Introdução: A Vida em
Grupos
A psicologia dos grupos investiga como os indivíduos se
comportam, sentem e pensam dentro de coletivos.
Presente em vários contextos: família, escola, trabalho,
redes sociais, movimentos sociais, etc.
Exemplo atual: grupos de Telegram se organizando para
ações políticas ou disseminação de informação.
Kurt Lewin e a Dinâmica de Grupo
Contribuição Teórica:
Teoria de Campo: comportamento é função da pessoa no
ambiente (B = f(P,E)).
Introduziu a "pesquisa-ação" como ferramenta de
transformação social.
Concebeu os grupos como sistemas dinâmicos abertos, com
interdependência entre os membros.
Destacou a importância da "quebra de equilíbrio",
compreendida como o rompimento de um estado de
estabilidade que, ao ser desestabilizado, gera um campo
propício para mudança. Esse desequilíbrio é necessário para
que os membros do grupo repensem suas ações, normas e
relações, possibilitando a transformação do comportamento
coletivo.
Modelo de Pesquisa-Ação Atual
Aplicação em escolas públicas para prevenção da evasão escolar:
Fase 1
Diagnóstico participativo com
alunos, professores e comunidade.
Fase 2
Planejamento conjunto de
intervenções (como mentorias,
reforço escolar, escuta
qualificada).
Fase 3
Implementação com
acompanhamento contínuo.
Fase 4
Avaliação e replanejamento.
Esse modelo permite a coautoria das mudanças pelos próprios sujeitos envolvidos no grupo.
Exemplos Atuais de Dinâmica de Grupo
1
Grupos de inovação em
startups
Utilizam dinâmica horizontal para
fomentar criatividade e soluções
rápidas.
2
Grupos escolares de
mediação de conflitos
Promovem reflexão coletiva e
mudanças comportamentais.
3
Grupos de voluntários em
situações de emergência
Atuam com base em liderança
distribuída e organização por
tarefas em situações como
enchentes e queimadas.
Enrique Pichon-Rivière e os Grupos Operativos
Contribuição Teórica:
1
Grupo Operativo
Desenvolveu o conceito de "grupo
operativo", centrado na realização de
uma tarefa com análise dos vínculos
e papéis. Isso é feito por meio da
observação contínua da interação
dos membros do grupo com o
objetivo comum, examinando como
os afetos, resistências, conflitos e
alianças impactam a realização da
tarefa. O coordenador atua como
facilitador para explicitar esses
processos e promover a
aprendizagem grupal.
2
ECRO
Introduziu o conceito de ECRO
(Esquema Conceitual, Referencial e
Operativo), fundamental para
interpretar o funcionamento grupal.
O ECRO representa a forma como
cada membro e o grupo como um
todo percebem a realidade, e essa
leitura influencia diretamente a
maneira como as tarefas são
realizadas e os vínculos se
estabelecem. Um exemplo seria um
grupo escolar que interpreta a
indisciplina como "falta de
motivação"; essa concepção orientará
suas ações pedagógicas.
3
Tarefa Explícita vs. Implícita
Enfatizou a dialética entre tarefa
explícita (aquilo que o grupo acredita
estar fazendo, como "estudar para
uma prova") e tarefa implícita
(processos inconscientes como
competir entre si ou buscar
reconhecimento do professor).
Obstáculos surgem quando a tarefa
implícita interfere na realização da
tarefa explícita, sendo papel do
coordenador ajudar o grupo a tomar
consciência dessas dinâmicas.
Exemplos Atuais de Grupos Operativos
Grupos terapêuticos com
adolescentes em situação de
vulnerabilidade
A tarefa explícita é promover
escuta e expressão emocional. A
tarefa implícita pode ser a busca
por pertencimento ou resistência à
autoridade. O coordenador
identifica esses aspectos e ajuda o
grupo a elaborar suas vivências
afetivas, promovendo autonomia.
Grupos de formação continuada de
professores
Trabalham com situações reais da
prática docente. A análise dos
vínculos entre os professores e o
sistema educacional, seus
sentimentos de impotência ou
resistência à mudança, é essencial.
O ECRO influencia como cada
professor interpreta o fracasso
escolar, por exemplo, se como falha
individual do aluno ou como reflexo
de desigualdades sociais.
Grupos comunitários de prevenção
à violência
A tarefa explícita é reduzir os
conflitos. Implicitamente, podem
emergir disputas por liderança ou
desconfianças históricas entre os
membros. O grupo operativo
possibilita o reconhecimento
desses obstáculos, transformando-
os em insumos para a ação coletiva.
José Bleger e o Grupo como Instituição
Contribuição Teórica:
O grupo carrega e expressa a instituição: suas normas, valores e contradições.
Exemplo: um grupo de professores pode refletir a rigidez hierárquica de uma escola tradicional,
mesmo quando pretende discutir práticas inovadoras.
Abordou o grupo como espaço de expressão de conflitos psíquicos e sociais. Ou seja, as tensões
emocionais individuais se projetam e se amplificam nas dinâmicas grupais, tornando-se
manifestações coletivas.
Exemplo: um grupo de trabalho que apresenta resistência passiva frente a mudanças organizacionais,
refletindo angústias e inseguranças individuais não elaboradas.
Enfatizou a importância da administração técnica dos grupos, especialmente em contextos
institucionais. Essa administração envolve o planejamento e a condução consciente do grupo com
objetivos definidos, análise constante das interações e estratégias de intervenção para reduzir
disfunções, resistências ou cristalizações de papéis que impedem a evolução grupal.
Exemplos Atuais segundo Bleger
1
Grupos escolares de liderança
estudantil
Esses grupos refletem os valores
institucionais da escola e também
os contestam. A presença de
normas tácitas e explícitas pode
levar à reprodução da autoridade
tradicional, mas também pode
fomentar o protagonismo dos
estudantes quando há espaço para
elaboração dos conflitos e exercício
da autonomia. O coordenador
técnico pode facilitar esse processo
promovendo escuta, debates e
ações conjuntas.
2
Grupos em serviços de saúde
mental institucionalizados
Esses grupos revelam tensões
entre a burocracia institucional
(regras, fluxos, tempo reduzido) e o
desejo dos profissionais por um
cuidado mais humano e
singularizado. O grupo funciona
como expressão dessas
contradições, e sua administração
técnica pode auxiliar na elaboração
coletiva das dificuldades, na
redefinição de papéis e na
promoção de práticas mais
integradas.
3
Grupos de trabalho em
ambientes corporativos
tradicionais
Comportamentos como
silenciamento, competição
exagerada ou resistência à
inovação são manifestações dos
conflitos institucionais
internalizados pelos membros. A
administração técnica, neste caso,
visa favorecer um espaço de
escuta, promover clareza sobre
papéis e incentivar práticas
colaborativas para ressignificar os
vínculos e permitir maior
adaptação às transformações
exigidas pelo mercado.
Grupos na Contemporaneidade
Redes Sociais
Formam grupos com forte coesão
ideológica e emocional, favorecendo
bolhas sociais.
Movimentos Sociais
Promovem reconhecimento identitário
e articulação política coletiva.
Saúde Mental
Proliferação de grupos terapêuticos
online para lidar com ansiedade, luto,
burnout.
Considerações Finais
A psicologia dos grupos permite compreender como subjetividades são
construídas e transformadas coletivamente.
Autores como Lewin, Pichon-Rivière e Bleger mostram caminhos para
intervir criticamente nas relações grupais, promovendo mudanças
sociais e subjetivas.
Referências (ABNT)
• BLEGER, J. Temas de psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
• MELO, A. S. E. et al. Lewin e a pesquisa-ação. Fractal: Revista de Psicologia, v. 28, n. 1,
2016.
• PASQUALINI, J. C. et al. A dinâmica de grupo de Kurt Lewin. Estudos de Psicologia, v.
26, n. 2, 2021.
• PICHON-RIVIÈRE, E. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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A vida em grupos - psicologia dos grupos

  • 1. Introdução: A Vida em Grupos A psicologia dos grupos investiga como os indivíduos se comportam, sentem e pensam dentro de coletivos. Presente em vários contextos: família, escola, trabalho, redes sociais, movimentos sociais, etc. Exemplo atual: grupos de Telegram se organizando para ações políticas ou disseminação de informação.
  • 2. Kurt Lewin e a Dinâmica de Grupo Contribuição Teórica: Teoria de Campo: comportamento é função da pessoa no ambiente (B = f(P,E)). Introduziu a "pesquisa-ação" como ferramenta de transformação social. Concebeu os grupos como sistemas dinâmicos abertos, com interdependência entre os membros. Destacou a importância da "quebra de equilíbrio", compreendida como o rompimento de um estado de estabilidade que, ao ser desestabilizado, gera um campo propício para mudança. Esse desequilíbrio é necessário para que os membros do grupo repensem suas ações, normas e relações, possibilitando a transformação do comportamento coletivo.
  • 3. Modelo de Pesquisa-Ação Atual Aplicação em escolas públicas para prevenção da evasão escolar: Fase 1 Diagnóstico participativo com alunos, professores e comunidade. Fase 2 Planejamento conjunto de intervenções (como mentorias, reforço escolar, escuta qualificada). Fase 3 Implementação com acompanhamento contínuo. Fase 4 Avaliação e replanejamento. Esse modelo permite a coautoria das mudanças pelos próprios sujeitos envolvidos no grupo.
  • 4. Exemplos Atuais de Dinâmica de Grupo 1 Grupos de inovação em startups Utilizam dinâmica horizontal para fomentar criatividade e soluções rápidas. 2 Grupos escolares de mediação de conflitos Promovem reflexão coletiva e mudanças comportamentais. 3 Grupos de voluntários em situações de emergência Atuam com base em liderança distribuída e organização por tarefas em situações como enchentes e queimadas.
  • 5. Enrique Pichon-Rivière e os Grupos Operativos Contribuição Teórica: 1 Grupo Operativo Desenvolveu o conceito de "grupo operativo", centrado na realização de uma tarefa com análise dos vínculos e papéis. Isso é feito por meio da observação contínua da interação dos membros do grupo com o objetivo comum, examinando como os afetos, resistências, conflitos e alianças impactam a realização da tarefa. O coordenador atua como facilitador para explicitar esses processos e promover a aprendizagem grupal. 2 ECRO Introduziu o conceito de ECRO (Esquema Conceitual, Referencial e Operativo), fundamental para interpretar o funcionamento grupal. O ECRO representa a forma como cada membro e o grupo como um todo percebem a realidade, e essa leitura influencia diretamente a maneira como as tarefas são realizadas e os vínculos se estabelecem. Um exemplo seria um grupo escolar que interpreta a indisciplina como "falta de motivação"; essa concepção orientará suas ações pedagógicas. 3 Tarefa Explícita vs. Implícita Enfatizou a dialética entre tarefa explícita (aquilo que o grupo acredita estar fazendo, como "estudar para uma prova") e tarefa implícita (processos inconscientes como competir entre si ou buscar reconhecimento do professor). Obstáculos surgem quando a tarefa implícita interfere na realização da tarefa explícita, sendo papel do coordenador ajudar o grupo a tomar consciência dessas dinâmicas.
  • 6. Exemplos Atuais de Grupos Operativos Grupos terapêuticos com adolescentes em situação de vulnerabilidade A tarefa explícita é promover escuta e expressão emocional. A tarefa implícita pode ser a busca por pertencimento ou resistência à autoridade. O coordenador identifica esses aspectos e ajuda o grupo a elaborar suas vivências afetivas, promovendo autonomia. Grupos de formação continuada de professores Trabalham com situações reais da prática docente. A análise dos vínculos entre os professores e o sistema educacional, seus sentimentos de impotência ou resistência à mudança, é essencial. O ECRO influencia como cada professor interpreta o fracasso escolar, por exemplo, se como falha individual do aluno ou como reflexo de desigualdades sociais. Grupos comunitários de prevenção à violência A tarefa explícita é reduzir os conflitos. Implicitamente, podem emergir disputas por liderança ou desconfianças históricas entre os membros. O grupo operativo possibilita o reconhecimento desses obstáculos, transformando- os em insumos para a ação coletiva.
  • 7. José Bleger e o Grupo como Instituição Contribuição Teórica: O grupo carrega e expressa a instituição: suas normas, valores e contradições. Exemplo: um grupo de professores pode refletir a rigidez hierárquica de uma escola tradicional, mesmo quando pretende discutir práticas inovadoras. Abordou o grupo como espaço de expressão de conflitos psíquicos e sociais. Ou seja, as tensões emocionais individuais se projetam e se amplificam nas dinâmicas grupais, tornando-se manifestações coletivas. Exemplo: um grupo de trabalho que apresenta resistência passiva frente a mudanças organizacionais, refletindo angústias e inseguranças individuais não elaboradas. Enfatizou a importância da administração técnica dos grupos, especialmente em contextos institucionais. Essa administração envolve o planejamento e a condução consciente do grupo com objetivos definidos, análise constante das interações e estratégias de intervenção para reduzir disfunções, resistências ou cristalizações de papéis que impedem a evolução grupal.
  • 8. Exemplos Atuais segundo Bleger 1 Grupos escolares de liderança estudantil Esses grupos refletem os valores institucionais da escola e também os contestam. A presença de normas tácitas e explícitas pode levar à reprodução da autoridade tradicional, mas também pode fomentar o protagonismo dos estudantes quando há espaço para elaboração dos conflitos e exercício da autonomia. O coordenador técnico pode facilitar esse processo promovendo escuta, debates e ações conjuntas. 2 Grupos em serviços de saúde mental institucionalizados Esses grupos revelam tensões entre a burocracia institucional (regras, fluxos, tempo reduzido) e o desejo dos profissionais por um cuidado mais humano e singularizado. O grupo funciona como expressão dessas contradições, e sua administração técnica pode auxiliar na elaboração coletiva das dificuldades, na redefinição de papéis e na promoção de práticas mais integradas. 3 Grupos de trabalho em ambientes corporativos tradicionais Comportamentos como silenciamento, competição exagerada ou resistência à inovação são manifestações dos conflitos institucionais internalizados pelos membros. A administração técnica, neste caso, visa favorecer um espaço de escuta, promover clareza sobre papéis e incentivar práticas colaborativas para ressignificar os vínculos e permitir maior adaptação às transformações exigidas pelo mercado.
  • 9. Grupos na Contemporaneidade Redes Sociais Formam grupos com forte coesão ideológica e emocional, favorecendo bolhas sociais. Movimentos Sociais Promovem reconhecimento identitário e articulação política coletiva. Saúde Mental Proliferação de grupos terapêuticos online para lidar com ansiedade, luto, burnout.
  • 10. Considerações Finais A psicologia dos grupos permite compreender como subjetividades são construídas e transformadas coletivamente. Autores como Lewin, Pichon-Rivière e Bleger mostram caminhos para intervir criticamente nas relações grupais, promovendo mudanças sociais e subjetivas. Referências (ABNT) • BLEGER, J. Temas de psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes, 1998. • MELO, A. S. E. et al. Lewin e a pesquisa-ação. Fractal: Revista de Psicologia, v. 28, n. 1, 2016. • PASQUALINI, J. C. et al. A dinâmica de grupo de Kurt Lewin. Estudos de Psicologia, v. 26, n. 2, 2021. • PICHON-RIVIÈRE, E. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes, 2005.