Relata Drucker que fizera parte de uma comissão consultiva do Departamento de Defesa sobre aquisição de materiais e contratação de pessoal (início do governo Kennedy). As conclusões apresentadas por esta comissão não poderiam ser taxadas de antimilitares, pois a sua composição era eclética (três empresários, três altos oficiais militares e três professores universitários) o suficiente a ponto de coibir este argumento. Decorridos nove anos, a comissão chegou a uma conclusão : “as armas haviam se tornado contraproducentes, até mesmo em termos militares” 105. Uma análise dos gastos governamentais em armamentos veio a demonstrar que o efeito benéfico inicial - impulsionador do consumo - viciou o consumo e o modelo de produção. Os pesados gastos em material bélico dos EUA foi uma das maiores causas - “talvez a mais importante - do país ter perdido o seu vigor competitivo e da economia americana ter perdido a sua 106 posição de liderança” para países como o Japão, que não gastaram o erário público no consumo de artigos bélicos. Drucker argumenta que países como o Japão, ao não enfocarem o consumo bélico, fizeram com que a economia se voltasse ao mercado, à pesquisa de novos produtos e de tecnologias de produção. Voltadas, portanto 103 Rifkin (1995 : 40) 104 Drucker (1993:4) 105 idem ( 1993:37)
  • 61. 61 ao consumo não militar, voltadas ao mercado de consumo civil. “Nos Estados Unidos um terço dos engenheiros trabalham para a defesa militar do país. Se um tecnólogo japonês está ocupado projetando a lateral de um carro de passeio, seu colega americano de mesma competência estará quase certamente projetando um novo tanque ou idealizando instrumentos para a Guerra nas Estrelas”107. Este direcionamento da indústria ocidental para o campo bélico em detrimento do atendimento ao mercado consumidor civil encontra-se também relatado em “A Máquina que mudou o Mundo”108. Ao referir-se à indústria automobilística - chamada por Drucker de “indústria das indústrias”, seus autores informam que “após a Segunda Grande Guerra, Eiji Toyoda e Taiichi Ohno, da Toyota japonesa, foram pioneiros no conceito da produção enxuta. O salto japonês para a atual proeminência econômica, logo se seguiu, na medida em que outras companhias e indústrias japonesas copiaram este notável sistema”109. O avanço da indústria automobilística japonesa em detrimento da norte americana pode ser verificada no quadro abaixo (fig. 10). 106 Drucker ( 1993:40) 107 idem (1993:40) 108 Womack et. al. (1992) 109 idem ( 1992 : 1)
  • 62. 62 Participação das Com panhias de Propriedade Norte Am ericana no Mercado Norte Americano de Autom óveis ( 1955 a 1989 ) Auferido de Womack, J,P em A Maquina que Mudou o Mundo pg. 33 100 75 Porcentagem 50 25 0 1955 1958 1961 1964 1967 1970 1973 1976 1979 1982 1985 1988 1989 ANO Fig. 10) Segmentação do Mercado Automobilístico dos USA. Womack et.al. (1992, p. 33)
  • 63. 63 2.4 O desafio do marketing A demanda em crise, demonstrada no tópico anterior, gerou uma desestabilização do equilíbrio da produção em massa. Um novo desafio para as organizações - sejam estas governamentais, produtoras de bens ou prestadoras de serviços - estava lançado. Aqui pretende-se demonstrar que este novo desafio requererá, cada vez mais, apuradas soluções organizacionais baseadas em informações e modelos de gestão pertinentes. As informações são vitais para a orientação da organização e, com esta constatação, pretende-se realçar novamente a atuação do Analista de Negócios e da Informação. O declínio do poder produtivo ocidental relacionado a produtos destinados ao uso civil, bem como as dificuldades verificadas para encontrar o consumidor final foram analisadas por Davidow & Mallone. “A fabricação em massa havia mudado o escopo da produção para o volume (...) a qual levou à criação de imensos canais de distribuição para a entrega dos frutos da produção ao maior número possível de clientes”110. Em outras palavras, o conceito da produção em massa (“economia de escala”) foi levado e aplicado na distribuição de produtos. O relacionamento direto com o cliente - consumidor - não podia ser concretizado em razão dos volumes transacionados. Para que as vendas se concretizassem, “os grandes fabricantes tiveram de recorrer a ferramentas alternativas - lojistas locais, catálogos e anúncios em jornais e revistas - para fazer as vendas” 111. O marketing tornou-se a ferramenta para “convencer o cliente a aceitar a produção em massa, tornou-se, cada vez mais importante, nas décadas finais do século passado e no início deste, quando uma explosão de novas tecnologias (…) exigia que a base de clientes não só comprasse produtos fabricados em massa para substituir os existentes, mas também aceitasse produtos inteiramente novos, sem precedentes históricos” 112. 110 Davidow & Malone ( 1993 : 212) 111 idem ( 1993 : 212) 112 ibidem ( 1993:212)
  • 64. 64 A proliferação de anúncios, seja nos meios tradicionais (lojistas locais, catálogos e anúncios em jornais e revistas), seja nos meios que as inovações tecnológicas vieram a acrescentar, (o Rádio, a Televisão, o Fax e a Internet), acabaram por consolidar o que Davidow & Mallone (1993) chamaram de: “Marketing de massas”. Este marketing de massas já era observado por ocasião da grande depressão nos EUA. Os programas mercadológicos visando ao estímulo do consumo, foram um exemplo típico. No pós-guerra, com a grande depressão vencida pela abordagem Keynesiana, estes programas foram mantidos. No auge da produção em massa “a cacofonia de anunciantes concorrentes havia ficado tão alta que era difícil para qualquer fabricante fazer-se ouvir acima do ruído”113 . Novas e mais refinadas alternativas para atingir os consumidores foram se instalando. A mala direta, espaços nas artes, nas publicações, enfim múltiplas formas passaram a atingir um consumidor cada vez mais sufocado. “O marketing de massa derramou-se em todos os cantos da vida moderna (…) contudo, tudo isso não passa de permutações de uma única estratégia : moldar os seres humanos para que ajam como clientes prontos para os bens produzidos em massa”114. A produção em massa gerou uma superoferta de produtos, sem cumprir a sua promessa da redução de custos em função da escala. A própria economia de escala acabou por constituir uma cilada para o modelo da produção em massa. A multiplicação de modelos e acabamentos exigidos pelo marketing para atender a segmentos específicos de consumidores, minava as possibilidades de se produzir em larga escala. A, cada vez mais presente, produção flexível em Just in Time trazia inegáveis vantagens em termos de custo. O Fordismo de massa procurou se antepor ao avanço das economias orientais efetuando uma superoferta de mensagens aos consumidores. O conjunto dos desdobramentos negativos da abordagem de massa fizeram com 113 Davidow & Malone ( 1993: 212)
  • 65. 65 que “numa grande parcela dos negócios americanos, o consumidor impulsivo do pós-guerra, que era puxado de um lado para o outro por tendências e modismos, irá desaparecer - e a única população considerável de consumidores a ser capturada para novos negócios será a dos insatisfeitos com seus fornecedores correntes”115. Estava instalado o clima de “guerra”. A luta pela sobrevivência das organizações passou a exigir cada vez maiores, céleres e perspicazes adaptações nas formas de se atingir o consumidor - produção e gestão. O mercado de produtos embalados é citado como um exemplo aplicável a inúmeros outros segmentos. Davidow & Mallone destacam a infidelidade do consumidor tradicional que migra das marcas tradicionais para as marcas próprias dos distribuidores em razão dos preços serem mais atrativos. Este segmento mercadológico tido como “até recentemente um dos mais lucrativos entre os produtos de consumo” passou a enfrentar uma “tendência comum a todas as nações industrializadas” . “Os fabricantes de bens embalados estão sob o ataque de todos os lados. Os métodos tradicionais de promoções de marcas, como a propaganda pesada, estão cada vez menos eficazes, quando os custos sobem, as audiências da televisão declinam, a lealdade à marca se enfraquece e melhora a qualidade das marcas próprias ... Também a escala não mais provê vantagens significativas em custos para os grandes fabricantes; têm surgido fornecedores menores, especializados e com menores custos indiretos. Assim, as margens de lucro foram e estão sendo cada vez corroídas à medida em que as empresas cortam preços para reduzir as quedas de volumes”116. O marketing de massa que, até então, moldava os consumidores, passou a enfrentar uma nova situação “o desafio da nova era dos negócios (…) 117 adaptar o produto ao consumidor e não vice-versa” . Instalava-se o término dos tempos da solução via marketing institucional (panacéia para todos os males). Herbert Maneloveg, especialista em mídia, afirma: “decidimos que a 114 Davidow & Malone ( 1993:212) 115 idem ( 1993:213) 116 ibidem (1993 : 214)
  • 66. 66 resposta à maioria dos problemas é a consciência da marca, sem diferenciação significativa do produto (…) e acho que estamos todos sofrendo por isso”118. Com estas constatações, não se pode conceber um relacionamento com o mercado calcado somente no poder de persuasão da comunicação e distribuição em massa. O consumidor passou a desejar o “seu” produto, adaptado às suas aspirações, necessidades e, porque não, possibilidades em termos de disponibilidade de recursos. A capacidade adaptativa tornou-se mandatória nas organizações que têm que atender os desejos e os anseios do consumidor que cada vez fica mais exigente e cônscio. É esta a condição a ser preenchida pelas organizações que desejarem permanecer na constelação empresarial do século XXI. O executivo Dan Gipple da O&M Direct inglesa expressa sua preocupação com o futuro das organizações que, ainda, não conseguiram se desvencilhar dos ditames da cultura de massa, afirmando “fico surpreso com a quantidade de empresas que ainda estão preparadas para vender os seus produtos, quer se tratem de sistemas de som ou de bebidas, sem considerar as informações como orientação vital a ser seguida no futuro. O futuro dependerá da construção de relacionamentos”119. Estes relacionamentos não estão baseados somente numa relação fugaz de compra por impulso, mas sim em um relacionamento mais sólido calcado em princípios de valor, “de respeito da credibilidade, da qualidade, do atendimento, da integridade e das satisfação, com a empresa e o produto” 120. Entender o cliente, as sua expectativas e dos seus padrões de comportamento tornou-se fundamental. Segundo Crosby, os clientes são “pessoas que não querem ser conduzídas : querem ser livres para fazer o que querem; querem prosperar ou ser privadas de algo como conseqüência do que fazem ou deixam de fazer, não querem uma espécie de grupo misterioso 117 Davidow & Malone ( 1993 : 213) 118 idem ( 1993 : 215) 119 ibidem ( 1993 : 216) 120 ibidem ( 1993:218)
  • 67. 67 planejando cada detalhe de suas vidas, querem que o governo e a aristocracia dominante as deixem em paz”121. Acompanhar a evolução da satisfação deste cliente requer novos modelos de marketing e novas estruturas organizacionais preocupadas e voltadas à satisfação - inicial e continuada - deste cliente. A coleta, análise e ações de informações requerem um aproveitamento melhor das capacidades instaladas no sentido de promover ações rápidas. Os resultados daí auferidos, muitas vezes, poderão ser sentidos a longo prazo, pois, “são necessários anos para adquirir credibilidade, montar uma grande infra-estrutura de serviços e estabelecer relações profundas e duradouras com os clientes”122. A premência destas ações em um ambiente de concorrência acirrada pode ser ilustrada com as palavras de Davidow & Malone. “Os padrões de serviço estão subindo. À medida em que os concorrentes prestam serviços cada vez melhores, os clientes tornam-se mais exigentes, suas expectativas crescem. Quando o atendimento de todas as empresas é inferior, fazer bem algumas coisas pode lhe valer uma reputação de salvador de clientes. Mas quando um concorrente se destaca de grupo como líder em serviços, você precisa fazer umas porção de coisas da maneira certa. De um momento para o outro, atingir a liderança em serviços custa mais e leva mais tempo. Pode até ser impossível, se o concorrente contar com uma dianteira muito grande. Quanto mais você esperar, mais difícil será produzir serviços que se destaquem”123. A crescente necessidade de informações na gestão de uma organização também fica patente ao analisar-se o consumo. O espanto de Dan Gipple da O&M Direct testemunha este fato. A sua surpresa, ao identificar que muitas organizações atuam sem considerar as informações como orientação vital, é prova cabal. As estruturas organizacionais capazes de atender às exigências do mercado consumidor, capazes de criar e manter um relacionamento, 121 Crosby ( 1993 : 6) 122 idem ( 1993 : 218) 123 Davidow & Malone (1993 : 221)
  • 68. 68 caracterizado por um respeito da credibilidade, da qualidade do produto, do atendimento e da satisfação com a empresa e o produto, só podem ser entendidas como factíveis se tiverem o suporte de um poderoso sistema de informações. Sabidamente, “organização é qualquer empreendimento estruturado e constituído para um determinado fim, ou seja, é um conjunto de elementos, que formam um todo logicamente agrupado, interdependentes entre si, para a consecução de um objetivo”124. Portanto, as empresas são sistemas “não gerados pela natureza, nem dotados naturalmente de sistemas de comunicação, de feedback, concluindo-se que devem ser dotados de sistemas de controle que darão os avisos os quais irão orientar este sistema (…) para que se mantenha no rumo dos objetivos para os quais foi concebido”125 . Havendo uma necessidade de criação de sistemas ( de informação e organizacionais), haverá, por conseqüência, a necessidade de alguém os conceber, manter e continuamente adequar. Mais uma vez, encontra-se evidenciada a necessidade de um profissional que se responsabilize por estes sistemas, ou seja, do Analista de Negócios e da Informação. Neste trabalho entende-se que os negócios devam estar voltados para a atividade fim da organização, e a informação , os sistemas de informação, devem viabilizar esta atividade fim. 124 Uhlmann (1997: 9) 125 idem ( 1997 : 12)
  • 69. 69 3.0 O Estado - Nação e as organizações Pretende-se compreender aqui, o poder e participação do Estado na gestão econômica, e seus desdobramentos sobre as organizações daí decorrentes. A abordagem das conseqüências do consumo e das medidas para reativá-lo foi realizada. Agora, trata-se de esboçar o papel da organização 'governo' em alguns aspectos julgados particularmente relevantes para as organizações e seus modelos de gestão. Procurará evidenciar, como todos os demais tópicos o fizeram, uma transformação do macroambiente - rumo à sua expansão para um macroambiente globalizado que exigia e continua exigindo, cada vez mais, uma ágil adequação organizacional. Esta adequação, mais uma vez, não poderia prescindir das informações e de sistemas (organizacionais e de informação) e, de um profissional ( O Analista de Negócios e da Informação) que os concebesse e continuamente adequasse à nova realidade. No início do século, o pensamento econômico capitalista estava fundamentado no Liberalismo Econômico (Laissez faire, laissez passer), caracterizado pela ausência de participação do Estado na gestão econômica, pois, entendia-se que tudo se regularia pela atuação de uma “mão invisível” : o mercado, segundo Adam Smith. Neste sentido, o mercado foi definido como uma ”milagrosa instituição social (...) livre de toda e qualquer restrição, o livre jogo das forças da oferta e da procura (...) canalizando as motivações egoístas e interesseiras dos homens para atividades mutuamente complementares que promoveriam de forma harmoniosa o bem estar de toda a sociedade. O funcionamento desses mecanismos implicava a supressão das regras, orientações e restrições de cunho paternalista, e nisso residia o seu maior encanto”126 . O liberalismo se contrapunha aos princípios de seu oponente maior, Karl Marx. A crítica marxista considera a exploração da massa trabalhadora, em nome de lucros cada vez maiores, como selvagem. Por outro lado, o princípio capitalista da procura do lucro, é um dos fatores clássicos que levou as 126 Hunt & Sherman (1991: 67)
  • 70. 70 organizações à busca da eficiência. Materializou-se esta busca da eficiência, nas teorias administrativas, científica e clássica de F. Taylor e de H. Fayol, respectivamente. Julgou-se mister apresentar algumas considerações sobre o liberalismo, a fim de se compreender o impacto da nova doutrina sobre o macroambiente e suas repercussões sobre as organizações até o início do século XX. Para tanto, valendo-se de uma adaptação efetuada a partir dos trabalhos de Hunt & Sherman (1991), pode-se assim afirmar: A pressão da demanda, em rápida expansão, e as perspectivas de lucros elevados produziram, no final do século XVIII e no princípio do século XIX, uma "verdadeira explosão da atividade inventiva". Nesse período de profundas inovações - que se convencionou chamar de Revolução Industrial - a Inglaterra (e, posteriormente, a Europa Ocidental e a América do Norte) transformou-se numa sociedade urbana, dominada por grandes cidades manufatureiras. Nestas cidades, multidões de trabalhadores eram submetidos a uma disciplina de produção fabril desumanizadora. Nesse período, a ideologia liberal clássica conquistou, definitivamente, o pensamento econômico e social. A nova ideologia caracterizava os homens como indivíduos essencialmente egoístas, frios, calculistas, indolentes e independentes da sociedade a que pertenciam. Segundo a análise de Adam Smith127 (cf. Rifkin 1995), o mercado era a "mão invisível" que canalizava as motivações egoístas dos homens para atividades de maior utilidade social. Esse conceito de mercado fundamentou a doutrina do laissez-faire. Segundo essa filosofia, competia aos governos assumirem exclusivamente as funções que respaldassem e incentivassem as atividades lucrativas. Nos Estados Unidos foi concebida, por Mark Hanna, no final do século passado, uma corrente de pensamento político fundada na crença de uma política econômica caracterizada pelo desejo de prosperidade. Esta corrente propunha para a realização deste fim, a aglutinação de todos os blocos de interesses em torno da idéia de prosperidade dos EUA. Para tanto, fazia-se
  • 71. 71 necessária a promoção de uma integração entre o corpo político representante destes grandes “blocos de interesses”128. A citada integração deveria se consolidar por meio do consenso, e assim, evitar o conflito direto. Esta postura é diferente e discordante do liberalismo, pois não concebe a "mão invisível" do mercado com poderes suficientes para se auto-regular, sem no entanto resvalar para o pensamento socialista de Karl Marx. Esta nova concepção política não saiu, no entanto, do papel. O princípio do consenso ( união em torno de um interesse comum ), implícito na concepção de Mark Hanna, no entanto, foi aplicado, somente anos mais tarde, pelas mãos de Franklin Delano Roosevelt, no New Deal em 1932. Os primeiros anos do século XX foram marcados pela fartura nos EUA. Um grande boom desenvolvimentista pós-Primeira Guerra estava instalado. Os Estados Unidos eram tidos como a terra prometida (“Fazer a América”). A prosperidade, o emprego, enfim uma condição de vida melhor atraíram aos EUA um contingente de quase 20 milhões129. Esta leva de imigrantes era constituída primordialmente por europeus, que fugiam de uma Europa devastada economicamente. O liberalismo exacerbado, instalado também na Europa, gerou desgastantes lutas de classes. A classe operária, apoiada na vertente socialista de Marx, opunha-se à desmesurada ganância capitalista. E as organizações estavam consolidadas por meio de “um dos traços característicos do capitalismo no final do século XIX: formação de gigantescas corporações”130 impulsionadas pelo boom econômico americano. Paralelamente à concentração industrial, e em proporções igualmente surpreendentes, segundo Hobsbawm131 ocorreu a concentração de rendas em mãos de uma pequena percentagem da população. No entanto, o boom econômico americano prosseguia e sinais de instabilidade se materializavam, sob a forma de protestos dos trabalhadores, via sindicatos fortalecidos. Os movimentos por salários maiores e jornadas de trabalho menores eram, 127 Rifkin (1995) 128 Drucker ( 1993 : 16) 129 Hobsbawm ( 1995 : 93) 130 Hunt & Shermann (1991 : 121) 131 Hobsbawm (1995)
  • 72. 72 obviamente, mal vistos pelas empresas e pelo governo ao qual cabia, com base no liberalismo, a função de proteger o capital. Segundo Hobsbawm132 ainda, a pressão sobre os custos da produção eram provenientes: das reivindicações da classe operária e do crescimento especulativo, fatos que promoveram o aumento dos preços de venda. Dentro deste contexto, o mercado se mantinha em franca ebulição graças à concessão de crédito. A expectativa e a euforia ficaram patentes na mensagem do presidente Calvin Coolidge ao congresso, em dezembro de 1928 - quase um ano antes do grande crash de 1929: “Nenhum Congresso dos Estados Unidos já reunido, ao examinar o estado da União, encontrou uma perspectiva mais agradável do que a de hoje ( ... ) A grande riqueza criada, por nossa empresa e indústria, e poupada por nossa economia, teve a mais ampla distribuição entre nosso povo, e corre como um rio a servir à caridade e aos negócios do mundo. As demandas da existência passaram do padrão da necessidade, para a região do luxo. A produção que aumenta é consumida por uma crescente demanda interna e um comércio exterior em expansão. O país pôde encarar o presente com satisfação e prever o futuro com otimismo”133. A crescente produção dos EUA, a já maior economia do mundo, bem como de grande parte da Europa, tornavam estas economias praticamente auto-suficientes. Para se proteger, os Estados Unidos passaram a fechar a economia. A visão do presidente Coolidge de um “comercio exterior em expansão” na verdade caiu por terra. Durante a grande depressão foi reduzido em 60%. A produção e o consumo crescentes viram-se refreados. O repasse dos custos de produção, especulação e lucros, aos preços de venda inviabilizou-se com o crash. O colossal endividamento da população por transações imobiliárias com valores majorados, encontrava-se em mora. O atraso dos financiamentos vencidos134, gerava em 1933, uma execução jurídica de 1000 propriedades por dia. O endividamento da população era constituído 132 Hobsbawm (1995 : 104) 133 idem ( 1995 : 98) 134 Miles apud Hobsbawm (1995)
  • 73. 73 também por financiamentos de bens de consumo. Na época, 60% dos automóveis, rádios, móveis etc. vendidos nos EUA foram adquiridos a crédito135 e “os novos produtos e estilo de vida exigiam níveis de renda elevados e em expansão, e um alto grau de confiança no futuro, para difundirem-se rapidamente. Mas era isso exatamente que estava 136 desmoronando” . O sistema financeiro dos EUA era composto por milhares de pequenos bancos locais que ruíram diante desta ordem de inadimplência. Em conseqüência deste fato, temos que: a demanda doméstica desmoronou, a produção de automóveis caiu para a metade, a indústria da demanda derivada (automotiva) retraiu e o desempenho global da produção ficou comprometido. A economia dos EUA, após uma era que Hobsbawm (1995) chamou de os anos loucos do boom, estava despedaçada pela grande depressão, (1929 – 1933). A situação estava insustentável requerendo ações imediatas. Foi neste ambiente que o presidente Roosevelt voltou a cogitar o principio de Mark Hanna , ou seja, a reunião de todos os grupos de interesses em prol da recuperação econômica, acrescentando um outro : atribuir ao governo o papel de agente central regulador dos interesses dos grupos divergentes. Desta maneira, todos os grupos - fazendeiros, trabalhadores ou empresários - passariam a atuar regidos pelo poder central – o Estado - a fim de se obter equilíbrio. Em outras palavras, isso significaria que nenhum grupo colocaria seus interesses específicos acima do objetivo comum - a recuperação da economia. Com estas medidas, estava se consolidando a implantação de um novo plano - o “New Deal” ( Novo acordo, agreement, ou Novo Contrato Social). O novo e central papel do estado foi desenhado por Roosevelt a partir dos principios de uma teoria econômica concebida pelo economista britânico John Maynard Keynes, publicada em sua obra "The General Theory of Employment, Interest and Money". Esta nova concepção econômica divergia do liberalismo ao defender uma ação governamental mais atuante, não limitada à 135 Rifkin (1995:.23)
  • 74. 74 garantia da propriedade privada e da ordem social. Este novo modelo divergia, também das propostas socialistas - até então únicas opositoras do liberalismo - uma vez que não contestava a base do capitalista, ou seja, a propriedade privada. A Teoria Geral de Keynes foi um sucesso espetacular, considerado por Wonnacott & Wonnacott como um dos livros de maior influência já escritos, ao menos, até os anos 70137, quando outros fatores, tais como a moeda ( teorias monetaristas) começaram a ser levados em consideração como agentes de controle da demanda agregada e da inflação. Há de se acrescentar que as teorias monetaristas não refutam in totum os princípios keynesianos. A participação e o controle do Estado continuam presentes, mas limitados à gestão da disponibilidade de moeda, mantendo, no entanto, ambas as teorias (monetaristas e keynesiana) objetivos comparáveis. A teoria econômica keynesiana, na descrição de Wonnacott & Wonnacott (1982), contrapunha-se à teoria do liberalismo de Adam Smith - do laissez-faire. A ausência da intervenção do Estado nos mercados, fez com que Keynes considerasse o governo inadequado na gestão do desemprego, pois, para ele , cabe ao Estado o controle da demanda agregada, via política fiscal, ou seja, os gastos e arrecadação do governo são as únicas maneiras de promover a absorção da força de trabalho. Para a teoria keynesiana, o poder de fazer com que as pessoas voltem a ter um local de trabalho está nas mãos do Estado, pois este deve tomar medidas que redundem em: incremento da demanda agregada (durante uma depressão) e restrição da demanda agregada (em períodos de boom inflacionário). Estas medidas são representadas pela variação na política fiscal do governo: gastos governamentais e arrecadação de impostos. Em suma, é papel do governo – segundo a teoria keynesiana - controlar a demanda agregada e assegurar o desenvolvimento e a prosperidade, sem 136 Hobsbawm (1995:105) 137 Wonnacott & Wonnacott (1982)
  • 75. 75 inflação. É nítido que a forte ingerência do Estado na economia confere-lhe um poder jamais imaginado no liberalismo. À luz desta teoria, a atuação de Roosevelt deveria convergir para a gestão do nível de emprego, via intensificação da demanda agregada que permitiria escoar a produção acumulada. Neste sentido, o aumento da demanda promoveria o aumento da produção e do nível de emprego, procurando, desta maneira, solucionar a mazela que estava corroendo a sociedade de então. O modelo econômico keynesiano supra descrito, pode ser ilustrado pela figura fig. 11 elaborada por Wonnacott & Wonnacott (1982): Injeçõe I Vazamento Investimento Gastos em Gastos T Governo s bens e Famílias Empresa Pagamento de salários e de outras Fig. 11) O Modelo Econômico de John Maynard Keynes. Fonte Wonnacott & Wonnacott ( 1982, p. 192)
  • 76. 76 Drucker (1993), analisando o New Deal, afirmou que “em termos sociais e políticos, o governo de Roosevelt talvez tenha sido o mais bem sucedido que os Estados Unidos já tiveram, apesar do fato de todas suas políticas econômicas terem malogrado. O empresário tradicional considerava Roosevelt um “radical” que pretendia colocar os trabalhadores no comando da nação. Roosevelt, porém, fez questão de assegurar que os sindicatos não se transformariam numa força política separada como ocorrera na Europa, e que não chegaria a controlar os legisladores ou o governo. E embora boa parte da sua retórica tenha sido dirigida contra o mundo empresarial, as suas ações, desde o princípio, visaram promover um poder aquisitivo que gerasse uma demanda de consumo e, com ela, lucros para as empresas. Da mesma forma, Roosevelt ofereceu um tremendo apoio aos fazendeiros. Mas, se a política agrícola de seus predecessores fora protecionista, a sua política agrícola, num prolongamento consciente e intencional das concepções de Mark Hanna, visava tornar a agricultura americana cada vez mais produtiva. E, acrescentando “reforma” à “recuperação”, isto é, acrescentando a promessa de justiça social à prosperidade de Mark Hanna, Roosevelt criou esperança.138” A esperança, assim gerada, deu origem a uma coesão nacional que tornou o governo de Roosevelt um dos mais bem sucedidos dos EUA. Os resultados obtidos, principalmente após a 2.a Guerra Mundial, transformaram os Estados Unidos em exemplo ou em inimigo natural, o qual de uma forma ou de outra, influenciou o comportamento político de muitos outros estados do mundo. Uma síntese elaborada a partir dos trabalhos de Hunt e Shermann139, procura abordar os efeitos do Keynesianismo na recuperação econômica dos EUA, enfocando principalmente o papel da 2ª Guerra Mundial e do pós-guerra, como elementos geradores de gastos governamentais justificados pelo alto consumo de material, direta ou indiretamente, utilizado em confrontos bélicos - reais ou previstos. 138 Drucker (1993 : 17) 139 Hunt & Sherman (1991 : 170-195)
  • 77. 77 A severidade da Grande Depressão na década de 30 levou muitos economistas a romperem com a visão neoclássica ortodoxa, segundo a qual o desemprego constituía um "ajuste” meramente conjuntural e efêmero ante uma situação de desequilíbrio temporário. As novas idéias propostas por Keynes conquistaram ampla aceitação entre os economistas de maior renome. A 2ª Guerra Mundial veio comprovar a tese que a intervenção governamental, em escala maciça, poderia assegurar o pleno emprego. Na realidade, Hitler já havia colocado em prática essa política na Alemanha durante a década de 30. A maioria dos economistas atribui o bom desempenho do capitalismo norte-americano às vultosas despesas governamentais. Os críticos sustentam, contudo, que o preço social dessa prosperidade prolongada foi a criação de um complexo industrial-militar que, atualmente, segundo uma visão de Drucker ao analisar a crise americana dos anos 80 “são uma importante causa – talvez a mais importante – do país ter perdido o seu vigor competitivo e da economia americana ter perdido sua posição de liderança”140. Se essa visão for correta, é possível concluir que as teorias de Keynes proporcionaram à ideologia neoclássica elementos para que ela enfrentasse o mais importante problema econômico da década de 30, mas, ao mesmo tempo, ocultavam e/ou agravaram outros problemas. A prosperidade alcançada, via ingerência do poder do Estado, por meio das compras de material bélico bem como de insumos para a manutenção do contingente militar envolvido (14 milhões de pessoas), asseguram uma demanda contínua e conseqüente necessidade de produção, tornando as idéias de Keynes largamente aceitas. A mudança brutal do estado de depressão dos anos trinta, não foi superada na primeira fase do New Deal, pois a taxa de desemprego em 1939 era de 19%, fato que contraria o estado de pleno emprego. No entanto, em um segundo momento, o Estado pôde ser caracterizado pela escassez e pela falta de mão-de-obra, resultantes dos pesados gastos governamentais. 140 Drucker (1993:40)
  • 78. 78 Os volumes desta espantosa recuperação, com um crescimento da ordem de 50% em termos de produtividade, encontram-se na tabela 4 abaixo apresentada. PRODUÇÃO DA ECONOMIA NORTE AMERICANA 1939 a 1944 PRODUTO VOLUME MEDIA MENSAL Aviões 296.000 4.933 Navios Carg. 5.400 90 Vasos Guerra 6.500 108 Barcaças de desembarque 64.500 1.075 Tanques 86.000 1.433 Caminhões 2.500.000 41.667 Tab. 4) Tabela demonstrativa da Produção dos EUA por ocasião da 2ª Guerra Mundial, a partir de dados colhidos em Hunt e Sherman (1991). Há de se expressar, no entanto, o fato de que o fim da guerra em 1945 não gerou a volta à depressão. O período desenvolvimentista foi mantido até o “marco divisório dos anos 70” de acordo com Drucker141 . O modelo keynesiano segundo o qual o governo continuava a aquecer a economia, foi desviado para a Guerra Fria, pois, mesmo não existindo batalhas, gerava gastos com pessoal e aquisição de materiais e armamentos. Em 1960, uma afirmativa de Heilbronner dava conta de que “… a grande prosperidade coincidiu com a eclosão da II Guerra Mundial, e que desde então o seu prolongamento esteve muito mais ligado a uma demanda econômica de caráter militar do que puramente civil”142. Neste ponto, convém enfatizar o encontro do Fordismo com o Keynesianismo, o encontro da produção em massa para uma demanda da mesma ordem, com o estado regulador da demanda agregada. A rápida resposta dada à demanda adicional, gerada pela entrada do governo na economia, foi respondida pela indústria (tab. 4). Ressalte-se que sob este aspecto deve ser reconhecida a eficiência dos modelos clássicos de gestão, em particular do Fordismo, no que concerne a rápidas e precisas respostas – o consumo em massa - atendido por uma produção em massa.
  • 79. 79 Os resultados observados na economia norte americana fizeram com que, após 1945, a teoria econômica de Keynes se convertesse em ortodoxia para políticos e economistas. O fim da guerra desmobilizou o contingente de “empregados” na indústria da guerra, fazendo com que uma colossal quantidade de pessoas (11 milhões) viesse a disputar um local de trabalho na economia norte-americana. Os gastos governamentais, aliados à política econômica expansionista - venda de produtos bélicos aos “aliados” - suportou a absorção deste contingente, dando continuidade, por longos anos, à prosperidade americana. Os contornos desta prosperidade econômica do pós-guerra foram descritos por Daniel R. Fusfeld da seguinte maneira: “O Estado bélico que construímos, no decurso das duas últimas gerações, tem uma ampla clientela. No alto da pirâmide está o chamado complexo industrial-militar, que compreende, em primeiro lugar, o Departamento de Defesa do Governo Federal e satélites como a CIA e a NASA. Os almirantes e generais, os cientistas espaciais e os homens dos serviços de inteligência, bem como todos os burocratas governamentais empenham-se ativamente em fortalecer a sua influência. Com essa finalidade, cultivam boas relações com congressistas e senadores, fixam estabelecimentos militares em distritos politicamente estratégicos e distribuem generosos favores aos legisladores. Antigos militares são enredados numa ampla malha de influência, através de associações vinculadas ao Exército e à Marinha ou através dos organismos de veteranos. Os militares são escorados pela vertente industrial desse complexo, isto é, pelas grandes corporações das quais dependem para o fornecimento de equipamento bélico moderno. Algumas dessas corporações destinam o grosso de sua produção aos militares. É o caso, por exemplo, da North American Aviation, a Lockheed Aircraft, a General Dynamics, e McDonnell-Douglas e a Thiokol Chemical. Outras são fornecedoras importantes de material bélico, mas vendem a maior 141 Drucker ( 1993: 7)
  • 80. 80 parte do que produzem nos mercados civis. Estão incluídas nessa categoria a Westem Electric, a Sperry Rand, a General Electric e a IBM. Há ainda as corporações, como a Dupont e a General Motors, que apenas ocasionalmente firmam contratos de fornecimento com os militares”143. Fiel aos princípios de Keynes e da ingerência estatal na solução dos problemas econômicos, foi aprovada a Lei do Emprego (1946) que transformou em obrigação governamental a manutenção do nível de emprego, conferindo ao governo plenos poderes para: despender dinheiro, contrair empréstimos ou cobrar impostos. O modelo Keynesiano reinou por longos anos, até que as mudanças do macroambiente exigiram novas formas e abordagens da política econômica e também novas estruturas e concepções das organizações. Esta nova realidade foi iniciada com a crise do petróleo, em “1973 e marcou o fim da era em que o 144 governo era progressista” . Os grupos de interesse de Hanna e Roosevelt deixaram “de existir enquanto entidades distintas e dotadas de identidade própria. Nem fazendeiros, nem trabalhadores, possuem um vigor numérico ou uma importância política que os tornem estamentos econômicos em qualquer país desenvolvido”145 . O “mundo empresarial enquanto estamento econômico também deixou de existir. Os interesses empresariais que Mark Hanna mobilizou para o poder político não eram os de uma General Motors ou de um Citibank, e sim, os dos sapateiros, dos taberneiros, dos marceneiros do interior do país. Ainda há 146 muitos deles, mas já não se vêem como parte do mundo empresarial” . O enfraquecimento dos grupos de interesse contribuiu para que a gestão econômica se desatrelasse do poder centralizador do estado keynesiano. Hoje, o Estado contínua com a sua importância , “mas, cada vez mais, o poder de tomar decisões vai-se transferindo para uma Segunda Unidade, a 142 Hunt & Sherman (1991:174) 143 idem (1991 : 174) 144 Drucker ( 1993 : 6) 145 idem (1993:19) 146 ibidem (1993:19)
  • 81. 81 região ( Comunidade Econômica Européia147; América do Norte148 )”149. Além deste fato, “existe hoje a economia genuína e praticamente autônoma dos fluxos de capital, crédito e investimento. Essa economia é fundamentada na informação e desconhece fronteiras nacionais. Finalmente existe a empresa transnacional – que aliás, não é necessariamente grande – para a qual todo o mundo não comunista desenvolvido constitui um único mercado, um único sítio de produção ou venda de bens e serviços”150. Passando a considerar o mundo como um único mercado, no qual Harvey (1996) enfatiza a importância da Tecnologia da Informação na gestão desta nova economia fundamentada na informação. As informações deixam de ser consideradas meramente como tais, passando a ser percebidas como uma mercadoria de um valor nunca antes imaginado. “O acesso à informação, bem como o seu controle, aliados a uma forte capacidade de análise instantânea de dados, tornaram-se essenciais à coordenação centralizada de interesses corporativos descentralizados. A capacidade de resposta instantânea a variações de taxas de câmbio, mudanças das modas e dos gostos e iniciativas dos competidores tem hoje um caráter mais crucial para a sobrevivência corporativa do que teve sobre o Fordismo” 151. As informações, entendidas como uma mercadoria de alto valor, geram uma “... situação em que vastos lucros podem ser realizados com base no acesso privilegiado às informações, em particular nos mercados monetários e financeiros....e às informações de qualquer espécie, tais como, conhecimentos científicos e técnicos, políticas do governo e mudanças políticas, passa a ser um aspecto essencial das decisões bem sucedidas e lucrativas” 152. A nova realidade, desatrelada de um governo central, exigiu que surgisse uma “completa reorganização do sistema financeiro global e a emergência de poderes imensamente ampliados de coordenação financeira 147 atual União Européia 148 atual Nafta 149 Drucker (1993:96) 150 idem (1993:96) 151 Harvey (1996 :151) 152 idem (1996:151)
  • 82. 82 (...) em um movimento dual; de um lado, para a formação de conglomerados e corretores financeiros de extraordinário poder global; e, do outro, uma rápida proliferação e descentralização de atividades e fluxos financeiros por meio da criação de instrumentos e mercados financeiros totalmente inéditos. Nos Estados Unidos, isso significou a desregulamentação de um sistema financeiro rigorosamente controlado desde as reformas dos anos 30”153 . A Tecnologia da Informação possibilitou, em termos de conexão técnica, a simultaneidade da disponibilidade de dados dando desta forma um subsídio de importância ímpar na formação de um “mercado de ações global, de mercados futuros de mercadorias ( e até dívidas) globais, de acordos de compensação recíproca, de taxas de juros e moedas, ao lado da acelerada mobilidade geográfica de fundos, significou, pela primeira vez, a criação de um único mercado mundial de dinheiro e de crédito”154 . A figura 12 auferida de Harvey (1996) pretende visualizar e ilustrar os padrões de transações num período de vinte e quatro horas em mercados financeiros globais, ou seja as organizações interligadas processando informações diuturnamente. 153 Harvey (1996:152) 154 idem (1996:152)
  • 83. 83 Fig. 12) Padrões de transações em período de 24 Horas em um Mercado financeiro Global. Fonte Harvey ( 1996, p. 153)
  • 84. 84 O deslocamento da titularidade dos capitais demonstra a configuração de uma menor participação do Estado como agente provedor central da economia. O desproporcional crescimento da dívida dos países menos desenvolvidos a partir de fontes privadas, tal como apresentado por Harvey (1996), vem confirmar a afirmativa de Drucker (1993) concernente à autonomia dos capitais ( fig. 13). Crescimento da divida de países menos desenvolvidos 1970- 1987 1000 750 Bilhões de US$ Fontes Oficiais 500 Fontes Privadas 250 0 1970 1972 1974 1976 1978 1980 1982 1984 1986 1987 Fig. 13) O Crescimento da dívida de países menos desenvolvidos ( 1970 - 1987) Fonte Harvey ( 1996, p. 155) Um complexo sistema financeiro de alcance mundial - globalizado - passa a gerir capitais “sem pátria”, “sem Estado”, por Drucker (1993) chamado capital transnacional, não mais controlado pelo governo, mas sim pelos detentores do capital. Estes capitais começaram, a partir dos anos 70, a avolumar-se passando de 50 bilhões de dólares ( 1973 ) para 2 trilhões de dólares ( 1987 )155. Constituiu-se um mercado que se materializa na forma: de Bolsas de Valores, de instituições financeiras, de mercado de futuros, 155 Harvey (1996:154)
  • 85. 85 “introduzindo o tempo futuro no tempo presente de maneiras estarrecedoras”156. Um artigo do Financial Times ( 8 de maio de 1987 ) é citado por Harvey (1996), para demonstrar que em uma época na qual a Tecnologia da Informação estava ainda em seus passos iniciais, “a atividade bancária estava se tornando com rapidez, indiferente às restrições de tempo, de espaço e de moeda”157 . Desta maneira , a partir dos anos 70, pode-se observar que os novos sistemas financeiros “mudaram o equilíbrio de forças em ação no capitalismo global, dando muito mais autonomia ao sistema bancário e financeiro, em comparação com o financiamento corporativo, estatal e pessoal”158. Uma das conseqüências diretas da perda do poder do estado Keynesiano foi a liberdade, cada vez maior, para a indústria seguir seus próprios caminhos rumo à satisfação das expectativas do capital. A indústria, até então tutelada e presa às “restrições locais no tocante a fontes de matérias primas e a mercados, pode se tornar muito mais independente” 159. A partir desta constatação, pode-se concluir que estava dada a largada para a globalização, como hoje a presenciamos. Organizações, sem nenhum vínculo com o Estado Nação, transnacionais ou não, negociam com outras em qualquer parte do mundo, sempre tendo em vista os seus objetivos: a satisfação dos interesses do capital. Estas constatações evidenciam uma necessidade, cada vez maior, dos países atraírem recursos cuja titularidade não é governamental, mas sim, transnacional em poder de acionistas e gerenciados por profissionais que, até mesmo por dever de ofício, têm de geri-los de tal sorte que as expectativas dos acionistas sejam atendidas. A dependência dos países do comércio exterior e da atração de recursos a título de investimento levam à constatação de que as implicações cambiais daí decorrentes são cada vez maiores. A atuação do Estado, antes voltado ao bem-estar social, via política fiscal 156 Harvey (1996:151) 157 idem (1996:154) 158 ibidem (1996:155)
  • 86. 86 Keynesiana, voltou-se para a gestão dos fluxos monetários de ingresso e saída ( importação e exportação) por meio de uma política cambial que oferece condições locais atrativas ao interesse do capital transnacional (tab. 5 e fig. 14). Tabela demonstrando a dependência do comércio exterior de alguns países capitalistas avançados Fonte : David Harvey em Condição Pós Moderna pg. 157 (OCDE) e Relatório OCDE/97( Nr.61) Exportações e importações como porcentagem do PNB País 1960 1970 1980 1986 1996 exportação 4,37 5,35 10,00 7,00 11,63 EUA importação 4,36 5,00 10,50 10,20 13,26 exportação 20,90 23,10 27,70 26,20 30,02 Reino Unido importação 22,30 22,20 25,30 27,00 30,80 exportação 10,80 10,80 13,70 11,70 9,94 Japão importação 10,30 9,50 14,60 7,60 9,40 exportação 17,90 21,20 26,30 30,00 24,13 Alemanha Oc. importação 16,40 19,10 27,00 24,90 22,92 exportação 12,10 15,40 21,70 20,40 26,73 Itália importação 12,40 15,00 24,40 18,70 21,33 exportação 13,21 15,17 19,88 19,06 20,49 Total importação 13,15 14,16 20,36 17,68 19,54 Tab. 5) Quadro demonstrativo da dependência do comércio exterior de alguns países capitalistas avançados. Fonte Harvey ( 1996, p. 157) e Relatório OECD/OCDE Internet Info. 33: 04/1998 159 Harvey (1996:156)
  • 87. 87 Comércio Exterior (% do PIB) M édia T otal dos Países Considerados 25,00 20,00 % do PIB 15,00 Total Export. 10,00 Total Import. 5,00 - 1960 1970 1980 1986 1996 Fig. 14) Gráfico demonstrativo da dependência do comércio exterior de alguns países capitalistas avançados. Elaborado a partir de dados obtidos em : Harvey ( 1996, p. 157) e Relatório OECD/OCDE Internet Info. 33: 04/1998 Esta dependência e concorrência levou “os Estados a se tornarem mais “empreendedores” e preocupados em manter um clima favorável aos negócios. A força do trabalho organizado e de outros movimentos sociais teve de ser contida”160 . Neste sentido, o Estado passou a "regular as atividades do capital corporativo no interesse da nação, promovendo o “bom clima de negócios” - condição para atrair o capital financeiro transnacional e global e conter, por meios distintos dos controles de câmbio a fuga de capital para pastagens mais verdes e mais lucrativas”161. Neste contexto, foi dada a largada para uma Era de Competitividade Globalizada, na qual, a Tecnologia da Informação passa a desempenhar um papel estratégico e decisivo. 160 Harvey (1996:158) 161 idem (1996:151)
  • 88. 88 4.0 A Globalização Quanto às características mais relevantes da globalização e de seus reflexos sobre as organizações neste modelo econômico altamente competitivo, apresenta-se aqui as seguintes considerações: A globalização é definida por Hobsbawm como sendo um processo que “desde a Revolução Industrial, tem sido de acelerado processo técnico, de contínuo mas irregular crescimento econômico, e de crescente “globalização”, ou seja, de uma divisão mundial, cada vez mais, elaborada e complexa de trabalho; uma rede, cada vez maior, de fluxos e intercâmbios que ligam todas as partes da economia mundial ao sistema global”162.( Fig. 15) Trata-se de um processo de grandes mudanças e transformações econômicas, políticas e sociais que nas últimas décadas tem assolado os componentes do sistema "macroambiente". Para Kanter (1996) a “globalização é certamente uma das mais poderosas e difusas influências sobre nações, empresas, ambientes de trabalho, comunidades e vidas, no final do século XX”163. Pode-se intuir, a partir destas colocações, que o processo de globalização não é algo que se instalou somente a partir das últimas décadas deste século. Pode-se entender que, a partir do momento em que o homem começou a comercializar seus excedentes (escambo), foi dado início a um tipo de interação social e política entre sociedades distintas, motivada pela economia. (fig. 15). A penetração em novos mercados gera o que Tapscott & Caston (1995) chamam de “paradoxo” com o qual as empresas se confrontam. “Elas dispõem de oportunidades sem precedentes para poder desfrutar de novos mercados. Enquanto isso, os mercados tradicionais estão mudando acentuadamente, encolhendo ou, então, tornando-se intensamente competitivos"164, ou seja, as empresas estão “envolvidas numa batalha feroz pela redução de barreiras 162 Hobsbawm (1995 : 92) 163 Kanter (1996 : XV) 164 Tapscott & Caston (1995: 5)
  • 89. 89 comerciais e invadindo novas regiões, ainda não penetradas, em busca de mercados para expandir a produção de bens e serviços”165 . A respeito desse processo, Harvey (1996) afirma que “um longo período de expansão com base num conjunto de práticas de controle de trabalho, tecnologias, hábitos de consumo e configurações de poder político-econômico chamado, face a sua fundamentação de fordista-keynesiano, se fez presente após a 2 ª Guerra Mundial entrando em colapso a partir de 1973, quando instalou-se um período caracterizado por rápidas mudanças e de incertezas”166. Instala-se um período no qual os modelos de produção, distribuição, organização do trabalho e de gestão não transmitem a segurança e a certeza que inspiravam. As mudanças e interações são tão rápidas que chegam a causar confusão e incerteza, por não permitirem que sejam distinguidas as mudanças transitórias e efêmeras das transformações fundamentais. Este processo pode ser caracterizado pela mudança do Fordismo (produção em massa) para a “acumulação flexível” (Harvey 1996): da reengenharia dos modelos organizacionais, do lean mangement; lean production e do downsizing - as fábricas “enxutas”. O efeito destes modelos organizacionais foi sentido, também, pela força de trabalho : ao provocar a eliminação de postos de trabalho, a transferência de fábricas para locais de produção com salários menores e modelos de contratação temporária ou por prestação de serviços. Para Drucker (1993), a economia transnacional, a nova concepção e constituição da economia mundial, caracteriza-se por apresentar desafios e oportunidades, como: • passagem da economia internacional para a transnacional, a partir da década de 1970, que por sua vez, passou a controlar largamente as economias internas das nações. 165 Rifkin (1995: 36) 166 Harvey (1996:119)
  • 90. 90 • a economia transnacional caracteriza-se por um intenso fluxo de capital e não somente derivado do comércio de bens e serviços. A partir desta constatação, observa-se uma contínua reação dos governos, via política monetária e fiscal, na tentativa de reencontrar o equilíbrio de suas economias. • as vantagens competitivas das empresas são auferidas dos seus modelos de gestão. • o objetivo de maximização dos lucros passa na economia transnacional para a maximização dos mercados, ou seja uma expansão contínua. • a teoria econômica ainda entende que “o estado nacional soberano constitui a única unidade”167. Na economia transnacional esta unidade se desdobra em quatro unidades que Drucker (1996) comparou à matemática, as quais seriam chamadas de “variáveis parcialmente dependentes”. Estas unidades são: Estado Nação, sobretudo em se tratando de estados altamente desenvolvidos. a região, ou bloco econômico, que passa a assumir poderes antes alocados unicamente ao estado soberano. ( Ex. União Européia, Mercosul etc.) economia genuína e praticamente autônoma dos fluxos de capital, crédito e investimentos. Economia sem nenhum controle por um estado soberano que se rege pelas regras capitalistas, desconhece fronteiras e se fundamenta na informação. empresa transnacional, que considera o mundo como um único mercado, sítio de produção ou alvo da venda de bens e serviços; ponderando apenas as vantagens e desvantagens que determinado Estado Nação lhe possa oferecer. política econômica fortemente influenciada pelas reciprocidade entre regiões. surgimento de uma política ecológica transnacional, de proteção ambiental. 167 Drucker ( 1993:96)
  • 91. 91
  • 92. 92 Fig. 15) A tecnologia 'diminuindo' o mundo, fator determinante para o processo da Globalização. Fonte Harvey ( 1996, p.220)
  • 93. 93 4.1 Globalização - um breve histórico168. Tem-se notícia há muito tempo de associações e grupos de interesses específicos representados pelas corporações de ofício e ligas mercantis. Pode- se conceber como sendo estes o embrião dos atuais sindicatos de trabalhadores e blocos econômicos respectivamente. Na Europa contemporânea, merece destaque, a evolução para formação da atual União Européia, cujo organograma sucinto está apresentado a seguir: 1951 - Comunidade Econômica Européia do carvão e do aço 1957 - Mercado Comum Europeu 1973 - Queda das Barreiras Aduaneiras Como se pode notar, a integração européia ocorreu 22 anos após a criação da Comunidade Econômica do carvão e do aço, que já trazia no seu bojo sinais de um propósito maior. Organismos semelhantes surgiram em todo mundo, objetivando a unicidade de interesses. Esta dinâmica foi tão rápida que, hoje, o mundo encontra-se representado por blocos econômicos representativos dos seus interesses, ou seja os blocos regionais, Drucker se refere a eles quando aborda as questões referentes à economia transnacional ( tab. 6). 168 Adaptado a partir da contribuição de Silva, Miguel Inácio in Uhlmann (1997 : 115 -119)
  • 94. 94 OS PRINCIPAIS BLOCOS Fonte : World Development Indicators - Banco Mundial Folha de São Paulo 2/11/97 - Dados relativos a 1995 UNIÃO EUROPÉIA PAÍSES PIB POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA ( US$ bi ) (MILHÕES) US$ Alemanha 2.415,7 82,0 27.510,00 Áustria 233,4 8,0 26.890,00 Bélgica 269,0 10,0 24.710,00 Dinamarca 172,2 5,0 29.890,00 Espanha 558,6 39,0 13.580,00 Finlândia 125,4 5,0 20.580,00 França 1.536,0 58,0 24.990,00 Grécia 90,5 10,0 8.210,00 Holanda 395,9 15,0 24.000,00 Irlanda 60,7 4,0 14.710,00 Itália 1.086,0 57,0 19.020,00 Luxemburgo 41.210,00 Portugal 102,3 10,0 9.740,00 Reino Unido 1.105,8 59,0 18.700,00 Suécia 228,6 9,0 23.750,00 Total 8.380,1 371,0 327.490,0 Média aritmética 21.832,67 Média Ponderada 17.613,23 NAFTA PAÍSES PIB POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA ( US$ bi ) (MILHÕES) US$ Canadá 568,9 30,0 19.380,00 Estados Unidos 6.952,0 263,0 26.980,00 México 250,0 92,0 3.320,00 Total 7.770,9 385,0 49.680,0 Média aritmética 16.560,00 Média Ponderada 20.733,97 MERCOSUL PAÍSES PIB POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA ( US$ bi ) (MILHÕES) US$ Argentina 281,0 35,0 8.030,00 Brasil 688,0 159,0 3.640,00 Paraguai 7,7 5,0 1.690,00 Uruguai 17,8 3,0 5.170,00 Total 994,5 202,0 18.530,0 Média aritmética 4.632,50 Média Ponderada 4.375,10
  • 95. 95 APEC PAÍSES PIB POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA ( US$ bi ) (MILHÕES) US$ Austrália 348,7 18,0 18.720,00 Brunei 4,6 0,27 16.714,00 Canadá 568,9 30,0 19.380,00 Chile 67,2 14,0 4.160,00 China 697,6 1.200,0 620,00 Cingapura 83,6 3,0 26.730,00 Coréia do Sul 455,4 45,0 9.700,00 Estados Unidos 6.952,0 263,0 26.980,00 Filipinas 74,1 69,0 1.050,00 Hong Kong 143,6 6,0 22.990,00 Indonésia 198,0 193,0 980,00 Japão 5.108,0 125,0 39.640,00 Malásia 85,3 20,0 3.890,00 México 250,0 92,0 3.320,00 Nova Zelândia 57,0 4,0 14.340,00 Papua - Nova Guiné 4,9 4,0 1.160,00 Taiwan 224,3 21,0 9.636,00 Tailândia 167,0 58,0 2.740,00 Total 15.490,2 2.165,27 222.750,0 Média aritmética 12.375,00 Média Ponderada 6.962,32 TOTAL BLOCO PIB POPULAÇÃO RENDA PER CAPITA ( US$ bi ) (MILHÕES) Media Pond. US$ UNIÃO EUROPÉIA 8.380,1 371,0 17.613,2 NAFTA 7.770,9 385,0 20.733,97 MERCOSUL 994,5 202,0 4.375,10 APEC 15.490,2 2.165,3 6.962,32 Total 32.635,7 3.123,27 49.684,6 Média aritmética 12.421,16 Média Ponderada 9.757,78 Tab. 6) Tabela de características Macroeconômicas dos principais blocos econômicos e de seus respectivos países. Elaborado a partir de dados obtidos da Folha de São Paulo. Caderno Especial. 02/11/1997: 8, fonte indicada : “ World Development Indicators” – Banco Mundial.
  • 96. 96 Pelos dados contidos na tabela acima, percebe-se a pujança, cada vez mais acentuada, dos blocos econômicos em face dos volumes produzidos e comercializados (tab. 6). Nesse cenário pode-se destacar também a evolução do MERCOSUL como catalisador do processo globalizante e de indubitável de relevância para a sua região. Cronograma do MERCOSUL 1960 - Criada a ALALC 1980 - ALADI 1986 - BR/ARG. “Programa de Integração e Coop. Comercial 1990 - Ata de Buenos Aires 1991 - Tratado de Assunção: BR. ARG. URUG. PARAG. - MERCOSUL 1992 - Cronograma de Las Lenãs 2201 - Entrada em vigor da “TEC” Tab. 7) O Cronograma do Mercosul. Fonte Uhlmann ( 1997, pg.117) Esta nova realidade requer que pessoas e organizações ampliem sua visão e busquem, nas parcerias transparentes, a capacitação para a expansão de seus mercados. Isto possibilita que competidores tornem-se aliados, somando esforços na perseguição de um objetivo comum. As notícias de fusões, parcerias, incorporações de grandes corporações, dando origem a outra, ainda maior, que sinergicamente possam suprir a emergente demanda mundial, serão cada vez mais comuns Ao mesmo tempo em que ocorre este fortalecimento das organizações, há uma retração dos governos que, gradativamente, redirecionam suas tarefas e agem como articuladores e facilitadores da globalização. Todo esse frenesi é respaldado por um capital financeiro - recursos transnacionais, estimados em 13 trilhões de dólares (Camargo 1995) - que diuturnamente giram o globo à procura das melhores oportunidades para concretizar a sua missão de cunho capitalista: gerar lucros.
  • 97. 97 4.2 Globalização - repercussões sobre as empresas Peter Drucker (1964), em trabalho relativamente antigo, expressava a necessidade das organizações, na figura de seu gestor, terem um compromisso com a eficácia. A preocupação com o futuro da organização, tema subjacente à questão, é factual, pois se a eficácia está instalada, deve ser mantida, caso contrário, deve ser alcançada. Em ambos os casos, a preocupação com os rumos, portanto, o futuro, está presente. Drucker sintetiza a questão da seguinte maneira: • “a presente empresa precisa ser tornada eficaz; • seu potencial precisa ser identificado e realizado e • ela precisa ser transformada numa empresa diferente, para um futuro diferente”169. Esta necessidade de adaptar-se ao novo ambiente também encontra eco em Kanter (1996), ao afirmar que neste macroambiente agora globalizado as “empresas estão, cada vez, mais focalizadas, movimentam-se cada vez mais rápido, são, cada vez, mais flexíveis e têm uma postura cada vez mais amigável em relação a parceiros externos, à medida que se libertam das algemas das burocracias rígidas”170. A este respeito, o principal executivo (CEO) da General Eletric, Jack Welch, afirma que: “a antiga organização foi construída com base no controle, mas o mundo mudou. O mundo está evoluindo em um ritmo tal que o controle transformou-se em limitação. O controle retarda. É preciso obter um equilíbrio entre liberdade e um certo controle, mas é preciso mais liberdade do que jamais imaginamos”171. Estas mudanças da realidade que afetam as organizações podem ser ilustradas por uma matéria denominada “O Pulo dos Tigres”172 a seguir sintetizada. "Os tigres asiáticos que estão invadindo o mundo com seus produtos. Poucos enxergaram tantas oportunidades com a queda das fronteiras quanto os asiáticos. A China não pára de atrair investimentos, sugar empregos 169 Drucker ( 1998 : 3-4 ) 170 Kanter ( 1996 : XVI) 171 Tichy & Sherman (1993:.21) 172 Vassallo (1995)
  • 98. 98 e espalhar seus produtos baratos pelo mundo, que costumam se transformar em uma terrível dor de cabeça para quem os fabrica em outras paragens. Tudo é barato, assombrosamente barato. Aproveitam qualquer brecha aberta para vender seus produtos onde quer que haja dólares suficientes para comprá-los. “O mercado deles é simplesmente o mundo inteiro”, diz o consultor Paulo Apsan. Os asiáticos são rivais duríssimos, mas é possível enfrentá-los e vencê- los. E, muitas vezes, é possível — e inteligente — tirar proveito da força que eles vêm ganhando no mundo dos negócios. Afirma José Schettino, sócio da Andersen Consulting que “Eles deixaram de ser inimigos para se tornar um estímulo à busca cada vez maior de competitividade.” A falta de competitividade gera um clamor por alíquotas, cotas, salvaguardas do protecionismo tradicional. O governo brasileiro tem cedido no caso de setores mais combalidos. São, contudo, medidas provisórias. “Estamos oferecendo tempo para que as empresas se ajustem ao comércio internacional e ofereçam ao mercado produtos competitivos”, diz a ministra Dorothéa Werneck. A produção terá de ser repensada, as matérias-primas terão de entrar pela manhã e sair como produtos acabados ao final do expediente. Afirma Tilken da Estrela que “Ou repensávamos nossa organização ou colocávamos um morteiro na entrada dos portos” e Antonio Berenguer da Ferreira Guimarães complementa que “Sobrevivemos e voltamos ao lucro porque conseguimos mudar o rumo dos negócios a tempo”. Não se procurou demonstrar e analisar, por meio desta reportagem, a situação econômica atual, até mesmo porque o conceito de “atual”, em tempos de mudanças rápidas, tem uma “validade” extremamente curta. O “atual” de hoje, em poucos meses, poderá adquirir novas feições, novos aspectos que o tornam “ultrapassado” - “história”. Portanto, esta matéria, deve ser entendida como um relato que procura enfocar uma situação efetiva, real e contemporânea na existência empresarial, que demonstra, mais uma vez, a questão da singular necessidade de um sistema de informações e de adaptação empresarial às permanentes mudanças. Adaptação e gestão entendidas neste trabalho como atreladas e levadas a efeito por um gestor único cognominado de Analista de Negócios e da Informação.
  • 99. 99 4.3 Adaptação Organizacional – Uma súmula O Analista de Negócios e da Informação encontra neste ambiente em contínua e rápida mutação o seu "habitat". Munido do conhecimento da TI (Tecnologia da Informação), aliada a sólidos conhecimentos das metodologias de gestão, reúne uma base de conhecimento tal que lhe permite, ao unir estas duas vertentes de conhecimentos, implantar sistemas de informação e estruturas organizacionais para fornecer a agilidade requerida aos processos de trabalho da organização. O ambiente globalizado, de competitividade global, impõe às organizações um novo desafio : uma contínua busca para alcançar a “Classe Universal” (Schonberg 1988) ou “Classe Mundial” (Kanter 1996). Uma organização classe mundial pode ser entendida como aquela capaz de “satisfazer os padrões mais altos existentes para poder participar da competição e, ao mesmo tempo, o crescimento de uma classe social definida por sua habilidade de comandar recursos e operar além das fronteiras e em territórios muito amplos”173. Cumpre ressaltar o papel fundamental e decisivo desempenhado pela Tecnologia da Informação ao permitir “a comunicação praticamente instantânea com o mundo” 174. Em suma, as empresas estão em um novo ambiente, marcado e caracterizado com os aspectos abaixa salientados: • globalização • dowsizing – a diminuição das estruturas organizacionais, o deslocamento das decisões para os níveis de execução, da descentralização e abandono dos modelos burocráticos rígidos. - fim do Comand & Control ( comanda e controla - imposição hierárquica); - eliminação dos “feudos” organizacionais e tendência acentuada para a eliminação do conceito do “Organization Man”, isto é, do profissional de carreira em uma única organização; 173 Kanter ( 1996 : 10) 174 idem ( 1996 : 10)
  • 100. 100 - ênfase nas comunicações fluentes – a organização em rede, por processos; • Tecnologia da Informação – uso crescente e difundido em todos os segmentos, em todos os setores. Na indústria, na agricultura, no comércio, nas estruturas militares … até mesmo “ se você adquirir um automóvel novo, este ano, encontrará mais capacidade de computação instalada sob o capô do veículo do que o astronauta Neil Armstrong teve em seu equipamento de pouso na Lua” 175; • Nova estrutura organizacional; exigindo: - produtividade crescente em ambiente competitivo; - Tecnologia da Informação utilizada como recurso impulsionador da produtividade ( uso estratégico e não somente como redutor de custos, mas sim como ferramenta de gestão do negócio); - enfoque na eficácia em vez de eficiência do classicismo; - enfoque na qualidade ( produtos, serviços, vida); - maior valorização do conhecimento em detrimento da valorização pura e simples de um cargo. O cargo, por si só, não confere todo poder ao seu titular, mas sim, os seus conhecimentos – a ênfase nas pessoas em uma sociedade do conhecimento; - Outsourcing – terceirização, a aquisição de produtos e serviços de terceiros, com vista à economia de escala, portanto, redução de custos; • responsabilidade social e ambiental, das pessoas e das organizações; • partnering – parcerias, entre organizações, onde não há obrigatoriamente uma transferencia do controle do capital entre os parceiros e • empresa ampliada – a empresa, via Tecnologia da Informação (TI) se expande para fora de seus limites físicos. EDI ( troca eletrônica de dados), o Home Banking ( automação bancária via EDI), Kanban eletrônico ( JIT – logística Just in Time), serviços a clientes ( assinatura de periódicos, consultas a bancos de dados, reservas de passagens etc.), e tantos outros são exemplos de ampliação de empresas, via TI. Esta nova empresa terá que se valer, conforme procurou-se demonstrar, da Tecnologia da Informação, para permitir o funcionamento dos processos. 175 Tapscott & Caston ( 1995 : 7)
  • 101. 101 Foram consolidados por Tapscott & Caston 10 temas, abordando a tecnologia e aspectos organizacionais. A seguir, uma adaptação deste trabalho 176: Tema Tecnologia Tema Organizacional TEMA CONSIDERAÇÕES TEMA CONSIDERAÇÕES Sistemas Abertos Há portabilidade Abertura A empresa passa a entre plataformas de ser vista como uma Hardware, seja em rede de operações termos de SW seja que interagem entre em termos de si. As paredes, os informações. (Fim muros feudais não dos sistemas mais se aplicam. O chamados modelo de gestão proprietários) participativo, da res ponsabilidade distri buída, do compro misso partilhado se instala. Interconexão Recursos de TI são Integração A Tecnologia da compartilhados, as Informação permite ilhas de informação a integração dos de outrora estão componentes. Re interligadas em dundâncias e dupli rede. cidade de funções são eliminadas. Computação Descentralização do Empowerment Base da gestão Distribuída processamento dos participativa. A valo- antigos computa rização das pessoas dores centrais ( enquanto agentes HOST), Mainframes dotados de conheci para redes,portanto, mentos, passa a se mais próximas do concretizar. As pes usuário, mais soas passam a ser próximo de quem utilizadas por inteiro 176 Tapscott & Caston (1995 : 269-275)
  • 102. 102 decide de maneira e não somente a também distribuída antiga mão-de-obra” e não mais - o trabalho centralizada. meramente braçal. Tempo Real A tecnologia é Imediatismo A empresa em aplicada de tal tempo real, em forma a que o banco tempos competitivos de dados seja necessita dar atualizado prontas e claras constantemente, e respostas. Para os poder oferecer clientes Just in Time informações atuali- é obrigatório .A zadas a qualquer competição é em momento. tempo real. Processamento Os aplicativos são Cooperação O conceito da teoria Cooperativo processados em de sistemas de que dispositivos tipo as partes de um cliente/servidor com todo sistêmico o fim precípuo de se estarem em sinergia utilizar toda a , ou seja, em capacidade de cooperação, aplica- processamento se também às existente na organizações. O organização. conceito de cliente e fornecedor interno é aplicado na sua integra. Não no sentido de um servir ao outro pelo fato de ser cliente, mas sim, pelo fato de um necessitar da colaboração do outro para que ambos possam sobreviver.
  • 103. 103 Protocolo de Rede As regras Compromisso A nova empresa ponto a ponto estabelecidas para caracteriza-se pelo as redes permitem compromisso que uma comunicação substitui o controle. ponto a ponto e não A motivação vem somente via uma dos compromissos estrutura hierárquica grupais e de comunicação. intergrupais e não somente das estru turas autoritárias de comando e controle. Modularidade de Permite a criação de Independência A organização Arquitetura um ambiente de Organizacional passa tal qual a computação Tecnologia da dinâmico e flexível, Informação a atuar face a possibilidade em rede. Os de se agregar processos das partes modulares ( organizações são HW ou SW), concebidos e conforme as realizados por times necessidades. de negócios. Especialização de Utilização de Especialização de Na era do pós- plataforma componentes de conhecimentos / capitalismo, da HW específicos construção de sociedade do para determinado competências conhecimento fim. Ex. Scanner, privilegiam-se os Tela sensível a trabalhadores do toque, impressoras conhecimento. Para a laser etc. que haja este, necessário se torna a especialização, o aprofundamento do conhecimento. As pessoas passam a serem recompen sadas com base na
  • 104. 104 sua competência e realização. Sistemas Amistosos As interfaces Acessibilidade A era da carreira ao usuário gráficas, ícones, dentro da mesma simplicidade dos empresa, do aplicativos, uso de organization man, recursos multimídia do emprego vitalício ( texto, voz – som e alcançou o seu imagem) término. As carreiras se constróem cada vez mais em múltiplas organizações. Cada uma desta propicia um novo aprendizado, um novo conhecimento. Com esta visão as decisões passam de centralizadas para a descentralização para a gestão participativa. Rede Global A rede corporativa Independência de O conceito de local se transforma em Tempo e espaço e horário de espinha dorsal da trabalho começa a organização. se flexibilizar. Todos Baseada em pa passam a ter drões permite a acesso às integração da orga informações que nização em todos os necessitam de níveis. As limitações maneira direta, geográ ficas, as independente de distâncias são local e horário. O vencidas pela local, podendo até Tecnologia da mesmo ser a
  • 105. 105 Informação. residência do funcionário e o horário será aquele que for mais adequado para a realização do negócio, ou da atividade que contribua para a realização dos negócios da organização. Tab. 8) A Tecnologia e a Organização. Adaptado a partir de Tapscott & Caston (1996, p. 269-275)
  • 106. 106 4.4 Globalização : considerações inconclusivas. "Ao cabo de tantos conceitos acerca de Globalização: qualidade; reengenharia, percepção de valores e percepção de mercado, pode-se concluir que estes e outros conceitos se fundem, pois, a realidade recebe impulsos acelerativos de todos os rincões do planeta. Cultura, valores, usos e costumes decorrentes de outras plagas imiscuir- -se-ão em usos e costumes locais e vice-versa. A sobrevivência das organizações em ilhas econômicas - fechadas e estanques - distancia-se desta realidade. Valores e concorrências mundiais exigiram, e continuam a exigir, criatividade e capacidade de adaptação. Palavras de ordem tais como produtividade, eficácia, qualidade, enfoque no cliente tornaram-se obrigatórias. Qualidade, o grande lema da década de 80, deixou de ser um requisito para a permanência no futuro, transformando-se numa questão sine qua non, um Default. Retomando à tríade da eficácia empresarial, no que concerne a satisfação de seus pilares, encontramos: • o cliente desejoso por qualidade do produto/serviço; • o acionista ansioso pela qualidade da eficácia empresarial (retorno do investimento - do lucro) e • Funcionário com expectativa de uma melhor “qualidade de vida” (qualidade que pretende concretizar por meio da organização da qual participa, na visão de Garland ( 1992), "bem sucedido é aquele que tem uma vida equilibrada e que desenvolveu um processo para satisfazer suas diversas necessidades. Nenhum funcionário será capaz de ter todas elas plenamente satisfeitas , mas uma organização eficaz deve suprir muitas delas e evitar colocar obstáculos no caminho
  • 107. 107 dos funcionários para que, após o trabalho, ele possa suprir as restantes"177. A Reengenharia, saudada como a panacéia para todos os males, experimentou, como todos os segmentos do saber, um amadurecimento. Em seu nome foram feitas alterações profundas na estruturação de Empresas, com dúbia e questionável qualidade na aplicação da metodologia. Reengenharia passou a ser sinônimo de dizimar empregos. A partir desta constatação, pode-se entender que aplicando a Reengenharia de Hammer (1994) nos processos inerentes ao negócio (objeto da sua atuação) e considerando os aspectos de envolvimento do pessoal, transpõe-se um dos grandes obstáculos à sua utilização eficaz. Considerando-se a empresa como um todo - um sistema - e sabendo que um sistema natural, um ser vivo, por exemplo, para perpetuar a sua espécie deve procriar, em analogia, podemos afirmar que os sistemas não naturais tais como as empresas necessitam de novos produtos e tecnologias para se manterem no firmamento da constelação empresarial. Assim sendo, pode-se julgar que a função pesquisa e desenvolvimento (processo “reprodutor” por analogia), merece destacada notoriedade e não somente ser encarado como uma “despesa, um gasto”. Diga-se de passagem, a Reengenharia oferece soluções extremamente positivas, desde que bem aplicadas, tais como, o Simultaneous Engineering, ou seja, a participação de todos os envolvidos no processo de criação, desenvolvimento e lançamento dos produtos."178 O artigo “Tecnologia, Conhecimento e Sabedoria na Gestão Empresarial179” procura demonstrar, que apesar de tantas novas abordagens, ainda prevalece uma máxima na vida e na gestão das empresas : O BOM SENSO !!! 177 Garland ( 1992 : 30) 178 Uhlmann (1997 :118-119) 179 idem (1997)
  • 108. 108 Tecnologia, Conhecimento e Sabedoria na Gestão Empresarial “Poucos são os que provavelmente não tenham ouvido falar que o Conhecimento é diverso da Sabedoria. Em Análise de Sistemas há anos afirmamos e sabemos que o Know How, a tecnologia, o como fazer, ou seja o conhecimento está sedimentado e sob controle. Por outra lado, já há anos afirmamos também, que imperiosa se torna a prática do Know-Why, o Para o quê, entendido como sendo a sabedoria por ser a aplicação de conhecimentos. Em gestão Empresarial foi cunhada a Reengenharia, que em análise última, não deixa de ser um questionamento (Know-Why) das Empresas, de seus produtos e processos, no afã de resgatar sua rentabilidade. A Tecnologia da Informação, a cada dia nos oferece novas e mais poderosas ferramentas, Hard e Software, os quais tiveram e têm um avanço exponencial. As ferramentas de comunicação de dados nos permitem conexões nunca antes imaginadas, complexas rotinas assembladas de morosa e árdua elaboração foram condensadas em macroinstruções. Os bancos de dados, com os seus poderosos DBMS permitem explorações pelo próprio usuário, oferecendo espelhamento de informações, Recovery e segurança como Default. À luz destas verdades que suplantaram tantos entraves, e dificuldades, permitam-me, a título de ilustração, divagar um pouco na nostalgia da história. Por favor, não me chamem de Dinossauro Informaticus, pois não se passaram tantos séculos assim. Trabalhávamos, naquela época, com um equipamento considerado como de última geração, cuja breve descrição assim sumarizo. Programado em Assembler, o qual, após codificação, tinha de ser convertida em meio físico, uma placa de circuito impresso com diodos soldados, conforme Lay out calculado, era acondicionado em uma caixa com pinos. Cada programa era, portanto, uma destas caixas - o Analista daquela época tinha no ferro de solda e do estanho, uma das suas principais ferramentas!
  • 109. 109 A comunicação de dados era por fita de papel perfurado (pularei os problemas de comunicação, pois, são inarráveis). Nosso sonho era trabalharmos com uma máquina de grande porte, semelhante a de um colega (... que inveja!) com 64 Kb de memória e incríveis 5 Mb em Disco de uma grande empresa multinacional. Recordando este passado, não tão remoto assim, indagamo-nos em face das inovações antes sequer sonhadas e, agora reais, de tantos obstáculos suplantados. - Será que ainda há problemas? - Será que ainda existem organizações que enfrentam dificuldades? Não há necessidade de muito esforço e metodologia científica para verificarmos e constatarmos que: • as organizações continuam com dificuldades, quiçá até maiores....; • as inovações tecnológicas por si só não resolveram todos os problemas mas sim, fizeram com que outros emergissem e • os modelos organizacionais demonstram sua exaustão. Enfim, a expressão, éramos felizes e não sabíamos, por muitos proferida não deixa de ter sua razão de ser. Analisando estas constatações, chegamos à conclusão, de que houve na verdade uma profunda mudança da realidade. O mundo graças, às inovações tecnológicas, se tornou menor, os mercados interagem e o Global Sourcing se tornou um fato - empresas do outro lado do mundo se tornaram concorrentes ..... vorazes! Os modelos organizacionais ocidentais meticulosamente, elaborados sob a égide da previsibilidade do modelo burocrático de Weber, da departamentalização Neoclássica e da divisão do trabalho de Taylor experimentam a sua falência.
  • 110. 110 Mr. Jack Welch, principal Executivo da General Eletric, com muita precisão proferiu: ‘Nós criamos, através dos anos um método de Administração correto para o seu tempo, um grande filão para as escolas de Administração. Divisões, Unidades Estratégias de Negócios, Grupos, Setores, tudo para que decisões bem calculadas fossem tomadas. Funcionou nos anos 70, foi um entrave ao crescimento nos anos 80 e poderá se transformar num bilhete para o cemitério na década de 90’. A partir desta afirmativa, evidente se torna aos nossos olhos que há uma imperiosa necessidade de adaptação, de mudanças. Claro se torna o desespero das organizações e de seus responsáveis na busca de um novo modelo, capaz de restaurar e assegurar a sobrevivência destas mesmas organizações. A procura por novos conhecimentos tais como, a Reengenharia Organizacional e da Informação, Downsizing, Rightsizing, Modelagem de dados, Top-Down, Redes LAN e WAN, Gestão Holística, JIT, Kanban, Kaizen, Teoria das Restrições, ISO 9000, TQC, e tantos outros mais, tornou-se uma necessidade obsessiva. Acreditamos nós, que o simples conhecimento, destes e de outros tantos mais, não basta; necessária se torna a sabedoria que nos dará a justa medida do uso da aplicação, dosagem e cronologia das ferramentas, dos conhecimentos adquiridos. A sabedoria permitirá dosá-las de modo a não as transformar em uma bandeira efêmera, num modismo cujos resultados negativos são efetivamente presumíveis. Permitirá também aplicá-las numa ordem racional, numa seqüência lógica não permitindo a instalação das caóticas febres organizacionais nas quais pretende-se mudar tudo e ao mesmo tempo. Esforços e recursos concorrendo entre si, anulam-se reciprocamente lançando as organizações em situações que fogem do controle e obviamente se distanciam dos resultados esperados.
  • 111. 111 Vimos a reengenharia, mercadologicamente explorada sendo transformada por muitos no Facão de Ouro que corta mais, e melhor, sem se preocupar com o todo, com os desdobramentos negativos, com as demais pessoas da organização. Vimos a Qualidade Total sendo implantada por decreto, uma singela faixa na entrada da empresa alusiva à qualidade era o único passo efetivo para aquela. Evidentemente nada funcionou, os especialistas em desculpas de plantão, porém, já tem pronta a resposta : A nossa Empresa é Diferente! Vimos redes de PC’s sendo implantadas. Agora estamos informatizados, exclamavam os seus mentores! Um SW aplicativo, um sistema de Informações era visto como um mero detalhe suplementar. Defendemos, pois, que o velho bom senso, o salutar raciocínio e a lógica sejam atributos sine qua non do verdadeiro sábio; daquele que simbolicamente, a terra revolve, quebrando o marasmo, a resistência; que novas idéias semeia, cultivando-as, frágeis no começo, com a sabedoria aduba-as robustecendo-as, permitindo, assim, que à seara esperada se chegue. Meditemos, saibamos usar com bom senso, prudência enfim com sabedoria, os conhecimentos arduamente adquiridos, não os lançando em programas isolados, desatrelados da realidade ou mesmo aplicados de forma a concorrerem entre si”180. Ao cabo destas considerações, pode-se conceber de maneira sintética, um quadro das tendências para este final e início de século as quais irão influenciar sobremaneira o pensamento e a gestão organizacional. 180 Uhlmann (1997 : 119-121)
  • 112. 112 Tendências Analisando-se o contexto situacional das experiências executivas por meio da bibliografia especializada vislumbram-se as seguintes tendências : • expor-se ao ambiente global; • melhorar continuamente as operações; • profundo repensar dos processos ; • distanciamento dos modelos clássicos tayloristas; • achatamento dos níveis hierárquicos; • crescente emprego de tecnologia com menor emprego da mão-de-obra no sentido tradicional; • crescente uso da Tecnologia da Informação; • ênfase em pesquisa e uso de novas tecnologias; • integrar-se com fornecedores e clientes ( parcerias ); • terceirizações e • renovação dos ativos para manter a dianteira tecnológica. Estabelecer e manter diferenciais competitivos, ou seja, procurar e identificar fatores capazes de manter a fidelidade dos clientes atuais, fazendo com que ex-clientes e novos clientes vejam como alternativa vantajosa os produtos e serviços oferecidos pela empresa, tais como : • SERVIÇO AO CLIENTE ( pontualidade e fidelidade nas entregas) Confiança na data acordada; rapidez no atendimento ( produto/serviço colocado ou executado no cliente ). • FLEXIBILIDADE Mix de produtos/serviços abrangentes conforme as necessidades dos clientes; tamanho dos lotes variáveis conforme a necessidade do cliente. • QUALIDADE Atender necessidades do cliente ou consumidor;
  • 113. 113 regularidade e conformidade com o especificado; produção sem defeitos e garantia cada vez mais longa pós venda. • PRODUTO / SERVIÇO Exceder os oferecidos pela concorrência. • PREÇO Para ser competitivo deve ser o menor do segmento (custo x benefício ). Em suma, as empresas da era da globalização necessitam apresentar características como as apontadas por Kanter (1996)181: • obedecer aos padrões BIW ( best in world); • ser pioneiras nas melhores idéias e tecnologias; • investir nas habilidades da força de trabalho e oferecer segurança e empregabilidade; • agir como parceiras para fornecedores e clientes e • conectar-se a redes que proporcionam amplo alcance e recursos adicionais. 181 Kanter (1996 :409-411)
  • 114. 114 5.0 As informações na nova realidade A história oferece múltiplos exemplos de inovações tecnológicas que revolucionaram gerando impactos sócio – econômicos. Tais inovações geraram mudanças nos perfis da gestão organizacional que, por sua vez, interferiu: no trabalho, nas metodologias de produção, nos processos de produção, nos padrões de consumo e nos hábitos, usos e costumes da sociedade. A máquina a vapor, a substituição da força animal, a qual, por seu turno, já havia substituído a força do próprio homem, levou, em ultima análise, a desencadear todo um processo industrial, uma revolução industrial, por tantos descrita. O modelo energético inicialmente calcado na mecânica gerada pelo vapor “durante duzentos e cinqüenta anos, (...)o modelo da tecnologia foi o mecânico, e os combustíveis fósseis foram rapidamente se tornando a principal fonte de energia"182. Esta Era da Mecânica, ensina Drucker (1993), encontrou os seus limites com o advento da fissão, e posterior fusão nuclear, ao término da primeira metade do século XX. A Era da Mecânica caminhou da energia a vapor até os motores a explosão, movidos a partir de recursos energéticos fósseis, o petróleo e seus respectivos derivados - escassos, com preços oscilantes a partir da percepção, com maior ou menor grau, desta escassez, ou mesmo o urânio - matéria prima para os reatores da tecnologia nuclear, “combustível exaurível, e que apresenta riscos de segurança extremamente caros para vencer”183, todos, porém, inegavelmente finitos. Drucker (1993) afirma que: “Em algum momento entre, 1965 e 1973, nós cruzamos um marco divisório e ingressamos no ‘próximo século’, deixando 182 Drucker (1993 :219) 183 Toffler (1980 :142)
  • 115. 115 para trás convicções, compromissos e alinhamentos que haviam moldado a política por cem ou duzentos anos”184. Este marco divisório, propriamente dito, pode ser encontrado em Toffler para quem a economia, ainda estando na sua “Segunda Onda”, ou seja, na fase iniciada com a revolução industrial, tinha o seu modelo energético calcado em uma base que “estabeleceu como premissa a não renovabilidade; era extraída de depósitos altamente concentrados, exauríveis; sustentava-se em tecnologias caras e pesadamente centralizadas; repousando em fontes e métodos relativamente pouco numerosos” 185. Toffler considera a utilização do petróleo como uma das principais fontes energéticas da "Segunda Onda" (Drucker a considera como sendo a "Terceira Onda "). Pondera, no entanto, que “todos concordam que esta dependência do combustível fóssil não pode continuar indefinidamente, por mais que novos poços de petróleo sejam descobertos”186. A percepção generalizada da escassez promovida pelo uso intenso do recurso energético (petróleo) concentrado em regiões produtoras - aglutinadas na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), emergiu na crise do chamado “Choque do Petróleo em 1973”187. Esta crise triplicou o preço do barril de petróleo cru chegando a atingir patamares de negociações na ordem dos US$ 40,00188. As economias, altamente dependentes deste recurso energético básico do modelo industrial, 189 da “Segunda Onda” de Toffler , foram, portanto, duramente atingidas em seus balanços de pagamentos. A reação destas economias se tornou imperiosa, pois não poderiam sustentar infinitamente uma dependência deste produto naquele patamar. Saltos tecnológicos se fizeram presentes. Novos motores e fontes de energia 184 Drucker (1993 :4) 185 Toffler (1980 :140) 186 idem ( 1980: 140) 187 Drucker (1993 : 7) 188 Toffler (1980)
  • 116. 116 foram pesquisadas: das mais exóticas às mais plausíveis; da energia solar, eólica, e bioderivada passando, anos mais tarde, pela utilização do álcool - fonte biologicamente renovável e não poluidora do meio ambiente. A esta evolução no uso de recursos energéticos e desenvolvimento tecnológico acrescentou-se em 1946 um fato novo : “ o primeiro computador, o ENIAC, tornou-se operacional..... dando início a uma nova era, uma era em que a informação será reconhecida como o princípio organizador do trabalho”190 . Uma nova realidade se fez presente, com uma tecnologia de proporções nunca antes imaginadas. Neste sentido, Drucker afirma que: “nascia uma nova civilização” baseada nas informações, o acesso a estas, antes limitado e controlado pelo detentor do poder, começava a se democratizar. Este poder representado pela informação acabou por contribuir na geração de uma “hipertrofia do Estado Nacional típica do século XX, o regime totalitário. ...uma criatura da mídia moderna - jornais, cinema, radio e televisão - só pode existir se tiver controle total da informação” 191. Ocorre que com os progressos tecnológicos ulteriores, as facilidades de acesso a múltiplas fontes de informações, fragilizaram o controle estatal da mídia, tornando a informação, “na realidade, a informação é hoje transnacional; como o dinheiro, a informação não tem pátria”192. As novas realidades concernentes às informações não pararam de provocar contínuas e novas alterações sociais. A partir dos conceitos da teoria dos sistemas de Ludwig von Bertalanffy pode-se concluir que as alterações provocadas em um sistema irão se refletir por todo o sistema, gerando novas adaptações até que se reencontre um novo equilíbrio, a homeostase dinâmica. E assim, as alterações comportamentais e organizacionais se tornam cada vez mais freqüentes e céleres em face da atuação das inovações e adaptações - reciprocidade e mútua ação acelerativa. 189 Segundo Drucker (1993, p.220) seria a terceira onda – caracterizada não somente pelo incremento da força motriz mas também pela produção de produtos novos nunca d’antes, fabricados, ou ao menos somente em pequena escala como a Radio/TV/Prod. Químicos etc. 190 Drucker (1993 : 219)
  • 117. 117 Desta maneira, devido à pronta disponibilidade da informação e conseqüente facilidade de divulgação - o transporte para onde a pessoa, os funcionários estivessem - provocaram uma nova concepção de trabalho. Facilmente pode-se imaginar que o transporte da informação é muito mais fácil e menos oneroso que o transporte das pessoas. Instalou-se por conseguinte uma nova modalidade no paradigma das pessoas “irem” ao trabalho. Instalou- se desta maneira a modalidade da informação (necessárias à consecução do trabalho) ir à pessoa e não somente esta ao trabalho. No que concerne a este deslocamento das pessoas, afirma Drucker (1993) que “cada vez mais as pessoas trabalharão em suas casas ou, o que provavelmente será mais freqüente, em pequenos ‘escritórios satélites’ fora dos centros abarrotados das cidades, (…) - o fax, o telefone, o vídeo, a televisão bidirecional, o telex e as teleconferências estão tomando o lugar das ferrovias, dos automóveis e dos aviões”193. A este relato de Drucker (1993), escrito em fins da década de 80, deve- se acrescentar os efeitos mais recentes do processamento e da distribuição da informação via Tecnologias de Informação, das quais se destacam a Internet e as redes corporativas, interligando corporações, em termos de alcance mundial. Em outras palavras, estas tecnologias promoveram a aproximação entre as organizações. A distância entre uma matriz e sua filial já não representa obstáculo à comunicação - à interação. Neste sentido, a organização do trabalho pode receber uma nova formatação, tendo por base a disponibilização das informações na forma descrita. A este respeito, foi publicado na revista EXAME uma reportagem sobre a Internet que reúne tudo o que o senso comum do mundo empresarial afirma e reafirma a respeito dos fatos até aqui apresentados: “Todo executivo bem informado conhece o potencial da Internet como estimuladora de negócios. A rede mundial de computadores vai permitir que a empresa se ligue diretamente a fornecedores, clientes e consumidores no mundo inteiro. Por meio dela será possível receber e fornecer informação. Também se poderá vender, comprar, 191 Drucker (1993 : 221) 192 idem (1993 : 221)
  • 118. 118 divulgar e atender. Tudo isso de forma direta e instantânea, usando infra- estrutura universal e barata”194. Fazendo uma analogia entre o papel do chefe e o do estado nação, enquanto agente detentor e controlador das informações, a partir do momento em que estas estiverem presentes e disponíveis aos mais variados segmentos da organização ou da sociedade, deixam de ser um instrumento a serviço da sua perpetuação ou manutenção de seu poder. Passarão a se transformar em um instrumento de trabalho, como base para decisões, ou seja a já citada democratização das informações. “O conhecimento é poder, razão pela qual quem o tinha no passado costumava tentar mantê-lo em segredo. No pós- capitalismo o poder provem da transmissão das informações para torná-las produtivas e não ocultá-las”195. A este respeito, o citado autor evoca uma outra profunda modificação: a mudança da sociedade capitalista estruturada a partir da alocação de recursos de capital em seu processo produtivo para uma sociedade na qual o conhecimento, as informações passam a ser consideradas como um recurso, afirmando: “agora o conhecimento está tomando o lugar do capital como força motriz nas organizações do mundo inteiro, é muito fácil confundir dados com conhecimento e Tecnologia da Informação com informação”196. Engana-se, no entanto, aquele que intuir, a partir desta colocação que as TI (Tecnologia da Informação) possam, por si só, obter a eficácia empresarial. Estas tecnologias exigem, isto sim, uma eficaz e competente gestão das informações, pois, se das informações não resultarem ações concretas, de nada valeram os esforços para se obter um sistema de informação eficaz - a organização como um todo não terá alcançado a sua tão almejada eficácia. Novas estruturas organizacionais emergem a partir destas constatações. Os tradicionais modelos burocráticos, das típicas estruturas do tipo comanda e controla, com múltiplas camadas de comando e controle darão lugar a 193 Drucker (1993 : 222) 194 Martins (1996) 195 Drucker (1995 : XXII)
  • 119. 119 organizações que “não terão mais que a metade dos níveis administrativos de sua equivalente hoje, e não mais de um terço do número de seus administradores” 197. O valor da informação nesta nova realidade foi reconhecido, também, por Harvey (1996) ao afirmar que “as informações precisas e atualizadas são agora uma mercadoria muito valorizada”198. Mercadoria tão valorizada que Drucker chega a chamar as novas organizações de “OFI – Organizações Fundamentada em Informações”199, organizações que têm o seu enfoque e característica na descentralização do poder pessoal. Diferente dessa abordagem, anteriormente as pessoas mantinham o poder centralizado graças à detenção de informações ( o ditado do 'pulo do gato'). E o mantinham nesta situação, até por que lhes dava uma sensação de segurança, de preservação do cargo. Desta maneira, os interesses corporativos muitas vezes ficavam relegados a segundo plano em favor dos interesses pessoais. Para que este paradigma fosse revisto, tornou-se necessária a mudança da abordagem até então praticada. As novas concepções exigiam que fosse garantida a disponibilidade das informações a todos os envolvidos em um determinado processo decisório. Um novo modelo de gestão se cristaliza no qual “o acesso à informação, bem como o seu controle, aliados a uma forte capacidade de análise instantânea de dados, tornaram-se essenciais à coordenação centralizada de interesses corporativos descentralizados”200. A partir desta percepção do valor das informações, vistas agora como 201 um recurso , como “bens de capital” , ou seja, como patrimônio intangível, teriam que ser tratadas como um recurso patrimonial. Nesse sentido as informações passaram a adquirir um valor nunca antes concebido. O seu valor até então era freqüentemente percebido pelos seus detentores somente como mero suporte do qual se valiam para sustentarem-se no poder. Na nova 196 Drucker(1995 : XXII) 197 idem (1993 :177) 198 Harvey (1996 : 151) 199 Drucker (1993 : 177) 200 Harvey (1996 : 151)
  • 120. 120 concepção, as informações passam a constituir um valor, não pessoal, mas sim estratégico e corporativo, pois, se bem usadas, podem se transformar em fontes de lucros. O acesso a informações privilegiadas, em especial no mercado financeiro, ou até mesmo na venda de segredos industriais e frutos de pesquisas, foi por Harvey (1996) chamado de a “ponta ilegal do iceberg” incluindo as informações sobre políticas governamentais, obtidas de maneira licita e ética ou não, que passaram a integrar, de maneira indissolúvel, a gestão dos negócios. O vulto da extensão desta visão estratégica das informações foi reconhecido por Harvey (1996) ao afirmar que: “o acesso privilegiado a informações de qualquer espécie passa a ser um aspecto essencial das decisões bem sucedidas e lucrativas”202. Enfim, uma nova realidade, uma profunda mudança do macroambiente se fez presente, chamada de : Terceira Onda ( Alvin Toffler 1980), Sociedade do Conhecimento (Peter Drucker 1997) - cruzamento do marco divisório rumo ao pós-Capitalismo e pós-Fordismo; Produção de Acumulação Flexível ou condição pós-Moderna (David Harvey 1996). É fato inconteste que tantas e tão próximas em termos temporais, as profundas mudanças fizeram com que um novo ambiente se constituísse. Uma nova realidade para os administradores, para os modelos de gestão e também para os modelos de gestão de pessoas. A administração passa a conviver com uma nova visão deste componente - os recursos humanos tem dimensões cada vez maiores. Da abordagem de controle (comando puro e simples das pessoas), passa-se para a abordagem de liderança na qual “a informação está substituindo a autoridade”203. "Realidade esta que por seu turno requer, uma nova visão e abordagem das organizações e dos modelos de sua gestão. Esta 201 Tapscott & Caston (1995 : 7) 202 Harvey (1996 : 151) 203 Drucker (1996 : XV)
  • 121. 121 nova visão, no entanto, não pode deixar de levar em consideração justamente o que contribuiu para o sua consolidação : as informações” 204. 204 Uhlmann (1998 :157)
  • 122. 122 5.1 A Informática no ambiente contemporâneo O Analista de Negócios e da Informação tem como uma de suas atribuições, a gestão da informática, a gestão das informações automatizadas com o emprego da Tecnologia da Informação disponível. A Tecnologia da Informação passa a ocupar um lugar de destaque na atualidade que presenciou a queda dos modelos de produção baseados na produção em massa (Fordismo – a produção acumulada). Modelo este típico do período Keynesiano ( Teoria Econômica de John Maynard Keynes ), que foi substituído pelo modelo de produção flexível, voltado para a produção daquilo que o mercado deseja, em face da sua característica de alta competitividade. O uso da Tecnologia da Informação na gestão dos negócios levou aos sistemas de informações características econômicas e estratégicas. A utilização da TI, por Tapscott & Caston (1995) chamada “primeira era da informatização”, levava em conta apenas os aspectos tecnológicos (know how). A sua gradual aplicação aos negócios fez surgir um segundo questionamento: o da eficácia, do custo e dos benefícios almejados. A medida final do sucesso de qualquer projeto de informatização, resume-se basicamente na resposta à pergunta, 'o que afinal ganhamos com a implantação do …' ? Fica, portanto, implícita a questão da “utilidade”, ou seja, houve uma alocação de recursos ( = gastos de energia, tempo, dinheiro) com a qual pretende-se alcançar determinado objetivo. Deve ser ressaltada também a efetividade da necessidade deste 'objetivo', ou seja, o quanto este objetivo, se alcançado, contribui com os resultados globais da organização. Em resumo, trata-se de uma questão de custo e benefício. O aspecto - resultados globais - deve ser salientado, pois traz em seu significado o quanto melhorou o sistema organizacional visto como um todo, ou seja, deve haver “um aprimoramento real de economias para os negócios do usuário”205. Resultados globais, portanto, não são resultados departamentais (“… o meu setor ficou 100% mais ágil !”)que devem ser analisados sob a visão
  • 123. 123 de “o quanto” esta agilidade trouxe em faturamento, em novos clientes, produtos, imagem para o mercado; ou “o quanto” deixou-se de gastar, qual foi a redução da despesa operacional efetiva, o quanto esta pode refletir sobre o preço dos produtos ou serviços! A questão - entendendo os objetivos do projeto de sistema de informatização como sendo válidos - resume-se em “calcular a proporção entre o benefício do projeto e o seu custo. Se os benefícios não excederem os custos de forma significativa, será melhor que os usuários coloquem o dinheiro 206 em outro projeto” . Ficam excluídos desta categoria os projetos derivados de exigências legais, o também chamado condicionamento externo ou legal, em face das determinações governamentais, ou imposições dos clientes. Trata-se de imposições, que não sendo atendidas, impossibilitarão o fornecimento, ou a continuidade das operações em virtude das cominações legais. DESAFIOS Desafios de Negócios Desafios de Sistemas Concorrência cada vez mais intensa Contribuir efetivamente com o negócio Lançamento de novos produtos em Mais resultados com menos custos períodos de tempo cada vez mais curtos Redução de Custos Mais rápido e mais barato Incorporar avanços tecnológicos preservando investimentos Tab. 9) Os desafios contemporâneos aos Negócios e aos Sistemas de Informação. Fonte Furlan (1994, p.9) A competitividade globalizada acentuando-se continuamente leva ao insucesso as organizações que não puderem enfrentar adequadamente os desafios. Torna-se imperioso, portanto, que sistemas de PD( Processamento de Dados), o emprego da Tecnologia da Informação, cada vez mais sofisticada ( high-tech – alta tecnologia) e interativa, sejam colocados de tal sorte a 205 Page-Jones (1990 : 3) 206 idem ( 1990 : .5)
  • 124. 124 trazerem os benefícios almejados para os resultados globais da organização! A satisfação destas necessidades requer um minucioso planejamento, acuidade – prazos mantidos, rapidez na implantação, portanto, retorno do investimento! Ao desplante de todas estas ponderações sobre a interação da TI com a gestão, há indicadores que apontam para uma situação de desenvolvimento de sistemas em termos mundiais, radicalmente contrária. Muitos executivos de TI, limitando-se “exclusivamente ao ambiente técnico por vários anos e, conseqüentemente, não possuem o arcabouço de conhecimento necessário para tratar os diversos elementos de negócio”207. Pode-se representar esta situação, também, como o trata a figura 16, a qual faz menção a um hiato, um “Gap” entre a evolução dos negócios e a absorção, o entendimento e efetiva utilização do potencial tecnológico. A figura em questão, auferida de uma empresa fornecedora de um software de gestão integrada, procura demonstrar a existência de uma função contida neste SW, chamada de Enterprise Modeler (Modelador de Negócios). Propõe esta ferramenta a auxiliar na modelagem, ou seja na adequação dos fluxos dos processos organizacionais, do negócio, no afã de diminuir a citada assimilação da tecnologia . 207 Furlan (1994 : 10)
  • 125. 125 Fig. 16) Gráfico demonstrativo do Hiato que se formou entre a evolução dos Negócios e a absorção da Tecnologia da Informação. Fonte Prof. Carlo Andrey Gonçalves ( BaaN Company) ( 1998) A Tecnologia da Informação passa a ocupar um lugar de destaque na condução das organizações. Afirma Furlan (1994) a este respeito que “as empresas passam a viver deles ( computadores), moldando suas estruturas e estratégias para melhor aproveitarem as novas tecnologias da informação”208. A necessidade de gestão desta Tecnologia da Informação combinada e intimamente ligada com a gestão do negócio é percebida e relatada por Saviani (1996). Referindo-se ao profissional da gerência, afirma tratar-se da “figura do integrador de sistemas da organização, que possibilita alcançar a implantação de um sistema de informações globais, cujo acesso permitirá a cada executivo administrar sua área como um todo, de forma rápida e precisa”209. A absorção da Tecnologia da Informação e de suas aplicações chega a um patamar tal que “as organizações que não conseguem compreender a nova 208 Furlan (1994 : 14) 209 Saviani (1996 : 47)
  • 126. 126 era e navegam por um curso que evita a transição tornam-se vulneráveis e serão ultrapassadas”210. Um exemplo desta abordagem do uso das tecnologias da informação, ampliado para o enfoque do negócio, pode ser auferido da figura 17 apresentada, relativas a projetos de ERP (Enterprise Resource Planning) da BaaN Corporation. Trata-se de sistemas integrados de gestão empresarial, altamente sofisticados que, além do SW integrado, contêm toda uma gama de conhecimentos provenientes de estudos de benchmark (análise comparativa entre empresas líderes) e das tendências e novas concepções elaboradas por institutos de pesquisa. Incorporam, portanto, a prática das melhores empresas ( benchmark ) e a pesquisa, as tendências em termos de gestão empresarial - detectadas ou prognosticadas pelos citados institutos de pesquisa (fig. 17 e 18). Fig. 17) Conceitos relativos a um Software Integrado de Gestão Empresarial ( ERP). Fonte Prof. Carlo Andrey Gonçalves ( BaaN Company) ( 1998) 210 Tapscott & Caston (1995 : 18)
  • 127. 127 Fig. 18) Conceitos relativos a um Software Integrado de Gestão Empresarial ( ERP). Fonte Prof. Carlo Andrey Gonçalves ( BaaN Company) ( 1998)
  • 128. 128 5.2 A evolução do uso da Tecnologia da Informação Neste final de século a Tecnologia da Informação encontra-se, segundo uma classificação elaborada por Tapscott & Caston (1995), na sua “Segunda Era”. Refazendo-se o processo de desenvolvimento da TI pode-se, de acordo com a classificação de Tapscott & Caston observar as seguintes eras: A Primeira Era A também chamada informatização, iniciada nos anos 50, baseada em computadores centrais ( Mainframes), inicialmente acessíveis somente a poucas organizações, tinha por escopo, auxiliar a gestão e principalmente substituir o trabalho manual, representado pelo pessoal de escritório. Em outras palavras, visava a redução do custo. Voltava-se basicamente à gestão de três recursos fundamentais : ativos físicos, recursos humanos e ativos financeiros. Os sistemas, nesta Primeira Era, eram empregados de maneira isolada e separada, ou seja, sem integração. Cada área de responsabilidade tinha o “seu” sistema, a “sua” base de dados, sem, portanto, levar em consideração o fato de todos pertencerem a uma mesma organização, a um mesmo sistema. Foram desta forma constituídas as “ilhas não integradas de Tecnologia da Informação”211. O acesso a estes sistemas era delimitado a uma minoria isolada de elementos altamente especializada, detentores do poder pela posse e acesso às informações. Pode-se entrever, a partir desta colocação, uma reedição dos grupos de decisão descritos no postulado da teoria científica de Taylor. Sob este aspecto, os sistemas de informação da época acabaram por constituir um suporte à dominação burocrática, ou seja, um suporte aos detentores do poder. Nesta concepção teórica, caberia ao administrador, “planejar cuidadosamente seus passos, organizar e coordenar racionalmente as 211 Tapscott & Caston (1995 :47)
  • 129. 129 atividades de seus subordinados”212, ou seja enfocavam o “the one best way” de Taylor. Caminho este, que em face da racionalidade expressa nesta busca da “única maneira certa de executar o trabalho”, levaria aos objetivos almejados. Em suma, a Tecnologia da Informação passou a ser utilizada, também, como um instrumental de dominação e de cisão entre os dominantes e os grupos operacionais que deveriam executar as tarefas conforme as regras, normas e controles elaborados. O surgimento dos computadores pessoais ( PC ) marcou o início de uma nova era. “O microcomputador permitiu que todos os funcionários, desde secretárias e representantes de vendas até profissionais e executivos seniores, pudessem trabalhar diretamente com a Tecnologia da Informação e tirar proveito dos muitos benefícios que ela podia proporcionar “213. A rápida evolução tecnológica deste Hardware (HW - equipamentos) aliado a Software (SW - programas / aplicativos) cada vez mais poderosos e amigáveis deu “à Tecnologia da Informação reputação e presença inteiramente nova dentro da empresa” 214. A Segunda Era O ambiente dominado pelos Mainframes centrais e por PCs isolados, (stand-alone) passou para uma nova fase. Os PCs isolados, formando inúmeras ilhas de informação, com grande redundância de dados e múltiplas “verdades” capacitaram, despertaram e difundiram conhecimentos (a desmistificação da tecnologia). Despertaram também uma consciência da necessidade de comunicação e das vantagens daí auferíveis. Ligados em rede, constituíram a “tecnologia da rede local ( Local Area Network – LAN ). As exigências e sofisticação cada vez maiores dos usuários individuais (…e da Tecnologia da Informação), foram chegando ao mesmo tempo”215. A nova tecnologia permitiu que processos e modelos organizacionais fossem questionados e reestruturados. 212 Motta & Pereira (1988 : 170) 213 Tapscott & Caston (1995 : 47) 214 idem ( 1995 : 47) 215 ibidem (1995 : 49)
  • 130. 130 Hammer, o aclamado pai da reengenharia, que ao desplante da excessiva e desgastante exploração mercadológica, da sua aplicação nem sempre bem compreendida e regrada, afirma que “a Tecnologia da Informação moderna e atualizada integra qualquer esforço de reengenharia, sendo um capacitador essencial, por permitir às empresas a reengenharia de seus processos”216 . A nova abordagem da tecnologia, a ampliação da sua utilização, deixando de ser um mero instrumental redutor de despesas ou de dominação burocrática transparece com nitidez nesta outra colocação de Hammer, “o verdadeiro poder da tecnologia não está em fazer antigos processos funcionarem melhor, mas permitir que as organizações rompam com as antigas regras e criem novas formas de trabalho”217 . O reconhecimento da necessidade desta nova abordagem ampliada, pode ser ilustrada em um relatório218 empresarial do DMR Group Inc. de 1987 no qual se coloca que “a experiência tem demonstrado que os maiores ganhos proporcionados pelos sistemas que envolvem usuários são obtidos por meio da introdução de mudanças na maneira de trabalhar das pessoas, e não simplesmente pela implementação da tecnologia em si. Impactos estratégicos são obtidos através de mudanças mais amplas no sistema de trabalho, que constitui o modo pelo qual nós trabalhamos em conjunto para criar produtos ou serviços e o modo pelo qual interagimos com nossos fornecedores e consumidores. Um tema deste estudo é que os sistemas integrados oferecem maneiras inteiramente novas de trabalhar e fazer negócios. O replanejamento destes sistemas de trabalho é um novo desafio” 219. O novo ambiente, nesta Segunda Era, caracteriza-se, ainda, por uma evolução contínua da Tecnologia da Informação e de suas aplicações. A empresa, agora integrada, valendo-se da Tecnologia da Informação para 216 Hammer & Champy (1994 : 67) 217 idem ( 1994 : 72) 218 Stage IV Report : The integration of Data, Text, Voice and Image”, DMR Group Inc. , Toronto, 1987 219 Tapscott & Caston ( 1995 : 49)
  • 131. 131 “fornecer um quadro interativo e consolidado da operação inteira de uma empresa para dar suporte à decisão por parte dos administradores seniores”220. Na primeira era os sistemas tradicionais (MIS – Management Information Systems – Sistemas de Informação Gerencial SIG), eram elaborados para fornecerem informações. Os envolvidos em processos de decisão buscavam as informações em extensas listagens produzidas pelos MIS, a partir das bases de dados das diversas “ilhas de informação”, constituídos pelos Sistemas Transacionais ( TS ) - os quais recebem e registram todas as transações ocorridas (os, também chamados, sistemas estruturados). Na Segunda Era, o diferencial dos sistemas de informação passou a ser o aspecto interativo e consolidado destes sistemas. Antepunha-se aos MIS e aos DSS ( Decision Support Systems / Sistemas de auxilio à decisão) da Primeira Era, os chamados EIS ( Executive Information System / Sistemas de informação executiva ). Estes sistemas de informação procuram auxiliar na tomada de decisão, aglutinando as informações esparsas dos MIS. Os EIS “são planejados para coletar informações junto a diversas fontes da empresa e produzem informações de fácil compreensão, on-line e informações gráficas, com o propósito de dar suporte à tomada de decisões melhores por parte dos executivos usuários. As informações acessadas através de um sistema EIS podem cobrir todas as operações e divisões de uma empresa e podem até mesmo alcançar dados produzidos externamente”221. "Enfim, nesta Segunda Era está sendo utilizado a Tecnologia da Informação como um recurso estratégico, como um recurso necessário e integrado à gestão do negócio"222,na qual “o novo paradigma tecnológico propõe uma sociedade informatizada e automatizada, baseada nos avanços tecnológicos da microeletrônica e computação e nas indústrias de alta tecnologia ( robótica, semicondutores, lasers, biotecnologia, fibras óticas etc.)”223. 220 Tapscott & Caston (1995 : 95). 221 idem (1995 : 95) 222 Uhlmann (1998 : 102) 223 Furlan (1991 : 2)
  • 132. 132 5.3 O Analista de Negócios e da Informação Procurou-se, ao longo deste trabalho, demonstrar a interação cada vez mais acentuada das organizações com o meio ambiente. O enfoque, inicialmente concebido no classicismo, seguia uma abordagem “interna”, ou seja, a empresa era vista como quase que um sistema fechado. As organizações, neste estágio ainda inicial, careciam de uma estrutura ( Enfoque de Fayol e validação Racional Burocrática de Weber), bem como de processos produtivos adequados ( Taylor / Ford). As mudanças do meio ambiente, ao longo deste século, fizeram com que esta abordagem se ampliasse. Os desdobramentos verificados a partir das mudanças da realidade do macroambiente passaram a exigir, cada vez mais, a interação do sistema empresa com o sistema maior do qual fazem parte. O papel das informações nesta nova realidade passou para uma dimensão até então não sentida. A gestão destas informações, como não poderia deixar de ser, também passou por uma evolução. Para a sua gestão, em uma abordagem ainda clássica, contava-se com os profissionais de cunho técnico, os chamados analistas de sistemas. A evolução, apresentada nos tópicos anteriores, fez com que estes profissionais aglutinassem também os aspectos voltados ao negócio, à sua gestão. A partir desta junção de funções passou-se para um novo profissional, denominado de Analista de Negócios e da Informação ou de CIO ( Chief Information Officer) pelos autores norte americanos, os quais conferem-lhe com esta denominação até mesmo o status devido em termos de hierarquia. Lenilson Naveira224 a partir de relato disponibilizado na INTERNET, reafirma estas colocações ao sintetizar a atuação do CIO nesta nova realidade do ambiente dos negócios: "As organizações com características típicas da Era Industrial - grandes, rígidas, burocratizadas, padronizadas, inflexíveis, com muitos níveis 224 Naveira, L (1998) Eng, Analista de Sistemas, Consultor de empresas e autor dos livros "A Quarta Onda : Os Rumos da Sociedade de Informação" e "Gerência da Vida : Reflexões Filosóficas"
  • 133. 133 hierárquicos, com acirrada competição interna - estão perdendo rapidamente a competitividade, a participação no mercado, e saindo rapidamente do mundo dos negócios. Por outro lado, começam a surgir com todo vigor novas empresas e novos negócios. Empresas estas, mais flexíveis, dinâmicas, automatizadas, enxutas, com poucos níveis hierárquicos, cultura cooperativa, nova filosofia gerencial, novos paradigmas, produtos personalizados, novas formas de organizar, motivar, controlar, delegar e competir (…) estabelecendo (…) O NOVO PAPEL DOS GERENTES E EXECUTIVOS DO FUTURO e o novo modelo de organização para o Século XXI"225. Evidencia-se, por conseguinte, uma nova visão do ‘Gerente’, que passa de uma atuação como ‘controlador’ (típica do classicismo administrativo), para uma atuação mais abrangente e estratégica. Entendendo estratégia como uma contínua adaptação, sua e da organização à qual pertence, a uma realidade externa em constante, e cada vez mais célere mutação. Em face da citada velocidade, evidencia-se a necessidade de ferramentas que suportem esta gestão, ora ampliada, na tomada de decisões, fornecendo-lhe tempestivamente as informações requeridas. A Tecnologia da Informação passa a ser orientada à obtenção de vantagens competitivas para os negócios, ou seja, como a Tecnologia da Informação tem trazido retorno às organizações. A atuação deste 'novo' profissional pode ser entendida, por conseguinte, como sendo de um estrategista, de um articulador ou agente adaptador da organização, das pessoas e dos sistemas de informação envolvidos. José Roberto Saviani, em seu site na Internet, acrescenta que baseando em sua vivência profissional, superior a 20 anos na área da Informática, procurou, através de seu livro "Analista de Negócios e da Informação"226, dar um alerta aos "profissionais para uma nova realidade de mercado". Realidade para a qual, no seu entender, não estavam preparados, pois a "sensibilidade junto ao negócio empresarial que nunca foi a característica marcante destes profissionais, que sempre se interessaram única e exclusivamente pelo hardware e o software existente, passou a ser nesta década de 90 fator 225 Naveira, Lenilson (1998 ) 226 Saviani ( 1996)
  • 134. 134 prioritário". Para Saviani (1998) "o Analista de Negócios e da Informação 'troca a roupagem tradicional voltada apenas à tecnologia e adiciona complementos importantíssimos voltados aos alvos empresariais, a alavancagem dos negócios". Cumpre ressaltar, ao conceituar-se um novo tipo de profissional que, ao menos no Brasil, nem o profissional da TI 'tradicional' tem uma regulamentação e Código de Ética Profissional. O Jornal de PET da UEM ( Universidade Estadual de Maringá) de outubro de 1996, informa a este respeito, em artigo assinado por Alessandro & Simone, que reuniram-se em Brasília "entidades como a SBC (Sociedade Brasileira de Computação), o ENEC (Executiva Nacional de Estudantes de Computação), a ABINFO (Associação dos Bacharéis de Informática) e a FENADADOS (Federação Nacional dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares) a fim de discutirem e formularem um projeto de regulamentação da profissão, sob encomenda do Deputado Roberto Santos, substitutivo do Projeto de Lei No. 815 de 1996 do Deputado Silvio Abreu" - Este projeto, até a data do encerramento desta pesquisa ainda não constava como aprovado. O Projeto de Lei da Regulamentação da Profissão, em trâmite, "prevê o nome da profissão de ‘Informata’ (podendo ser substituído por ‘Bacharel em Ciência da Computação' ou 'Analista de Informação') e garante o livre exercício das atividades da profissão, para qualquer cidadão, sem gerar reserva de mercado. As atividades e atribuições dos profissionais de que trata esta lei consistem em: • planejamento, coordenação e execução de projetos de sistemas de informação que envolvam o processamento de dados ou a utilização de recursos de informática; • elaboração de orçamentos e definições operacionais e funcionais de projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação; • definição, estruturação, teste e simulação de programas e sistemas de informação;
  • 135. 135 • projetos de hardware; - projetos de software, elaboração e codificação de programas; • estudos de viabilidade técnica e financeira para implantação de projetos e sistemas de informação, assim como máquinas e aparelhos de informática e automação; • fiscalização, controle e operação de sistemas de processamento de dados que demandem acompanhamento especializado; - suporte técnico e consultoria especializada em informática e automação; • estudos, análises, avaliações, vistorias, pareceres, perícias e auditorias de projetos e sistemas de informação; • ensino, pesquisa, experimentação e divulgação tecnológica e • qualquer outra atividade que, por sua natureza, se insira no âmbito da profissão"227. Analisando os tópicos alinhavados pelo Projeto de Lei No. 815 de 1996, fica nítido o enfoque ‘tradicional’ dado à Informática, uma vez que ainda não lhe foi conferida nenhuma conotação que remeta à Gestão Estratégica de Negócios. Há de se salientar, ainda, as dificuldades que se evidenciam para a elaboração de uma regulamentação profissional, com enfoque tradicional. Afinal, a função se faz presente na gestão empresarial há décadas. Extrapolando para uma atuação muito mais abrangente, ou seja, a sua utilização estratégica, fomentadora de negócios, pode-se antever os obstáculos, ponderações e implicações - limitando estes aspectos, para fins desta abordagem, somente às questões técnico-administrativas - a serem consideradas na sua regulamentação, na constituição de seu Código de Ética. A nova abordagem deste profissional pode ser encontrada, também, no artigo em PET da UEM "O Perfil do Profissional do Futuro"228, no qual afirma- se que "as facilidades tecnológicas deixaram de ser uma opção e passaram a ser uma questão de sobrevivência". A correlação com a nova visão da 227 O Jornal de PET da UEM: 10/1996 228 Rachel & Tatiane :10/1996
  • 136. 136 Tecnologia da Informação fica clara quando Rachel & Tatiane relatam que "os executivos não podem se dar ao luxo de ignorar as tendências e exigências do mercado, no qual se enquadra o conhecimento tecnológico". E, tal qual Saviani (1998), concluem que " a informática não deve tratar exclusivamente de processadores, software, protocolos de comunicação e outros assuntos técnicos"229. A necessidade de um Analista de Negócios e da Informação não deve ser entendida como uma questão resolvida e presente somente no Brasil. Uma análise publicada em 4 de outubro de 1997 na Internet, sob o título "Estruturação de Processos com Tecnologia da Informação230", afirma o abaixo reproduzido em uma tradução interpretada : "Um dos graves problemas, embora nem sempre reconhecido, das empresas alemãs é a Gestão das Informações. Este problema pode ser resumido em dois pontos básicos: • a Tecnologia da Informação ou Processamento de Dados, como ainda é chamado, atua como uma área relativamente autônoma, agindo com direitos fundamentados na complexidade tecnológica de sua atuação. A sua ação não está voltada a prestar serviços para toda a organização. O princípio da Tecnologia da Informação dirigida ao Negócio ( business-driven IT), não foi reconhecida ou seguida. A estratégia da Tecnologia da Informação passa a ser um departamento da organização que está voltado para oferecer a infra- -estrutura tecnológica para a efetuação dos negócios. • falta de um CIO ( Chief Information Officer) ou a não compreensão da nova dimensão da sua atuação, seja por ainda acreditar que a Tecnologia da Informação ( TI ) seja erroneamente o antigo processamento de dados ou por ser eventualmente um pouco tecnofóbico. As informações são um dos, senão o principal, fatores chaves de sucesso das organizações. Torna-se, portanto, imperioso que se tenha uma estratégia única e harmônica para toda a 229 Rachel & Tatiane :10/1996
  • 137. 137 organização. Situações contrastantes e conflitantes entre áreas da organizações não podem ser suportadas por estas. A partir desta definição do problema emergem três campos de ação : • a posição da TI nas organizações deve ser repensada. Trata-se de questões estruturais fundamentais que devem ter em vista o reconhecimento do valor da Informação na organização, materializado na constituição de um CIO; • a estruturação da organização da TI, propriamente dita, inclusive decisões sobre terceirizações de partes desta. Ressalte-se a validade dos princípios gerais norteadores: as decisões de comprar ou produzir. Porém, nem sempre, as áreas estratégicas da TI devem permanecer na organização. A execução (o "doing") pode ser realizado externamente, no entanto, o 'o que e o como fazer' ( "what and how to do") precisa permanecer na organização. A não observância deste quesito leva a uma dependência do parceiro externo de conseqüências pesadas e onerosas, culminando na não existência da parceria, e • os processos internos da área de TI, bem como da área de TI com os seus clientes internos ( eventualmente também externos), devem ser definidos. As relações de autoridade e responsabilidade necessitam ser precisamente estabelecidas, para que mormente nos pontos de interfaceamento seja minimizado o potencial de conflito"231. A partir destas constatações, fica evidenciada esta nova e ampliada posição de CIO do antigo e tradicional Gerente de Sistemas ou Diretor de Informática. Saviani (1998), em sua Home Page refere-se a este novo cargo, ou função, como "O C.I.O. (e aí o nome do cargo pouco importa, mas sim, suas missões adequadas à modernidade da informática como propulsora dos negócios empresariais) deve possuir características que o identifiquem como 230 Kuppinger, Martin (1998) 231 Uhlmann, Günter W. (Trad.). Processos com TI. do original IT - Prozesse Strukturieren, Internet. Guarulhos: UnG/CET (reprod.), 1998.
  • 138. 138 um líder da Tecnologia da Informação utilizando-a como elemento de competitividade". O C.I.O, profissional alocado no estrato hierárquico estratégico, assume ainda a incumbência de elaborar o PDI ( Plano Diretor de Informática - O Planejamento estratégico da Informática). Ao concebê-lo, estará, na verdade, incumbindo-se de concretizar o Planejamento Estratégico Corporativo, o qual foi por Saviani (1998) chamado de " 'sonhos empresariais' de cada organização"232. O CIO, estando alocado no cume da pirâmide organizacional, deve reportar-se, numa constelação idealizada por Michael Earl (15/7/1998), "ao CEO (Chief Executive Officer) ou ao COO ( Chief Organization Officer), porque a TI está no cerne do caminho pelo qual fazemos negócios"233. O CIO, ao estar em um nível hierárquico elevado, aliado a um acompanhamento contínuo dos avanços tecnológicos da TI e portador de amplos conhecimentos do comportamento humano, além de conhecimentos de outras áreas do saber, tem com esta constelação de conhecimentos a possibilidade de, na velocidade requerida, promover as adaptações dos processos da sua organização. Frente a isso, Saviani (1998) afirma que "o C.I.O. utiliza a intuição com sabedoria, cultura e pluralidade, age com criatividade, entende as pessoas, usa com equilíbrio sua inteligência emocional e tem na ecleticidade sua visão global". Em termos conclusivos, deve portanto este novo profissional dominar áreas como marketing, finanças, negócios e mercado, aliando a estas uma base de conhecimentos da TI que lhe dê a sustentação tecnológica, conhecimentos estes que lhe permitirão assumir a função de CIO ou Analista de Negócios e da Informação . A Revista Exame refere-se ao Analista de Negócios e da Informação como "Tecno Poderoso"234 e o descreve, de maneira similar e direta, como sendo "descendente direto do velho diretor de informática, o novo executivo está para o anterior como o homo sapiens para o homo erectus. É maior, mais 232 Saviani ( Internet 1998) 233 Paul, Lauren G. The Realm of Possibilities. CIO Magazine. Internet, 15/07/1998. 234 Martins (1997)
  • 139. 139 ágil e mais versátil. Logo, mais eficiente e competitivo. Faz melhor o que o outro já fazia — cuidar dos computadores —, mas, por imposição do novo ambiente concorrencial, é obrigado a fazer muito mais. Nos Estados Unidos ele existe há 10 anos e é chamado de CIO, Chief Information Officer. Seu hábitat natural é o comitê executivo das grandes empresas, onde opera em pé de igualdade com diretores financeiros e operacionais. É um homem (ou mulher) de negócios que entende profundamente a tecnologia. Deixou de ser o técnico bitolado que respondia apenas por seu milímetro quadrado de especialidade. Está envolvido até os cabelos com o negócio principal da empresa, qualquer que ele seja"235. Salienta esta mesma reportagem ainda que "é uma das poucas funções em que as vagas são mais numerosas do que os candidatos. Existe abundância de profissionais de informática no velho estilo, sem vocação ou experiência para influir nos negócios. Sobram também administradores ou especialistas em marketing incapazes de soletrar a palavra software"236. Procurou-se, neste trabalho demonstrar, a necessidade de um profissional, adequado à realidade presente, que assumisse a gestão dos sistemas de informação integrados com a gestão do negócio, propriamente dito. Uma atuação, portanto, deste profissional que pode ser sintetizada nas palavras de José Roberto dos Santos CIO da Philips do Brasil, referindo-se à sua equipe profissional: “Nossos analistas deixaram de pensar na informática como save money e estão fortemente trabalhando na idéia de make money ; isto só é possível com um pessoal com o perfil voltado para negócios. Com tudo isso, realmente temos feito a transformação para uma informática vencedora” 237 A partir deste depoimento, pode-se depreender a necessidade dos profissionais da área terem uma visão da empresa enquanto sistema aberto inserido no macroambiente. E, entenderem as pessoas como elementos participantes e comprometidos com os processos que, constituem a organização à qual pertencem. Comprometidos e não mais agindo como 235 Martins, Ivan. Os Tecno Poderosos .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997 236 idem (1997) 237 Saviani (1996 : 11)
  • 140. 140 autômatos, regidos por frias normas burocráticas das antigas concepções organizacionais. Portanto, “não é mais possível o desenvolvimento de sistemas, sem que a atividade fim, o 'negócio' da organização, seja dominado profundamente por todos os seus colaboradores e principalmente por aqueles profissionais responsáveis pelos sistemas de informação”238 . Nesse sentido, Torres reafirma igualmente esta importância de se considerar o “planejamento de uso das tecnologias de informação orientadas para as questões estratégicas da organização, além de sua operação normal. Para tanto é necessário um trabalho de análise do seu posicionamento estratégico, sua estrutura interna, sistemas e métodos de trabalho, bem como dos fluxos atuais de informações”239. Thomas Malone (1997) coloca a este respeito que "o CIO do século 21 fará talvez mais arquitetura organizacional que arquitetura de sistemas de informação. Irá ele ajudar a conceber a (…)nova modelagem organizacional tendo em vista padrões hoje tidos como não convencionais"240. Afirma ainda que "os melhores CIOs agirão como modeladores organizacionais pró-ativos, não se limitarão a implantar os desejos dos CEOs (Chief Executive Officer) ou de outros executivos, mas sim, irão contribuir sugerindo novas concepções baseadas no uso das novas tecnologias da Informação"241. Drucker (1997) arremata, "é tempo de aprender que o pêndulo entre foco na tecnologia ou na informação pende para a informação"242. O sistema de informações, sendo subsistema do sistema empresa, observada a requerida sinergia entre os componentes de um sistema, deve contribuir com os objetivos finais do sistema. O avanço da Tecnologia da Informação fez com que esta seja considerada, hoje, “cada vez mais, um dos principais elementos estratégicos de qualquer organização” 243. Acredita-se que com estas tantas constatações e depoimentos ficar evidenciado o fato de a 238 Saviani (1996 : 13) 239 Torres (1994: XXXI) 240 Pastore, Richard. Just Thinkin' About Tomorrow. CIO Magazine. Internet, 15/03/1997. 241 Idem Internet,15/03/1997 242 Drucker, P. & Davenport, T. A Meeting of the Minds. CIO Magazine. Internet, 15/09/1997. 243 Torres (1994, XXXI)
  • 141. 141 sobrevivência das organizações, dentro do contexto contemporâneo, depender da eficácia do sistema de informações e de seus processos organizacionais. Resumindo, os Sistemas de Informação são ferramentas estratégicas de gestão, muito mais que meros “computadores que servem para mecanizar rotinas administrativa”244, concebidos e gerenciados por um profissional que enfoca tanto a TI como o Negócio. Este profissional terá por incumbência a contínua atualização dos sistemas, fazendo com que os antigos “sistemas baseados em papéis, processos burocráticos de aprovação, atividades administrativas de mão-de-obra intensivas, ciclos de processamento em batch, e processos decisórios de múltiplas camadas, estão sendo substituídos pela captação de dados junto a fontes, processamento integrado de transações, intercâmbio eletrônico de dados, sistemas em tempo real, suporte decisório on-line, sistemas de gerenciamento de documentos e sistemas especialistas”245, enfim ferramenta de TI à disposição do Analista de Negócios e da Informação ( fig. 19). 244 Torres (1994 XXXI) 245 Tapscott & Caston ( 1995: 7)
  • 142. 142 Quadro demonstrativo da amplitude da informática contemporânea. Identificação clara da filosofia administrativa e de capacitação da empresa Análise das estratégias de crescimento e fortalecimento da empresa Análise do Análise da Análise da posicionamento informação estrutura interna estratégico da na empresa da empresa empresa Planejar o uso Avaliando possíveis das tecnologias impactos sobre a de informações na estrutura empresa visando: organizacional o aumento da a integração a facilitação e competitividade a sobrevivência operacional e dinamismo do da empresa da empresa organizacional trabalho da empresa Fig. 19) A amplitude da informática contemporânea aplicada à gestão dos negócios. Fonte Tabela extraída de Torres (1994, p.XXXII)
  • 143. 143 6.0 O Analista de Negócios e da Informação e os Princípios de Gestão Pretende-se com o presente capítulo esboçar uma constelação do ambiente organizacional no qual o Analista de Negócios e da Informação irá atuar. Partindo de definições básicas relativas à informática, procurar-se-á delimitar um modelo de planejamento estratégico da TI, procurando enfocar mais uma vez a amplitude desta enquanto elemento chave de sucesso da organização. Relativo ainda ao planejamento estratégico, considera-se como embutido neste conceito, o enfoque dado em todo este trabalho, ou seja, a interação entre a Tecnologia da Informação e os processos organizacionais, o também assim chamado modelo do negócio. Entende-se ainda a necessidade para que se componha a amplitude da atuação do profissional, escopo deste trabalho, de serem traçadas algumas considerações, ainda que básicas, concernentes à gestão das pessoas. Conceitos e definições básicas na gestão da Informática “A Informática pode ser entendida como sendo a ciência do processamento de dados por intermédio de computadores eletrônicos ( HW - Hardware), de maneira racional e estruturada por programas ( SW - Software), elaborados a partir e com os conhecimentos das pessoas ( Peopleware) no afã de se obter informações de maneira automática . ( INFORmações + autoMÁTICA ). Este processamento pode ser realizado por equipamentos de grande porte ( Mainframes ou HOST ), empregados, em face dos altos custos envolvidos, por grandes organizações tais como:- instituições financeiras, - conglomerados empresariais e órgãos governamentais; como, também, por equipamentos de pequeno porte chamados de Microcomputadores (chamado DOWSIZING, ou seja migrar para plataformas menores), que podem ser interligados em REDE controlada, 'gerenciada', por um Microcomputador
  • 144. 144 (geralmente de maior capacidade) chamado de Servidor da Rede, a custos acessíveis a organizações menores. Convém lembrar, ainda, que estas redes de microcomputadores podem ser interligadas, ou mesmo conectadas, a um Mainframe ( HOST ). A necessidade de se manter um Sistemas de Informação é incontestável, pois a empresa “ilhada, tal qual um sistema fechado já não se concebe”246. Neste sentido, os Sistemas de Informação podem ser definidos como : “(…) todo o processo de transformação de dados em informações. E quando esse processo está voltado para a geração de informações que são necessárias e utilizadas no processo decisório da empresa, diz-se que esse é um sistema de informações gerenciais”247. A exatidão e a pronta disponibilidade 'just in time' das informações são requisitos básicos para que as empresas alcancem os objetivos para os quais foram constituídas. Em um mercado globalizado e concorrido, a rapidez e o pronto atendimento dos clientes são, com toda a certeza, fatores críticos do sucesso de uma empresa. Ampliando este conceito, pode-se entender o processo administrativo como sendo um processo decisório, ou seja, a escolha entre vários caminhos e várias alternativas, cada qual levando a um resultado que irá influenciar, ou até mesmo determinar, o resultado global da organização. Os benefícios destes sistemas para as organizações são apresentadas por Oliveira (1997)248, como sendo: • redução dos custos das operações; • melhoria no acesso às informações, propiciando relatórios mais precisos e rápidos, com menor esforço; • melhoria na produtividade; • melhoria nos serviços realizados e oferecidos; • melhoria na tomada de decisões, por meio do fornecimento de informações mais rápidas e precisas; • estímulo de maior interação entre os tomadores de decisão; 246 Uhlmann (1997: 190) 247 Oliveira (1997: 47) 248 idem (1997 : 50)
  • 145. 145 • fornecimento de melhores projeções dos efeitos das decisões; • melhoria na estrutura organizacional, para facilitar o fluxo de informações; • melhoria da estrutura de poder, proporcionando maior poder para aqueles que entendem e controlam o sistema; • redução do grau de centralização de decisões da empresa e • melhoria na adaptação da empresa para enfrentar os acontecimentos não previstos. Cumpre ressaltar, no entanto, a necessidade de adequação das informações, pois sua tipificação, estrutura e seu conteúdo são específicos para cada estrato organizacional (tab. 19). Para o nível estratégico de uma empresa há um leque de exigências, completamente diverso do nível operacional, em face da abrangência das decisões tomadas. Enquanto um diretor busca o posicionamento estratégico da empresa perante os seus concorrentes, um comprador, por exemplo, terá de se preocupar com o detalhe do tipo, prazo de entrega, preço, prazo de pagamento etc. Característica Operacional Tático Estratégico Fontes Predominam as Predominam as Internas Externas Âmbito Bem Definido e Muito Amplo Delimitado Nível Agregação Detalhado Agregado Horizonte Histórico Futuro Temporal Atualização Grande atualização Atualização desejável Exatidão / Grande Menor Precisão Freqüência de uso Muito freqüente Freqüência menor Tab. 19) As necessidades de informações por estrato hierárquico. Adaptado a partir de Stoner ( 1985, p.437)
  • 146. 146 6.1 O planejamento da Informática “Nós nunca temos tempo para fazer algo certo na primeira vez, mas nós sempre temos tempo para fazê-lo novamente” 249. Em face da amplitude e da abrangência dos Sistemas de Informação, pode-se entender como fundamental a elaboração de um Planejamento, sistematizado e eficaz, das atividades correlacionadas, coordenando o Planejamento da informática com o Planejamento Estratégico da Organização, seguindo os objetivos desta no afã de minimizar o risco de erro na tomada de decisão. O Planejamento em questão, conforme a SPE (Sociedade Brasileira de Planejamento Empresarial) tem por objetivo: • avaliar as perspectivas a curto, médio e longo prazo; • agir sobre o mercado; • desenvolver diferenciais competitivos; • antecipar-se a situações desfavoráveis; • criar participação no mercado e • desenvolver serviços e produtos adequados ao mercado. Furlan250 enumera as razões e, conseqüentes, objetivos do Planejamento Estratégico de Sistemas de Informação, como sendo: • investigar as oportunidades de ganho de vantagens competitivas por meio do melhor uso de tecnologias; • estabelecer objetivos e fatores críticos de sucesso para a empresa; • facilitar a consecução dos objetivos empresariais por meio da análise de seus fatores críticos de sucesso; • determinar quais informações podem auxiliar a gerência a realizar melhor o seu trabalho; • priorizar a construção de Sistemas de Informação em função das necessidades da empresa; 249 Furlan (1991: 5) 250 idem (1991: 7)
  • 147. 147 • criar um modelo funcional e de dados do negócio; • subdividir o modelo funcional de negócios para a utilização posterior na fase de Análise da Área de Negócio; • determinar qual(is) área (s) de um negócio deve(m) ser analisada(s) primeiro e • permitir à alta administração visualizar o negócio em termos dos objetivos, funções, informações, fatores críticos de sucesso e estrutura organizacional. A partir dos tópicos citados, fica evidenciado o uso estratégico da Tecnologia da Informação, ou seja, o uso desta para a viabilização e para a sobrevivência da organização, usada como “um dos principais elementos de integração operacional e organizacional, além de facilitar e dinamizar o trabalho do nível funcional”251 . Observando-se este posicionamento, torna- se perceptível que ele não se limita à compra, ao leasing ou outra modalidade de aquisição, de algum tipo de equipamento, mas sim de um conjunto formado por : • Hardware – os equipamentos com toda a infra estrutura relacionada e o projeto de segurança física; • Software – os programas onde se incluem, o SW aplicativo, o SW base (“ambiente”) o SW de comunicação quando for o caso, o Banco de Dados, e o Projeto de segurança lógica e • Peopleware - as pessoas envolvidas, sejam da informática, sejam os usuários. Há, portanto, de ser considerado um projeto de treinamento destas pessoas na tecnologia, e na modelagem organizacional selecionada. O processo de planejamento, em questão, redunda no chamado Plano Diretor de Informática ( PDI ). 251 Torres (1994:.XXXI)
  • 148. 148 Filosofia de Pesquisa das aplicações Levantamento de informações e potenciais para as dados da diretrizes gerais tecnologias de informações situação atual Seleção e priorização de aplicações Projeto básico de sistemas e de Projeto e dimensionamento dos integração das tecnologias de recursos técnicos informações Projeto de segurança e Projeto físico do Demais aspectos e auditoria de sistemas CPD e instalações organizacionais e dados periféricas Avaliação Plano de Documentação e economico-financeira implementação conclusão do projeto e avaliação
  • 149. 149 Fig. 20) O Processo do planejamento estratégico da Informática. Fonte Torres (1994, p. XXXIII) O Planejamento Estratégico de Sistemas de Informação deve refletir as funções e dados necessários para suportar o negócio, os objetivos, os fatores críticos do sucesso e as necessidades de informação da alta administração da empresa ( fig. 20). Assim sendo, temos o uso da Tecnologia da Informação para criar novas oportunidades e vantagens competitivas. Nesse sentido, o Planejamento Estratégico é condicionado a responder as perguntas : • Onde estamos? • Para onde iremos? • Como iremos? Para o atendimento deste questionamento, a Administração Estratégica apresenta ferramentas em forma de check-list, passo a passo, a partir dos Fatores - Chaves de Sucesso. Estes fatores, chave de sucesso, (FCS) podem ser entendidos como aqueles que são “fundamentais para o sucesso no ramo objeto de análise”252. São, portanto, aqueles que se não atendidos, irão comprometer os resultados da organização, em face de seus relacionamentos com o macroambiente, pois, para a organização, as expectativas e exigências ambientais constituem objeto de análise. Segundo Torres (1994)253, os FCS se caracterizam por serem : • Poucos; • de vital importância para a organização; • diferenciadores entre as organizações; • característicos de cada ramo de negócio; • estarem distribuídos entre os processos da organização e • baseados nas necessidades/exigências dos clientes 252 Torres ( 1994 : 55) 253 idem ( 1994 : 57)
  • 150. 150 Esquematicamente, pode-se conceber a busca e entendimento dos Fatores Chaves de Sucesso ( FCS ) a partir das suas influências conforme o quadro ( fig. 21). Chaves de Sucesso Necessidades Básicas dos Clientes ONDE Relações da Empresa com o Mercado PROCURAR Processos, Tecnologias e Custos FATORES- Análise dos Insumos Vitais CHAVES DE Capacidade da Produção ( Atender a Demanda) SUCESSO Estrutura e Capacidade Financeira Relações da Empresa com o Macroambiente Fig. 21) Os Fatores Chaves de Sucesso. Fonte Torres ( 1994, p.58) Resumindo a questão dos Fatores Chaves de Sucesso, pode-se conceber que embora o processo de sua detecção e análise “possa parecer longo, e demasiado exaustivo, deve-se lembrar que uma aplicação estratégica pode trazer resultados tão importantes que compensam, em muito, o esforço dispendido”254. Sistemas de Informação e Planejamento Estratégico da Empresa. Processo de Análise planejamento especifica estratégico do ramo e da industria FATORES - CHAVES DE SUCESSO 254 Torres (1994 : 66)
  • 151. 151 Apoio das tecnologias de informação para aumento da competitividade da empresa nos Fatores - Chaves de Sucesso Fig. 22) A interligação entre o Planejamento Estratégico corporativos e o dos Sistemas de Informação. Fonte Torres (1994, p. 66) 6.2 Informática : Organização e seus modelos de Gestão Como qualquer outra área das organizações, a Informática requer também um modelo organizacional, em termos estruturais e de modelo de gestão. E isto porque a organização pode ser definida como sendo “a ordenação e agrupamento de atividades e recursos, visando o alcance dos objetivos e resultados estabelecidos”255. Administração, por seu turno, já foi conceituado como "a atividade que leva a que determinados objetivos sejam alcançados, através, e com pessoas ou, nas palavras de M.P.Follet, a arte de se conseguir que as pessoas façam as coisas 256 “. 255 Oliveira (1997: 80) 256 Uhlmann (1997 :19)
  • 152. 152 Modelos de Gestão257 Numa concepção estratégica, a abordagem administrativa passa a “possuir uma perspectiva de interação com o ambiente”258 . A opção estratégica requer, como passo contínuo, uma disposição de se reajustar (adaptar) às ações, de tal modo, que se tenha a satisfação das expectativas do ambiente - entendendo este como sendo o coletivo dos 'clientes' internos ou externos. Em outras palavras, torna-se “um processo contínuo de adaptação às diferentes situações ou contingências que acontecem no ambiente interno e 259 externo” . Portanto, um modelo estratégico tem sua essência calcada na gestão das pessoas, envolvendo e promovendo a participação e o comprometimento de todos, na busca constante de modelos, métodos e processos que melhor se ajustem a cada situação. A atividade de se procurar obter a pessoa mais adequada para a execução de determinadas tarefas remonta aos tempos 'pré-históricos'. Há autores, tais como Toledo, que identificaram, já nesta fase histórica, indícios de seleção de indivíduos conforme suas aptidões. A finalidade desta seleção era evidentemente para as atividades da época, tais como a caça, pesca, defesa etc. Avançando na linha do tempo, pode-se continuar a identificar esta ação coordenadora em toda a gestão dos Estados da Antigüidade e da Idade Media, sobretudo nas organizações das estruturas militares (Quem não se lembra da organização do Exército Romano ?) e das estruturas de cunho religioso - a organização da Igreja Católica pode ser um exemplo ocidental de todos conhecido. A organização da Sociedade Industrial, das organizações empresariais, com o surgimento do pensamento Administrativo Clássico (Taylor, Fayol, 257 idem (1998 : 129-137) 258 Simcsik, vol I (1992 :100) 259 idem, vol I (1992 :101)
  • 153. 153 Weber), recebeu uma estrutura fortemente inspirada nos modelos de organização até então conhecidos - a Militar e a Igreja. A segmentação em grupos dominantes ( O dono, o detentor do capital, os tecnocratas, ou os burocratas na concepção Weberiana de poder ) e em grupos dominados. Os dominados eram representados pelos executantes, por aqueles que realizavam as tarefas mais singelas, ou seja, executavam o que lhes era imposto pelo grupo dominante. A hierarquização daí resultante, bem como a divisão do trabalho concebida pelo liberalismo de Adam Smith, e pelas Teorias de Administração Clássicas efetivamente aplicados, fizeram com que o fosso da separação entre dominantes e dominados se alargasse e aprofundasse. A perda de conhecimentos e conseqüente revolta das classes dominadas, entre outros desdobramentos negativos, fizeram com que mais um papel da Administração dos Recursos Humanos se desenhasse: o papel de amortecer o choque entre dominados e dominantes, em face de seus interesses diametralmente opostos. Não se pretende, neste momento, explorar os desdobramentos sociais daí decorrentes - tal como a vertente do pensamento socialista. Pretende-se, isto sim, concentrar o foco da análise no papel do RH, enquanto agente a serviço da democratização das organizações que avocou, a si, o papel de “Libertário” do jugo opressor. Assim sendo, pode-se já enxergar o RH atuando no seu papel, que até o presente momento ainda se encontra, ou seja, o de gerir o patrimônio humano. As funções técnicas básicas como a seleção, o treinamento, a administração de salários são uma evolução maior, no sentido de dotar as organizações de um clima propício à produtividade dos recursos humanos, à promoção de atividades que redundem na satisfação das necessidades das pessoas, concernentes ao bem estar material e emocional, ou seja, promovendo ações motivacionais, procurou-se obter a eficácia da organização. A partir deste objetivo, de obtenção da eficácia organizacional, pode-se procurar sintetizar uma Estratégia Universal da Gestão dos Recursos Humanos, caracterizando sua atuação com enfoque na democracia
  • 154. 154 organizacional, para que se obtenha a Autonomia e o Autocontrole das pessoas: Autonomia – das pessoas, ou seja, respeitar e serem respeitadas, permitindo, com e a partir deste respeito, aliado à sua capacitação, poderem exercer suas atividades em um ambiente caracterizado pela independência responsável. ( atividade também conhecida como empowerment). Autocontrole - ou seja, fazer com que cada pessoa possa aferir sua própria conduta e rendimento, para que se possa manter a autonomia obtida. Cumpre ressaltar, com relação a este aspecto, o destacado papel, de suma importância, da Informação, ou seja, dos objetivos. Para que haja o autocontrole, é necessário que cada um saiba para “onde ir” e ter as informações necessárias no que concerne à execução, ou seja, o “como estou indo”. Em face dos padrões estabelecidos pelo comportamentalismo (Teoria Comportamental ou Behaviorista), permanece a estratégia universal da gestão de RH fiel, ao já citado individualismo, à singularidade do ser humano. O modelo de gestão, assim concebido, pode ser sintetizado como o adotado pelo movimento do Desenvolvimento Organizacional (DO), que, se aplicado, analisa as organizações no afã de identificar condições restritivas ao Desenvolvimento, à Motivação e à Sinergia das pessoas tais como: • modelos rígidos, autocráticos, típicos dos modelos de gestão clássicos. (A abordagem expressa por McGregor260 na por ele chamada teoria X); • modelos burocráticos, com enfoque em Planejamento e Controle, modelos conhecidos pelos autores americanos como “Comand and Control com raízes nas burocracias eclesiásticas e militares dos tempos passados”261 e 260 (cf. Uhlmann 1997) 261 Tapscott & Caston (1995 : 13)
  • 155. 155 • sistemas de Informações/Comunicação deficientes, em face da necessidade de se prover as pessoas de informações, não somente para o processo decisório de sua responsabilidade, mas sim, também, ao seu processo de autocontrole. A operacionalização desta ação do Desenvolvimento Organizacional, de transformar uma Organização Clássica em uma organização adequada aos padrões da nova era, da era da globalização, tendo um enfoque estratégico no cliente e da concorrência acirrada, passa por atividades tais como: • mentalizar os novos conceitos, abordagens e estratégias (pelas pessoas de todos os níveis hierárquicos) por meio de cursos, palestras, seminários etc.; • democratizar o poder - A migração do poder burocrático, opressivo e alienante para modelos de gestão participativos; • criar condições favoráveis ao auto-desenvolvimento, à autonomia e ao auto-controle das pessoas. • estimular a criatividade; • estabelecer ações que culminem na efetividade das comunicações e • dar ênfase aos trabalhos em equipe, Por sua vez, as ações desses tópicos remetem a: • estimular os indivíduos para que tenham e assumam com responsabilidade a já citada autonomia; • alijar as pessoas da “aparentemente interminável batalha entre “feudos” e políticas organizacionais” 262; • eliminar o enfoque das pessoas na luta alienadora, pela sobrevivência e permanência na organização, ou seja, na luta pela 262 idem (1995 : 14)
  • 156. 156 manutenção do emprego, o qual, até no mais participativo dos modelos, não lhes pertence - não lhes é 'eterno'; e 're-enfocar' o engajamento, a abordagem das pessoas, muitas vezes com a visão turva em razão da submissão ao “para ter” o indispensável para viver ( a submissão, o medo, o “… se não fizer aquilo, então …!”), em favor do desenvolvimento do “ser mais”. Este “ser mais”, em última análise, na Sociedade do Conhecimento de Drucker (1997), acaba por solidificar a posição da pessoa na organização. Afirma Drucker (1997) a este respeito, que “as atividades centrais de criação de riqueza não serão nem a alocação de capital para usos produtivos, nem a 'mão-de-obra' – os dois pólos da teoria econômica dos séculos dezenove e vinte, quer ela seja clássica, marxista, keynesiana ou neoclássica. Hoje o valor é criado pela 'produtividade' e pela 'inovação', que são aplicações do 263 conhecimento ao trabalho” . Com relação ao gerente, responsável pela obtenção de resultados - de ver a meta atingida - de atingir objetivos por meio de e com pessoas, na atualidade ”é responsável pela aplicação e pelo desempenho do conhecimento”264, visão semelhante à do behaviorista Abraham Maslow, no patamar de auto- realização em sua escala das necessidades humanas265. Em termos de conclusão, acerca da gestão dos recursos humanos, pode-se, ao cabo dos aspectos apresentados, chegar a uma visão muito mais abrangente do problema do que o inicialmente concebido. A gestão dos Recursos Humanos, inicialmente limitada à simples condução e seleção das pessoas, passou para uma dimensão que envolve tanto os aspectos evolutivos do macroambiente, da realidade, como o da adequação das organizações a esta nova realidade. Os fatores acelerativos das mudanças estruturais, quer sejam tecnológicas, sociais ou econômicas, não passaram, como não poderiam, do lado da gestão dos Recursos Humanos. As mudanças da sociedade, advindas 263 Drucker (1997 : XVI) 264 idem (1997 : 23)
  • 157. 157 de influências surgidas no próprio sistema social em face dos fatores acelerativos citados, bem como de influências externas, advindas de outras, e até mesmo, longínquas sociedades. Os valores e os fatores provenientes de outras sociedades, ou seja, os seus modelos e valores influenciaram, e continuam influenciando, cada vez mais, em face da própria globalização, a gestão dos RH. O distanciamento entre os Modelos Organizacionais Ocidentais típicos e tradicionais se torna realidade. As estruturas e condutas, fundadas na administração burocrática, ou seja, “um tipo de poder ou de dominação”266, como entendeu Max Weber, tiveram de ser reavaliados. Embora baseadas em um poder legal ou racional, dotadas de racionalidade e lógica, tiveram de ser repensadas. O citado poder legal de largo uso nos conceitos da organização de concepção taylorista ortodoxa acaba por transformar-se em obstáculo à realização de ações ágeis e enfocadas no cliente, pois ao enfocarem a figura do chefe “titular” deste poder, relegam para um segundo plano o cliente. A pessoa, enquanto ser humano, com as suas características próprias e os seus conhecimentos, vista somente como uma ferramenta, como um agente de execução, como mera “mão-de-obra”, acaba por ser subutilizada. Esta constatação se deve ao fato da Administração Clássica valer-se das pessoas como simples agentes executores de tarefas, desprezando o seu intelecto, a sua capacidade intelectual. Neste sentido, urgia uma revisão desta abordagem, pois a contribuição das pessoas para a organização, em termos de produtividade, era tolhida e limitada. A ampliação do horizonte da organização, o entendimento desta como um sistema aberto que tem por finalidade “criar o seu cliente”267 enxergado neste cliente seu alicerce para que haja o eficaz cumprimento da sua “primeira responsabilidade - o desempenho econômico, pois uma empresa que não 265 (cf. Uhlmann 1997) 266 Motta & Pereira (1988 : 20) 267 Drucker (1998 : 56)
  • 158. 158 apresenta um lucro no mínimo igual ao seu custo de capital é socialmente irresponsável”268. Passando a entender esta pessoa por inteiro - de maneira holística - não tardará a que se chegue à conclusão de que esta não 'vive' isolada dentro da organização. Na verdade, interage com a organização, mesclando seus próprios interesses e propósitos com interesses voltados ao ambiente burocrático - entendendo “burocracia ou poder burocrático (…) como as organizações burocráticas” 269. Com esta visão das pessoas e da empresa como um sistema, ou seja, um conjunto estruturado de elementos interdependentes, para a consecução de um propósito, inicia-se um processo de formação de um novo conceito. A necessária sinergia, para se alcançar a homeostase dinâmica do sistema empresa, confirma que este, como todos os sistemas, faz parte de um sistema maior (mercado, concorrentes, economia local, global etc.) com o qual interage de modo contínuo. Fornece e recebe impulsos acelerativos de mudanças; e este equilíbrio é almejado e alcançado, não por 'heróis solitários' ou 'salvadores da Pátria', mas sim, com o concurso de todos os seus participantes da equipe. “Os membros da equipe são unidos por uma visão comum que permeia todas as partes da empresa. Pessoas são providas de poder decisório (empowerment) para agir, e o fazem com responsabilidade e criatividade. liberadas do controle burocrático. As pessoas tomam iniciativas, e até assumem riscos, para poderem aproximar-se dos clientes e trabalhar mais produtivamente. Elas são motivadas umas pelas outras no sentido de alcançar metas de equipe, em vez de satisfazer superiores. Na presença de interesses comuns, que são imediatos e claros, a cooperação floresce”270 . Modelo Organizacional 268 idem (1998 : 70) 269 Motta & Pereira (1988 : 20) 270 Tapscott & Caston (1995 : 16)
  • 159. 159 Afirma Drucker (1998) que “o planejamento da organização precisa partir da 'organização ideal', isto é , de um quadro conceitual. É preciso haver um trabalho cuidadoso para a escolha dos princípios estruturais. Esse trabalho deve partir da finalidade da empresa, seus objetivos, estratégias, prioridade e atividades básicas. Mas, não há qualquer princípio de planejamento organizacional de aplicação universal. Não há um princípio desses que seja o melhor de todos. Cada princípio tem suas exigências e também graves limitações. Cada um tem sua esfera de ação limitada; nenhum abrange em um só esquema os trabalhos operacionais, os que competem à alta administração e os relacionados às inovações. Em toda a sua complexidade, portanto, a realidade da empresa precisa ser perscrutada ao planejar-se sua estrutura. Ela precisa ser entendida”271. O que importa, portanto, de uma maneira muito simplista, é o fato de ela ser adequada, de ela 'resolver' , atender as necessidades da organização em análise. No que concerne à estrutura organizacional da área de informática deve esta, portanto, ser evidentemente adaptada, particularizada para cada empresa, em face do seu tamanho, recursos, tecnologia, ao seu mercado, produto e organização. De uma maneira genérica, pode-se imaginar um funcionograma da área conforme a figura abaixo, ponderando, neste, os aspectos ( fig. 23): • abrangência de atuação • vinculação hierárquica • centralização ou descentralização da área • estrutura interna da área • suporte aos usuários • cargos e funções na área • capacitação técnica da área 271 Drucker (1998 : 677)
  • 160. 160 • capacitação dos usuários • normas para desenvolvimento de sistemas e Gerencia de Informática Administração Desenvolvimento Centro de Centro Outras de Dados de Sistemas Suporte a Operacional Tecnologias Usuários # Administração # Modelagem de # Assessoria a # Operação # Automação dos Bancos de Dados Global Usuários central Industrial Dados # Modelagem # Suporte # Administração # Automação de # Administração Global de Técnico a de Redes Escritórios de Senhas e Sistemas Usuários Acessos # Software # Multimídia # Projeto e # Treinamento a Operacional # Administração Implantação de usuários # Sistemas da Distribuição Sistemas # Serviços de Especialistas Física das # Sistemas de suporte: Bases de dados # Manutenção de Suporte a Digitação # etc. Sistemas Decisões Conferencia etc. # Documentação # Sistema de de sistemas Informação Executiva # Ferramentas de suporte a usuários # Microinformatica • responsabilidades pelo desenvolvimento e manutenção de SW Fig. 23) Modelo Organizacional da Informática. Fonte Torres ( 1994, p.296) As principais funções da área de informática podem ser expressas, lembrando sempre a adequação à empresa, objeto da análise, como sendo as descritas abaixo, segundo Torres 272( 1994). Gerenciamento das atividades da área : 272 Torres (1994 : 287-288)
  • 161. 161 • desenvolvimento e gerenciamento de planos e programas de ação, das operações da área, bem como, o estabelecimento das diretrizes para sistemas e uso de tecnologias de informações. • principais Cargos : Diretor ou Gerente de informática Desenvolvimento de sistemas : • concepção, projeto, desenvolvimento e implantação de sistemas de informações. • principais cargos : Chefe ou Líder de Desenvolvimento ou de Projetos, Analista de Sistemas, Analista de Negócios e da Informação, Administrador de Informações. Administração de Dados : • concepção, projeto, implementação e manutenção de bases de dados integradas num ambiente complexo de sistemas de informações. Inclui o processo de modelagem de dados e tratamento de dicionários de dados, sendo típica em ambientes de Banco de dados. • principais cargos : Administrador de Banco de dados, Administrador de dados, Analista de dados, Analista de Informações. Suporte a usuários : • apoio, auxilio, orientação e treinamento de usuários quanto ao uso de ferramentas e recursos computacionais. Em algumas organizações também é chamado de Centro de Informações, no caso um centro de suporte a usuários. • principais cargos : Analista de Suporte, Chefe de Centro de Informações, Analista de Suporte a Decisões. Automação industrial e de processos :
  • 162. 162 • concepção de uso, escolha de tecnologias, desenvolvimento de programas e aplicações orientadas para a automação de processos físicos e , especialmente, as operações industriais. • principais cargos : Chefe ou Analista de Sistemas de Automação, Técnico em Robótica, Programador de Automação e Comando Numérico. Automação de escritórios : • planejamento de uso e implementação de recursos de automação de escritórios em nível individual, mas, principalmente, em nível organizacional. • principais cargos : Analista de Automação de Escritórios. Operação de computadores : • processamento dos sistemas de informações, incluindo, quando necessário, o trabalho de digitação ( em estruturas e concepções antigas). • principais cargos : Chefe de Operação ou Produção, Operador, Scheduller, Digitador, operador de TP, Monitor de Sistema. Suporte operacional : • administração dos recursos de software operacional, incluindo sistema operacional, sistemas de teleprocessamento, software para redes de computadores, utilitários e SW de apoio às operações de processamento. • Principais Cargos : Analista de Software, Analista de Sistema Operacional, Analista de Rede, Analista de Teleprocessamento. Comitês de informática :
  • 163. 163 • podem ser formados comitês com o fim precípuo de se estabelecerem diretrizes, dirimir conflitos, ou casos nos quais a abrangência do projeto requer uma participação mais ampla de especialistas da organização. A titulo de exemplo podem ser citados: - os Comitês para Aplicações Específicas; o Comitê para Projetos de Envergadura (especialmente grande ou estratégicos) e o Comitê para Projetos de Segurança e Auditoria, particularmente (quando este tópico requer uma atenção redobrada como por exemplo em instituições financeiras, de pesquisa etc.) e • os comitês são formados, normalmente, por elementos da alta administração: o responsável pela área de informática, consultores e especialistas das áreas funcionais envolvidas. Convém ressaltar, no entanto, para que estes comitês não caiam em descredito, ou inoperacionalidade, é necessário se estabelecer um Gerente do Projeto, um 'pai da criança'. A sua ausência, freqüentemente, faz com que a atuação do comitê redunde em fracasso, em face da falta do líder que atribui e controla as ações individuais e do grupo. Sem esta figura, os participantes são facilmente levados a posições do tipo: esta atividade é de responsabilidade do 'outro' e vice versa. Segurança de dados e do sistema : • Estabelecer normas e procedimentos, alem das ações propriamente ditas que visam a proteção da organização no que concerne à proteção física e lógica de seus sistemas e dados. O plano contingencial faz parte desta incumbência. O uso estratégico dos sistemas de informação requer uma atenção cada vez mais apurada aos aspectos relativos à segurança.
  • 164. 164 7.0 Conclusões O objetivo deste trabalho foi tentar demonstrar a evolução do macroambiente ao longo deste século, mostrando seus desdobramentos sobre as organizações e destacando a importância crescente das informações nos processos de gestão empresarial. Procurou-se enfocar as organizações como um sistema aberto, e como tal, interagindo com o sistema maior, o qual, por conseguinte, também compõe. A título de conclusão, pode-se afirmar que esta interação tornou-se cada vez mais célere e primordial para a sobrevida das organizações em um meio ambiente de alta competitividade. Ambiente marcado, portanto, pela característica da seleção natural darwiniana, ou seja, da sobrevivência dos melhores - dos mais adaptados às novas realidades. Entendeu-se para fins deste trabalho que a simples percepção e demonstração destas novas realidades, em constante mutação, sejam suficientes para demonstrar o valor das informações. O papel das informações, inicialmente um mero coadjuvante na gestão dos negócios, galgou posição cada vez mais destacada, transformando-se em um de seus principais atores. As informações transformaram-se em um insumo administrativo, em um ativo de grande valor, tais como: equipamentos e instalações, podendo em algumas organizações até mesmo suplantá-los. Pode-se entender, por conseguinte, que o sucesso de uma empresa esteja atrelado diretamente à sua capacidade adaptativa, a qual por seu turno está em direta dependência das informações. A empresa entendida como um sistema aberto, necessita, portanto, que os seus elementos componentes possam atuar em um ambiente organizacional provido de processos eficazes, caracterizados pela sinergia. Processos estes, que alcançam a citada condição de eficácia mediante o emprego de um modelo decisório suportado por informações eficazes, precisas e tempestivas. Ressalta-se, no entanto, que os sistemas de informação são condição necessária, porém, não obrigatoriamente suficiente para o sucesso do negócio.
  • 165. 165 Fatores outros tais como, a qualificação profissional, o modelo de gestão e o mercadológico, entre outros modelos, também atuam e influenciam inegavelmente os resultados esperados da organização, ressaltando-se, porém, que requerem uma analise concomitante, sistêmica, abrangente a ponto de se envolver a organização como um todo sistêmico. Neste trabalho considerou-se que, para a obtenção do sucesso do negócio, é necessário o concurso de profissionais, não simplesmente executores operacionais de cunho meramente burocrático, mas sim, de um profissional que se encaixa no rótulo do Trabalhador do Conhecimento, da Informação - o “knowledge worker” de Drucker (1997) na sua Sociedade do Conhecimento. Este profissional terá por escopo constituir, modelar e continuamente adaptar os sistemas de informação e os processos das organizações, de maneira que estas organizações possam responder satisfatoriamente às exigências das novas realidades do mercado. O enfoque deste trabalho procurou enfatizar que a adaptação organizacional com a abrangência nele descrita, requer um condutor, gerador, motivador e concretizador de ações que levem à uma contínua adequação do negócio às novas realidades. Realidades estas que, por seu turno, também se encontram em evolução contínua. No que concerne a este condutor, ainda procurou-se salientar que este terá a sua base de atuação lastrada em seus conhecimentos e na autonomia que lhe é conferida por sua alocação hierárquica no segmento estratégico. A autonomia deste condutor, ao qual chamou-se de Analista de Negócios e da Informação ou mesmo de CIO ( Chief Information Officer) tem seu ponto basilar, portanto, no conhecimento, que não pode residir somente na especialização defendida pelas teorias administrativas clássicas, mas deve ser ampliado pela união do conhecimento do analista de sistemas com o
  • 166. 166 conhecimento do negócio, da gestão, do administrador, do analista de O&M ou de quantos títulos de cargos assemelhados se queira evocar. Em suma, procurou-se evidenciar as características de um novo profissional, emergente neste final do século XX, cuja razão de ser pretendeu- se justificar com o entendimento das novas realidades do macroambiente, acreditando-se ainda na sua permanência no mercado, até que novas realidades imponham outra adequação desta concepção. Subjacente a estas constatações, embora, talvez julgadas simplistas ou até mesmo óbvias, apresentam-se novas indagações. Na esfera social, a indagação se consubstancia na pergunta : Qual será, na futura sociedade do conhecimento, o papel das pessoas, do “Peopleware”? Em uma fase, já hoje presente, Rifkin (1995) chega a aventar a existência de uma categoria à qual atribui o contundente rótulo da “inutilidade econômica”. Drucker (1997), igualmente, não passa ao largo desta constatação ao atribuir a esta nova Sociedade de Conhecimento a responsabilidade de “dar dignidade aos trabalhadores de serviço”. Na esfera da comunicação, estando em uma sociedade de conhecimento, calcada na Informação, o questionamento se apresenta com relação à própria Informação e de sua eficácia. A informação sozinha nada resolve, precisa ser transformada em ação. Requer, portanto, uma tomada de decisão para que haja a ação. Surgem daí questionamentos, tais como : Qual o efeito da superexposição a informações ? Qual é, portanto, a capacidade de digerir e administrar informações? Qual o papel das distorções da Informação, sejam elas provocadas pelo meio, pelo emissor ou pelo receptor? Na esfera administrativa e organizacional apresentam-se indagações a respeito do próprio papel do Analista de Negócios e da Informação. Sua atuação carecerá de mudanças ou de ampliações e em qual prazo? Haverá a necessidade de especializações por segmentos de mercado? Como, quando e
  • 167. 167 quais serão os desdobramentos futuros da globalização sobre as organizações e consequentemente, sobre os profissionais que nestas atuam? Enfim, questionamentos que, com certeza, merecem um aprofundamento em novas pesquisas. Para fins deste trabalho, no entanto, fica a constatação da efetiva necessidade das informações na gestão empresarial da qual decorre a crescente importância de um gestor, que aliando aspectos da Tecnologia da Informação à Gestão do 'Negócio', conduz sua organização de maneira tal a lhe conferir a eficácia empresarial.
  • 168. 168 8.0 BIBLIOGRAFIA ALESSANDRO & SIMONE. Ciência da Computação: Regulamentação da Profissão. Jornal do PET/UEM. 10/1996. BLAU, Peter M, e SCOTT, W. Richard Organizações formais : uma abordagem comparativa Trad. Maria Angela e Lobo de Freitas Levy, 1a. ed., São Paulo : Atlas, 1970 BLECHER, Nelson. As Prateleiras da Transição .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997. BLECHER, Nelson. Hora de Crescer .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997. BRIDGES, William Mudanças nas relações de trabalho Trad. José Carlos Barbosa dos Santos, São Paulo : Makron Books, 1995 BURRUS, Daniel Technotrends:, como usar a tecnologia para passar à frente de seus concorrentes; Trad. Luiz Carlos do Nascimento Silva; Rio de Janeiro : Record, 1994 CAMARGO, Gustavo. 13 Trilhões US$ .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997 CASTANHEIRA, Joaquim e NETZ, Clayton. A Reengenharia Contestada .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997. CHIAVENATTO, Idalberto Introdução à Teoria Geral da Administração 3a. ed. São Paulo : McGraw-Hill, 1983 COLLINS, James C.; PORRAS, Jerry I. Feitas para durar : praticas bem sucedidas de empresas visionarias; Trad. Silvia Schiros; Rio de Janeiro : Rocco, 1995 CONSELHO EDITORIAL BRASIL- EXAME Perigo de Morte nos Escritórios .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997. CONSELHO EDITORIAL FSP. Blocos Evidenciam o Conflito entre Globalizar e Regionalizar. Folha de São Paulo. Caderno Especial. 02/11/1997: 8. CROSBY, Philip B Integração : qualidade e recursos humanos para o ano 2000 . Trad. Eliane Kanner, ed., São Paulo : Makron Books, 1993 CROZIER, Michel El fenómeno Burocrático Vol I e II. ed., Buenos Aires: Amorrortu,1960 DAVENPORT, Thomas H Reengenharia de Processos Trad. Waltensir Dutra; 2a. ed., Rio de Janeiro : Campus, 1994 DAVIDOW ,William H. ; MALONE, Michael S. A Corporação Virtual: Estruturação e Revitalização da corporação para o século 21; Trad. Nivaldo Montingelli Jr.,ed., São Paulo : Pioneira , 1993
  • 169. 169 DRUCKER, Peter Ferdinand As novas realidades : no governo e na política, na economia e nas empresas, na sociedade e na visão do mundo. Trad. Carlos A . Malferrari, 3a. ed. São Paulo : Pioneira, 1993 DRUCKER, Peter Ferdinand Administrando em tempos de grandes mudanças. Trad. Nivaldo Montingelli Jr. , 2a. ed. São Paulo : Pioneira, 1995 DRUCKER, Peter Ferdinand Administrando para o futuro, os anos 90 e a virada do século. Trad. Nivaldo Montingelli Jr. , 5a. ed. São Paulo : Pioneira, 1996 DRUCKER, Peter Ferdinand Sociedade Pós-Capitalista. Trad. Nivaldo Montingelli Jr. , 6a. ed. São Paulo : Pioneira, 1997 DRUCKER, Peter Ferdinand Introdução à Administração. Trad. Carlos A . Malferrari, 3a. ed. São Paulo : Pioneira, 1998 DRUCKER, P. & DAVENPORT, T. A Meeting of the Minds. CIO Magazine. 15/09/1997. ETZIONI, Amitai Análise comparativa de organizações complexas : Sobre o poder, o engajamento e seus correlatos. Trad. José Antonio Parente Cavalcante e Caetana Myriam Parente Cavalcante; Rio de Janeiro : Zahar; São Paulo, Ed. Universidade de São Paulo ETZIONI, Amitai Organizações complexas : Estudo das organizações em face dos problemas sociais Trad. João Antônio de Castro Medeiros; 1a. ed., São Paulo : Atlas, 1971 FURLAN, José Davi Como elaborar e implementar o planejamento estratégico de sistemas de informação . São Paulo : Makron McGraw-Hill, 1991 FURLAN, José Davi; MOTTA, Ivonildo; AMARAL, Francisco Piedade Sistemas de informação executiva = EIS - Executive information systems: como integrar os executivos ao sistema informacional das empresas. São Paulo : Makron Books, 1994 FURLAN, José Davi Reengenharia da informação. São Paulo : Makron Books, 1994 GARLAND, Ron Administração e gerenciamento para a nova era : novos tempos, novas técnicas. Trad. Roseli Accorsi de Campos Bicudo, 1ª ed. São Paulo : Saraiva, 1992 GOLDRATT, Elijahu M. A Síndrome do Palheiro: garimpando informação num oceano de dados. Trad. Claudiney Fullmann, 2a. ed., São Paulo : Educator, 1991 GOUILLART, Francis J; KELLY, James N. Transformando a organização. Trad. Lenke Peres de Araujo; São Paulo : Makron Books, 1995 GUROVITZ, Helio. Engolindo a SAP. Revista Exame. 15/07/1998 HAMEL, Gary; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo futuro : estratégias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar os mercados de amanhã. Trad. Outras Palavras; ed., Rio de Janeiro : Campus , 1995
  • 170. 170 HAMMER, Michael; CHAMPY, James Reengenharia : revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrencia e das grandes mudanças da gerencia. Trad. Ivo Korytowsky; Rio de Janeiro : Campus, 1994 HAMPTON, David, R. Administração contemporânea : teoria, pratica e casos. Trad. Lauro Santos Blandy, Antonio C. Amaru Maximiano; 2a. ed. , São Paulo : McGraw-Hill, 1983 HANDY, Charles A era da transformação. Trad. Maria Cristina V. Carnevale, São Paulo : Makron, 1996 HARVEY, David Condição pós-moderna: Uma Pesquisa sobre as origens da mudança cultural . Trad. Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves, 6A. ed., São Paulo : Loyola, 1996 HESSELBEIN, Frances; GOLDSMITH, Marshall; BECKHARD, Richard; organização The Peter F. Drucker Foundation O Líder do Futuro. Trad. Cynthia Azevedo, São Paulo: Futura, 1996 HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos : o breve século XX : 1914-1994 Trad. Marcos Santarrita, ed., São Paulo : Cia. das Letras, 1995 HUNT, E. K. & SHERMANN, Howard J. Historia do Pensamento Econômico. Trad. Jaime Larry Benchimol; 9º ed. Petropolis : Ed. Vozes, 1991 KANTER, Rosabeth Moss Classe Mundial. Trad. Ana Beatriz Rodrigues, Priscila Martins Celeste; Rio de Janeiro: Campus, 1996 KANTER, Rosabeth Moss Quando os Gigantes aprendem a dançar. Trad. Iliana Torres Pereira, Rio de Janeiro: Campus, 1997 MAÑAS, Antonio Vico Gestão de tecnologia e inovação. São Paulo : Erica, 1993 MARTINS, Ivan. Destruição Criativa Chegou ás Fábricas .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997 MARTINS, Ivan. O Paradoxo da Produtividade .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997. MARTINS, Ivan. Programas que Trocam o Negócio .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997 MARTINS, Ivan. Os Tecno Poderosos .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997 MARTINS, Ivan. Intranet .in: CIVITA, Roberto (edit.). Exame: A Enciclopédia de Negócios dos Anos 90, 1997 MORGAN, Gareth Imagens da Organização. Trad. Cecilia Whitaker Bergamini, Roberto Coda; São Paulo : Atlas, 1996 MOTTA, Fernando C. Prestes; e PEREIRA, Luiz Bresser Introdução à Organização Burocrática. 6A. ed., São Paulo : Brasiliense, 1988 NAISBITT, John Paradoxo Global : quanto maior a economia mundial, mais poderosos são os seus protagonistas menores : nações, empresas e indivíduos. Trad. Ivo Korytowski , Rio de Janeiro : Campus, 1994
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